Dom Casmurro e os Discos Voadores ♥ Machado de Assis e Lúcio Manfredi

Em 10.02.2017   Arquivado em Resenhas

Bom dia, tarde e noite folks!

O post que era da quinta acabou virando da sexta. O blog estava com umas intermitências na hospedagem e estava impossível abrir e fazer qualquer coisa nele. Então, hoje, back to work e bora falar da leitura finalizada na madrugada de quinta, porque eu adoro terminar leituras nas madrugadas da vida…

Título: Dom Casmurro e os Discos Voadores

Autores: Machado de Assis e Lúcio Manfredi

Editora: Lua de Papel (LeYa)

Sinopse: A famosa personagem clássica Capitu, de Machado de Assis, tinha como principal característica os dissimulados olhos de ressaca. Nesta versão de “Dom Casmurro” escrita por Lúcio Manfredi, o mistério por trás dos olhos de Capitu vai além, está diretamente ligado ao mar. A trama romântica agora sofre a interferência de seres alienígenas e androides, disfarçados sob os personagens originais de Machado. Cabe ao leitor, identificar quem é quem. Bentinho não está apenas envolvido no triângulo amoroso, mas numa disputa de forças intergaláticas.Um combate entre as evoluídas civilizações reptiliana e aquática, que habitam o planeta Terra há milhões de anos. Como no livro original, o ciúme de Bentinho continua presente. Só que agora existe mais um motivo para sua desconfiança: a ligação entre a amada Capitu e seu melhor amigo Escobar não é mesmo deste mundo.

A impressão que eu tinha era a de que Capitu fora criada pelo destino com o único propósito de ser minha amiga. O que, num certo sentido, não deixa de ser verdade.

Seguindo a onda de recontar clássicos da literatura brasileira, a Editora Lua de Papel traz Dom Casmurro e os Discos Voadores. E, depois de ler Senhora, A Bruxa (tem resenha aqui!), fiquei bastante empolgada para começar este. E, como estes títulos estavam parados na estante e esse ano resolvi tirar a poeira da galera, fui bem ávida começar a leitura dessa versão de Dom Casmurro. Questionamentos? Apenas um: por que eu não li este livro antes?

“Um escritor mais talentoso do que eu poderia até dizer que apaixonar-se é criar uma religião pessoal em honra a um deus falível.”

Nesta versão de Dom Casmurro, esqueça o tradicional mover da história já conhecida: as desconfianças e ciúmes de Bentinho. Esse aspecto está no livro, mas de maneira secundária, como motivador principal das ações de Bentinho e não como motriz da história.

“Eu já amava, mas ainda não sabia a quem amar, e então amava o amor.”

Tio Cosme é apreciador das estrelas e, viciado nelas desde quando vê um disco voador cruzar o céu do Rio de Janeiro, uma noite antes da família do Pádua se mudarem para a casa ao lado de Bentinho. E aí, como já se espera, Capitu entra na vida do garoto que viria a ser Dom Casmurro.

“Um estímulo visual aplicado da maneira correta, no momento adequado, gera modificações em nosso cérebro que nem somos capazes de imaginar. Não estou falando de magia, mas de tecnologia. Se bem que, suponho, qualquer tecnologia suficientemente avançada não pode ser distinguida da magia.”

As nuances da história foram muito bem trabalhadas, mantendo a essência inicial do romance de Machado de Assis como base para desenvolvimento de uma trama de outro mundo. Bentinho precisa ir para o seminário, virar padre, como na obra original, devido à promessa que sua mãe fizera, contudo, a promessa e toda a motivação de sua mãe não é, de fato, genuína, mas uma trama bem elaborada pelos anunaques para boicotar os planos dos aquepalos em juntar Capitu e Bentinho, para o bem maior da humanidade, por assim dizer.

“- Não é que Capitu seja má pessoa, longe disso. Apesar daqueles olhos que o diabo lhe deu. Já reparou nos olhos dela? São assim, de cigana oblíqua e dissimulada.”

Como o próprio Bentinho bem observa, no início do livro, sim, ele era por demasiado bobo. As mensagens estranhas e conversas sem sentido estão ao seu redor o tempo todo, os sinais, por assim dizer, de que algo maior do que sua compreensão estava acontecendo estão latentes e, ele é incapaz de notá-las ou interiorizá-las para uma preparação mais profunda para o futuro.

“Olhos de ressaca? Vá lá, de ressaca. Traziam não sei que fluido misterioso, uma força que arrastava para dentro, como a onda que se retira da praia nos dias de ressaca do mar.”

Toda a fantasia abordada, entrelaçando mistérios alienígenas é tão bem intrincada à trama redesenhada que, parece ter surgido dela mesma, como se a justificativa para toda o ciúme de Bentinho só pudesse ter razão de ser em algo sobrenatural. Um detalhe importante: nesta versão há forças bem maiores que sentimentos humanos movendo os personagens e, assim, nem tudo se resume às especulações do nosso narrador ‘casmurrento’.

“Há guerras que são assim, começam e terminam num piscar de olhos. Há outras que se estendem por anos, séculos, milênios até. Algumas guerras se fazem no campo de batalha, em combates abertos, que são decididos por quem mostrar mais poder de fogo. Outras são travadas na surdina, pelos bastidores do mundo, por meio de manipulações sutis dos cordéis que movem o homem comum, ignorante do fato de que não passa de um peão num tabuleiro de xadrez.”

O ‘ingrediente’ ciúme está lá sim, e aparece em dosagens um tanto quanto mais homeopáticas do que da trama originária, e, se por intensão ou não do autor Manfredi, toda o desencontro final das vidas dos personagens, não reside apenas em tal fato. Muito pelo contrário, esta parte da história se torna por demais clara, e, não é por achar que Capitu fosse ou não infiel que Bentinho não consegue mais permanecer com a esposa.

“Eles transcenderam a carne e suas limitações. Existem apenas como padrões de informação pura. Seus poderes são ilimitados e seus desígnios são inescrutáveis.”

Então, não espere um longo embate sobre ‘Capitu traiu ou não Bentinho’, a questão aqui transcende tal caso, que, como dito, é colocado às claras. A questão envolve muito mais o embate sobre a aceitação do próximo, tal qual ele o é e, o autor que reescreve a trama, tem a sutileza de trazer a narrativa engraçada e cômica, atrelada a ideias mirabolantes e bem elaboradas sobre vidas vindas de outros planetas, a um status de crítica social revestida de uma ficção clássica repaginada.

“Os olhos de Capitu, arregalados de preocupação, eram dois lagos redondos numa noite chuvosa.”

É o tipo de leitura que tende a agradar a vários tipos de leitores, os que gostam de leituras leves e engraçadas, os que gostam de ver análises mirabolantes de clássicos e aqueles que não curtem clássicos, mas gostam de saber mais do borogodó que todo clássico tem, podendo lê-los nas entrelinhas dessa versão de Dom Casmurro e os Discos Voadores.

“A felicidade tem boa alma, não guarda rancores, e a minha não conhecia limites.”

Na Reclassificação de Livros, Dom Casmurro e os Discos Voadores é ‘leio assim que puder me sentar no ônibus‘. E quem aqui começou a reler Dom Casmurro depois de ler essa versão??? rs

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

  • carla

    Em 10.02.2017

    adoro dom casmurro, nunca vi esse livro mas adorei, ja vou procurar e colocar na minha lista de desejados

  • Nana Araujo

    Em 10.02.2017

    eu, eu, eu!
    não li o original mas quero ler este hahahah
    que edição mais linda, gostei muito das ilustrações. infelizmente ainda nao vi pra vender esse e o outro que tu fez resenha. quero pegar ele nas mãos e ver pessoalmente^^

    beijos xuxu

  • Retipatia

    Em 10.02.2017

    Esses livros eu tenho há tempos, mas acho que se procurar nas internet e sebo da vida deve achar, Nana! E leia o original também, são vibes super distintas!!! <3
    xoxo

  • Vickawaii

    Em 10.02.2017

    Eu estava bem serena procurando uma resenha para comentar e…wth esse título HUIEHEUI. Eu adoro Dom Casmurro, mas nunca li nenhum desses livros clássicos com zumbis/vampiros/et/coisas sobrenaturais, então não sei bem se eu ia gostar desse. Mesmo assim, deve ser elogiada a criatividade do autor, pelo que parece, ele conseguiu criar uma boa trama envolvendo alienígenas e esse clássico tão importante!

    Beijos, Vickawaii
    http://www.neverland.com.br

  • Retipatia

    Em 10.02.2017

    Oi Vick! Esse livro eh bem diferente mesmo!!! hehehe Tem uma pegada bem leve e engraçada. Pode ser que quem goste do clássico exatamente por ser um clássico, não curta muito a adaptação, mas se curtir fantasias despreocupadas, tá aí uma boa pedida! <3
    xoxo

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