BEDA #17 ♥ O Movimento dos Cachos

Em 18.08.2016   Arquivado em Revolucione

Bom dia, tarde e noite people!

Décimo sétimo dia de BEDA, dia de post de tema livre, é dia de falar de cachos. Adianto que não sou nenhuma expert e não vou dar dicas de beleza nem nada (inclusive se preparem para as fotos mais bregas que verão por aqui…).

Há um tempo tem ocorrido, das mais diversas formas, o que eu carinhosamente chamo de ‘Movimento dos Cachos’. Mais e mais pessoas aderindo à naturalidade de seus cachos. Esse tal ‘movimento dos cachos’, ao qual me refiro, nada mais é do que a busca por igualdade capilar. Falando assim, parece até comédia. Igualdade capilar? Mas o que seria isso?

Bom, talvez para explicar melhor, eu precise contar uma breve história.

Meus cabelos são cacheados. Muito cacheados, da raiz às pontas, com cachos pequenos (não miudinhos, mas pequenos). E, desde pequena, tudo o que via e ouvia era que, cabelo bonito é sinônimo de cabelo liso. Ou a versão um pouco pior disso tudo: cabelo bom é cabelo liso.

Sim, essa fofura sou eu pequetita! E é provável que, nessa época, eu ainda não estivesse sob a influência do "liso que é bonito".

Sim, essa fofura sou eu pequetita! Ok, é claro que nessa época da foto eu não ouvia esse tipo de coisa porque acho que nem daria fé para isso, caso ouvisse. Nessa idade, cachos ainda podem ser considerados fofos, ironicamente.

E, apesar de não parecer algo muito grande ou importante, a minha meta era sempre alisar (permanentemente ou não), para sentir que meus cabelos estavam bonitos (porque, de fato, se são cacheados, eles não eram bonitos…).

Época de progressiva sem coloração... Adoro cabelo preso assim!

Época de progressiva sem coloração… Adoro cabelo preso assim!

Elogios do tipo “que cabelo bonito” e blá blá blá só apareciam quando o cabelo estava comportadamente escovado.

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Mais cabelón, em época de progressiva…

E nisso, eu desenvolvi a firme ideia, que me rodeava em tanto lugares que, para meu cabelo estar/ser bonito, deveria ser liso. Ou o mais próximo disso.

Dia de combo: coloração + progressiva! Que cabelón!

Dia de combo: coloração + progressiva! Que cabelón!

Nessa meta, eu me preocupava muito mais em alisá-lo do que conseguir fazer com que os cachos ficassem mais bonitos, que me agradassem. Mas digo logo que isso não passava por minha cabeça, porque o bom e bonito era liso e era assim que eu queria meu cabelo: bom e bonito.

E, quando não rolava alisar tudo, passava eu a danada da prancha na minha a.k.a. franja...

E, quando não rolava alisar tudo, passava eu a danada da prancha na minha a.k.a. franja…

Assim, eu posso dizer que já fiz de um tudo nesse meu cabelo: desde métodos para colorir porque adoro mudar, mas também diversos métodos de alisamento: o antigo relaxamento, quando escova progressiva ainda nem existia, depois a progressiva com suas milhares de variações, com efeitos mais ou menos permanentes, ou a tradicional escova, podendo ser aperfeiçoada pelo combo escova + prancha.

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Dia de escovinha…

E, todo esse processo era sempre motivo de risos e choros. Ora o cabelo estava ótimo, ora não. Ora estava satisfeita, ora não. Às vezes sentia saudades dos cachos mas cadê coragem de deixar tudo crescer cacheado, deixar que a química saísse e o processo de raiz cacheada e pontas lisas findasse? Até cheguei a me arriscar…

Rolou até tentativa de deixar cacheado novamente...

Desconsiderem a cara de cachaça!!!

Mas, como nada é fácil, a raiz me incomodava e eu comecei a fazer relaxamento na raiz do cabelo, para ficar liso na raiz e cacheado nas pontas (leia-se no comprimento)…

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Com direito a hippie style em algumas épocas…

E essa época durou um bocado…

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Devia estar um sol danado dentro de casa, sem dúvidas!

Durou muito mesmo, ok!

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Selfie basicão no banheiro porque né…

Calma, durou só mais um pouquito agora…

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Eu divando com trança grega nas madeixas…

Aos poucos, como tudo na vida, fui tomando mais e mais consciência desse meu vício em querer cabelos lisos, não simplesmente por gostar dos meus cabelos lisos, mas pela ideia de que só assim eles seriam bonitos e enquadrados no roll de ‘cabelos bons’, seja lá o que isso realmente signifique.

Já tiveram vezes de algumas pessoas acreditarem que meus cabelos são realmente lisos, por não terem me conhecido de outra maneira (oi?!).

Cachos fake divando na formatura.

Cachos fake divando na formatura.

Daí, no meio do ano passado, eu me formei na faculdade. Como todo ritual de passagem, meus cabelos foram o marco da mudança da vez: eles estavam mega compridos, como na foto acima e eu cortei bem curto, acima dos ombros, como na foto seguinte.

hair cut

Os bebelos cortados estão aí nessa trouxinha porque foram doados!

Radical? Talvez, mas como dá para notar na foto, dá pra notar porra nenhuma porque tá escovado né, mas meus cabelos ainda não estava totalmente livre das químicas e uma boa parte ainda não conseguia cachear normalmente.

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Essa foto ainda é antes de cortar mais, em janeiro, mas aqui ele tava cacheando divamente, porque maresia faz milagres para os cachos!

Daí, em janeiro desse ano, eu fui ao salão e cortei absolutamente toda a parte que ainda estava com química. Ficou bem mais curto, mas foi a primeira vez em muitos anos que meus cachos apareceram para mim livres e leves como a mãe natureza os fez.

Eu não disse para mim mesma que nunca mais iria alisar, independentemente da maneira. Apenas aconteceu que minha satisfação com os cachos estava tão grande que fiquei oito meses sem fazer escova neles sequer uma vez.

Oito meses???? Temos um record!!!

Oito meses???? Temos um record!!!

Agora em agosto, voltei no salão para repicar mais um pouco, e deixei que o cabeleireiro escovasse os fios.

Quebra do jejum...

Quebra do jejum…

Achei o corte lindo escovado, mas foi um corte pensando em como os cachos ficarão quando usados naturalmente.

Prazer, eu, a pessoa que não sabe tirar selfies. Fora a cara de cachorro pidão dessa!! kkkk

Prazer, eu, a pessoa que não sabe tirar selfies. Fora a cara de cachorro pidão dessa!! kkkk

E então, para que eu estou contando tudo isso? Bem, eu não acordei em um belo dia e disse: as regras de beleza impostas pela sociedade estão me sufocando, não quero mais aceitá-las, vou deixar meus cabelos cacheados. Não, não foi assim.

Cachinhos, cachinhos!

Cachinhos, cachinhos!

Eu estava insatisfeita com a ideia de ter de viver a depender de procedimentos para me sentir bem com meu cabelo. E, aos poucos, percebi que parte disso era pela visão distorcida que eu tinha de que meu cabelo precisava ser de determinada forma.

Enfim eu percebi isso e resolvi mudar. E que mudança! A palavra de regra agora é que meus cabelos são livres, assim como eu e qualquer outra pessoa deve ser. Livre para ser anelado, ondulado, cacheado, crespo ou liso. Para ser como eu quiser, quando eu quiser.

Tô colocando essa foto só porque tem muita foto lá pra cima no post e aqui ia ficar sem. Essa é aquela foto que você sabe que está sendo tirada e volta para a pose anterior para fingir que não estava vendo nada... O cabelo taxa um mix nessa época aí...

Tô colocando essa foto só porque tem muita foto lá pra cima no post e aqui ia ficar sem. Essa é aquela foto que você sabe que está sendo tirada e volta para a pose anterior para fingir que não estava vendo nada… O cabelo tava um mix nessa época aí…

É importante ressaltar que não haveria nenhum problema em manter meu cabelo liso, se essa vontade fosse minha e não uma afirmação do que a sociedade impõe como padrão de beleza. O importante é se sentir bem consigo mesmo e não tentar enquadrar-se em um padrão sufocante que sua genética não lhe deu, para tentar se sentir bem.

O mais interessante disso tudo é que, às vezes vejo uma alfinetada aqui e ali: ‘quem tem cacho é rainha’, ‘em terra de prancha quem tem cacho…’. Essas afirmações são tão ridículas, tentando realizar uma espécie de moral invertida: já que os lisos foram padrão por muito tempo, agora são os cachos o padrão.

A questão é que não deve haver padrão. Não temos que dizer ou identificar um ou outro cabelo como bom ou ruim, como melhor ou pior. Simplesmente, cada um deve usar seu próprio cabelo como melhor lhe convier, melhor lhe agradar. Não se trata de uma revolução contra os lisos, muito menos uma desvalorização do liso, colocando-o como inferior. Trata-se de uma ideia de igualdade, respeito e valorização da diversidade da beleza.

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Eu e Jujuba e nossos cabelóns!

ps.: Jujuba é uma Blythe, se quiser saber mais a respeito dessa linda boneca, passa lá no post que falei sobre Blythes, é só clicar aqui!

Ouvindo: Debaixo dos caracóis dos seus cabelos (tô zuando, até podia ser, mas tô assistindo Dastan – O Príncipe da Pérsia – pela zilhonésima vez, depois de ver alguns episódios de alguns Masters Chef na TV que não sei quais são…)

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  • Nana Araujo

    Em 18.08.2016

    Quanto amor
    Amei o post, sem tirar nem por. A parte que mais gostei foi sobre “em terra de chapinha…”, Acho exatamente isso. Parece que ficam forçando ser esnobes com o cabelo pra diminuir outras pessoas. Pra que fazer o mesmo que faziam contigo antes??? Não faz sentido!!
    Eu tenho cabelo liso natural e pra mim, cacho é vida, me AMO com ele cacheado, tanto que minhas fotos dos perfis e no blog é com ele assim!
    Beijos e muito obrigada por esse post!!

  • Retipatia

    Em 18.08.2016

    Sem dúvidas Nana, todos devem se amar com os cabelos do jeito que desejarem usar! Temos que parar com essa de valorizar um em detrimento do outro! <3

  • priscila

    Em 18.08.2016

    ADOREI! tõ aderindo ao low poo e eu, ao contrário de ti, decidi do dia pra noite que sim, eu queria meus cachos lindos, leves, soltos e LIVRES. tô há pouco mais de um mês no low poo e tô AMANDO. recomendo MUITO. Tu é linda cacheada. assume esses cachos e vem pro lado cacheado da força, gata! AHAHAHHAHAHA Beijoca! <3

  • Retipatia

    Em 18.08.2016

    ahahaha Amando o lado cacheado da força!!! Eu penso em experimentar o low poo, mas já foi tão difícil acertar os cachos com os produtos normais que fico com medo de não conseguir manter, mas vou me inteirar mais sobre o assunto para me animar! 🙂

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