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O Amor Não é Óbvio ♥ Elayne Baeta

Resenha de O Amor não é Óbvio de Elayne Baeta publicado pela Galera Record.

O Amor Não é Óbvio, de Elayne Baeta, traz aquela receita de bolo que a gente espera ansiosa que saia do forno: tem romance, primeiras vezes, desentendimentos, crescimento e amadurecimento. Tem amor do tipo primeiro-amor e é impossível não se apaixonar também, por essa história!

O Amor Não é Óbvio
Elayne Baeta
Galera Record
2019 | 392 páginas
Disponível em Amazon
“O mundo só havia me ensinado como ser hétero.”
Resenha de O Amor não é Óbvio de Elayne Baeta publicado pela Galera Record.
Sobre Elayne Baeta

Elayne Baeta tem 22 anos, gosta de vinho tinto e não sabe dançar. Escreve as coisas que queria ter lido. O sol em virgem quer tudo certinho, o ascendente em leão quer tudo bonito e a lua em libra não sabe o que quer. Tem sotaque nordestino, miopia e coragem. No seu mundo ideal, preconceito não existe, Salvador não faz 70 graus pela manhã e nos contos de fadas as princesas se beijam.

Escritora, ilustradora, doutoranda em nada com especialização em coisa nenhuma. Só sabe o que espiou pra aprender e só escreve o que já sentiu no peito. Nas horas vagas, é facilmente encontrada com um uquelele na mão, ou cozinhando alguma receita inventada. Nas poucas exceções do seu tempo termina um livro inteiro, tira selfie tomando chá de camomila e escreve em terceira pessoa sobre ela mesma. Elayne está nas redes sociais como @elaynebaeta, está na vida de outras pessoas como “El” e está neste livro como Édra. Brincadeirinha.

Sinopse de O Amor Não é Óbvio

Íris tem 17 anos e está viciada na novela “Amor em atos”. Ela e sua vizinha, Dona Símia, de 68 anos, não perdem um episódio. Na escola, parece que todo mundo só pensa em duas coisas: na festa de formatura e em perder a virgindade. Só que a vida de Íris está prestes a mudar: Cadu Sena, sua paixão platônica desde a oitava série, está solteiro. Essa é a chance de Íris. Mas antes ela precisa entender o que levou a namorada de Cadu a deixá-lo por uma garota, Édra Norr. Montada em sua bicicleta, Íris vai cruzar São Patrique para descobrir tudo sobre Édra, e não vai demorar para se enredar também nos encantos da garota. A gente sempre acha que sabe por quem vai se apaixonar, mas o amor não é óbvio.

Resenha de O Amor não é Óbvio de Elayne Baeta publicado pela Galera Record.
O aMoR nÃo É óBvIo

Eu não sei você, mas está quase na hora do capítulo da melhor novela de todos os tempos: Amor em Atos! Sabe aquela novela mexicana que tudo pode acontecer? Que primeiro o mocinho e a mocinha (Rosa e Edgar) levam a vida pra se declarar e, daí, tem sempre um empecilho e uma reviravolta de te matar de curiosidade? COmO aSsIm VoCê NuNcA aSsIsTiU aMoR eM aToS?

“Eu ainda não tinha me recuperado daquele capítulo de Amor em atos. Tudo parecia perfeito na novela, e eu me sentia um pouco otária por desejar um pingo daquela realidade na minha vida. Fala sério, o primeiro beijo da Rosa e do Edgar foi no tráfego, com o sinal aberto, embaixo da chuva… Isso é no mínimo incrível. Mas sei que se um dia eu tentasse reproduzir isso, eu seria atropelada e ainda terminaria gripada – se eu sobrevivesse às fraturas, é claro. Por que a vida real é tão falha?”
Resenha de O Amor não é Óbvio de Elayne Baeta publicado pela Galera Record.

Posso assegurar que ela tem o selo de qualidade dado por Íris e dona Símia. Elas não perdem um capítulo sequer! Às vezes eu até me junto a elas para assistir, mas considerando que as duas são melhores amigas, fica difícil competir, sabe. Tem uma sintonia danada entre essas duas. Mesmo que Íris nunca aceite o chá que Dona Símia oferece (eu aceito) e mesmo que Íris tenha 17 anos e, Dona Símia, 68 (ou é o que ela diz e eu não vou contestar porque não vou falar da minha idade também…).

“A verdade é que acho que não preciso me importar tanto assim comigo se posso investir tempo em um universo onde coisas realmente surreais acontecem. Um universo onde eu sinto frio na barriga, emoção, ansiedade, raiva, tristeza… A novela, às vezes, parece mais real que a própria realidade. Pelo menos ela me causa mais coisas do que a minha rotina pode proporcionar.”

Mas a questão toda que eu quero contar não é (só) sobre o vício delas com a (melhor) novela de todos os tempos. Eu queria contar que a Íris, uma adolescente bem comum, que nem eu (pelo menos quando eu tinha a idade dela, né), é também uma cientista! E ela está fazendo um experimento que eu observei de perto, assim bem perto mesmo.

“Me atrevi a experimentar o zigue-zague que Édra fazia com a bicicleta e nunca me senti tão livre na vida. Me peguei rindo da sensação de possível morte por atropelamento. Era emocionante. Como ver novela. O céu foi ficando em um tom laranja muito forte. O pôr do sol estava no ápice e eu também me sentia meio laranja forte por dentro. Quero andar em zigue-zague pra sempre.”

E experimento dela tem nome: Édra Norr. Mas, antes de chegar no objeto do experimento, você precisa entender porque o experimento é necessário. Toda experiência parte de uma necessidade de descobrir algo. E a questão é que Cadu Sena acabou de ficar solteiro e ele é o crush de Íris faz tempo. Ele namorava a Camila Dourado que o trocou pela Édra Norr. Deu pra entender, né!? Crush = Cadu Sena = pé na bunda = Camila Dourado = novo crush = Édra Norr.

“Mas todo mundo usa rede social hoje em dia e coloca a vida toda disponível lá. É um Big Brother online. Todos confinados na mesma rede social. A diferença é que quem faz textão são as pessoas que você segue e não o Pedro Bial.”

Eu sei que falando assim pode parecer doidera, mas é que você não é cientista e por isso não entende. A Íris precisa (é uma necessidade latente dela, sabe), saber porque o casal dourado terminou, porque isso vai influenciar com-ple-ta-men-te em como ela vai poder chegar no Cadu para que ele também se apaixone por ela, é claro!

“‘Somos um grão de poeira para o universo, mas, para alguém, em algum lugar do mundo, o sol.’ I. A. em marcador azul permanente no meu armário.”

O problema disso tudo é que, bem, o experimento, chamado Édra Norr, tem um trem (é difícil explicar em palavras não-coloquiais), um trem bem especial que parece um planeta que mantém seus satélites bem perto (vai levar um tempo para que a cientista descubra que seu experimento é também um alien, mas não, isso não vira uma ficção científica). E pode ser que a cientista vire um satélite, porque, convenhamos, o amor não é óbvio!

Para saber mais, não deixe de assistir o próximo capítulo de Amor em Atos! Passa a vinheta.
Amor em Atos e o Experimento Extraterrestre

Mas para quem está curioso, eu posso passar a propaganda com uma prévia do próximo capítulo: o que você vai encontrar é uma boa dose de diversão e risadas. Porque, convenhamos, Íris consegue ser bem Íris e seus pensamentos são tão doidos quanto de qualquer adolescente que você encontre por aí (ou do adolescente que você já foi ou é, é claro).

“Você já teve aquela sensação de que, bom, tudo vai dar absolutamente errado pelo simples fato de você ter mentido pros seus pais?! É como se o universo fosse uma mãezona que odeia mentiras e conspira para que seus pais te peguem no flagra sempre que você decide trapaceá-los.”
Resenha de O Amor não é Óbvio de Elayne Baeta publicado pela Galera Record.

Além disso, outras coisinhas maravilhosas, porque o amor pode até não ser óbvio, mas a história é. Não de um jeito ruim, é claro (rola inclusive uns plot que você fica querendo acelerar os comerciais para eu ver no que vai dar!). É daquele tipo de óbvio que você sabe que vai encontrar quando começa a ler um romance, aquele tipo que vai aquecer seu coração e, quem sabe, recuperar um pouco de fé no amor (e nas pessoas E nos aliens.). Óbvio que nem aquela novela que faz a gente torcer pelo casal até quando um deles pisa na bola, porque a gente sabe que ninguém é perfeito, nem os ET’s.

“É como eu falei, alguns momentos decisivos simplesmente parecem aterrorizantes, ainda que sejam, na verdade, bem idiotas. O que a maioria das pessoas não sabe (ou não aceita) é que não dá pra fugir de momentos decisivos. Eles sempre voltam pra nos atormentar.”
Resenha de O Amor não é Óbvio de Elayne Baeta publicado pela Galera Record.

E de perfeição, a gente passa longe. Quer dizer, eu tenho o total de zero defeitos para apontar nessa história, mas ela é perfeitamente imperfeita. Porque ela mostra como a vida e os padrões (especialmente o padrão hétero) podem sufocar e nublar nossa mente, camuflando até mesmo o que está bem na nossa cara. E com isso, Elayne Baeta dá um baile (é, vai ter baile no livro) sobre igualdade, representatividade, autodescoberta, amadurecimento, lembrando que amor não escolhe orientação sexual, idade, religião, classe social ou qualquer outra coisa. O amor é assim, laranja forte, sabe. Nada óbvio.

“O amor, às vezes, pode ser perigoso. Isso porque quem nos ama tende a tomar decisões difíceis para o nosso bem maior. E, muitas vezes, nós não conseguimos enxergar o nosso ‘bem maior’ com os próprios olhos. É aí que as pessoas que nos amam entram. Elas são o nosso maior guia quando paramos no meio da estrada e encontramos dois caminhos em lados opostos para onde seguir. Isso foi algo que Ashley Minisoto, a guru do amor, é claro, disse.”
Resenha de O Amor não é Óbvio de Elayne Baeta publicado pela Galera Record.

E quer coisa mais óbvia nesse planeta que adolescentes? (Claro que aqui também descobrimos que adolescentes aliens também podem ser bem óbvios). Óbvio daquele jeito que tem hormônios ensandecidos, que vai pensar muito em sexo (será o fim do mundo eu me formar virgem?), em primeira vez, em vários tipos de primeira vez. E daí a gente sabe que todo mundo é meio alien e tem alguma primeira vez de alguma coisa, ou ainda vai ter. Como a Íris diz, isso é tão. Sabe, só tão, mesmo. Não dá para explicar de outro jeito. Mas dá pra descobrir muita coisa, a si e aos outros. Que cada um tem um jeito de amar e que está tudo bem, porque o amor não é mesmo óbvio. E também tá tudo bem gostar de ver novela com sua amiga idosa, mas também é importante viver a vida fora da tela da tevê.

“A verdade é que ninguém decide essas coisas sozinho. O amor se estraga por uma série de decisões estúpidas. Nossas, dos outros, do universo e de tudo que nos orbita e conspira contra e a nosso favor. Você pode decidir lutar contra tudo e todos, você pode proteger o amor de toda essa série de decisões boas e ruins, pra que ele não se afete muito com nada disso. E se ele se afetar, você pode decidir recomeçar. Você pode decidir pelo amor. Escolher o amor. Imperfeito, defeituoso, humano, porque nada vai ser impecável. Nada é perfeito, nós não somos. O amor provém de nós mesmos, e nós erramos demais. Nós somos feitos de decisões erradas. E, mesmo assim, é possível aprender e melhorar. Você pode decidir pelo amor. Você pode escolher o amor. Em todas as hipóteses e oportunidades. Ou você pode decidir deixar tudo pra lá.”
Resenha de O Amor não é Óbvio de Elayne Baeta publicado pela Galera Record.

Para fechar a prévia do próximo capítulo (que tá parecendo quase um capítulo inteiro já), a história de Íris e Édra Norr vai trazer personagens inesquecíveis, e não só falando das protagonistas (dois aliens que eu adoro): tem o próprio Cadu Sena, a tal Camila (blergh) Dourado (desculpem meus favoritismos), minha outra amiga, a Polly (digo, amiga da Íris, mas meio que é minha também). E tem ainda o Maumau e o Wilson Zerla (cara, eu sei que você ama outra, mas eu amo você!). P.s.: não vou entrar no mérito que tem uma R.e.n.a.t.a. no meio de tudo isso, minha xará, mas que é só no nome. Eu posso ser insuportável, mas no meu caso é um dom. No caso dela, é desculpa para ser uma pessoa horrível. Ai que feio, dona Renata. Ela, não eu.

“Porque existem vários tipos de paixões, de estar apaixonada. Paixões carnais, paixões sentimentais, paixões por carência, paixões por diversão, paixões por companheirismo e as paixões genuínas, que fazem parecer mesmo que um de seus antepassados e um dos antepassados dessa pessoa, sei lá, já fugiram de mãos dadas de um dinossauro na época pré-histórica.”

Elayne Baeta, a autora de O Amor Não É Óbvio (ou eu deveria dizer roteirista da vida de Íris?), conseguiu escrever não apenas a história que ela queria ler, mas uma que várias e várias meninas gostariam de ter lido na adolescência. Posso dizer que ainda dá tempo. E também para aquelas que são meninas ainda, tá na hora de saber que o amor não é óbvio.

Passa a vinheta.

E não perca no próximo capítulo: será que Rosa e Edgar finalmente ficarão juntos?

Resenha de O Amor não é Óbvio de Elayne Baeta publicado pela Galera Record.
Aleatoriedades
  • O livro O Amor Não É Óbvio, de Elayne Baeta foi recebido em parceria com o Grupo Editorial Record / Galera Record (obrigada por me dar a chance de conhecer essa história lindinha que eu amei de montão!)!
  • Fan Fact: os desenhos da capa e do miolo, são todos da própria autora! E podem dizer o que quiserem, mas a garota de cabelo comprido, da esquerda (a Íris), eu acho a cara da Vanessa Hudgens. E só o que eu acho importa!
  • Dicas de romance amorzim do coração com representatividade: Com Amor, Simon da Becky Albertalli (recomendo os outros da Becky também, mas Simon é meu favorito). Os 27 Crushes de Molly | Leah fora de sintonia | E Se Fosse a Gente?

Que a Força esteja com vocês, meus aliens!

xoxo

Retipatia

8 comentários

  1. Vazio Na Flor says:

    O que a gente escreve depois de ler um “resenhão” destes?? Cara, te admiro cada vez mais e não só pelas fotos(que sou incansável de elogiar) mas pela criatividade em conseguir fazer eu, que sou chata pra Cacilda, desejar ter esse livro que nunca dei muita bola em mãos já pra ontem??
    Nenhuma resenha que li até hoje tinha me convencido a ler a obra e agora já a desejo.
    Preciso Sentir!!!!!!!
    Obrigada por isso e claro, preciso do livro.rs
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro rosa/O Vazio na Flor(@vazionaflor)

  2. @milenaolis says:

    Hoje é um dia muito importante e essa resenha aqueceu meu coração! É aquele tipo de leitura necessária, confesso que me encantei e me senti representada, pois muitas vezes me vi presa em padrões que na real, nem me pertenciam. Que história incrível, parece uma leitura tão leve! Parabéns pela resenha maravilhosa e completa, Rê!

  3. Livrosdeumafisica says:

    Que resenha incrível. Quero mto ler esse livro. Aí da mais em uma época como essa que precisamos falar de vários tipos de amor e que precisamos amar.

  4. ma.riah6256 says:

    Fiquei encantada Rê, no início do ano antes da pandemia começar eu fui em uma livraria no shopping aqui de Brasília e vi o livro, a capa me chamou a atenção e o título, coloquei na Wish list mas nunca resolvi pesquisar sobre o que o livro falava, e se soubesse talvez teria ido atrás o mais rápido possível ❤. Hoje em dia eu acho muito importante livros que retratem o amor de diversas formas, sendo assim uma “forma” de se desconstruir e aprender mais e mais. Parabéns Rê, um filme que o livro (ou resenha) me lembrou demais foi Você nem imagina da Netflix (fica como indicação agora hehe). Viva o amor ! De todas as formas !

  5. @milenenas says:

    Ai, Re, que delícia de livro
    Eu sou suspeita porque adoro um romance adolescente desses de deixar o coração quentinho! Adoro todo esse clima de descoberta, autoconhecimento e amadurecimento.
    Obrigada pela resenha tão maravilhosa como sempre ❤️

    Meu ig: @milenenas

  6. Adaiane pereira dos santos lapa says:

    Quando a pessoa faz tudo desde as ilustrações ate a história,a coisa fica com cara pessoal, com mais amor ,mais legal e deu vontade de ler pra saber o desenrolar dos casais.(tanto da novela, quanto da vida real da historia).
    E o mais legal é que a representatividade nas hisrorias estão ganhando mercado, e fazendo sucesso com todo mundo. E eu RESPEITO e APOIO todo esse movimento ,ja li livros e super indico, além das séries que amo com personagens LGBTQI+.

    @adaianepsl

  7. Evelin Danieli says:

    Adoro um livro adolescente. Achei um livro muito legal por não tratar só de ronance, mas também de autodescoberta. Adorei os personagens. Também gosto muito de novelas. Fiquei super curiosa para descobrir esse projeto de ciências que ela está inventando. Ótima resenha. As fotos ficaram lindas, cheias de cores.

    @evelindanieli357

  8. Eu ainda curto muito livros adolescentes, principalmente um romance com um cadinho de clichê. Quando comecei a ler a resenha cheguei a pensar que você estava narrando a hora da novela com sua família, rs. Eu gostaria muito de ter lido livros como este na minha adolescência, seria um amigo para alguns dos “demônios” que habitavam em mim, ué depois eu descobri que não eram “demônios”, era apenas o meu eu querendo sair.

Repense, renove, rediscuta...