24 Horas Para Escolher Viver ♥ Aléxia Macêdo

Em 10.11.2017   Arquivado em Resenhas

Bom dia, tarde e noite folks!

Hora de trazer para vocês uma resenha um pouco diferente, já que, ao invés de um livro, estamos falando de um conto. A autora do livro, Aléxia Macêdo me convidou para a leitura do conto 24 Horas Para Escolher Viver e, agora, eis a resenha para vocês.

24 Horas Para Escolher Viver

Autora Aléxia Macêdo

Publicação Independente

“Eu apenas quero saber por que você está pensando em acabar com sua vida. – ele dá de ombros como se falar essa frase fosse algo simples. Acabar. Dar um fim. Simples.”

Sinopse

Há um ano, Catarina perdeu os seus pais e irmão em um acidente de carro, onde somente ela sobreviveu. Desde então ela tem pensado todos os dias em desistir de viver, até que novamente no dia 24 de dezembro ela sofre outro acidente e conhece um policial que está destinado a passar as próximas 24 horas convencendo-a a escolher viver.

“Te fazer escolher viver – ele diz como se fosse simples. Tudo que ele fala carrega uma leveza que me dá raiva. Sua mão aperta a minha contra a mesa e eu sinto o ar me faltar. Meus olhos queimam um pouco. – Só isos que peço, 24 horas para escolher viver.”

Sobre a Autora

Aléxia Macêdo tem 18 anos, faz faculdade de Ciências Sociais na Universidade Federal do Rio de Janeiro e começou a escrever por pura diversão na plataforma Wattpad. Conforme o amor pela escrita aumentava, mais ela conquistava leitores e novas histórias surgiam em sua mente. Atualmente ela tem dois livros completos no Wattpad e está escrevendo sua segunda ficção adolescente lá.

“Sua sorte é ter um bom gosto musical, pois eu posso aturar muita coisa, mas de jeito nenhum suporto ouvir música ruim.”

A Obra

Catarina está perdida, mas no sentido figurado. Sua vida, desde o acidente que levou seus pais e seu irmão, não tem mais razão de existir. Ela não vê saída, a não ser se entregar ao acaso. Chega ao ponto de, ao sofrer um acidente, dizer ao policial que a resgata para não se importar, deixá-la partir.

O que Catarina não contava é que André, o policial que salvou sua vida, não é alguém que desiste fácil. Quando a jovem deixa o hospital, já no dia 25 de dezembro, ele a aguarda do lado de fora e, depois de um pouco de insistência, a convence a lhe conceder 24 horas do seu tempo. Vinte e quatro horas para que ele lhe mostre que a vida, por mais difícil que possa parecer, vale a pena ser vivida. Parece um tempo curto demais? Mas é tudo que André possui e ele irá buscar ao máximo dar motivos à Catarina para continuar a viver.

“O que você está fazendo? – eu pergunto, rebatendo a sua pergunta.
– Cumprindo uma promessa.”

Impressões sobre a obra

O conto trata de um tema muito interessante e, ao mesmo tempo, que faz refletir muito sobre a vida e o papel que exercemos na vida das outras pessoas, sejam elas próximas ou não a nós.

Catarina foi fortemente marcada pela perda de sua família, tanto que qualquer coisa que pudesse motivá-la a continuar vivendo, fora apagado de sua memória. Após sofrer um outro acidente no dia 24 de dezembro, ela conhece o policial André, que, diferente dela, acredita que, não importa o que tenha acontecido, viver é sempre a melhor escolha. Apesar de não ter um plano muito exato, André faz a coisa mais importante que poderia fazer por ela: mostra que Catarina não está sozinha no mundo e que alguém se importa com ela, mesmo sendo, praticamente, uma desconhecida.

“É um momento de calmaria tão grande que eu não consigo explicar. É apenas como se eu estivesse em uma grande tempestade, eu estou me afogando e, mesmo sem querer, eu não consigo parar de lutar. Até que um vento joga as nuvens para longe e o mar se acalma.”

Nas 24 horas que se desenrolam conhecemos um pouco mais sobre o policial que também não está com a família comemorando o Natal e que resolveu dar suas horas à alguém que parecia perdida. A autora consegue desenhar bem os dois personagens que nos são apresentados na história, conhecemos um pouco do passado e da vida de cada um, sendo possível perceber bem os sentimentos que os levam a ter as atitudes e comportamentos que possuem.

O mais interessante no conto da Aléxia é que, não se trata sobre escolher morrer, mas do escolher viver. Não há discussão aprofundada sobre suicídio, e acho melhor dizer porque, em momento algum, a personagem diz claramente que o faria. É mais como se ela não fosse optar por morrer dessa forma, mas daria chance a qualquer oportunidade que aparecesse, como dirigir na estrada e mexer no celular (como quando acontece o acidente que a faz conhecer André). Contudo, como a própria personagem deixa claro, ela não vê saída quando acorda no hospital, insatisfeita por ainda estar viva, e crê que uma medida mais drástica seria necessária. O que nos faz pensar no suicídio (ou me fez pensar), ainda que Catarina não fale ou pense isso ‘com todas as letras’ durante o conto.

“Dar uma chance ao quê?, pergunto a mim mesma. Sentindo um vazio me preencher de uma forma inexplicável. Como é possível se sentir cheio de nada?”

De uma maneira ou outra, é difícil saber o que pode ser a gota d’água para alguém resolver tirar a própria vida. Um ato tão extremo. E, talvez, um simples gesto, uma palavra, uma atitude, um ouvir ou um olhar com atenção, pode ser suficiente para a pessoa resolver se dar mais uma chance, mais um dia, mais vinte e quatro horas, que podem mudar o rumo de toda sua vida.

Querendo ou não, apesar dessa mostra de chance que a vida ou alguém pode oferecer à outra pessoa, seja ela uma desconhecida ou não, acho que o aspecto do suicídio em si poderia ter sido melhor discutido, mesmo sendo um conto e, por isso, uma história mais curta, não significa que não fosse possível trabalhá-lo, já que é algo implícito e quase velado na história e não precisaria ser, já que há indicativos do que a personagem estaria prestes a fazer.

“Fiquei em silêncio. E ouvi apenas o silêncio.”

A história também fala sobre depressão, tanto do ponto de vista de quem acompanha a pessoa que está com a doença, como quem vive com ela,  através dos próprios personagens principais, Catarina e André. É uma boa abordagem, ainda que transformada em uma história que tem uma resolução romanceada, já que a principal solução para a doença é através das mudanças que lhe são oferecidas durante essas 24 horas em que se passa o conto.

A escrita da Aléxia é bem fluida e madura. A narrativa corre com facilidade pelos capítulos do conto, que levam como títulos a marcação do passar do tempo que Catarina deu a André. E, como um todo, a leitura foi bem fácil e rápida, fluiu super bem e, especialmente para quem gosta de história curtas e que cativam pela descrição dos sentimentos, é uma ótima escolha de leitura.

“E pela primeira vez eu sinto algo único: os sentimentos bons sufocaram todo o meu medo, minhas assombrações e terror.”

Aleatoriedades

  • A história se passar durante o Natal, mas ela não segue o clima natalino, até porque a data chega a ser motivo de tristeza para os personagens. Mas eu adoraria ver ter visto na história, um pouco do clima natalino, não vou negar (meu lado #christmasaddicted falando mais alto). Quando comecei a ler e vi a questão da data, pensei que seria algo para se ler no mês de dezembro (sim, eu fico toda em clima natalino em dezembro… ahahaha), mas não tem nada disso (para quem não curte, não se preocupem).
  • Deixar um detalhezinho bem legal aqui: o conto terá uma continuação e já sabemos que a Aléxia está trabalhando para lançá-la na Amazon! Yey! Quem por aqui adora ler histórias que tem continuações? Ah, mas saiba que 24 Horas tem um fim, resolução, há apenas uma deixa para uma história seguinte, então, caso queira ler, não precisa achar que vai ficar aguardando o próximo conto para que a história termine.
  • Aléxia, mais uma vez, obrigada pelo convite para leitura do conto, adorei conhecer mais da sua escrita e do seu trabalho!

O conto 24 Horas para Escolher Viver, da Aléxia Macêdo está disponível para leitura em ebook na Amazon. (também pelo Unlimited!).

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

Ouvindo: Warwick Avenue – Duffy

  • Aléxia Oliveira Macêdo

    Em 10.11.2017

    QUE LINDA! ♥ Como eu amei ler a sua resenha, ver as coisas que você pensou sobre a história, os pontos que gostou, que poderia melhorar… Nossa, adorei! ♥ Muito obrigada pela sua dedicação em escrever algo tão bonito e completo assim, e fico muito feliz que você tenha gostado do conto! ♥ Eu que agradeço pela sua parceria!

  • Retipatia

    Em 10.11.2017

    Own que delícia ver esse comentário Aléxia! Obrigada pela parceria e pelo carinho de sempre! Fico feliz que a resenha tenha sido do seu agrado e tenha conseguido demonstrar minhas sensações durante a leitura!!! <3 Muito sucesso para você! <3
    xoxo

  • Giovanna Fialho

    Em 10.11.2017

    Tudo bom?
    Esse é um tema que me inquieta.
    Escolher não viver, não significa necessariamente cometer o suicidio, mas simplesmente vegetar – uma comparação extrema –
    É um tema muito delicado, mas se bem escrito nos faz refletir sobre como percebemos nossa vida e das pessoas ao nosso redor.
    Sobre generosidade, empatia e benevolencia.

    Um tempa importante a ser debatido.
    Adorei a indicaçao – pena que nao tem em papel (nao consigo ler pelo computador ou celular)

    mas estou no aguardo para mais novidades.

    caosarrumado.com

  • Retipatia

    Em 10.11.2017

    Oi Giovanna! Eu realmente não havia parado para pensar na questão de não cometer suicídio, como na escolha de vegetar, como você disse. Mas acho que é porque na minha cabeça ambos se equivalem, se a busca no fim for a morte, o deixar de existir, talvez só o meio utilizado pela pessoa que seja distinto, eu imagino.
    E é exatamente como você disse, um tema delicado e que, bem abordado, nos faz ter reflexões importantes sobre nós mesmos e sobre as pessoas que nos cercam.
    Que pena que você não consegue ler sem ser em papel, o conto tá só na Amazon por enquanto. :/ Quem sabe depois ganha físico né?! Eu super prefiro ler no papel, amo mesmo, mas agora que entrei na vibe do Kindle, tô lendo mais em formato digital. <3
    xoxo

  • Erika Monteiro

    Em 10.11.2017

    Oi Rê, tudo bem? Gente que notícia mais legal saber que a Alexia está escrevendo. Faz uns três anos que a conheço e acho ela super simpática. O enredo do conto é bem interessante e me chamou atenção. Quando perdemos alguém é algo muito doloroso, algumas pessoas se recuperam mais rápido do que outras mas todos sentimos pesar no coração. Tirar a própria vida não é a melhor solução mas a dor é tão grande que não vemos outro caminho uma pena. Gostei muito da indicação e saber um pouco mais sobre o talento da Alexia. Beijos, Érika =^.^=

  • Retipatia

    Em 10.11.2017

    Oi Érika! Tudo bem e contigo? Quando a Aléxia me convidou pra ler o conto eu também não sabia que ela escrevia e foi uma descoberta super legal, a escrita dela é muito fácil e gostosa de ler. E o tema é realmente super interessante, delicado e, ao mesmo tempo, que faz refletir. Obrigada linda! <3
    xoxo

  • Iza de Azevedo

    Em 10.11.2017

    Oi, oi! Esse conto parece ser bem cativante! Já me ganhou porque o policial se chama André e meu amor se chama André hahahaha Acho que vou pegar esse conto lá pelo Kindle, para ler mês que vem, mesmo que não seja algo de clima natalino (também sou aloka do natal hahaaha) pode me ajudar a bater minha meta de leitura do ano! Obrigada pela indicação Renata! Beijinhos!

  • Retipatia

    Em 10.11.2017

    Oi Iza! Ah que ótima saber que gostou da ideia do conto! Tenho certeza que não vai se arrepender da leitura, mesmo não sendo no clima natalino que tanto amamos! ahaha Aproveita e conhece o André que ajuda muito a Catarina, certeza que você vai adorá-lo também! <3 E tomara que consiga cumprir a meta do ano!!!! <3
    xoxo

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