Lado A | Lado B

A vida tem dessas coisas, ou toca um lado ou toca o outro. Em alguns momentos nos lembramos que é impossível tocar os dois lados da mesma fita e, assim, seguir num meio termo.

É como aquela pergunta corriqueira que a todos respondem afirmativamente, independente do estado de espírito, já tocando tudo no automático: ‘E aí, tudo bem?‘ ‘Tudo e contigo?‘ ‘Bem também.‘ E a música continua a soar do Lado A, enquanto você fica imaginando o Lado B. E, quando finalmente chega do Lado B, é impossível não pensar nas melodias do Lado A.

E aí dá vontade de dar stop, não, stop é muito definitivo, pára tudo. Um pause, quem sabe, mais suave, ver se o som sai melhor quando voltar a tocar.

Mas daí, já que o maquinário não é novo, tudo desanda. A fita começa a mascar e é preciso não apenas dar stop. Abre-se a gaveta, retira o amontoado de fita descarrilado e, com a ajuda da amiga de longa data caneta Bic, vai girando, girando, girando… com cuidado, pra não amassar – mais – a fita mastigada.

Dá aquele sopro pra tirar o pó das engrenagens do toca fitas e encaixa ela lá. Espera, estava do Lado A ou B? Ah, coloca de qualquer lado, o que tocar, tocou. Porque, no fim das contas, ninguém se importa de verdade ou se compadece das ranhuras, pulos, mastigados e falhas.

A cassete já está tão ultrapassada quanto o tocador.

Fazia tempos que não apareciam contos por aqui, deu saudade, então veio esse, que foi postado originalmente no ig do blog (quem não segue, tá aí a chance, é só clicar aqui) e achei que merecia dar as caras por aqui… um pequeno pause no ritmo da melodia de resenhas…

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

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