BEDA #7 ♥ Holding The Man

Em 07.08.2016   Arquivado em Reassistindo por Aí

Bom dia, tarde e noite people!

Neste domingo preguiçoso, sétimo dia de BEDA (quem não conhece o projeto pode ficar por dentro clicando aqui), dia de postagem aleatória, vou falar de dois filmes que foram dois pequenos achados na Netflix, eu ia falar de dois filmes, mas me empolguei tanto falando do primeiro que achei melhor deixar o outro para um próximo post.

Ontem à noite eu assisti a Holding The Man e a Tallulah, filmes que encontrei por acaso na Netflix e resolvi ver. Confesso que estava procurando filmes leves, mas nenhum pode ser enquadrado nessa definição. Não que sejam os filmes mais tristes que já assisti, mas não são filmes totalmente ‘light’, por assim dizer.

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Holding The Man (a versão disponível no Netflix também aparece com o nome em inglês, em tradução livre seria algo como “segurando o homem” e se refere a uma transgressão às regras do futebol australiano – Fonte: Wikipedia)
Direção Neil Armfield
Classificação 18 anos
A sinopse, nas palavras de chamada do Netflix, compreende: “As dificuldades em uma história de amor impossível foram vencidas. Será preciso lutar para superar novos desafios.”. (Fonte: Netflix)

Certo, a sinopse do site não diz quase nada sobre o filme, mas achei que seria apenas uma história de amor adolescente, com as dificuldades que um casal LGBT passa (não que isso seja fácil, aceitável ou simples)… Mas o filme é muito mais do que isso, vai muito além. De modo algum estava preparada para todo o desenrolar da história.

Anos 70. Austrália. Um jovem chamado Timothy Conigrave, que logo vamos chamar apenas de Tim, tenta entrar para o teatro da escola. Enquanto isso, o jovem astro do futebol John Caleo disputa uma partida importante, mas acaba tendo a perna quebrada em um lance. Neste momento, durante a partida de futebol, John repete para o juiz várias vezes o termo “holding the man”, quando a equipe adversária estava claramente infringindo as regras do jogo e segurando um jogador.

Tim visita John no hospital e este é, de fato, o momento em que os dois se conhecem. Tim já sabia quem John era porque um dos irmãos de John também está na peça da escola.

John não vai a peça de teatro, mas logo Tim consegue se aproximar e os dois acabam por ir jantar juntos de algumas amigas de Tim. Os dias passam e Tim se aproxima cada vez mais de John, e logo os dois apaixonados estão sorrateiramente se encontrando após a escola.

Dado dia, os dois se desentendem quando Tim tenta transar com John. Para se desculpar, Tim escreve uma carta e entrega a John na sala de aula. Mas, o professor encontra a carta e, logo os dois se veem ouvindo um discurso de que vários garotos passam por isso, que é apenas uma fase e que o colégio (católico) não admite tal comportamento.

Claro que os garotos ignoram o sermão e continuam se vendo. Tim conhece a família de John, sendo que o pai de John o agradece pela amizade que tem com o filho, já que desde que os dois começaram a amizade (nenhuma das famílias sabe do namoro dos dois), John tem sido muito mais feliz.

Tim e John viajam com três outros amigos e, quando se veem sozinhos, os garotos aproveitam para transar. Contudo, no meio do ato, seus amigos voltam a casa em que eles estão e flagram os dois juntos. Várias piadinhas já haviam sido feitas pelos amigos em relação à sexualidade de Tim, mas sempre no tom de ‘brincadeira’. Algumas desavenças são superadas e todos os amigos permanecem unidos. Parece tudo muito bom para ser verdade.

Os problemas se intensificam quando o pai de John encontra, por acaso, a carta de desculpas que Tim deu para John. Quando os dois retornam da viagem, Tim é confrontado por seus pais que, contam que foram ameaçados com um processo judicial pelo pai de John, o Bob Caleo, exigindo a separação dos dois.

A revolta de Tim é intensa, e logo ele vai até a casa de John, que ouve seu pai dizendo que ele irá iniciar um tratamento com um psicólogo, para ajudar a superar a fase e Tim. Contudo, assim que tem a chance, os dois saem da casa de John juntos, em um ato de rebeldia.

Passam alguns anos e os dois estão na faculdade, lutando para manter um relacionamento. Tim deseja se aventurar em experiências, inclusive sexuais, que John não deseja. Nesse meio tempo, Tim é aceito em uma universidade de teatro renomada, em outra cidade. Por vontade de Tim, os dois acabam se separando, fase em que acompanhamos os passos de Tim, ‘vivendo la vida louca’.

Apesar da liberdade conquistada, Tim sente um vazio que ninguém preenche e, quando John vai até a faculdade assistir a um de seus espetáculos, os dois reatam.

Tim está escrevendo uma peça e, para isso, entrevista alguns portadores do HIV. E, um dos entrevistados, logo diz que Tim apenas quer fazer esta pesquisa para saber o que poderá ocorrer com ele. John afirma não ser portador do vírus, mas a semente da dúvida fora plantada e, logo o casal vai fazer o teste.

Ambos são soropositivo. O resultado dado faz dar a entender que quem fora o transmissor do vírus fora John. A partir daí, a vida de ambos muda, com a aceitação da doença e o avanço rápido do câncer de pulmão, inciado devido à AIDS, de John.

No casamento da irmã de Tim, ele recebe uma carta do banco de sangue informando que seu sangue está contaminado. A data indica que ele já estava contaminado bem antes do que o exame médico supunha. A verdade é que fora Tim quem transmitiu AIDS para John. Suas palavras para sua mãe são: eu matei o homem que eu amo.

As próximas passagens são sempre ternas, uma demonstração de amor infinita entre os personagens, que se apoiam a todo momento. John entra em um estágio avançado da doença e parece sempre mais e mais debilitado. Tim, por sua vez, logo começa a ter problemas em sua visão e, um dia no hospital, desmaia. Diagnóstico: toxoplasmose. Tim é internado por um tempo junto a John.

Os tratamentos começam a surtir efeito em John, e apesar do estado frágil e debilitado, é permitido que ele ambos passem o Natal, junto da família. A sorte não dura muito e logo John é internado novamente.

O momento de sua despedida chegou. John morre à presença de seus pais e de Tim. Todavia, mesmo o casamento dos dois ter durado 15 anos, Tim é citado no funeral apenas como amigo de John. A família não queria que nada como ‘gay’, ‘HIV’, ‘AIDS’, parecesse durante os discursos.

A partir de então, Tim começa a escrever sua história e de John, no que viraria a ser o livro intitulado de Holding the Man.

O livro existe, a história é a vida de duas pessoas que se amam e, em tempos que ser homossexual era crime, lutou para viverem seu amor.

A história mostra muito mais do que esse nem tão breve resumo. Conseguiu me arrancar algumas lágrimas (eu que antigamente não chorava em nada!!!), porque é um relato sincero e humano. Tim nunca contou para John que fora ele quem lhe transmitira HIV. A família de John também não soubera disso. E, apesar de não ser o correto, é compreensível o porque ele guarda o segredo. Ele já era responsabilizado, especialmente por Bob, pai de John, pela homossexualidade de seu filho, que, provavelmente lhe pareceu grave demais contar. O peso que ele carregou por isso sem dúvidas, fora tremendo, e é mais provável que tivesse sido um ato de libertação, contar. Mas essa não é uma história previsível, em que os autores escolhem a dedo os atos de cada personagem. É reflexo da vida, dos autos e baixos de pessoas de verdade.

É um filme bonito e inspirador. Mostra a realidade cruel e discriminatória pela qual muitos casais homossexuais passam, à época da década de 70 em diante e que, infelizmente, é repetida ainda hoje. Apesar do início um pouco parado e que parece não prometer muito, recomendo que assistam, é surpreendente e tocante. A história cresce, assim como seus personagens.

Na Reclassificação de Filmes, ele é Muito Bom.

xoxo

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  • Nana Araujo

    Em 07.08.2016

    Parece muito bom mesmo!!!
    Quero ver!
    Que triste isso da família não aceitar alguém que te faz bem… Mas ainda bem que estamos mudando!
    Beijos

  • Hanna Marques

    Em 07.08.2016

    Assistirei! <3

  • BEDA #13 ♥ Tallulah | Retipatia

    Em 07.08.2016

    […] O escolhido de hoje é o filme Tallulah, uma produção original da Netflix, que assisti logo em seguida a terminar Honding The Man (tem post aqui no blog sobre o filme, só ver aqui). […]

  • Lucas

    Em 07.08.2016

    Depois desse filme eu só quero um rivotril e um abraço! Mas amo demaais s2. Tô dextruido por dentro? Tô. Mas nada supera o sentimento q é passado pela história <3 depois de assistir 3x (em uma semana) só quero abraçar o Tim e dizer q ele cumpriu sua missão de contar a história de amor entre ele e John.

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