A Escola do Bem e do Mal ♥ Soman Chainani

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Bom dia, tarde e noite everyone!

“‘Seu Nêmesis é seu arqui-inimigo’, disse Lady Lesso, com seus olhos roxos faiscando. ‘Sua outra metade. Sua alma ao inverso. Seu calcanhar de Aquiles.'” p. 89

Já faz um tempinho – quase dois meses, na verdade -, que finalizei a leitura de A Escola do Bem e do Mal, do autor Soman Chainani e que foi publicado aqui no Brasil pela Editora Gutenberg e é o primeiro de uma trilogia.

E, como o livro é fantástico, resolvi fazer uma resenha dele. Tenho várias outras resenhas pendentes também, então pretendo ir colocando elas em dia, no espaço de tempo que o blog fica sem as postagens frequentes das minhas histórias da minha invencionice de Recontar um Conto de Fadas por mês (confesso que estou um pouco atrasada com a de novembro, mas tudo indica que semana que vem, finalmente, sai).

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“Os melhores vilões fazem-no duvidar.” p. 92

O livro foi indicação de uma amiga e fez parte da lista que elaborei no desafio ML de Férias, que, como férias eu não tive mesmo, fiz como meta de leitura até o fim deste ano. Ainda não acabei as leituras, até porque já intercalei uns livros que nem estavam na lista e, no momento, estou lendo dois livros da lista: Iluminadas e Persuasão (e mais outros três que não estão na lista…).

Sem mais lenga lenga, vamos ao livro:

Sinopse: “No povoado de Galvadon, a cada quatro anos, na décima primeira noite do décimo primeiro mês, dois adolescentes somem misteriosamente há mais de dois séculos. Na temida ocasião, os pais trancam e protegem seus filhos, apavorados com o possível sequestro, que acontece segundo uma antiga lenda: os jovens desaparecidos são levados para a Escola do Bem e do Mal, onde estudam para se tornar os heróis e os vilões das histórias. A linda e meiga Sophie torce para ser uma das escolhidas e admitida na Escola do Bem. Com seu vestido cor-de-rosa, sapatos de cristal e devoção às boas ações, ela sonha em se tornar uma princesa. Sua melhor amiga, Agatha, porém, não se conforma: como uma cidade inteira pode acreditar em tanta baboseira? Com suas roupas pretas desengonçadas, seu pesado coturno e um mau-humor permanente, ela é o oposto da amiga, que, mesmo assim, é a única que a entende. O destino, no entanto, prega uma peça nas duas, que iniciam uma aventura que dará pistas sobre quem realmente são.”. (Contracapa do livro.)

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“Não era de admirar-se que as princesas fossem tão impotentes nos contos de fadas, ela pensou. Se tudo o que podiam fazer era sorrir, manter a postura ereta e falar com esquilos, então que escolha tinham além de esperar que um garoto viesse salvá-las?” p. 93

Como a sinopse já sinalizou, Sophie é uma garota que atende aos mais altos padrões estéticos, é bonita, cuida do seu corpo, pele, cabelos, unhas, alimentação, tudo como manda o figurino. E, como no povoado em que mora, adolescentes, uma vez a cada quatro anos, são sempre levadas na calada da noite, para a Escola do Bem e do Mal, onde treinarão para serem príncipes e princesas e vilões e vilãs, ela está certa de que é uma princesa e que em breve será levada. Ela, inclusive, se esforça fazendo ‘atos de caridade’, como visitar diariamente Agatha, a menina franzina e estranha que vive na casa do cemitério da cidade.

Agatha, por sua vez, não acredita nas bobagens dos contos de fadas e acha que todos da cidade estão loucos em acreditar. Ela é a imagem oposta à da amiga Sophie: detesta cor-de-rosa, veste-se sempre de preto e calça coturnos, repudia a ideia de príncipes, tem um gato preto e vive com os bolsos cheios de coisas como fósforos, pregos e ratos mortos. Além do mau-humor habitual, não se preocupa com aparência ou com o fato de demonstrar ser boa, todos a acham má, então é o que ela é.

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“‘Um aluno não pode sobreviver em seu contos de fadas se não sobreviver à floresta.'” p. 112

Enfim, chega o dia tão aguardado por Sophie e temido pelo povoado, em que dois adolescentes seriam levados: um para estudar na Escola do Bem e se tornar um príncipe ou princesa e um para estudar na Escola do Mal e se tornar um vilão ou vilã dos contos de fadas.

Uma sombra inominada segue até a casa de Sophie, que é levada de bom grado em direção à floresta sem fim que contorna toda o povoado. Agatha, preocupada com a amiga, tenta salvá-la e, assim, ambas acabam sendo levadas para a Escola do Bem e do Mal.

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“… há cinco regras que separam o Bem do Mal…” p. 113

Chegando lá, apesar do esperado – por ambas – Agatha é jogada na torre do bem e Sophie na torre do mal.

A partir daí, Agatha tenta inúmeras vezes escapar da Escola, tentando fazer com que ela e a amiga retornem para a vila, para seguirem com suas vidas. Sophie, por outro lado, insiste que fora colocada na escola errada e que precisa ser trocada.

Assim, várias confusões, que envolvem, é claro, um príncipe, alguns seres mágicos como fadas e lobos, o incrível Storian e o misterioso diretor da escola, que nunca é visto por aluno algum, desenrolam a história com uma maestria que não se vê há muito quando se trata de reformular contos de fadas.

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“1. O Mal ataca. O Bem defende. 2. O Mal pune. O Bem perdoa. 3. O Mal machuca. O Bem ajuda. 4. O Mal toma. O Bem dá. 5. O Mal odeia. O Bem ama.” p. 113

O que pode parecer uma história simples e cheia de clichês é, na verdade, uma excelente história literária que busca combater, especialmente, o preconceito e os estereótipos que a sociedade impõe, tudo isso numa repaginada sagaz através do pano de fundo dos contos de fadas. Todos os elementos estão lá: princesas, príncipes, vilões, bailes, bem x mal, mas de tal modo que, além de bem escrito, conquista o leitor pela profundida que consegue dar à história e às personagens principais.

Particularmente, a discussão também remete ao ponto de equilíbrio das coisas, das pessoas e do mundo e, por razões pessoalíssimas, isso é algo que me agrada e fascina.

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“Qual é a única coisa que o Mal jamais poderá ter… e que o Bem jamais viverá sem?” p. 126

A narrativa é envolvente e traz mensagens muito legais, com certeza é um livro infanto juvenil com uma escrita rica e com um conteúdo, além de interessante, capaz de passar uma mensagem excelente ao leitor. Além de tudo que já citei, fala de aceitação, beleza interior e exterior, bondade, maldade e amizade.

O livro é um bálsamo para a auto-estima, primoroso e gostoso de se ler. É, sem dúvidas, é do tipo que “leio até mesmo de pé esperando o ônibus” (conheça a Reclassificação de Livros aqui).

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“Da última batalha entre o irmão do Mal e o irmão do Bem, surgiu um vencedor não comprometido com nenhum dos lados. Na Grande Trégua, o triunfante Diretor da Escola jurou erguer-se acima do Bem e do Mal, e proteger o equilíbrio pelo tempo que pudesse manter-se vivo…” p. 153

A Escola do Bem e do Mal já possui suas duas continuações publicadas aqui no Brasil, também pela Editora Gutemberg: Um Mundo Sem Príncipes (2) e Infelizes para Sempre (3). Já tenho o segundo volume e não vejo a hora de conseguir encaixá-lo na minha lista de leituras e, claro, adquirir o terceiro! O final do primeiro livro deixa a gente com aquele gostinho de quero mais, mesmo encerrando um ciclo na história.

Há ainda, sem título em português, o The Never Ever Handbook, algo como O Manual do Sempre e do Nunca. Que, espero eu, seja lançado em breve aqui também!!! E, fazendo-me apaixonar um pouco mais pela trilogia, em breve vem versão cinematográfica do primeiro livro! É amor demais!

Ah, e antes que eu esqueça, algumas páginas do livro possuem ilustrações de Iacopo Bruno (o link no nome dele vai para o portfólio online com as artes do ilustrador), e que combinam muito com o estilo da história e são lindas! Aliás, eu amei a arte de todas as capas e só lamento porque na versão brasileira não tem as duas na capa, como na original. Dá uma conferida em uma das ilustrações:

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“A magia segue o sentimento. Essa é a nossa única regra” p. 183

Já tinha ouvido falar do Soman Chainani? E dos livros?

xoxo

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