Fallen ♥ Análise do Livro e do Filme

Em 20.12.2016   Arquivado em Reassistindo por Aí, Resenhas

Bom dia, tarde e noite people!

Após um pequeno hiato aqui no blog, volto para falar de uma das minhas coisas favoritas: cinema! Ou, se é que dá para melhorar, a adaptação de livros para o cinema. Claro que várias deixam a desejar, mas é sempre bom a expectativa e ver a versão da história tão adorada de um livro, na tela grande.

E ressalto a palavra versão porque, esperar qualquer coisa ipsis litteris, é impossível. Acho que as boas adaptações são aquelas que, ainda que com mudanças, não perdem a essência do livro. Não costumo ser adepta a apenas dizer que o livro é melhor só porque é mais completo ou apresentou algo de uma maneira diferente. Aliás, nem sou dada muito à comparações do gênero, ou melhor dizendo, sim, eu comparo, porque é praticamente inevitável, mas eu tento sempre avaliar a obra sob seu tipo próprio, um filme como um filme e um livro como um livro.

O livro Fallen, ao contrário do que muitos pensam, é uma quadrilogia, ou série, como preferir definir, da autora Lauren Kate, lançado no Brasil pela Editora Galera, e não uma trilogia, composta pelos seguintes títulos: Fallen, Tormenta, Paixão e Êxtase. Há ainda três spin-off: Apaixonados, Anjos na Escuridão e O Livro de Cam (o único que ainda não li e está na lista de leitura de 2017).

Antes de falar do filme – e, deixando claro que há muito spoiler aqui, tanto do livro quanto do filme! – deixa eu contar que li esses livros há uns bons anos e que, ao reler o primeiro volume neste ano, tive minha percepção aguçada para várias coisas que eram quase imperceptíveis, para mim, há prováveis não muitos anos assim (considerando que o primeiro livro foi lançado no fim de 2009 e o último, em 2012 aqui no BR).

Fallen é aquela história fofa, água com açúcar e que traz personagens misteriosos que logo fazem – ressalte-se que isso vale para os adoradores de um livro teen, porque não acho que seja sequer YA – você virar as páginas com rapidez e desejar descobrir o que vai acontecer no capítulo seguinte e o que será da vida dos personagens.

Claramente, a distinção entre Força e Lado Negro se vê representada por dois personagens, ao menos inicialmente: de um lado temos Cam, o bad boy que chama a atenção da protagonista Lucinda – Luce, para os íntimos – enquanto ela se vê misteriosamente atraída por Daniel, um rapaz que, ao contrário de Cam, é mau educado e faz pouco caso dela. Luce, por sua vez, não consegue desligar-se da ideia de que conhece Daniel.

No vai e vem, alguns aspectos, agora que tenho o orgulho de me considerar basicamente, uma padawan feminista, são do tipo que saltam aos olhos durante a leitura. Não digo apenas a parte em que Luce precisa ser constantemente salva, sob a justificativa dela ser uma reles humana envolta em um mundo de anjos de demônios, mas também outros aspectos que, pensando razoavelmente, não precisavam ocorrer de tal maneira, na trama do livro.

Luce, durante sua busca por saber mais sobre Daniel, parece uma verdadeira e autêntica stalker. E, não há como tirar um sentido bom disso. Sim, ela praticamente persegue o garoto, Googlando o nome dele, pesquisando avidamente – e ilegalmente – nos registros da Sword & Cross (internato para jovens problemáticos no qual ela é mandada após um incidente misterioso que resulta na morte de um garoto) e por aí vai, tudo em nome de um amor e sentimento de pertencimento que ele nega e ela tende a afirmar para si própria.

Quando se olha tudo isso sob o aspecto ‘romantizado’ da coisa, pode parecer legal. Mas como eu disse, o romanceado, no caso, disfarça problemas reais. A conexão misteriosa e antiga entre os dois personagens, poderia ser bem legal, se não levasse Luce à um extremo. Amor não correspondido não deve ser resolvido com perseguição, afinal de contas.

Já mencionei o fato dela ser a donzela em perigo? Sim, vários incidentes e ela, em perigo, sendo salva de modos peculiares como a Isabella, de Crepúsculo, alguns poucos anos antes. E, só não vou discorrer sobre o lance todo da donzela em perigo porque isso é assunto para um livro inteiro, tese de mestrado, doutorado (ou para um próximo post)… Mas, não precisa pensar muito para que a ideia paulatinamente apresentada de que as garotas precisam sempre de alguém para salvá-las, não é uma boa ideia. Fora isso, há o romanceamento de garotos brigando por uma garota. O que também não é, claramente, ideal ou legal.

Além disso tudo, o desprezo demonstrado pelo mocinho Daniel para com Luce, nossa garota em perigo, é visto por ela como um disfarce, uma armadura contra os próprios sentimentos do garoto que, por alguma razão desconhecida por ela, não quer dar o braço a torcer de que também sente algo por Luce. O problema disso – ou deveria dizer problemão? – é a afirmação constante de que, quando garotos maltratam garotas, é porque gostam delas. E isso, meus caros, não é nada mais nada menos que a ideia de que, mesmo maltratadas, violentadas, abusadas e desprezadas, em algum lugar no meio disso tudo, há um utópico amor que faz tudo valer a pena.

E isso, eu estava apenas apontando alguns dos problemas. E daí você me pergunta, e você ainda gosta desse livro? Bom, é um pouco difícil eu desgostar dele de uma hora para outra e, nem pretendo. Não porque eu queira passar por cima dos problemas que eu mesma acabei de listar e ainda somado ao fato de que achei a escrita bem mais simples do que me lembrava (para não dizer pobre) nessa ‘relida’ que dei no livro, mas, não numa visão romântica de que o amor vence tudo (olha o spoiler: é o que ocorre ao fim da saga…), mais pelo fato de que gosto do enredo desenvolvido e da história como um todo, a ideia de anjos, demônios e seres imortais. Essa ideia da luta tênue entre bem e mal que acaba misturando as coisas e mostrando que nada é tão simples e diferenciável. sempre me chamou a atenção (e vemos isso mais aprofundado nos próximos livros). Além disso, os personagens em si, como a própria Luce, podem ser considerados cativantes. Talvez não Daniel, porque ele é meloso demais para o meu gosto ahahaha.

Depois de duas horas discorrendo sobre o livro,  vamos falar do filme. Há alguns anos havia o rumor de que a Disney havia comprado os direitos para produção do filme e tudo o mais. Quase que em silêncio e sem burburinho e grandes repercussões, Fallen foi anunciado – finalmente – para o fim de dezembro desse ano. Para deixar os fãs ainda mais loucos, a estréia que era, salvo engano, para o dia 31, foi antecipada para o último dia 08.

E eu, como boa expectadora, estive na sala grande de cinema em um dia animado que era para ser de compras natalinas e que virou dia de cinema com minha irmã, em uma longa estadia no shopping para assistir Fallen e, em seguida, Anjos da Noite – Guerras de Sangue (falei sobre ele lá no Juntando as Nerdices!).

O filme, que, não, não é Disney (o que pode ser até algum ponto positivo, depois de bem, Nárnia…), traz uma visão, obviamente diferenciada do livro, já que, este último é contado sob o ponto de vista de Luce e, o filme traz a narrativa ampla dos personagens.

Aquela sensação de descoberta das coisas aos poucos, que o livro lhe dá, já que você acompanha apenas a trajetória de Lucinda, é posta de lado no filme, que se inicia com uma apresentação instrutiva sobre a queda dos anjos do céu, quando Lúcifer se rebela contra os desígnios de Deus. Além disso, várias são as situações criadas que o fazem identificar imediatamente e facilmente quem está de que lado, quem é Ange ou Démon (como o perfume da Givenchy… kkk) e quem ama quem e quem pega quem…

Claro, não digo que precisamos ter toda a dramática envolvida na parte de desvendar as coisas sob o ponto de vista apenas de Luce, mas basicamente, foi tudo entregue de bandeja ao expectador e isso me incomodou um pouco.

As nuances entre o relacionamento entre Luce e Daniel também foram pouco exploradas e, parece, bem mais do que no livro, que Daniel está apenas sendo idiota (o que realmente está, mas sem aquele fundo de ‘não podemos, ou você vai morrer’). Posso dizer que, no quesito drama, Daniel ganha em disparada, mas eu já gostava do ator Jeremy Irvine desde Cavalo de Guerra e, sério, ele se sai bem nas caras de sofrência quase como se conhecesse um bom sertanojo universitário brasileiro para se inspirar (sério, 99,9% das músicas falam de amor. Amor. Amor, amor não correspondido, coração partido e blá blá blá. Para quem não pegou a deixa essa é a minha definição – sertanejo + nojo – para o boom de sertanejo subintitulado de universitário que toca em todos os lugares).

Como um todo, a adaptação, que me deixou pasma por durar apenas 1h30, que poderiam ser 2h, para mostrar umas coisinhas de maneira mais clara e legal (por exemplo, simplesmente excluíram o cemitério da Sword & Cross. Como assim? Tudo acontece no cemitério…), ainda tem alguns pontos positivos para o filme.

A escola Sword & Cross, em quase todos os aspectos, é um deles. Sua aparência externa é bem legal, captou bem o espírito da escola do livro, ainda que em um estado melhor de conservação. Nesse aspecto, o quarto que Luce é enviada é muito melhor de aparência do que o que se espera pela descrição do livro.

Ah e, se é para falar de aparência, uma coisa precisa ser dita, ainda que por mero capricho meu: o cabelo de Luce está completamente errado. Sim, errado. Ele deveria ser curto, não passando dos ombros e não mediano, como no filme. Preto. Não castanho com uns reflexos fashion. E, no mínimo, ondulado. Luce sempre fala de seus cachos e que as ondas estão começando a se alongar com o comprimento. Sim, isso foi dito aqui só porque é a parte mais errada de identificação da personagem.

Claro que posso dizer que o Cam, na minha imaginação, é só apenas Ian Somerhalder, ou, para os mais íntimos, o Damon, de The Vampire Diaries. E, apesar de não curtir muito o ator Harrison Gilbertson, só porque ele não é o Damon, digo, o Ian, ele acabou desfazendo essa barreira que criei, porque ele é muito mais simpático na tela do que na – única – foto de divulgação do filme.

Não falei sobre Luce, mas gostei da atriz escolhida também, Addison Timlin. Combinou e é uma boa referência para a Luce. Além disso, a senhorita Sophie, vivida por Joely Richardson e a fofa Pennyweather, por Lola Kirke, também soaram muito bem em seus papéis.

Um último ponto desabonador, antes de eu voltar a falar do ponto positivo que superou o livro, é que a amizade desenvolvida, ainda que tortamente, entre Luce e Arriane, fora totalmente ignorada no enredo. Mas, vida que segue.

Depois de tantos contras, o filme trouxe uma tentativa, ainda que sutil e talvez, para os fãs da saga, visto como um erro, foi que Luce não pareceu – tão – stalker em relação à Daniel, simplesmente porque o filme não deu tempo para que ela tivesse tantas tentativas mal sucedidas de perseguição, provavelmente. Mas ainda assim, houve sutileza na tratativa do interesse dela quanto ao rapaz, especialmente quando se compara ao livro.

Além disso, deram um toque a mais de independência para Luce que, sempre precisando ser salva, em uma das brigas entre Cam e Daniel, simplesmente os larga e de lado e vai embora numa moto poderosa. Bem, pode parecer besteira, mas soa bem melhor do que esperar que seu príncipe anjo apareça, brigue por você e te leve embora no carro furtado emprestado da Srta. Sophia. E quando digo que soa bem melhor, é porque mostra que Luce não é simplesmente dependente de ser resgatada, que não está ali esperando que um deles saia inteiro para levá-la como prêmio (e ela Graças a Deus não demora três livros para decidir qual…).

Sim, eu adorei as asas místicas, cintilantes e quase glitterizadas do filme, apesar de ter esperado – sem sucesso – ver Gabbe dar uma surra em Cam (não que eu aprecie a violência em si, mas a superioridade inexplicável dela é interessante), o que não tem nada a ver com asas, no fim das contas.

Na minha Reclassificação de Filmes, Fallen não poderia não ser parte da minha sessão bônus: Bom, de tão ruim que é! O que não dispensa o acumulável bônus de que sim, terei o bluray desse filme em minha coleção.

Para quem leu toda essa introdução ao que poderia ser um tema de monografia, obrigada e até breve! Para quem só está lendo esta última frase, em tom de ‘essa garota fala escreve demais!’, só posso dizer que você está perdendo a oportunidade de criticar as frases acima com propriedade. rsrs

May the Force be with you!

xoxo

Ouvindo em replay: Budapest – George Ezra

Fonte Imagens: Fallen Brasil, Adoro Cinema e Sobre Pop.

  • Fernanda

    Em 20.12.2016

    Eu li pelo celular e por isso não tinha comentado ainda, mas você já sabe a minha opinião sobre o filme. Acho que fantasiaram no enredo, além das mudanças. Eu gostei do filme mas concordo que deveria ser um pouco mais longo, pelo menos uma meia hora, teria ajudado muito e não precisariam entrar na história do segundo livro pra finalizar o primeiro filme. Sobre os atores, continuo achando os três muito sem graça, nenhum alcança meus atores ideais para os papéis principais.

  • Lila Martins

    Em 20.12.2016

    É um pequeno preconceito meu esses livros/filmes com mocinhas em perigo e todo esse romance água com açúcar cheio de emoções exacerbadas. (Digo do que leio porque o que eu escrevo né? Chega a soar hipócrita). Enfim, em casos como esse eu costumo me apegar a história, ao enredo e por isso acho que fui por tanto tempo fã de Crepúsculo! Não li Fallen e não sei se ia curtir, porque, a sinopse não me atrai como trama, não sei se é impressão minha, mas não rola nada mais além de muito romance, pelo menos pelas resenhas que li, não achei o “algo a mais”, mas super entendo o seu amor pela série apesar dos pesares, tenho alguns queridinhos assim também. kkkkkkkk

  • Kerolayne Silveira

    Em 20.12.2016

    Eu li muito tempo atrás e agora pensando bem acho incrivel como eu deixei passar tudo a stalkeacao, donzela em perigo. Preciso reler urgente!!!!
    Afff o cinema da minha cidade até agora nao passou a adaptação…
    Beijos

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