É assim que acaba ♥ Colleen Hoover

Retipatia
Resenha de É assim que acaba, da Colleen Hoover, publicado pela Galera Record.

É assim que acaba vai dilacerar seu coração, mas não se preocupe, você ficará feliz por isso. Cada parte da história de Lily, desde sua infância conturbada escrevendo cartas para Ellen DeGeneres, até quando tudo parece finalmente dar certo na sua vida adulta – perfeito demais para se acreditar -, irá lhe dizer que algumas histórias, apesar de doloridas, precisam muito ser contadas. Mas especialmente, precisam ser lidas.

É assim que acaba (It ends with us)
Colleen Hoover
Tradução Priscila Catão
Galera Record |2018 | 368p.
Disponível em Amazon
“Não existe isso de pessoas ruins. Todos nós somos humanos e, às vezes, fazemos coisas ruins.”
Resenha de É assim que acaba, da Colleen Hoover, publicado pela Galera Record.
Sobre Colleen Hoover

Colleen Hoover é a autora best-seller do New York Times por trás dos livros Métrica, Um caso perdido, Talvez um dia, O lado feio do amor, É assim que acaba, Tarde demais e Todas as suas (im)perfeições. Ela mora no Texas com o marido e os três filhos.

Sinopse de É assim que acaba

Lily nem sempre teve uma vida fácil, mas isso nunca a impediu de trabalhar arduamente para conquistar a vida tão sonhada. Ela percorreu um longo caminho desde a infância, em uma cidadezinha no Maine: se formou em marketing, mudou para Boston e abriu a própria loja. Então, quando se sente atraída por um lindo neurocirurgião chamado Ryle Kincaid, tudo parece perfeito demais para ser verdade.

Ryle é confiante, teimoso, talvez até um pouco arrogante. Ele também é sensível, brilhante e se sente atraído por Lily. Porém, sua grande aversão a relacionamentos é perturbadora.

Além de estar sobrecarregada com as questões sobre seu novo relacionamento, Lily não consegue tirar Atlas Corrigan da cabeça — seu primeiro amor e a ligação com o passado que ela deixou para trás. Ele era seu protetor, alguém com quem tinha grande afinidade.

Quando Atlas reaparece de repente, tudo que Lily construiu com Ryle fica em risco. Com um livro ousado e extremamente pessoal, Colleen Hoover conta uma história arrasadora, mas também inovadora, que não tem medo de discutir temas como abuso e violência doméstica. Uma narrativa inesquecível sobre um amor que custa caro demais.

Resenha de É assim que acaba, da Colleen Hoover, publicado pela Galera Record.
É assim que acaba
O livro contém conteúdo que pode gerar gatilho: violência contra a mulher, violência doméstica, abuso.

Lily conquistou sua tão sonhada floricultura. Um projeto ousado, diferente, a cara dela. Os planos parecem fazer parte de uma maré de boas coisas em sua vida, além do negócio estar de vento em poupa, ela conhece Ryle Kincaid, um neurocirurgião muito bonito, charmoso, rico. Talvez um pouco arrogante é fato, mas também consegue ser sensível.

“Penso que, às vezes, por mais que você esteja convencida de que sua vida vai seguir determinado rumo, toda a certeza pode sumir com uma simples virada de maré.”

A maré parece oscilar quando Atlas aparece na vida de Lily. Mais do que seu primeiro amor, ele traz consigo muitas memórias dolorosas do passado. Coisas que Lily preferia não mais se lembrar, como os momentos em que o pai batia na mãe. O lar em que ela viveu toda a infância foi permeado por um relacionamento violento de seu pai para com sua mãe.

“Imagine todas as pessoas que você conhece ao longo da vida. São muitas. Elas surgem como ondas, entrando e saindo aos poucos, dependendo da maré. Algumas ondas são muito maiores e causam mais impacto que outras. Às vezes, as ondas trazem coisas lá do fundo do mar e as largam no litoral. Marcas nos grãos de areia que provam que as ondas estiveram lá, muito depois de a maré recuar.”

Mas não é apenas isso que Atlas traz à memória, toda história tem vários lados e, um deles é de que ele sempre foi alguém que a compreendeu, que a amou e que estava presente quando ela precisou. Mesmo que muitas das memórias de Lily tenham sido transcritas em cartas endereçadas a Ellen DeGeneres, o assunto, no geral, não variava: era sempre Atlas.

“Talvez o amor não seja um ciclo completo. Apenas suba e desça, entre e saia, assim como as pessoas em nossas vidas.”

O tempo passa e, agora adulta, Lily não tem mais Atlas em sua vida, quem arrebatou seu coração foi Ryle. Ainda que esse amor arrebatador que os uniu comece a mostrar ranhuras durante um incidente na cozinha… A primeira vez que Ryle a agride.

“Às vezes, uma onda inesperada surge e te suga, se recusando a cuspir para fora. Ryle é minha onda inesperada da maré, e, no momento, estou tocando de leve em sua bela superfície.”

A primeira ranhura leva Lily ao papel que provavelmente você já ouviu falar ou leu em outra história: a da mulher que está ferida, com o coração partido, mas ainda acredita do amor. E, especialmente, ela tem certeza que jamais seria como sua mãe. Jamais entraria no ciclo e Ryle não é como seu pai.

“Ela vai sentir pena de mim. Não vai entender por que nunca o abandonei. Vai questionar como deixei as coisas chegarem a tal ponto. Vai perguntar as mesmas coisas que eu me perguntava sobre minha mãe quando a via na mesma situação. As pessoas passam tanto tempo se perguntando por que as mulheres não vão embora… Onde estão as pessoas curiosas do porquê os homens serem violentos? Não é aí que deveria estar a culpa?”
Resenha de É assim que acaba, da Colleen Hoover, publicado pela Galera Record.

Os debates que É assim que acaba irá trazer são focados na mulher, na visão da mulher vítima de violência doméstica. Vítima de situações que vão desde o controle e ciúme exacerbados às agressões físicas. O ciclo que se repete. A agressão. O perdão. A calmaria. A agressão. O perdão. A calma…

“…às vezes, as coisas mais importantes na vida de uma pessoa são as que mais a magoam.”

A partir de Lily, nós nos sentimos na pele da vítima. Não alguém que acredita merecer qualquer um dos acontecimentos, mas envolta num relacionamento que vai muito além do casal. Se trata de família, se trata dos laços, se trata dos sentimentos envolvidos. Nunca a situação é tão simples e prática como parece aos olhos de quem está do lado de fora. Não se trata de sair pela porta e nunca mais olhar para trás.

“Acho que esse é um dos maiores sinais de que a pessoa está amadurecendo: saber admirar coisas que importam para os outros, mesmo que elas não signifiquem muito para você.”
Resenha de É assim que acaba, da Colleen Hoover, publicado pela Galera Record.

Além de nos mostrar o lado de Lily, a história expõe a figura do agressor. E, numa versão realista, não temos uma fera demoníaca, um homem incapaz de raciocinar, incapaz de conter seus impulsos. Não temos aqui, um monstro. Afinal é o que frequentemente se relaciona, como se abusadores fossem monstros, incapazes de se controlar, racionalizar e ver a violência que comete. A questão é que são tão humanos quanto qualquer outra pessoa e, para mim, o ponto essencial de É assim que acaba é exatamente esse: não existem monstros.

“Apesar do ressentimento que guardo no coração, minhas emoções continuam presentes. Não paramos de amar uma pessoa só porque ela nos magoou. Não são suas ações que magoam mais. É o amor. Se não houvesse amor ligado à ação, a dor seria um pouco mais fácil de suportar.”
Resenha de É assim que acaba, da Colleen Hoover, publicado pela Galera Record.

E é ótimo se lembrar disso, porque dificilmente alguém é ruim ou um abusador, ou violento o tempo inteiro. As pessoas tem camadas, nuances, temperamentos. O marido que deu flores hoje pode dar um soco amanhã. O ciclo pode ser breve, mas também pode ser longo e, quanto mais o tempo passa, mais fácil é pensar que a parte difícil ficou para trás. Mais fácil é perdoar. Até que o ciclo reinicie.

“Ciclos existem porque é doloroso acabar com eles. Interromper um padrão familiar é algo que requer uma quantidade astronômica de sofrimento e de coragem. Às vezes, parece mais fácil simplesmente continuar nos mesmos círculos familiares em vez de enfrentar o medo de saltar e talvez não fazer uma boa aterrissagem.”
Resenha de É assim que acaba, da Colleen Hoover, publicado pela Galera Record.

Quando se trata de Collen Hoover, é certo que a história será feita para questionar, tirar do prumo, incomodar. É certo que trará sentimentos a flor da pele. Não foi diferente com É assim que acaba. Além de ser uma história que tem muito a ver com a que sua mãe vivenciou, a autora conseguiu imprimir toda a fragilidade e complexidade que existe em relacionamentos abusivos e violentos.

“… porque não é exatamente essa a questão? Sacrificar-se pela pessoa que você gosta só para vê-la feliz?”

Ainda que essa história relate a situação da violência doméstica, ela não se encerra aí. É assim que acaba nos traz um relato sincero por sob o olhar de uma mulher, de Lily, que pode ser muitas Lilys do mundo, muitas mulheres do mundo, sobre o que é estar sob o égide da violência doméstica. Um manto que não é nem um pouco acolhedor, ele abafa, esconde, fere. A história de Lily fala também de como é possível retirar esse manto. Afinal, É assim que acaba.

“É assim que acaba. Nós vamos colocar um ponto final nisso.”
Resenha de É assim que acaba, da Colleen Hoover, publicado pela Galera Record.
Aleatoriedades

Quando se trata de CoHo, só consigo indicar mais CoHo para a leitura, então, as resenhas: Todas as suas (im)perfeições | Um Caso Perdido | O Lado Feio do Amor | Novembro, 9.

Que a Força esteja com você!

xoxo

Retipatia

Repense, renove, rediscuta...

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