Resenhas Literárias

Oblivion Song: Vol. 1 e 2 – Kirkman & De Felici & Leoni

Oblivion Song
Volume 1: Canção do Silêncio (2019/144 páginas)
Volume 2: Entre Dois Mundos (2020/136 páginas)
Robert Kirkman & Lorenzo De Felici & Annalisa Leoni
Intrínseca
“No início, quando a cidade mudou daquele jeito, antes de sabermos o que era a transferência… Bem, pensei que os monstros tivessem matado meu irmão e minha cunhada… Então, anos depois, quando começaram a encontrar e a trazer as pessoas de volta… eu tive esperança.”
Sobre Robert Kirkman

Um dos nomes mais conceituados do universo dos quadrinhos. Sua aclamada série The Walking Dead ganhou o Eisner Awards, prêmio reconhecido internacionalmente, e o alçou à fama mundial, dando origem à série de TV homônima. Kirkman também é criador das HQs Invincible e Outcast, que serão adaptadas para a TV, e roteirista da Marvel Comics.

Sobre Lorenzo De Felici

Um jovem ilustrador e colorista italiano que tem despontado no cenário dos quadrinhos, principalmente depois do trabalho com Kirkman em Oblivion Song.

Sobre Annalisa Leoni

Uma jovem italiana, ilustradora e colorista de quadrinhos para a Skybound Entertainment, trabalhando em 2008 para estúdios de animação e videogames e como ilustradora na edição de Frankenstein: The modern Prometheus de La Spiga Edizioni. Além da graphic novel Monsters University de Lorenzo De Felici, para a Pixar/Disney e vários outros. Também trabalhou na coleção Milo Manara: i capolavori a colori, no episódio A riveder le stelle, da Panini. A partir de 2011, em colaboração com Sergio Bonelli Editore para a série ‘Orfani’ e ‘Orfani: Ringo’, como supervisora do time de coloristas.

Sinopse Oblivion Song – Volume 1: Canção do Silêncio

Anos atrás, 300 mil habitantes da Filadélfia foram transportados para Oblivion, uma nova dimensão aterrorizante que surgiu de forma inexplicável e destruiu áreas da cidade. Os desaparecidos tentam sobreviver enfrentando seres monstruosos em um ambiente inóspito e atordoante, marcado por raros momentos de calmaria.

O governo investiu muitos recursos em incursões para resgatar as vítimas, mas depois de dez anos as buscas foram encerradas. Mesmo lamentando a perda de entes queridos, a vida seguiu seu curso para grande parte da cidade, e monumentos, memoriais e museus foram erguidos em homenagem aos que se foram. No entanto, se depender do cientista Nathan Cole, ninguém vai ficar para trás. Nathan desenvolveu uma tecnologia extremamente instável que lhe permite visitar Oblivion todos os dias. Ele arrisca a própria vida em viagens solitárias, perigosas e muitas vezes infrutíferas na tentativa de resgatar sobreviventes. Cada vez que volta de lá, se mostra mais determinado. Mas o que Nathan procura? Por que não consegue resistir ao chamado de Oblivion, à canção silenciosa de um mundo prestes a ruir e a levá-lo junto?

Oblivion Song – Volume 1: Canção do Silêncio

Imagine se uma parte imensa da população fosse mandada para outra dimensão? E imagine se, nessa outra dimensão, existissem monstros selvagens? É exatamente o que aconteceu com 300 mil moradores da Filadélfia. Já faz dez anos e, desde então, o governo já desistiu de tentar recuperar mais vidas, resgatá-los do local que chamam de Oblivion. O detalhe é que um cientista, Nathan Cole, não concorda com isso e, assim, parte por conta própria em expedições à Oblivion para tentar encontrar mais sobreviventes e garantir que seu projeto seja custeado. Quem sabe a pessoa que ele tanto deseja encontrar, seja a próxima a retornar para casa?

No primeiro volume de Oblivion Song: Canção do Silêncio nos deparamos com um cenário de luto, mesmo após terem se passado dez anos do incidente misterioso, muitas pessoas ainda desejam respostas. O próprio protagonista Nathan, parece ser motivado bem mais pela busca de alguém em especial do que pelo bem maior das centenas de vítimas que não retornaram para casa.

E não apenas Nathan. O mundo não é mais o mesmo, apesar do fenômeno não ser facilmente explicado, é difícil sentir a segurança nas palavras do governo que não iria acontecer novamente. Uma tragédia sem tamanho que deixou marcas em todos que ainda vivem.

A história faz uma busca pelo passado, para desvendar o que realmente aconteceu para que uma parte da cidade fosse parar em outra dimensão, enquanto nos mostra as buscas de Nathan em Oblivion.

Canção do Silêncio reúne os seis primeiros fascículos da série Oblivion Song e garante uma história que prende a leitura ainda que, alguns pontos de tensão que são construídos, sejam rapidamente – e às vezes muito facilmente – abafados ao longo das páginas. E nesse ponto, especialmente em se tratando das buscas que Nathan realiza e quem ele encontra por lá.

A história ainda mostra um pouco dos efeitos que passar muito tempo em Oblivion pode causar em um ser humano. Voltar à vida cotidiana, readaptar-se, está longe de ser das tarefas mais simples aos sobreviventes que retornaram. Especialmente para aqueles que passaram dez anos vivendo entre escombros de uma cidade e criaturas que podem devorá-los à qualquer instante.

Os desenhos de Lorenzo De Felici, infelizmente, apesar de parecerem combinar em certos aspectos com a trama, têm um quê de desleixo, a meu ver. Como se faltasse vontade de finalizar alguns desenhos ou dar o acabamento apropriado. Além disso, algumas cenas que possuem os seres de Oblivion são um tanto quanto confusas, e fica difícil compreender o que realmente está acontecendo.

As cores da HQ ficaram por conta de Annalisa Leoni, que depois de conhecer o Instagram e Deviant Art, preciso destacar que adorei o trabalho. E em Oblivion Song gosto de como certas cenas e momentos têm variação de tons, ora mais terrosos, ora mais esverdeados, dando um aspecto bem legal para os ambientes, horários e situações. Quanto à parte da compreensão de certas cenas de ação, ainda tenho a sensação que é uma questão mais relativa aos desenhos do que às cores em si empregadas.

O arco de histórias que vemos em Canção do Silêncio é bastante empolgante. Como abertura e introdução, ela tem elementos suficientes para deixar o leitor sintonizado e conta com uma boa reviravolta, apesar de poder ser prevista pelo leitor. Um dos focos da história é sobre lidar com erros do passado e em como eles podem te modificar e, nesse caso, é muito bom o paralelo que é estabelecido entre dois personagens, suas versões de 10 anos atrás e do agora. E a HQ ainda tem um final que certamente desperta grande curiosidade e vontade de continuar a leitura Entre os Mundos.

Sinopse Oblivion Song 2: Entre Dois Mundos

Mestre em traçar universos distópicos permeados por reflexões sobre família, morte e a natureza humana diante da crise, Robert Kirkman, criador de The Walking Dead, reúne em Oblivion Song vários dos elementos que o consagraram. No segundo volume da série de quadrinhos que conquistou fãs e críticos, voltamos a acompanhar a saga do cientista Nathan Cole para reparar os erros do passado e começamos a entender o mistério que cerca o surgimento da nova dimensão aterrorizante com raros momentos de calmaria.

Anos atrás, 300 mil habitantes da Filadélfia foram repentinamente transportados para Oblivion. O governo investiu muitos recursos em incursões para resgatar as vítimas, mas as buscas foram encerradas. No entanto, algo motivou Nathan Cole a não desistir de procurar por sobreviventes. Quando revelações impensáveis sobre seu passado vêm à tona, ele passa a ter suas ações questionadas pelo governo. Há perguntas sobre Oblivion que só Nathan pode responder, e agora o futuro dos dois mundos está em suas mãos.

Oblivion Song – Volume 2: Entre os Mundos
Pode conter spoilers de Canção do Silêncio, volume 1, ok!

A verdade foi descoberta, mas é claro que o governo fará de tudo para abafar o caso. Não que sua maior preocupação seja causar pânico geral, mas com certeza o equipamento responsável pela transferência do passado pode ter ótimas funções armamentistas.

No meio disso tudo, Nathan tem a chance que sempre sonhou, ter seu irmão de volta. O que ele não esperava é que dez anos é muito tempo e que as pessoas podem mudar bastante. E Edward é, sem dúvidas, outra pessoa, é alguém que chama Oblivion de casa e que gosta da sociedade em que vive. O que é perigoso para ele tem uma conotação bem diferente de quem ainda habita a Filadélfia.

A batalha no volume 2, que também conta com um arco de seis histórias, ganha outra proporção. Nathan está sendo caçado pelo governo e precisa dar respostas. Ainda que seu único desejo seja convencer seu irmão a retornar, o conceito de casa, para os dois, é completamente contrário. Um deles acredita ser a dimensão em que temos a Filadélfia, o outro, Oblivion. É interessante como o debate na história caminha para uma reflexão sobre os excessos e a violência da sociedade atual. A pressão que significa viver inserido nesse meio.

Essa edição ainda foca um pouco mais no que vemos mais superficialmente no primeiro volume: a readaptação dos sobreviventes. Aqueles que passaram até mesmo muitos anos em Oblivion e, agora, precisam se acostumar com o “mundo civilizado“. Ainda vamos ver uma crítica ao fanatismo religioso, ora de maneira explícita e ora revestido por ideias que não têm, necessariamente, relação com religião, mas nas crenças que cada um pode ter e a vontade de subjugar outros à elas.

Mesmo com boa a proposta desse arco, acredito que até bem mais reflexiva do que temos no primeiro, em alguns momentos a história parece um pouco enrolada e o fio que a conduz, por vezes, leva os personagens a agirem de formas não muito convincentes e, no fim, todos parecem conspirar à favor de algo que não se justifica completamente (a frase muito ampla é pra não dar spoilers sobre a história, ok!).

O fim, dá aquela típica abertura para a continuidade da história, mas não é nada que nos faça pensar preciso logo da próxima edição, já que ela está relacionada à um personagem e tema pouco explorados durante à trama. O arco encerra com sua proposta inicial, então, a deixa para o próximo parece mais uma cena extra que vemos depois dos créditos de um filme, que pode ou não vir a ter continuação.

O balanço final é o de que sim, gostei muito da proposta da história de Oblivion Song, mas o segundo volume deixou um pouco a desejar se comparado ao primeiro. Ainda assim, vale conhecer a história e torcer para que as próximas voltem a acender a chama que o fim de Canção do Silêncio conseguiu trazer!

Aleatoriedades
  • As HQ’s foram recebidas em parceria com a Editora Intrínseca.
  • Uma das coisas que achei legal nessa edição é que na capa vem não apenas os nomes do roteirista e desenhista, mas também da colorista. O único detalhe é que nem dando um Google é fácil encontrar referências sobre o trabalho dela. As informações que coloquei são do Deviant Art da Annalisa Leoni.
  • Em 2019 foi anunciado que Oblivion Song ganhará adaptação para as telonas pela Universal Pictures e a ficção científica contará com roteiro de Sean O’Keefe.
  • Oblivion Song, Volumes 1 e 2 estão disponíveis na Amazon!

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

Retipatia

2 comentários

  1. Eu estou com interesse em ler mais quadrinhos e já anotei algumas dicas suas como a dos laços da Monica e ds cachorrinhos heróis. Mas essa história especificamente é daquelas que não me chamam a atenção para ler, o enredo é do tipo que curto em assistir.

    1. Oi Tatiane!
      Ah que bom saber que quer ler mais! Laços é muito perfeito e o Beasts of Burden também! Quando puder, leia! Esse tem muita vibe filme sci-fi e inclusive vai sair, acho que tem chance de ficar incrível!
      Obrigada pela visita! <3
      xoxo

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