Conto ♥ Ligação

Sugestão de música para leitura: Broods – Mother & Father “O que há de ser, será.” Essas foram as últimas palavras que saíram da boca dela. Sempre fora assim, algo inócuo e mais clichê do que os ditados populares. Como se uma força misteriosa definisse todo o nosso destino. Ou como se destino, de fato, existisse. Claro que não existe droga nenhuma dessas. Tudo não passa de um consolo de que, se as coisas estão indo de mal a pior, quer dizer que a culpa não seja – totalmente – sua. Quer dizer que, ainda que você faça tudo da melhor maneira, que dê o seu máximo, não significa que você chegará lá. Onde é esse ‘lá’, afinal de contas?

Conto ♥ Sem Controle

Encho a caneca até a borda com o café fumegante. O próprio cheiro já começa a ter o efeito desejado de me despertar. Os clarões dos relâmpagos iluminam o céu do lado de fora e a tempestade castiga tudo sobre o que cai. Já passam das quatro e meu prazo está findando, o que indica que não tenho tempo a perder, muito menos observando a chuva. Volto para o computador e depois de dois longos goles do líquido escuro e precioso, as palavras voltam a ter foco. Continuo a leitura dos parágrafos extensos – extensos demais –  e sigo fazendo as marcações. Todo o texto é inútil, mais uma obra fantasiosa com personagens perfeitos e lugares perfeitamente surreais. Nada surpreende, tudo se resume à um aparente colapso que fará com que algumas estruturas sejam abaladas. Nada que um fim meloso não conserte. Alguns podem até se perder no caminho, mas, no fim, a esperança sempre prevalece.

Um Conto de Ano Novo

Chega uma época do ano – sempre o fim do ano – em que todos acreditam. Em quê? Em qualquer coisa. Em absolutamente tudo. Como se, magicamente, o clique do relógio pudesse trazer aquelas milhares de oportunidades que desperdiçamos o ano inteiro. Como se tudo que desprezamos por anos, pudesse ser repaginado e, de repente, se tornasse mais alcançável. Como se segundas chances fossem reais e uma injeção de motivação descarregasse em todos. – Ah! Sua descrença me faz rir, Lorelai. – Não, é verdade. Cada vez que alguém fala de lista de metas, objetivos e outras idiotices do gênero, me seguro para apenas revirar os olhos e não vomitar em cima delas. – Repondo, fazendo minha melhor revirada de olhos. – E qual o problema em possuir metas e objetivos, seja mais clara.

Outra noite qualquer…

Ao redor, o pio da coruja é o único som que reverbera pela noite junto ao farfalhar do vento na copa das árvores. Tudo o mais está parado, pacífico. Nenhuma alma viva à espreita, nenhum ser a volta. Os passos dos meus pés na corrida são abafados pelo amortecedor do tênis. São praticamente imperceptíveis. Minha respiração já está acelerada, mas nada fora do normal. Mantenho o ritmo de sempre com o calor do exercício se espalhando por todo meu corpo e a batida compassada do meu coração fazendo coro a melodia de Owl City. O céu mostra sinais da tempestade que está por vir, mas nada que não faça jus à esta época do ano.

Longo, Forte e Teso

Assim como cada mecha de meu cabelo Longa, forte e tesa Assim como cada gesto e olhar seu Longo, forte e teso Assim como cada minuto ao seu lado Longo, forte e teso Assim como a vida Longa, forte e tesa

Um Conto de Halloween

Minhas mãos estão tremendo e meu coração bate acelerado. Nada, em toda minha vida, me prepararia para o que está prestes a acontecer. Ele me encara com a aparência tenebrosa, sedenta. Dou passos trêmulos para trás, mas parece que meus pés foram feitos de concreto e é difícil para meu corpo conseguir movê-los. Ele se adianta, e jogo tudo que está ao meu redor em seu caminho. Abajur, telefone, empurro a poltrona, jogo quadros.  Mas ele pisa em cada uma dessas coisas como se não fossem nada, como se nada representassem em seu caminho. Minha voz se foi, não consigo emitir um som sequer e, mesmo minha boca aberta não faz diferença alguma.

BEDA #29 ♥ Para onde vão os personagens?

Bom dia, tarde e noite everyone! Vigésimo nono dia de BEDA, antepenúltimo dia! Mal posso acreditar que o fim está tão próximo! rsrs Hoje é dia de tema livre aqui no blog e vou falar de algo bem aleatório. Essas coisas que ficam na cabeça da gente e que, de modo geral, podem não fazer sentido algum no fim das contas. Mas, vamos lá! Talvez ao ler um livro, a história de alguns personagens é traçada apenas nas últimas páginas. Em alguns casos, isso não ocorre e você sequer sabe o destino de cada um deles. Talvez não coubesse falar ao fim da história, talvez o autor não se importasse com tais desfechos, talvez quisesse deixar o mistério no ar ou que sua imaginação cumprisse seu papel. Ou talvez ele simplesmente também não saiba o que aconteceu com eles. São muitos poréns para pouca ou nenhuma certeza. Ao ler um livro, em que um ou outro personagem não tem seu final dito, ou mesmo quando ele dá margem a várias suposições, é normal que o leitor fique imaginando o que, de fato, ocorreu com aquela pessoa. Claro que isso só vai ocorrer a depender da própria liberdade que o texto proporcionar.

BEDA #25 ♥ Falando de Plus Size…

Bom dia, tarde e noite everyone! Vigésimo quinto dia de BEDA, e hoje é dia de polemizar, prepara que lá vem textão e, quando eu, rainha do ‘não sei ser sucinta‘ digo isso, prepara! Mas, prometo que vale a pena! Tem horas que um monte de coisas bate à nossa porta, querendo entrar (ou sair) de uma só vez de nossas cabeças. E, uma delas é exatamente sobre o termo ‘plus size’ e a referência contínua a esse recente ramo da moda como algo inovador e libertador. Segundo o site Plus Size Com Estilo,  o ‘movimento plus size’ começou com o incremento, por algumas lojas, de linhas de vestuário específicas para tamanhos grandes (a partir de 44), e com a conquista de espaço no mundo da moda por algumas modelos plus size (ou seja, que vestem a partir do 44).

BEDA #17 ♥ O Movimento dos Cachos

Bom dia, tarde e noite people! Décimo sétimo dia de BEDA, dia de post de tema livre, é dia de falar de cachos. Adianto que não sou nenhuma expert e não vou dar dicas de beleza nem nada (inclusive se preparem para as fotos mais bregas que verão por aqui…). Há um tempo tem ocorrido, das mais diversas formas, o que eu carinhosamente chamo de ‘Movimento dos Cachos’. Mais e mais pessoas aderindo à naturalidade de seus cachos. Esse tal ‘movimento dos cachos’, ao qual me refiro, nada mais é do que a busca por igualdade capilar. Falando assim, parece até comédia. Igualdade capilar? Mas o que seria isso? Bom, talvez para explicar melhor, eu precise contar uma breve história. Meus cabelos são cacheados. Muito cacheados, da raiz às pontas, com cachos pequenos (não miudinhos, mas pequenos). E, desde pequena, tudo o que via e ouvia era que, cabelo bonito é sinônimo de cabelo liso. Ou a versão um pouco pior disso tudo: cabelo bom é cabelo liso.

BEDA #15 ♥ Faço hora, vou na valsa

Bom dia, tarde e noite pessoas do coração! Nesse décimo quinto dia de BEDA, que é de tema livre, preciso espairecer. E, para isso, nada melhor que escrever. Tentar expressar em palavras o que às vezes nem mesmo nossos pensamentos conseguem colocar em ordem. Como diria Lenine, o tempo não pára. E, por tempo, leia-se, a vida. A vida não pára, não volta, nem se apressa. Caminha cada dia de uma vez, ainda que às vezes um dia ou momento pareça passar em branco ou que sejam fugazes em demasiado, cada momento é um momento único, independente de ser bom ou ruim. Em alguns momentos parecemos estar trilhando caminhos completamente distintos do que queremos para nossa vida e o desespero costuma bater à porta. Dá vontade de jogar todos os projetos começados na correnteza e deixar que ela os leve embora e dizer: vou recomeçar do zero. Às vezes, dá vontade de gritar para o mundo um sonoro ‘foda-se’ para tentar se livrar da opressão de sermos tudo o que não somos. E, em alguns momentos, os sentimentos que vem sendo acumulados, guardados, ignorados, reprimidos (sim, aqueles que às vezes varremos para debaixo do tapete), precisam ser libertados. Trazidos à tona como o fôlego que um mergulhador toma após um salto em grande profundidade.

Uma Mulher Por Minuto

O post intitulado “‘Til It Happens To You“, me fez querer compartilhar várias palavrinhas sobre os acontecimentos recentes e a repercussão deles na nossa vida a partir desse lembrete de 1 mulher por minuto. Claro, estou falando sobre o estupro da adolescente carioca, de apenas 16 anos, que conseguiu dividir as timelines do Facebook e da vida, entre feministas, indiferentes e auto-declarados machistas e opressores (às vezes os indiferentes estão desse lado também, para minha tristeza).