Bethânia e a Fera ♥ Jack Meggitt-Phillips

Bethânia e a Fera é a perfeita junção de Um Conto de Natal e Desventuras em Série, numa história divertida, leve e recomendada caso você tenha 8 ou 511 anos! Ou quem sabe uma versão não romântica e diferente de A Bela e a Fera, com duas figuras para representar a fera e uma garotinha muito inusitada para representar a Bela. Só tenha cuidado com maçarocas decrépitas que habitam sótãos.

Bethânia e a Fera (The Beast and the Bethany)
Jack Meggitt-Phillips
Tradução de Bruna Beber
Ilustrações de Isabelle Follath
Editora Seguinte | 2021 | 256p.
Disponível em Amazon
“A coisa vive no último andar. E não vê a hora de te conhecer.”

Sobre Jack Meggit-Phillips & Isabelle Follath

Jack Meggit-Phillips é escritor, ladrão de sanduíches e domador de feras. Costuma ser encontrado vasculhando o sótão dos outros e usando coletes de gosto questionável. Mora em Londres e foi permanentemente banido da terra natal dos Papagaios de Peito Púrpura.

Quando não está ilustrando feras horrendas e pestinhas magricelas, Isabelle Follath pode ser encontrada bebendo quantidades alarmantes de café em Zurique, muitas vezes na companhia de seu marido e de sua filha. Há anos ela está em busca do tom perfeito de verde-dourado, uma cor que nem a fera conseguiu vomitar.

Sinopse de Bethânia e a Fera

Atenção! Aproxime-se desse livro com cuidado: perigo de virar lanche de uma fera enorme e gosmenta e morrer… de rir!

Ebenézer Pinça é um jovem de 511 anos que tem uma fera morando no sótão de sua mansão. Ele alimenta essa bolota grande, gorda e cinzenta com as iguarias mais estapafúrdias, e em troca recebe presentes valiosíssimos, como a poção que mantém sua juventude.

Parece um acordo perfeito, mas conforme o tempo passa, a fera fica cada vez mais gulosa. Já basta dessa dieta sem graça de estátuas empoeiradas, colares de pérolas e papagaios raros. Agora ela quer uma refeição especial: não é algo incomum, mas dificilmente será servido no jantar; pode ser encontrado em formas e tamanhos diversos em todos os países do mundo. O que a fera quer experimentar dessa vez… é uma criança!

Ebenézer vai ao orfanato e encontra o quitute ideal: Bethânia, a garota mais mal-educada e encrenqueira do lugar. Acostumada a pregar peças em todo mundo, agora Bethânia terá de usar toda a sua esperteza para escapar desse destino terrível.

Indicado para leitores a partir de 8 anos.

Bethânia e a Fera

O que aconteceria se Ebenezer Scrooge, de Um Conto de Natal de Charles Dickens adotasse uma das crianças Baudelaire, de Desventuras em Série de Lemony Snicket? A receita com certeza resultaria na obra de Jack Meggitt-Phillips: Bethânia e a Fera!

“Ebenézer Pinça era um homem detestável que tinha uma vida maravilhosa.”

Ebenézer Pinça está prestes a soprar as velinhas de seus 512 anos, mas mantém a carinha de vinte. Sabe qual o segredo? A fera que ele mantém e alimenta no sótão de sua casa. Em troca de comidas bem especiais, como uma estátua e uma onça raríssima, ele recebe objetos valiosos, que a fera vomita de seu estômago, como a poção da juventude. Mas o detalhe é que a fera está cada vez mais exigente e, para liberar a poção nesse ano ela quer nada menos nada mais do que uma criança!

Então é claro que Ebenézer, criatura desprovida de realismo e empatia, vai até uma loja para comprar uma criança. Não, espera. Ele vai até um orfanato para adotar uma. Percebendo que uma criança detestável seria uma escolha melhor, já que não faria falta alguma no mundo, Ebenézer acaba levando para casa ninguém menos do que arteira e muito emburrada Bethânia. E ela agora terá que se virar para não ser a próxima refeição da maçaroca decrépita, digo, da fera.

“Ebenézer tremeu inteiro ao olhar para o prédio e ficou chocado ao saber que morava gente ali. Pensou que não era de admirar que o orfanato abrigasse tantas crianças que ninguém queria. Não era o tipo de lugar atraente para fregueses.”

Sou o tipo de leitora que facilmente se deixa levar pela capa de um livro, é, eu sei daquela história toda de não julgar um livro pela capa… mas quando eu vi o lançamento da Seguinte eu pensei, preciso ler. De vez em quando, gosto de viajar por histórias infantis e já esperava encontrar uma boa história, mas Bethânia e a Fera é, na verdade, uma história excelente!

Repleta de boas doses de humor ácido (porque o Ebenézer, em especial, é uma pessoa tão sem noção do mundo que vai te garantir boas risadas), a história de Bethânia e a Fera consegue ser, ao mesmo tempo, atemporal e moderna. Desde os detalhes que envolvem a vida dos personagens até a relação que estabelecem entre si, você imagina que tudo pode ter ocorrido no bairro ali do lado, quem sabe perto da casa daquela sua amiga, sabe? E de repente você começa a se perguntar se deveria checar o sótão e se lembra que, ufa, você mora em um apartamento.

“Quero devorar essa menina numa mordida só para que ela possa ver do que é capaz esta maçaroca decrépita, gigante, horrenda e cinza.”

Uma das coisas mais legais do livro é que, além de ser uma história leve e divertida, do tipo que dá para ler em uma sentada, como eu o fiz, ela é também uma história sobre amizade, crescimento, empatia, e, claro, sobre uma maçaroca decrépita. Mas a questão é que, no meio disso tudo, vemos o desabrochar de uma amizade bem construída e, especialmente, sincera. Uma relação que, a partir dali, só tende a crescer.

Além disso, os personagens são, por si só, criaturas especiais e cativantes. Até mesmo Ebenézer Scrooge, digo, Ebenézer Pinça, com seu jeito totalmente indiferente para com os outros, totalmente insensível e imaturo, apesar dos quase 512 anos de idade. A própria Bethânia é arteira e totalmente sem limites, mas também não deixa de ser uma criança que precisa, antes de qualquer coisa, ser compreendida.

“Os velhos tendem a ser mais sentimentais, e essa preocupação repentina com os outros só podia ser efeito colateral das rugas e da fraqueza das pernas. Tinha certeza de que todos esses sentimentos novos desapareceriam depois que tomasse a poção.”

Tenha você seus 8, 80 ou 808 anos, eu recomendo pegar uma guloseima, se acomodar e adentrar as páginas de Bethânia e a Fera. Só fique longe do sótão, é mais seguro assim.

Aleatoriedades

Bethânia e a Fera foi recebido em parceria com o Time de Leitores da Companhia das Letras / Editora Seguinte.

As dicas da vez para quem curte um gostinho da infância em histórias para todas as idades, são: Coraline de Neil Gaiman e Nimona de Noelle Stevenson.

Que a Força esteja com você!

xoxo

Retipatia

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  • Angela Cunha Gabriel

    Fiquei aqui subindo e descendo a tela só para ver essas ilustrações. Amiga do céu, que coisa mais linda deve ser ter uma obra dessas em mãos!
    Sentir medo, calor, amor, sustos rs tudo num lugarzinho só e em uma edição primorosa assim!!!!
    Adorei, adorei e sim, vamos lá namorar rs
    Beijo

    Angela Cunha/O Vazio na flor

  • Chiara

    Que livro lindo, amei as ilustrações e a história! Deve ser ótimo ter uma obra assim!