7 on 7: qual sua relação com a comida?

Você já parou para pensar em como é a sua relação com a comida? Não falo de nada do tipo “ah todo mundo ama comer!”, até porque sabemos que não é bem assim. Falo sobre o ponto: em algum momento da sua vida você já sentiu culpa por comer algo? Já pensou que precisava compensar uma ou outra coisa por aquele brigadeiro ou, quem sabe, por aquele coquetel do fim de semana?

Saúde Mental em Tempos de Pandemia

Estamos vivendo uma situação totalmente nova com a pandemia causada pelo COVID-19, e falar de saúde mental em tempos de pandemia já se ornou necessário. Afinal, ninguém se preparou ou já viveu algo parecido para saber como passar por esse período conturbado.

3 anos Retipatizando

Bendito foi o momento que eu pensei quero ter um blog. Os motivos eram vários, eu queria algo que me ajudasse a escrever mais, seja o que fosse. E assim, pensando em nomes e mais nomes, surgia o Retipatia. A junção de ‘Re’, de Renata, mais ‘tipatia’ de antipatia, que já era o nome recebido pela minha conta pessoal do Instagram. Retipatia virou blog e, um pouco depois cresceu e a conta que era pessoal do IG, virou uma extensão da produção de conteúdo destinada ao blog. Hoje, funcionam de maneira complementar, praticamente dois lados da mesma moeda. Nesse mês de abril o Retipatia está soprando velinhas! Yey! São três anos de muitos posts, mudanças, muitos livros e amor. Eu vou desconsiderar que isso deveria ter acontecido em março, mas a correria da vida me fez adiar tudo para abril… rsrsrs A produção de conteúdo tem seus desafios e, lá no comecinho, jamais imaginei que seria tão trabalhoso e, ao mesmo tempo, que traria tantas recompensas ter um espaço como esse. Compartilhar ideias, pensamentos, opiniões, e incentivar a leitura acabaram se tornando o foco do Retipatia e, olhando para a caminhada até aqui, sei que o maior aprendizado foi o que eu mesma obtive. Aos parceiros, apoiadores, aos que seguem no blog ou nas redes sociais, aos visitantes frequentes e esporádicos, àqueles que aparecem sempre mas são fantasminhas queridos que não se manifestam, sou grata a todos! Não existiria o lado de cá sem o lado daí, podem ter certeza! Como esse mês de abril é também uma chance de fazer o BEDA (blog everyday april, blog todos os dias em abril, originalmente feito em agosto, blog everyday august) e eu queria colocar, digamos assim, o conteúdo em dia, achei uma boa movimentar o blog e o IG com posts diários. Ah e ainda vai rolar vários sorteios pelo Instagram em parceria com autores e Editoras queridas! Para acompanhar o conteúdo do IG, é só seguir o @retipatia Que venham muitos mais anos, que venham muitas outras leituras e, especialmente, que eu seja capaz de retribuir o carinho que sempre recebi! Que a Força esteja com vocês! xoxo Retipatia

Once Upon an Ice Cream…

Once upon an ice cream eu queria todos os sabores juntos. Todos mesmo, de maracujá a chocolate. De beterraba a maresia. E queria também com gosto de céu e estrelas cadentes, aquelas que povoam o céu que nunca vi, mas acredito que existe, junto aos unicórnios que cavalgam as florestas repletas de tempestades de arco-íris. Mas só tinha de iogurte. E não gosto de coisas com gostos que não são delas. Iogurte tem que ter gosto de iogurte. Sorvete, de sorvete. E não venha dizer que eu queria todos os sabores, queria todos os sabores reais. Não os de iogurte. Então, não conseguindo decidir entre o sabor de água fresca e gergelim, coloquei todos eles, até mesmo iogurte. E a boca misturou todos antes que se misturassem lá dentro. Que diferença faria? Já tinha também calda de veludo com damascos, granulados de nozes e pérolas. O sabor. Esse ficou misturado-errado. Ficou do jeito, com gosto de nada. Coisa em demasia fez isso, fez nada. E de nada saboreei até o fim do pote, o preço do quilo não deixaria desperdiçar granulado algum.

Os blues do Djavan e a Luz de Tieta

Fico a divagar sobre as pessoas. Não de me preocupar se desperdiçam os blues do Djavan ou com quem se deita. Importo-me com o que fazem dentro de si, se o olhar que atravessa janela do ônibus tem sentido por causa dos fones dos ouvidos ou se o gole da cerveja do boteco de copo sujo chique na segunda-feira, é de cevada menos amarga que a de domingo. Não sei, talvez seja coisa da minha cabeça pensar porque o rapaz está entre as portas do próprio prédio, sem nem vir nem ir. Mas estranho mesmo é que sempre acabo tentando entender porque algumas casas tem duas portas, nos fazendo entrar duas vezes nelas. Tento ler o título do livro da colega ao lado e lembro da garota que me perguntou o que eu lia no ponto de ônibus. A parte boa é que ela se desprendeu pelo título, ele gastou meus minutos mesmo sem valer a passagem dos olhos. Só que dizem que tudo agrega, que tudo que se lê passa a fazer parte da gente, a nos compor. Acho que fiquei descomposta.

dentre tantos, favoritos e prediletos…

dentre tantos, favoritos e prediletos… Não sou de ter um ou dois. Até mesmo mesmo três ou quatro… é pouco em demasia.  Enumerar em ordem de preferência é, provavelmente, algo ao qual não fui letrada. Variam de estado. De estado de espírito. Da meu e do deles. Não é ser feito de células, carne, osso e líquido rubro. É de ideias, de rabiscar da ponta do lápis-caneta-lapiseira ao papel, ou até ao dedilhar das teclas da máquina de escrita ou teclado. É ser feito de tempestade, fúria, inconformismo e indigna-inação, como diria o Skank. É quem transpira pelas palavras, pelos gestos e pelas consoantes. Que ama e desama as vogais. Que faz o queixo de leitor cair, traz perplexidade pela alma destroçada, esmiuçada e analisada sob o crivo do bom legista que é. Sangra em cada palavra. Traça cada uma em mente para então buscar a sonância, a cadência que mais lhe atrai como primeiro leitor que é de si mesmo.

P & B

Era o ano de 1950 e a família se reunia na sala de abajures e sofá de estampa de flores outonais, enquanto o patriarca ajustava a antena até que os chuviscos do aparelho sumissem e a imagem ganhasse as devidas escalas de cinza. Os garotos, que já passavam dos trinta, riam ao lado de suas esposas e as crianças iam de lado a outro perguntando ao avô se já estava pronto. A única alheia a tudo aquilo, imersa na página do último romance que seu pai encomendara da livraria, era Antonella. Seguia as linhas e adentrava a floresta com a donzela, que fugia do vilão até esbarrar no lindo príncipe que cavalgava a esmo pelas terras banhadas pela luz da lua. Luz essa que era da cor da leitora, tão pálida e de saúde tão débil que não lhe era permitido sair de casa. A família a tratava como se fosse feita de papel e, como tal, era proibido que se molhasse no ar das ruas da cidade. Cerceada da vida do lado de fora, viaja pelas páginas como se adentrasse em navio pirata e velejasse até terras desconhecidas, sem se importar com as mínimas coisas que a tirariam do lugar. – Antonella, largue esse livro. Olhe como as imagens são bonitas! É bem melhor do que um livro! Se Antonella, a mais velha das irmãs, era enclausurada, não havia autoridade no patriarca e em sua esposa capaz de podar as asas amplas as quais já nasceram em Angelina. Os livros eram muito parados para seu espírito vivaz e a melodia das festas e o ar das praças lhe pareciam muito mais imaginativos.

Fumaça, Cinza e Coca-Cola

Saindo do trabalho algumas dezenas de minutos depois do habitual, paro no passeio, esperando a maré de carros cessar enquanto abria a bala que iria comer no ônibus – enquanto ler-ia –  e tinha à mente uma trivialidade qualquer que me levaria a analisar o glitter prateado de meus sapatos e à constatação, não muito revestida de novidade, de que tenho especial apreço por vestimentas na cor cinza – calçados inclusos – e, no soar do plástico que envolve a massa cor de rosa, o chiado da pólvora a incendiar se faz presente. Num gesto automaticamente antipático, que vem depois do olhar de esguelha que identifica o sujeito alinhado da ação torpe, que agora incendeia o cigarro que é aparado na mesma mão em que jaz uma lata de Coca-Cola, espanto o ar para tentar espalhar o resquício já conhecido do cheiro do apagar do fósforo que tanto me faz pensar de ser esta a pior parte de se acender uma vela, fato este acompanhado de um singelo passo para trás na vã tentativa de evitar a fatídica primeira baforada que sempre se segue à primeira tragada. A cabeça que sai do terno repete meu olhar de esguelha, mas a mão livre da Coca abana a fumaça que vivamente, como se soubesse de minha fuga e me persegue, agindo como reflexo constrangido à antipatia. Abanada a fumaça, cigarro abaixado junto da lata, vai passos para trás.

Lado A | Lado B

A vida tem dessas coisas, ou toca um lado ou toca o outro. Em alguns momentos nos lembramos que é impossível tocar os dois lados da mesma fita e, assim, seguir num meio termo. É como aquela pergunta corriqueira que a todos respondem afirmativamente, independente do estado de espírito, já tocando tudo no automático: ‘E aí, tudo bem?‘ ‘Tudo e contigo?‘ ‘Bem também.‘ E a música continua a soar do Lado A, enquanto você fica imaginando o Lado B. E, quando finalmente chega do Lado B, é impossível não pensar nas melodias do Lado A. E aí dá vontade de dar stop, não, stop é muito definitivo, pára tudo. Um pause, quem sabe, mais suave, ver se o som sai melhor quando voltar a tocar.

2 anos Retipatizando + Sorteio!

Virou a meia-noite. Mensagem de texto, ligação, zap zap, abraços. Palmas do parabéns, bochecha vermelha do com quem será, sopra vela, tira foto. Mais abraço, abre embrulho, come bolo e docinho e refri. Só para poder seguir os próximos 364 dias, em contagem regressiva para o 365º. E é viva de novo, e parabéns! É contas na balança, que que teve no último ano? Para quem vai a primeira fatia do bolo? Mudou alguma coisa? Ah! Estourou algum balão ali no canto! Cresceu, riu, divertiu, chorou, beijou, sorriu, vestiu, deixou, largou, começou, despiu, gritou, amou? Já pode pegar um docinho, né? Montanha-russa, sobe, desce, às vezes desce mais um pouco – ahhhh – respira fundo que a subida é calma, mas a descida é louca! Tá na hora do parabéns! Mas já não cantou? Ah, é hora… é big, é big, é big! Ou seria o contrário? Ah, quem se lembra? Ah, claro que lembro, dois anos, não é nada, outro dia! Nossa, quero mais uma fatia do bolo! Rê quem? Tipatia lá é palavra? Ah, não inventa… eu gosto de bolo é com Guaraná, por que só tem Coca?

Conto ♥ Apatia

Aquela história de calmaria antes da tempestade é a maior mentira que os ditos populares já me contaram. Se existisse, marinheiro nunca seria pego de surpresa. Calmaria de verdade vem é depois da tempestade, da revolta, da depressão profunda, das ondas que viram barcos, da água salgada impossível de beber. Mas nem de longe significa que calmaria é céu limpo, sem risco de tempestade desabar, sem chance de furacão. Quando vem depois da tempestade, calmaria é apatia. É continuar sem rumo, perdido no bote salva-vidas, boiando em mar aberto, sem saber exatamente quando um barco vai passar e resgatar. Se passar. Se resgatar. Meus dedos correm pelas prateleiras extensas, algumas com camadas a mais de poeira do que outras, espaços vazios aqui e ali, o odor de papel antigo, o novo misturado ao pó e ao café que parece circular todas as fileiras. Sigo pela textura, liso demais, detalhado demais. Parece suficientemente comum. Tiro o exemplar da prateleira e retorno para a mesa, no canto, com vista para todos os pedaços do lugar decorado sem um estilo propriamente dito. Como os porta-guardanapos com estampa vintage Coca-Cola, livros de capas sem nomes espalhados nas mais diferentes disposições e os candelabros de arabescos com velas de mentira pendendo do teto.