A Boa Mentira

Em 24.01.2017   Arquivado em Reassistindo por Aí

Bom dia, tarde e noite folks!

Mais uma indicação de filme dos achados na Netflix. Na verdade, não é bem um achado porque o filme é da Paris Filmes e tem a Reese Witherspoon bem em destaque, na capa, o que já é suficiente para vender. Ainda assim, eu não conhecia o título e na Netflix você irá encontrar como ‘Uma Boa Mentira’, apesar de, em outros locais, constar como ‘A Boa Mentira’.

Título: A Boa Mentira

Título Original: The Good Lie

Disponível no Netflix

Direção: Philippe Falardeau

Paris Filmes

Ano: 2014

Sinopse: A guerra entre o Sudão do norte e do sul iniciou-se em 1983, destruindo vilarejos e devastando o país. Em 1987, milhares de crianças começam uma marcha em direção à Etiópia e depois ao Quênia, estas crianças ficaram conhecidas como ‘os garotos perdidos do Sudão’. O filme retrata a história dos sudaneses Mamere (Arnold Oceng), Jeremiah (Ger Duany), Paul (Emmanuel Jal) e Abital (Kuoth Wiel), que esperam no campo de refugiados do Quênia para serem levados aos Estados Unidos, conseguindo suas passagens apenas treze anos depois. Os quatro são recebidos por Carrie Davis (Reese Witherpoon), uma agente de empregos que foi destinada a lhes conseguir empregos, que é a condição de permanência no país.

Como dito na sinopse (escrita por mim porque todas as que encontrei ou focam na personagem da Reese, o que não é o caso do filme ou são muito pobres em descrever o assunto), os quatro conseguem, depois de passarem treze anos aguardando, suas passagens para os Estados Unidos. Eles já se tornaram inseparáveis, tanto pelos tormentos passados juntos, já que foram várias as perdas pretéritas e durante os 1.500 quilômetros caminhados até o Quênia, assim como a dificuldade do trajeto por si só. A fome, a exaustão, a morte de dois irmãos e de várias outras crianças que tentavam fugir. No início do filme, acompanhamos toda a luta das crianças até que elas conseguem chegar ao campo de refugiados.

A partir daí, o filme salta, para quando os quatro vão embarcar para os Estados Unidos. Mamere e Abital são irmãos de sangue, mas os quatro sentem como se fossem todos irmãos e os laços afetivos são abalados assim que eles chegam no aeroporto. Mamere, Jeremiah e Paul vão para o Kansas e Abital, para Boston. Pelas regras da imigração, uma mulher somente pode ser recebida por famílias e, nenhuma família quis ficar com Abital no Kansas, já que os três estão sendo recebidos pelo ‘Caridade Baseada na Fé’, um instituto cristão.

Assim, os três seguem para a vida em Kansas, levados por Carrie Davis até o local onde irão se alojar. De fato, Carrie não é a representante da Caridade Baseada na Fé, mas como a responsável fica presa no trânsito, é ela quem os acolhe e leva até a casa.

As diferenças culturais e o desconhecimento das novidades tecnológicas pelos três é visível desde o primeiro momento em que eles chegam no país e logo, surgem as dificuldades de adaptação, o choque cultural, os problemas com os empregos. E, nesse meio tempo, Carrie, junto de seu amigo Jack, começam a se aproximar dos três.

Após um tempo, Carrie consegue que Abital se mude para sua própria casa, assim, ela pode permanecer junto de seus irmãos, no Kansas.

A história parecia evoluir de um modo tranquilo a esta altura (dentro do possível, é claro), parecendo que os problemas seriam todos solucionados com o tempo. Eles trabalham, Mamere, que desejava ser médico começara a estudar. E a proximidade de Abital deixava a todos mais felizes.

Mamere sempre fora muito inteligente e, uma parte específica em que ele está tendo aulas, analisando o livro As Aventuras de Huckleberry Finn, a professora pergunta qual o significado de ‘uma boa mentira’. A resposta de uma das alunas é de que Huck mente para ‘sobreviver em situações desagradáveis’. A professora então, diz que as mentiras mudam durante o livro e questiona o porquê disso. A resposta de Mamere, que reproduzo da cena em questão, é uma das melhores falas do filme e dá o link com o título:

Mudam porque o Huck muda. […] Quando diz aos caçadores de escravos que não tem escravos, sua mentira é crível. Ele mente bem. Mas ainda mais importante que é uma mentira altruísta, porque salva o Jim. A liberdade do Jim é mais importante para o Huck do que o dinheiro que ganharia ao entregá-lo. Então é uma boa mentira.

Contudo, surge uma reviravolta inesperada. Mamere recebe uma carta vinda do campo de refugiados. A carta dizia que seu irmão mais velho ainda estava vivo e estava no campo de refugiados a esta altura. O irmão mais velho, Theo, entregou-se aos soldados do norte quando estes estavam prestes a descobrir a ele e as outras crianças, salvando, em especial, Memere, que foi quem os soldados avistaram primeiro.

Jack e Carrie se disponibilizam a ajudar Memere a tentar trazer o irmão de volta, contudo, nada poderia ser feito. O mundo acabara de mudar. Os ataques de 11 de setembro acabaram de ocorrer e não havia previsão de quando outro avião de refugiados sairia, ou se sequer sairia. A única chance seria Mamere voltar até o campo de refugiados e, tendo certeza de que se tratava de seu irmão, tentar com todas as embaixadas amigas o visto de seu irmão.

E é o que ele faz, viaja de volta para o Quênia e lá, depois de muita procura, encontra com seu irmão Theo. Então, começam as inúmeras tentativas de buscar ajuda com as embaixadas, mas nenhuma se mostra flexível, disposta a negociar ou ajudar. E é assim que Memere decide dar seus documentos ao irmão Theo e fazer com que apenas o irmão embarque para os Estados Unidos, retornando para o campo de refugiados, em seu lugar.

Eu devo dizer que meu coração doeu – ainda mais – nessa parte do filme, Memere queria devolver a vida que ele sentia ter tomado do irmão, então é isso que ele faz, com uma ‘boa mentira’, dá a chance de uma vida diferente para Theo. Ninguém iria desmenti-lo ou qualquer coisa do gênero, não sua irmã, seus irmãos ou Carrie ou Jack. Porque é uma boa mentira, porque é altruísta.

O filme traz uma excelente reflexão não apenas neste ponto, mas também de muito que se desconhece ou se passa despercebido pela história. São milhares de refugiados, milhares de vidas. E cada uma delas merece o melhor, ainda que isso esteja longe de seu alcance.

 A mensagem final do filme mostra que milhares de refugiados, até o ano de 2000, chegaram aos Estados Unidos, a maioria tendo obtidos seus vistos e chegado até mesmo a cursar faculdade. tornando-se profissionais das mais diversas áreas.

Arnold Ocen, o ator que interpretou Mamere é filho de pai refugiado do Sudão. Ger Duan, o ator que interpretou Jeremiah é refugiado do Sudão e ex criança soldado. Emmanuel Jal, o ator que interpretou Paul, é refugiado do Sudão e ex criança soldado. Kuoth Wiel, a atriz que interpretou Abital é refugiada do Sudão.

“Se quiser ir rápido, vá sozinho. Se quiser ir longe, vá em grupo. Provérbio africano.”

Na Reclassificação de Filmes, Uma Boa Mentira é um filme Fora de Série.

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

Fonte Imagens do Post

  • Leatrice Cristine da Silva Barros

    Em 24.01.2017

    Oiiie!

    Adorei a indicação. Não conhecia ainda e fiquei curiosa para conhecer esses refugiados!

    Beijos

  • Retipatia

    Em 24.01.2017

    Oi Leatrice! O filme é muito bom, vai lá matar essa curiosidade! rs <3
    xoxo

  • Amanda

    Em 24.01.2017

    Quanta coisa maravilhosa fica escondida na Netflix, né? Eu nunca ouvi falar desse filme e, olhando os seus posts, esse logo me chamou atenção porque eu gosto muito desse debate sobre os refugiados. Adorei a indicação, já adicionei aqui para assistir com calma!

    Beijos!

  • Retipatia

    Em 24.01.2017

    Oi Amanda! Sim, o filme teve pouca divulgação e achei ele na Netflix bem por acaso. Ele traz um relato muito sensível sobre a situação e vale a pena conferir! 🙂
    xoxo

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