Quando Ela Desaparecer ♥ Victor Bonini

Resenha do livro Quando Ela Desaparecer de Victor Bonini, autor de O Casamento e Colega de Quarto, publicado em 2019 pela Faro Editorial.

Quando Ela Desaparecer

Victor Bonini

2019 | 272p.

Faro Editorial

“Esperar. É a tortura de qualquer parente nessa situação. Muitas vezes, esperam para sempre. Seus amados foram embora e nunca mais voltarão.”

Resenha do livro Quando Ela Desaparecer de Victor Bonini, autor de O Casamento e Colega de Quarto, publicado em 2019 pela Faro Editorial.
Sobre Victor Bonini

Victor Bonini nasceu em São Paulo, morou em Vinhedo, interior do estado, e voltou à capital aos dezoito anos para cursar jornalismo. Sempre lhe perguntam se, ao longo da vida, havia indícios de que seria um autor de mistério. Aos sete anos, escolheu o filme Pânico como tema da festa de aniversário. Na adolescência, devorou todos os livros policiais e de terror que pôde encontrar.

Na universidade, seu elogiado trabalho de conclusão de curso, em parceria com Mariana Janjácomo, foi um livro sobre o caso Pesseghini, apresentando vários aspectos do crime que chocou o país em 2013. O trabalho não foi publicado a pedido da família das vítimas. E aos vinte e dois anos, quando lançou seu primeiro livro, Colega de Quarto, pela Faro Editorial, ele finalmente entendeu que escrever é a forma de dar vazão a debates internos sobre a lógica de crimes e a mente dos psicopatas — pensamentos que o assombram como ideias para a ficção, querendo emergir.

Resenha do livro Quando Ela Desaparecer de Victor Bonini, autor de O Casamento e Colega de Quarto, publicado em 2019 pela Faro Editorial.
Sinopse de Quando Ela Desaparecer

Uma garota de dezesseis anos desaparece durante uma excursão escolar. Mas não se trata de qualquer garota. Dois anos atrás, ela esteve à beira da morte, e quando foi encontrada, ninguém acreditou que sobreviveria.

Agora, há dois meses desaparecida, não restam dúvidas de que esteja morta. Rastros de sangue e um colar arrancado são as únicas pistas. Pressionados, os policiais estão desesperados por respostas, mas ninguém na longa lista de suspeitos parece ter forte motivação para cometer um crime.

Até que o caso vira de cabeça para baixo e segredos muito bem enterrados emergem para revelar o lado cruel de um lugar aparentemente tranquilo. No meio de tantos possíveis culpados, os inocentes é que estão mais aflitos… porque alguns deles começaram a morrer.

Quando Ela Desaparecer

A história que lhe será contada aconteceu no Cecap. Foi real, mais real ainda pra todo mundo que mora lá ou tanto quanto outra que se veja no telejornal. Todo mundo passou por tudo, de certa forma. É provável que você tenha acompanhado pelos jornais, apareceu em quase todos e não foi só nos de São Paulo. Imagino que nem que seja pela internet você deva ter visto.

Ou sentido. O desespero, a angústia, o medo. O que parecia um lugar seguro se tornou um poço de desconfiança. É como se qualquer um ao seu redor se tornasse, de repente, suspeito. De sequestro e de coisa pior. Se é que dá pra medir esse tipo de coisa.

Resenha do livro Quando Ela Desaparecer de Victor Bonini, autor de O Casamento e Colega de Quarto, publicado em 2019 pela Faro Editorial.

A jornalista Sarah nos dá o panorama do crime que parou o Cecap, que bagunçou a vida de muita gente. Ela mostra os trechos das gravações, as conversas, as lembranças e tudo mais que foi manchete. É claro que, ao longo da jornada que é a procura de Kika, ela também dá sua opinião. Mas, não vamos nos adiantar.

Foi a Kika quem desapareceu, aquela garota linda que ganhou o concurso de Miss Guarulhos e depois aconteceu aquela barbaridade. E, dois anos depois, ela desaparecida. É de dar aperto no coração, ainda mais quando se conhece a mãe dela, a Maria João. Dois dedos de prosa a gente já percebe que ela é pessoa boa, querida, coração bom, sabe?

“Como será possível que uma garota de dezesseis anos sumisse do mapa sem gritos? Sem testemunha? Sem vestígio?”

Imagina a angústia de quase perder a filha uma vez e, depois, ela sumir? Tem coisas que jamais se deseja pra alguém, por mais que não seja alguém que sejamos próximos ou gostamos muito. Essa é uma delas. Mãe é o tipo de criatura que jamais deveria passar esse tipo de aperto no peito.

E, falando em aperto, é como a polícia fica, os investigadores, toda pista parece sempre dar em nada. Nada de nada. E daí, quanto mais se cava, mais ideias surgem, mais sem sentido fica e parece que todos são culpados ou ninguém o é. São vários personagens-pessoas-suspeitos-inocentes-culpados que se misturam a todo tempo.

Tem segredo sujo que parece ainda grudado debaixo da unha das pessoas, um ar pesado e sensação de embrulho no estômago que atinge até o colégio que a Kika estudava. E aqueles que eram próximos dela, qualquer um que, um instante sequer, tenha passado perto dela, por bem dizer. Tem segredo pipocando, mas as peças não se encaixam e, ao correr os olhos pelas novas manchetes, é preciso reler. Será mesmo possível? Como ninguém pensou nisso antes? Ninguém esperava por isso? Como que ninguém viu? Como mesmo que isso aconteceu? Será verdade?

Quando ela desapareceu ficou um buraco, dele saiu fedor, coisas horríveis, bullying, injustiça, crimes, um bando de coisa muitas vezes varrida pra debaixo do tapete, por medo, por não acreditar, até por amor. E então, muita gente abriu os olhos, máscaras caíram e o horrível tomou forma. Será isso mesmo?

Resenha do livro Quando Ela Desaparecer de Victor Bonini, autor de O Casamento e Colega de Quarto, publicado em 2019 pela Faro Editorial.
“Eu via meus amigos próximos virarem bárbaros, estava, seriamente falando em espancar gente. Perdi o chão ao refletir como a violência é fácil. Lembrei-me daquilo que o próprio pastor Bartolomeu tinha exclamado à mesa, durante o jantar: ‘O diabo é nosso vizinho no dia a dia, sabe? É tão presente que… bem, que poderia muito bem estar aí, sentado na mesa com a gente’.”

Quando Ela Desaparecer é um misto de investigação policial, suspense e mistério, pronto para fazer brotar mil e uma teorias na mente do leitor, mas jamais permitir que a verdade apareça, ela foi enterrada muito bem. Cheio de críticas sociais e ao sistema investigativo policial brasileiro, o livro é uma leitura ágil e traz um caso curioso: quando ela desaparecer, o que será que vai surgir?

Um ponto que poderia ter sido melhor trabalhado durante a trama é intrínseco ao plot twist que acontece no fim do livro, já que a reviravolta não se justifica com firmeza sobre os elementos que são apresentados durante o desenvolvimento da história. O que torna a reviravolta, de fato, imprevisível para o leitor, mas, ao mesmo tempo, sem base concreta que se formar. Especialmente no tocante ao transtorno de personalidade antissocial, pela leitura que a obra expõe, ele se resume à umas três características pouco marcantes que podem também fazer parte de outros transtornos ou mesmo de comportamentos justificados por outras razões.

Esse fato desabonou parte da leitura, pois a surpresa no fim da trama, trouxe certa indignação, já que a ideia não se sustentou. Um dos pontos altos em um suspense é notar o como as peças foram dispostas para o leitor de maneira inteligente ao longo da história e notadas pelo leitor apenas ao fim, embasando o final, infelizmente não foi essa sensação da leitura.

Ainda assim, uma leitura que faz pensar, especialmente sobre as críticas bem intrínsecas à trama: bullying escolar, stalkers, preconceito, descobertas da época da puberdade, o sistema brasileiro de investigação, a precariedade de recursos para tanto, a violência e a facilidade com que culpados são tachados, vidas são destruídas e palcos para execução são armados com ajuda da mídia e opinião popular.

Aleatoriedades

xoxo

Retipatia

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