Resenha do livro Uma Mulher na Escuridão, suspense investigativo de Charlie Donlea, publicado em 2019 pela Faro Editorial.
O Construtor de Pontes ♥ Markus Zusak
Resenha do livro O Construtor de Pontes, romance de Markus Zusak, publicado em 2019 pela Editora Intrínseca.
Os Melhores Contos de Fadas Nórdicos
Resenha do livro dOs Melhores Contos de Fadas Nórdicos, publicado em 2019 pela Editora Wish, em edição de colecionador.
Matadouro Cinco ♥ Kurt Vonnegut
Resenha do livro Matadouro Cinco, clássico da ficção científica de Kurt Vonnegut publicado em edição especial pela Intrínseca, em 2019.
A Mulher com Olhos de Fogo ♥ Nawal El Saadawi
Resenha do livro A Mulher com Olhos de Fogo, da ativista Nawal El Saadawi, publicado em 2019 pela Faro Editorial.
Quando Ela Desaparecer ♥ Victor Bonini
Resenha do livro Quando Ela Desaparecer de Victor Bonini, autor de O Casamento e Colega de Quarto, publicado em 2019 pela Faro Editorial.
A Paciente Silenciosa ♥ Alex Michaelides
Resenha do livro de suspense psicológico A Paciente Silenciosa, de Alex Michaelides, publicado em 2019 pela Editora Record.
Até Onde o Amor Alcança ♥ Júlio Hermann
Resenha do livro Até Onde o Almor Alcança de Júlio Hermann, publicado em 2019 pela Faro Editorial.
A Pequena Sereia e O Reino das Ilusões ♥ Louise O’Neill
Resenha do livro A Pequena Sereia e o Reino das Ilusões de Louise O’Neill, publicado pela DarkSide Books em 2019.
O que aconteceu com Annie ♥ C. J. Tudor
Resenha do livro O que aconteceu com Annie, de C. J. Tudor, publicado primeiro na edição do Intrínsecos, em 2019.
Rumo ao Sul: Southernmost ♥ Silas House
Rumo ao Sul: Southernmost Silas House Faro Editorial “Asher ergueu os olhos e observou as estrelas novamente. Não era justo que um céu tão iluminado como aquele estivesse brilhando acima deles quando havia tanta gente que perdera tanto. Mas o céu não presta a menor atenção às coisas que acontecem conosco, sejam elas alegres ou tristes.” Sobre o Autor Silas House é um prestigiado escritor norte-americano. Autor de mais de cinco romances, seus livros aparecem na lista dos mais vendidos do The New York Times. Ele também é jornalista e ativista de causas ambientais. House é conhecido pelas histórias rurais e personagens simples e vem sendo destacado como um dos autores mais proeminentes nos Estados Unidos na atualidade. Sinopse E se você descobrisse que viveu muito tempo sob perspectivas equivocadas? E que foi cruel com uma das pessoas que mais amava no mundo? Essa é a jornada… Ao sul dos Estados Unidos, numa pequena cidade do Tennessee, o pastor Asher Sharp tem de encarar o seu próprio passado após uma das mais violentas enchentes que aquelas terras já enfrentaram. Então um casal gay pede abrigo ao pastor após ajuda-lo no socorro a outras pessoas, mas perderam tudo na inundação. Asher se vê diante de um dilema, quer abrigar os dois homens mas encara a recusa de sua esposa. Um fato que vai trazer à tona histórias enterradas de sua própria vida, da rejeição ao seu irmão, que era também seu melhor amigo. Algo que o faz questionar todos os valores daquela comunidade e tomar atitudes de ruptura, que desencadeiam uma série de outros eventos. Decidido a encontrar o irmão de quem ele se afastou e nem sabe o paradeiro, desejando salvar o filho de um ambiente asfixiante, ele parte numa viagem rumo ao sul. Um percurso em que toda a sua história é passada à limpo, em meio a belas paisagens, novas amizades e descobrindo um mundo imenso, muito diferente do seu, algo que pôde ensiná-lo sobre as coisas mais profundas da vida. Rumo ao Sul Às vezes a vida leva o caminho mais longo e tortuoso para passar suas lições. Não que isso signifique que todas as pessoas vão entender, receber a mensagem completa ou, quem sabe, conseguir interpretá-la. É provável que tudo dependa do quanto você irá conseguir abrir seus olhos para aqueles que estão ao seu redor e para si mesmo. Asher está passando exatamente por esse caminho tortuoso. Depois de ver um rio de lama soterrar quase tudo na pequena cidade do Tennessee onde ele é pastor há anos, ele se vê diante de uma encruzilhada: sua vida e suas crenças não são mais as mesmas. E isso inclui sua posição diante do repúdio que um casal homossexual sofre na cidade e de sua esposa. Apesar de ainda não saber ao certo o motivo de toda a mudança que sente, não há duvidas de que seu passado tem parte nisso, em especial, com seu irmão Luke. De uma só vez, tudo ao redor de Asher começa a desmoronar junto da lama que ainda cobre a cidade: o casamento, a família, a comunidade, o emprego, a religião. Fragmentam-se como se ele fosse um estranho, alguém em quem não se pode mais confiar. É neste momento que ele parte, junto de seu filho, rumo ao sul. O trajeto é tão barulhento como silencioso, mas a verdadeira jornada de pai e filho se dá na calmaria da cidade de Key West. À beira-mar, numa pousada acolhedora chamada Canção para uma Gaivota, ele encontra duas almas parecidas à sua, ainda que, à primeira vista, possam parecer completamente distintas. “Justin costumava pensar que as árvores eram Deus. Mas agora, ali, ele acha que o oceano talvez seja Deus. Toda aquela força e fraqueza estendendo-se diante de nós. O oceano pode fazer tanta coisa quando quer, e às vezes pode ficar sem fazer nada além de ir e vir, formando ondas ou mantendo a calmaria. O oceano é um mistério, como Deus. Ambos são tão grandes que nunca podemos ver tudo ao mesmo tempo, mas podemos captar pedaços aqui e ali. Justin acredita que Deus é tão grande quanto o oceano. Até maior.” Entre a rotina do trabalho, os medos e anseios de um adulto parecem, para uma criança de oito anos, pequenos demais. Já para Asher, são a razão de temer cada dia e de querer aproveitar cada segundo de sua existência, da companhia do pequeno Justin. Assim, vivemos os dias em Key West junto a Asher e Justin, em busca de respostas, mesmo que em dados momentos não tenhamos sequer as perguntas. Buscamos entender todos os lados, os pensamentos, crenças e ideologias. É impossível não repudiar várias ações dos personagens, não tomar partido de um lado ou de outro, dizer que um ou outro estão errados, ou que todos estão. E é exatamente no desenvolver da trama que percebemos o quanto é fácil revestir uma ou outra pessoa de herói ou vilão, em como um simples fato pode parecer definir toda a pessoa, quando, na verdade, não define. A questão é que ninguém se resume à um nome, idade ou à sua orientação sexual. E menos ainda, ninguém se define por um erro ou por um acerto. “O oceano é Deus, mas também somos todos nós.” Sem dúvidas Rumo ao Sul foi um livro de surpresas calmas, lido em dois dias porque a história pedia para ser conhecida, ouvida, compreendida. Não por haver um grande mistério ou suspense envolvido, mas porque o ritmo da narrativa, dos acontecimentos, das descobertas, das incertezas, pede que se viva os dias dos personagens mais rápido do que se vive o próprio. Mas não se engane, ainda há sim um quê de surpresa inquietante na trama. Um dos pontos que mais encantou na história foi a discussão sobre religião e crença que existe embutida em todas as partes que dividem a história: Parte 1 Você, Mãe; Parte 2 Caminho Livre, Parte 3 Canção para Uma Gaivota e Parte 4 Os Últimos Dias. Isso porque ela
Na Montanha-Russa: vivendo a maternidade no autismo ♥ Michelle Malab
Na Montanha-Russa: vivendo a maternidade no autismo Michelle Malab Quintal Edições “Crescemos ouvindo que filho a gente cria pro mundo e não deve ser diferente com um filho autista. O autismo é um conjunto de comorbidades que afetam a pessoa em menor ou maior grau. Apenas isso. O autismo não era o meu filho. Lutei contra o autismo que tirava o brilho dos olhos do Pedro e que o fazia olhar para o nada, para longe de mim. Lutei para que sua fala não se calasse em gritos e esperneios. Lutei contra as comorbidades que o autismo trazia e trouxe meu filho de volta à vida, de volta para mim para que um dia ele possa ter condições de seguir sem mim.” Sobre a Autora Michelle Malab é escritora e empresária. Foi diagnosticada com Síndrome de Asperger na fase adulta, após o diagnóstico de seu filho, Pedro. Desde a descoberta, em 2005, passou a estudar profundamente sobre o autismo e todas as formas possíveis de intervenções. Atualmente promove seminários e ministra palestras sobre o autismo baseadas em sua experiências como mãe, com a propriedade de conhecer a síndrome pelo lado de dentro. Atua também na luta pelos direitos a inclusão das pessoas autistas. É colunista na revista digital Tendência Inclusiva. Sinopse Em Na Montanha Russa: vivendo a maternidade no autismo, Michelle Malab fala sobre os desafios com o diagnóstico de seu filho e compartilha com o leitor seu processo de aceitação, de luta pela qualidade de vida de Pedro e o tratamento que desenvolveu em casa com ele. Desde a descoberta, em 2005, passou a estudar profundamente sobre o autismo e todas as formas possíveis de intervenções. Atualmente promove seminários e ministra palestras sobre o autismo baseadas em sua experiência como mãe, com a propriedade de conhecer a Síndrome pelo lado de dentro. Na Montanha-Russa Dividido em três partes: Os Sinais e o Diagnóstico; A Montanha-Russa e Intervenções e Métodos, o livro leva título e subtítulos que remetem exatamente às sensações que a autora Michelle Malab descreve. Sentimentos e momentos que se intercalam desde a busca por um diagnóstico para seu filho Pedro Miguel até, enfim, a confirmação: autismo. “O que descobri sobre o autismo nos anos que se seguiram é que, primeiro, não existem anjos e, sim, seres humanos, e que não, eles não vivem em um mundo só deles, ou mundo paralelo; o mundo é o mesmo para autistas ou não autistas, apenas a percepção da realidade e a reação a ela são absorvidas e externadas de forma diferente.” A autora nos traz um texto breve, sincero e cheio de sentimento. Relata como mãe, o que é notar as diferenças em seu filho e não saber como tratá-las da melhor maneira devido à dificuldade em se ter um diagnóstico, assim como a dificuldade que surge também ao precisar aceita-lo. “A falta de profissionais em autismo faz com que as famílias percorram trilhas desnecessárias, fazendo a caminhada mais longa e, muitas vezes, levando a tratamentos equivocados e ineficazes, ou até mesmo reforçando a negação que pode atingir algum membro da família fazendo com que a criança não venha a ter o suporte necessário para se desenvolver.” Nas duas primeiras partes do livro, são destacados casos, descobertas e experiências do dia-a-dia de Michelle e Pedro, pontos marcantes que são, primeiramente, esclarecedores sobre o que é o Transtorno do Espectro Autista – TEA (autismo) e como é o processo de tratamento/intervenções e a constante necessidade de adaptação, estudo e novos ajustes. “Na minha opinião sentimentos são sentimentos, não é o que eles provocam em nós que os tornam bons ou ruins, mas a forma com que lidamos com eles e os devolvemos aos outros.” A autora ainda lembra de algumas das dificuldades mais marcantes que surgem, em relação à família, ao trabalho, à busca por informações, os custos com tratamentos e consultas, a falta de profissionais preparados, a relação e despreparo da escola (feliz aqui por ser conterrânea dela e ter visto um feedback positivo sobre o acolhimento das Escolas Municipais), o preconceito e o bullying. Várias reflexões importantes, tanto para quem atua nas áreas, tanto para qualquer ser humano que viva em sociedade. “Os sentimentos são nossos reguladores, por meio deles conseguimos adquirir autocontrole. Não adianta não querer sentir, precisamos saber como lidar com nossos sentimentos e assim aprender com eles.” Com isso, o conteúdo do livro, além de abordar os sentimentos da mãe e das suas pesquisas e buscas sobre tratamentos e intervenções, vão além, ajudam a desmitificar o estereótipo do autismo que vemos com frequência vendido nas telas da tevê, frutos das produções Hollywoodianas. “O conselho que dou às famílias, assim que algum membro da família receber o diagnóstico de autismo, é que estudem sobre o autismo, tentem compreender como funciona a mente de uma pessoa com autismo. Deem suporte aos pais, para que eles tenham força para o caminho que não é nem de longe fácil. Seja o grau de autismo que for, vai exigir muito, de ambos os lados, de quem convive e de quem o tem.” Na última parte do livro Intervenções e Métodos, são apresentados textos de especialistas de vários seguimentos, como psiquiatria, psicologia, fonoaudiologia e musicoterapia e que, além de abordados de maneira clara e acessível, agregam aos conhecimentos já apresentados inicialmente pela autora. “Não tenho respostas para minhas perguntas, nem hoje, amanhã talvez, ou talvez nunca. A única certeza é de que fiz o meu melhor, dei o melhor de mim. Nunca desisti do meu filho e sempre acreditei em seu potencial. E mesmo em algumas estradas mais difíceis consegui ver a beleza das flores no caminho.” Sem dúvidas, Na Montanha-Russa: vivendo a maternidade no autismo é um livro que trata o tema de maneira aberta, sincera, e por pontos de vista importantes e acessíveis: palavras que precisam ser semeadas e compartilhadas para ajudar na conscientização e no fim ao preconceito. Após a leitura, é impossível não ter uma visão mais realista sobre as pessoas com TEA e a importância da