Resenhas

Todas as suas (im)perfeições ♥ Colleen Hoover

Todas as suas (im)perfeições (All your perfects)
Colleen Hoover
Ano 2019 / 304 páginas
Editora Galera Record
“Se você iluminar apenas as suas inperfeições, todas as suas qualidades ficarão na sombra.”
Sobre a Autora

Colleen Hoover nasceu 11 de dezembro de 1979, em Sulphur Springs, Texas. Ela cresceu em Saltillo, Texas, e formou-se a partir de Saltillo High School, em 1998. Em 2000, ela se casou com Heath Hoover, com quem ela já tem três filhos e um porco chamado Sailor. Colleen se formou na Texas A&M University-Commerce com uma licenciatura em Serviço Social. Ela trabalhou com vários projetos de ação social e de ensino, até começar sua carreira como escritora.

Sinopse

Uma história de amor perfeita é suficiente para manter vivo o casamento entre duas pessoas imperfeitas?

O acaso uniu Quinn e Graham duas vezes. A primeira delas, no que consideraram o pior dia de suas vidas, quando ela descobriu às vésperas do casamento que estava sendo traída pelo noivo e ele, pela namorada que pretendia pedir em casamento. A segunda, meses depois, em meio a encontros ruins.

Deste reencontro surgiu um amor profundo e um relacionamento perfeito… ou talvez nem tanto. Com o passar dos anos e a frustração por não conseguirem ter filhos, Quinn e Graham acumularam silêncios e desconfianças. O casal se encontra no centro de um furacão, e seu futuro depende das promessas feitas quando o casamento ainda parecia uma praia paradisíaca.

Todas as suas (im)perfeições
“Em nossa defesa, é difícil admitir que um casamento possa ter acabado quando ainda existe amor. As pessoas acreditam que um casamento só termina quando não há mais amor. Quando a raiva suplanta a felicidade. Quando o desdém substitui a alegria. Mas Graham e eu não estamos zangados um com o outro. Apenas não somos mais as pessoas que costumávamos ser.”

O amor é mesmo capaz de superar qualquer tempestade?

Quinn e Graham têm uma história de amor digna de comédias românticas. Depois de dividirem comida japonesa em um corredor que os marcaria para sempre e dois biscoitos da sorte em um dia que supostamente deveria ser o pior de pior de suas vidas, o destino mostra que nada acontece por acaso. Às vezes, as melhores coisas podem surgir dos piores momentos. Talvez biscoitos da sorte tenham razão, no fim das contas.

Alguns encontros e desencontros depois, o reencontro. Um sentimento que apenas se fortalece a cada dia que passa. Unidos, para a vida inteira, não importa o que for.

Com o casamento, veio o desejo de que a família crescesse e, então é quando o período de tempestades se inicia: a impossibilidade de Quinn engravidar e do casal conseguir uma adoção, por causa de um erro cometido por Graham no passado.

“Mas o joalheiro nunca disse, em nenhum momento, que o anel simbolizava eterna felicidade. Apenas eterno amor. O problema? Amor e felicidade não são coincidentes. Um pode existir sem o outro.”
“Eu me sinto fraca por precisar do luto quando ninguém morreu. Não faz sentido que eu sofra tanto por aqueles que sequer existiram.”

O que antes era uma esperança, um desejo, se transforma, ao longo dos anos, em um martírio. Cada um deles se fechando para o outro e vivendo a vida cada vez mais afastados.

Conhecemos a história do casal pelo ponto de vista de Quinn, que se sente culpada por não poder engravidar, por ter gerado dívidas para o casal com as tentativas malsucedidas de inseminação artificial. A falha é dela, justamente de quem sempre sonhou, mais que tudo, em ser mãe. São suas imperfeiçoes que trazem todos os problemas, afinal de contas.

Vamos conhecendo, de forma intercalada, a Quinn que se apaixonou, que namorou e se tornou esposa de Graham. Ao mesmo tempo, vemos o casamento fragilizado no tempo atual. Nesse vai e vem, conhecemos melhor cada um dos dois. O sonho de Quinn e, especialmente, o que a fez, pouco a pouco, se transformar na mulher que sofre pelo relacionamento e que não suporta mais o toque de seu marido porque, depois disso, vem o sexo e, depois dele, a decepção de mais uma vez não estar grávida.

“A estéril sou eu. Não Graham. Ele também deveria ser punido por minha infertilidade? Graham diz que filhos não significam tanto para ele quanto para mim, mas sei que só fala isso para não me magoar. E porque ainda tem esperança. Mas, daqui a dez ou vinte anos, vai se ressentir de mim. Ele é humano.”
“Só quero que nunca se esqueça do dia em que o universo conspirou para nos reunir outra vez.”

A construção da história nos leva a sentir o que é estar na pele de Quinn e, nesse ponto, preciso dizer, a mágica de Colleen Hoover, aconteceu. O sonho de ser mãe não é um que eu compartilho com a personagem, mas ao mesmo tempo, a identificação com ela foi enorme. Foi possível sentir sua dor, seus impasses, seus medos. Empatia, a palavra. Às vezes é difícil ter empatia por um sonho ou uma situação que foge muito de sua realidade, mas no livro, a autora conseguiu passar os sentimentos de maneira tão sincera e autêntica, que é impossível não se reconhecer aqui e ali. Compreender.

Além disso, a história, mesmo tratando especialmente sobre maternidade/infertilidade, tem um subtema tão bem trabalhado quanto: relacionamentos. Em especial, o amoroso entre Quinn e Graham, mas também, os relacionamentos familiares.

E, em se tratando de relacionamento amoroso, Quinn e Graham mostram como a rotina e os descontentamentos frequentes, a ausência de conversa, o deduzir dos sentimentos do outro, são capazes de levar. Um desgaste imenso não por falta de compreensão do outro. Mas pelo medo dessa falta de compreensão. E claro que, assim, o que começa com um sentimento de apoio, leva ao afastamento, leva à desconfiança e claro, começa a ruir tudo que foi construído ao longo do tempo.

“Não percebi que sua tristeza o consumia ainda mais que de costume. É provável que eu não tenha notado porque a tristeza é como uma teia de aranha. Você não a vê até ser capturado por ela e então precisa lutar para se libertar.”
“Pedidos de desculpas são ótimos para admitir arrependimento, mas de pouco valem para esvaziar a verdade das ações que causaram remorso.”

Como diria a própria Quinn, os casamentos têm que ser capazes de suportar momentos categoria 5. Quando passam por isso, são sólidos, irão durar. Mas, será que o casamento dela com Graham é capaz de suportar um nível 5 ou algo mais forte do que isso?

Nos relacionamentos familiares, vemos pontos incríveis sendo levantados, especialmente nas relações de Quinn com sua irmã e mãe. Com a primeira, um mar de confiança e intimidade. São do tipo de irmãs que são amigas, confidentes, aquela pessoa que você chama sempre que a notícia é boa ou ruim. Aquela que, independentemente do seu estado de espírito, você vai festejar pelas conquistas e acontecimentos.

Com a segunda, a relação de Quinn é de insegurança e ressentimento, já que sua mãe nunca demonstrou o que a filha poderia chamar de amor materno. É clara a sensação das filhas que nunca foram desejadas. E, nesse ponto, o contraste com o desejo de ser mãe de Quinn, a deixa ainda mais distante da própria mãe, já que para ela, a situação beira o inconcebível. São dois lados importantes de serem mostrados na história e que, mesmo tendo uma resolução que alguns poderiam achar distante do ‘felizes para sempre’, mostra como a realidade pode ser. Não foi feita para agradar a todos, no fim das contas.

“Quando conhecer alguém bom, ele não vai encher você de insegurança, focando em seus defeitos. Vai encher você de inspiração, porque vai iluminar suas qualidades.”
“Às vezes as coisas não têm um lado positivo, só um bocado de lados tristes.”

Um enigma dentro da história muito interessante se faz em volta de uma caixa de madeira que Quinn fica tentada a abrir em diversos momentos, mas a coragem parece sempre lhe faltar. Um mistério que faz seu marido viajar meio mundo para encontra-la e fazer com que todas as verdades escondidas ao longo dos anos sejam reveladas. A última tempestade que irá marcar o fim ou o recomeço do relacionamento. Seria o seu casamento à prova de qualquer tempestade?

Não é novidade alguma que sou fã das narrativas da Colleen Hoover e, esse livro, sem dúvidas, se tornou um dos meus favoritos. Mesmo em meio ao sofrimento e à dor, foi possível sentir a leveza e sutileza com que a história foi construída. Mais uma história para a lista de queridinhos da CoHo.

Todas as Suas (Im)Perfeições é uma leitura leve e também intensa, tocante e que fala bem mais do que o podemos ver à primeira vista. Todas as (im)perfeições podem estar escondidas bem abaixo da superfície, é preciso destrancar a caixa se quiser que todas as camadas sejam reveladas.

“Não importa o quanto você ame alguém… a força desse amor nada significa se supera sua capacidade de perdoar.”
Aleatoriedades
  • O livro foi recebido em parceria com o Grupo Editorial Record, muito obrigada por me ajudar preencher minha coleção da CoHo! ahaha Uma das minhas autoras favoritas, sem dúvidas!
  • Esse é o quinto livro da CoHo que eu leio, faltando resenha aqui no blog apenas de Verity, que li em janeiro de 2019, em inglês, e até o momento é o meu favorito! Inclusive Verity já está em pré-venda na Amazon! Os outros são: Novembro 9; Um Caso Perdido e O Lado Feio do Amor.
  • Todas as suas (im)perfeições e outros títulos da autora estão disponíveis na Amazon!

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

Retipatia

Repense, renove, rediscuta...