A Guerra que Salvou a Minha Vida ♥ Kimberly Bradley

Em 07.05.2018   Arquivado em Resenhas

Um livro que a capa já é encantadora sempre me chama a atenção, é como um convite que diz vem, leia. Mas, a melhor parte é quando o que encontramos nas páginas supera qualquer capa bonita. A Guerra que Salvou a Minha Vida, da Kimberly Bradley, publicado pela Caveirinha, é exatamente assim, um ótimo convite, com conteúdo ainda mais apaixonante!

A Guerra Que Salvou a Minha Vida

Autora Kimberly Bradley

Editora DarkSide Books

“No fim das contas, foi a combinação das duas guerras – o fim da minha pequena guerra contra o Jamie e o início da grande guerra, a do Hitler – que me libertou.”

A Autora

Kimberly Brubaker Bradley vive com o marido e os filhos em uma fazenda no sopé das Montanhas Apalaches, entre pôneis, cães, gatos, ovelhas, cabras, e muitas, muitas árvores. É autora de vários livros, entre eles Leap of Faith e Jefferson’s Sons. A Guerra que Salvou a Minha Vida ganhou o Newbery Honor Book, o Schneider Family Book Award e o Josette Frank Award, além de ter sido eleito entre os melhores livros de 2015 pelo Wall Street Journal, a revista Publishers Weekly, a New York Public Library e a Chicago Public Library, entre outros.

“Enquanto isso, o mundo passava pelas janelas, cada vez mais depressa. Seu eu deixasse meus olhos fora de foco, a paisagem borrava e passava ligeira. Se eu firmasse o foco em alguma coisa, ela ficava parada enquanto em movia a cabeça, e ficava claro que era o trem, e não o mundo, que estava se mexendo.”

“Era a minha recompensa. Pela minha coragem. Por ter andado tanto tempo, por ter ido embora andando. Eu tinha que seguir caminhando pra sempre. Levantei-me e fiquei de pé. Eu ia caminhar até o pônei.”

Sinopse

A Guerra Que Salvou a Minha Vida é um daqueles romances que você lê com um nó no peito, sorrisos no rosto e lágrimas nos olhos entre um parágrafo e outro. Uma obra sobre as muitas batalhas que precisamos vencer para conquistar um lugar no mundo.

“O Manteiga veio quando eu chamei. Dei a ele um pouco de mingau de cereal sexo que tirei do bolso. Pus a cabeçada nele, e coube direitinho. (Naquela época, eu não sabia os nomes: cabeçada, bridão, rédeas, faceiras, cachaceira. Mas agora sei. E a coisa quadrada com as folhas de papel e o desenho do cavalo era um livro. Meu primeiro livro.)”

Ada tem dez anos (ao menos é o que ela acha). A menina nunca saiu de casa, para não envergonhar a mãe na frente dos outros. Da janela, vê o irmão brincar, correr, pular – coisas que qualquer criança sabe fazer. Qualquer criança que não tenha nascido com um “pé torto” como o seu. Trancada num apartamento, Ada cuida da casa e do irmão sozinha, além de ter que escapar dos maus-tratos diários que sofre da mãe. Ainda bem que há uma guerra se aproximando.

Os possíveis bombardeios de Hitler são a oportunidade perfeita para Ada e o caçula Jamie deixarem Londres e partirem para o interior, em busca de uma vida melhor.

“‘O que é ‘liberdade’?’, perguntei, enquanto a srta. Smith e eu caminhávamos.
‘É… hummm. Eu diria que é o direito de decidirmos coisas sobre nós mesmos. A respeito da nossa própria vida.'”

Kimberly Brubaker Bradley consegue ir muito além do que se convencionou chamar “história de superação”. Seu livro é um registro emocional e historicamente preciso sobre a Segunda Guerra Mundial. E de como os grandes conflitos armados afetam a vida de milhões de inocentes, mesmo longe dos campos de batalha. No caso da pequena Ada, a guerra começou dentro de casa.

A Guerra que Salvou a Minha Vida

A Segunda Guerra Mundial segue com a invasão da Alemanha à Inglaterra e faz com que soem os alarmes: bombardeios são iminentes. Um evento totalmente fora do controle de Ada, mas a chance exata para que ela colocasse seu plano em ação. Só precisaria conseguir andar até a escola, nada mais. E é assim que ela e seu irmão Jamie seguem rumo ao interior, deixando a velha Londres e o lugar que chamavam de casa, encontrando alguém que os acolhesse, mas que, não necessariamente, se considerasse gente boa.

“Estava muito cansada das palavras, mas a srta. Smith me olhou e respondeu, mesmo assim.
‘Vitória significa paz.'”

A história de Ada e Jamie e, agora, Susan, se desenrola a partir daí, duas crianças aprendendo em um mundo novo e uma adulta tendo que assumir uma responsabilidade que vai bem além de si mesma. Um enlace que poderia não parecer perfeito, mas, às vezes, são exatamente as imperfeições que conseguem fazer par.

“‘Não quero mentir para você, e não sei a verdade.’
Talvez fosse a coisa mais honesta que alguém já tinha me dito na vida.”

Ada, nossa jovem heroína, nos narra da primeira à última página, encantando, da primeira à última palavra, com sua jornada de descoberta de mundo, de vida, crescimento e amadurecimento. Mas ainda mais, Ada aprende não apenas conceitos os quais nunca ouvira falar, ou coisas como o que é a grama, aprende sobre o que é amor, amizade e compaixão, sopesando com toda a vivência de ignorância, intolerância, preconceito e raiva que permeava seus dias.

“‘Persistência. É o que a Lady Thorton diz.’
Eu tinha perguntado. Persistência era não desistir de tentar.”

A mente da pequena Ada, de 10 anos, é autêntica, a autora consegue manter-se fiel à personagem e delicia o leitor, que não apenas se apaixona pela escrita, mas pela narradora criança, tanto ingênua quanto vivida, que segue em relatos desde seus questionamentos mais comuns aos mais perspicazes. Ler, aqui, é como sentir o vento frio bater no rosto ao cavalgar Manteiga, sentir o coração despedaçar ao receber o vestido novo de veludo verde, criar esperanças pela possibilidade de uma cirurgia e enraivecer-se pelo silêncio de cartas não recebidas.

“E, mesmo com a sensação de que a Mãe me odiava, ela tinha que me amar, não tinha? Tinha que me amar, pois era minha mãe, e a Susan era só uma pessoa obrigada a cuidar do Jamie e de mim por causa da guerra. Ela às vezes ainda dizia isso.”

Ada derrama seu coração, seus mais fundos pesadelos, em cada ato e gesto, é intensa, porque tudo é novo e as marcas, ainda que invisíveis, são profundas demais. E todo o livro é colorido por essa fundura, lamento e alegria. É uma verdadeira colcha de retalhos costurada a pontos por Susan, Jamie e Ada, mas também pela mãe, por Manteiga, pelo senhor Grimes, pelos jovens soldados do porta-aviões, Margaret e todos os outros. Afinal, os personagens são bem trabalhados e surgem e se vão com as reviravoltas que o tempo de guerra faz necessário.

“‘As pessoas ficam dizendo que não é uma guerra de verdade’, prosseguiu Maggie. ‘Quase ninguém sendo bombardeado, quase ninguém lutando. Pra mim parece uma guerra. Uma guerra bem na minha família.'”

Além da personagem principal, uma outra figura merece destaque: Susan. Reclusa da cidade interiorana, ela vê a vida à qual está habituada fora do lugar com a chegada de Ada e Jamie. Mas, se queremos um exemplo de que boas pessoas são muito mais aquelas que fazem o bem do que aquelas que o pregam, aí está a pessoa perfeita, ou perfeitamente imperfeita, para mostrar. Susan é o sopro de vida que faltava à Ada e Jamie e, no mesmo peso, os dois compõem o que lhe faltava. Bradley consegue fazer uma construção incrivelmente verdadeira no relacionamento entre as crianças e sua guardiã, nivelado em tantas camadas quanto possível.

“Triste, com raiva e assustada eram má. Não era bom ser nada disso. No entanto, eu não podia responder.”

O livro é muito mais que um punhado de quebra de conceitos e preconceitos, são mudanças externas e internas, bruscas e sutis, tão bem construídas e delineadas que só trazem a certeza de que qualquer crescimento na vida é contínuo e fruto de muitos confrontos, de altos e baixos. Afinal, duas guerras estão acontecendo: a mundial e a de Ada.

“A Alice perseguia um coelho que usava roupas e um relógio de bolso. Ele descia pela toca, como os coelhos que eu via nos passeios com o Manteiga, A Alice ia atrás dele e caía num lugar ao qual não pertencia, um lugar onde nada fazia sentido.
Éramos nós, pensei. O Jamie e eu. Havíamos caído na toca de um coelho, na casa da Susan, onde nada mais fazia sentido.”

A sensação que a leitura traz, por mais que o sofrimento e contentamento tenha permeado boa parte de suas páginas, ora com mais afinco, ora suavemente, é a de esperança, que só pode ser alcançada após uma grande jornada. Tudo isso trazendo nada mais, senão, o sentimento de coração leve ao virar a última página, ler o último parágrafo, última frase e palavra. Porque a certeza que Ada ensina, em cada pedaço da história, é que ninguém é capaz de impedir uma vida de ser vivida.

“Eu não sentia raiva. Sentia tristeza. A tristeza era tanta, que eu me perdia nela. Porém, ao terminar o chá, apanhei papel e lápis e, na minha melhor caligrafia, escrevi uma carta.
Querida Mãe, escrevi, por favor, me deixe ser consertada.”

Sem mais, uma leitura mais que recomendada, do tipo que Leio Até Mesmo de Pé Esperando o Ônibus, sem dúvidas um dos meus amores da vida, para a vida. Creio que é, na verdade, um desafio, ler A Guerra que Salvou a Minha Vida e não gostar, tarefa das mais árduas, se não, impossível.

“Dali em diante, eu me dividiria em ‘antes de Dunderque’ e ‘depois de Dunderque’. A Ada ‘depois de Dunderque’ era mais forte e tinha menos medo. Foi horrível, mas eu não desisti. Eu persisti. E venci a batalha.”

Aleatoriedades

  • Não é segredo algum que a DarkSide Books é uma das minhas editoras mais queridinhas e, quando ganhei este livro no início deste ano, de amigo secreto da Bia, do blog Anota Aí – que também se apaixonou pela Ada – foi impossível não devorar a leitura e sentir que esse livro é, sem dúvidas, único e especial.

“Algumas coisas a gente tem que enfrentar em família.”

  • Quando fiz a leitura do livro ainda não sabia da previsão de lançamento de sua continuação. A Guerra que Salvou a Minha Vida não termina com pontas soltas, talvez com incertezas, mas sem dúvidas, de um modo tão esperançoso que jamais diria que não é um livro solo. Abalando meu coração, a DarkSide lançou a continuação, numa edição também lindíssima, intitulada de A Guerra Que Me Ensinou a Viver, em que vamos acompanhar o que aconteceu depois do fim do primeiro livro, ainda em período de guerra. Quem preciso dessa continuação para que a vida faça sentido?

“Eu nunca sei. Quando não penso, tudo fica muito claro na minha cabeça. Mas, quando começo a tentar pensar, me confundo toda.”

  • Essa foi uma das sessões de fotos mais gostosas de fazer, foi impossível não pensar no Manteiga, na vibe interiorana, em cada roupa remendada e em todos os sentimentos que a história trouxe. Ainda mais com uma edição tão linda como essa, cheia de detalhes, que tentei mostrar nos cliques que vieram pro post. A bem da verdade, a cada leitura que eu faço do selo Dark Love eu juro que é o meu favorito, começou com as Crônicas de Amor e Ódio, depois com A Noiva Fantasma (que irei reler em breve e resenhar aqui no blog) e agora com A Guerra que Salvou a Minha Vida. Ah, só me derreto pela Caveirinha… ahaha Opa, Caveirinha agora é o selo infantil da DarkSide, mas ela sempre será A Caveirinha no meu coração! Ehehehe

“Enfim compreendi qual era a minha luta e por que eu guerreava. A Mãe não fazia ideia da forte combatente que eu havia me tornado.”

A Guerra que Me Salvou a Viver da autora Kimberly Bradley, publicado pela DarkSide Books está disponível à venda nas maiores livrarias físicas e online do país.

“Dei a mão a ela. Um novo e desconhecido sentimento me preencheu. Parecia o mar, a luz do sol, os cavalos. Parecia amor. Vasculhei minhas ideias e encontrei o nome. Felicidade.”

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

Ouvindo: Home – Edward Sharpe & The Magnetic Zeros

  • Fernanda Akemi

    Em 07.05.2018

    Oie!!!

    Esse livro é maravilhoso e foi um dos mais belos que li nesses últimos tempos, não tem como terminar essa leitura e sentir o coração aquecido, mesmo diante de tantas dificuldades. Pois, Ada, simplesmente nos envolve demais.
    Eu amei sua resenha e as fotos!! Quando li também desconhecia que teria uma continuação e agradeço imensamente a DarkSide (querida minha também) por mais um livro.

    bjs

  • Retipatia

    Em 07.05.2018

    Oi Fernanda!
    Ahhh um salve pra esse livro, né? Não tem como ler e não amar. Ele mexeu demais comigo, aquela sensação de carinho, de amor, de cumplicidade, de doer cada dificuldade e violência que acontece. Como você disse, Ada nos envolve demais! Feliz aqui que tenha gostado da resenha e das fotos! <3 DarkSide é love total, sempre linda por trazer mais Ada pros nossos corações! <3
    Obrigada pela visita! <3
    xoxo

  • Luana Souza

    Em 07.05.2018

    Antes de mais nada, vamos enaltecer o seu novo layout AND as suas fotos. Realmente, fotografar livros assim, que nos dão um quentinho no coração, é relaxante e maravilhoso. Esse livro já foi o meu favorito da DarkSide Books, mas, embora eu ainda o ame, meu DarkCrush atual é “a longa viagem a um pequeno planeta hostil” (inclusive, acho que você deveria ler *-*).

    Bom, não sei mais o que dizer sobre essa história que não tenha sido dito na resenha. É uma história inspiradora, encantadora, e o melhor é que não para no primeiro (sério, o segundo livro é tão apaixonante quanto o primeiro!). É dolorosamente adorável! Vamos torcer para que mais livros dessa série da Ada venham, assim com novas histórias da autora.

    Beijos, amora :*

  • Retipatia

    Em 07.05.2018

    Oi Luh!
    Own feliz que gostou do novo lay e das fotenhas! É sempre tão bom fazer coisas com histórias que nos cativam, né?! E eu tô louca pra ler A Longa Viagem, ele parece maravilhoso demais e ainda que edição é aquela?! <3 Tô louca com o segundo livro, vamos ver quando vou consegui-lo!!! <3 E também vou amar ter mais histórias da autora!!! <3
    Obrigada pela visita, linda!
    xoxo


CAPTCHA Image
Reload Image

%d blogueiros gostam disto: