A Chama de Ember ♥ Colleen Houk

Resenha de A Chama de Ember de Colleen Houck, publicado pela Editora Arqueiro!

Uma chama que nunca se apaga, uma bem especial, A Chama de Ember. Uma pela qual um lanterna será capaz de quebrar todas as regras. Uma chama capaz de mudar todo o Outro Mundo e, claro, o mundo humano, também!

A Chama de Ember (The Lantern’s Ember)
Colleen Houck
Tradução Ana Ban
2019 | 336 páginas
Editora Arqueiro
Disponível em Amazon
“Ember sempre achava que, no Samhain, o mundo respirava fundo e prendia o ar, esperando a batida da meia-noite, e então expirava devagar, soprando todas as coisas que não enxergava para muito, muito longe do mundo dos vivos.”
Resenha de A Chama de Ember de Colleen Houck, publicado pela Editora Arqueiro!
Sobre Colleen Houck

Colleen Houck é antes de tudo uma leitora. Ela adora ação, aventura, ficção científica e romance, e seus livros favoritos incluem um pouco de cada um. Depois de obter um grau de associado da faculdade de Rick, se transferiu para a Universidade do Arizona. Ela abandonou a escola para ir para uma missão da igreja, onde conheceu o marido. Colleen tem vivido no Arizona, Idaho, Utah, Califórnia e Carolina do Norte. E agora está definitivamente resolvida em Salem, Oregon, com seu marido e seu gigante tigre branco de pelúcia.

Sinopse de A Chama de Ember

Quinhentos anos atrás, Jack fez um pacto com um demônio e acabou condenado a uma eternidade de servidão. Como um lanterna, seu único dever é guardar um dos portais que levam ao reino imortal. Garantir que nenhuma alma se infiltre onde não é bem-vinda. Jack sempre fez um excelente trabalho… até conhecer a bela Ember O’Dare.

Há tempos, a bruxa de 17 anos vem tentando enganar Jack para atravessar o portal. Insistente, sem temer os alertas dele, Ember enfim consegue adentrar a dimensão proibida com a ajuda de um vampiro afável e misterioso. E então tem início uma perseguição frenética através de um mundo deslumbrante e perigoso. Agora Jack precisa resgatar Ember antes que os universos terreno e sobrenatural entrem em colapso e se tornem um caos.

A Chama de Ember

Um vento de bruxaria passou pela ponte de Jack, o Lanterna. Ele sabe que deveria avisar seu chefe, Rune, já que todas as bruxas devem ser levadas imediatamente para o Senhor do Outro Mundo. Mas, no fim das contas, era só uma garotinha. E, bruxa ou não, bem, era só uma garotinha.

“A abóbora de Jack nunca envelhecia nem se decompunha, mas podia quebrar, o que deixaria sua alma vulnerável.”

Uma garotinha arteira e curiosa, é claro. Uma que não se deixou intimidar pelos truques de Jack para manter qualquer vivalma afastada da sua ponte, o portal que liga o mundo dos humanos ao Outro Mundo. E Ember não é apenas curiosa, ela quer descobrir quem é a criatura que habita a ponte, a que ela nota em vários lugares, sempre perto de si. A que ela gostaria que lhe deixasse passar para o Outro Lado.

O que Ember sabe é que um chamado mais forte que tudo que já sentiu emana do Outro Mundo. E é por isso que ela vai desobedecer o Lanterna, quando o misterioso – e muito charmoso – vampiro Deverell lhe oferece ajuda para atravessar. Mesmo que ela desejasse muito que seu acompanhante fosse Jack, ela sabe que ele jamais mudará de ideia.

“Eu não estou morto. Apesar de, tecnicamente, também não estar vivo. Estou no limite entre um e outro. É isso que significa ser um lanterna.”

E quando Ember parte para o Outro Mundo, Jack sabe que seu dever é ficar no portal e reportar a entrada da bruxa. Mas não falamos de uma bruxa qualquer, é de uma a qual ele viu crescer, uma a qual sempre ia até sua ponte para lhe fazer companhia, mesmo que ele tentasse afastá-la.

É assim que Jack, o Lanterna, parte para o Outro Mundo, levando o humano Finney consigo, como rastreador, em busca de trazer Ember de volta, em segurança. Ele não sabe o que realmente acontece com as bruxas que vão para o Outro Mundo, apenas que nenhuma delas nunca retorna.

“Existem tantos oceanos, cidades e continentes no Outro Mundo quanto no seu mundo, mas são muito poucos os pontos de acesso entre eles. O seu lanterna é capaz de acessar qualquer uma de cinco cidades pela ponte dele.”

Nessa aventura, Ember e Jack estão prestes a descobrir antigos segredos do Outro Mundo. Segredos perigosos de seres ardilosos. Seres capazes de qualquer coisa para manter seu poder. Segredos capazes de mudar a vida no Outro Mundo inteiro e também, neste mundo.

Resenha de A Chama de Ember de Colleen Houck, publicado pela Editora Arqueiro!
“Não era a primeira vez que ele ouvia falar de homens tolos que haviam feito pacto com o diabo. Quando era criança, cada vez que lhe contavam uma história assustadora em alguma longa noite de inverno, ele segurava as cobertas com força, puxando-as até o pescoço, imaginando fantasmas assustadores, demônios vermelhos ou monstros com garras afiadas que apareciam em meio a sombras dançantes, prontos para agarrar crianças distraídas e enganá-las com palavras sedutoras. Sua imaginação nunca chegara nem perto da verdade. E, definitivamente, ele jamais imaginaria que aqueles demônios caminhavam pela terra como meros homens, vestidos de piratas, guardando um estoque de almas roubadas dentro de frutas e legumes.”

A Chama de Ember foi meu primeiro contato com a escrita de Colleen Houck e, não posso dizer que qualquer outra história teria sido mais acertada do que esta. A fantasia não é apenas inventiva, divertida, repleta de aventuras e descobertas, mas também, cheia de referências e inspirações que aprecio.

“Bom, a maior parte dos habitantes do Outro Mundo não profere o nome dele. Acreditam que isso evoca sua presença, e, quando ele aparece, pode tanto roubar a sua alma quanto lhe dar alguma ajuda.”

Jack, o Lanterna, sua história, encontra em A Chama de Ember uma espécie de releitura do clássico A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça de Washington Irving. Além disso, é impossível também não pensar na adaptação de Tim Burton enquanto lemos, no filme lançado em 1999 e que tem Johnny Depp como Ichabod Crane.

Mas as referências não cessam aí. Além da lenda do cavaleiro sem cabeça, vamos encontrar referência à Frankenstein, o clássico de Mary Shelley, e O Mistério da Estrela de Neil Gaiman (um detalhezinho da trama me fez lembrar dessa história).

“Se tivessem a chave da vida eterna e a porta estivesse à sua frente, pronta para ser aberta e revelar todos os segredos das eternidades, teriam coragem para destrancá-la e entrar?”

Outro ponto alto está nas referências steampunk* que a história esbanja, que vai dos detalhes das roupas com fechos automáticos à motores de máquinas poderosas, tudo, é claro, movidos por luz de bruxaria. E vemos isso também através das invenções de Finney e Ember, assim como em todo o Outro Mundo, deveras avançado para um mundo humano que deve viver, ao menos, em seu século XIX.

Além desses elementos fantásticos, Colleen Houck conseguiu criar uma história mágica, repleta de criaturas encantadoras e, outras, nem tanto assim. Em Ember, especialmente, temos uma protagonista forte e decidida e que, mesmo diante das imensas novidades e descobertas em sua vida, não deixa de lutar pelo que acredita, por aqueles que ama e acreditar em si mesma. E, apesar de uns entraves amorosos que acontecem, não espera ninguém tomar decisões por si e sempre questiona e tiro a limpo os problemas que surgem.

“O limite entre grandeza e vilania é tão tênue quanto um arame de garrote. Homens como você e eu somos bigornas. Outros homens são moldados e afiados sobre as nossas costas fortes. Não quebramos sob a marreta do ferreiro e não nos curvamos sob o bafo do fogo da forja.”

Jack, o Lanterna é uma figura muito querida também. Não apenas pelo simbolismo que carrega por si só, mas também pela criatura por trás da abóbora que a autora conseguiu criar, uma com uma história, um passado, sentimentos, erros e acertos. Uma figura que é sem dúvidas apaixonante para os corações mais incautos, ainda que saibamos que ele enviará de volta sem misericórdia os fugitivos do Outro Mundo. Ainda que, ele ser um ser nem vivo, nem morto, com sua chama presa em uma abóbora.

Resenha de A Chama de Ember de Colleen Houck, publicado pela Editora Arqueiro!
“Antes, existia equilíbrio. Nossos mundos progrediam mais ou menos no mesmo ritmo, mas agora o Outro Mundo está muito mais avançado. Pense nos nossos dois reinos como se fossem gêmeos dentro do útero da mãe. Se um deles fica forte demais ou se algo acontece para causar danos ao outro, então de vez em quando o mais fraco é absorvido pelo mais forte e a mãe só dá à luz a criança saudável. Mas se o bebê mais fraco é rejeitado pelo útero ou é abortado, existe o risco de que o outro bebê, por mais forte e bem-nutrido que seja, também seja perdido.”

Ainda temos várias outras figuras legais na trama, como o vampiro Deverell e sua irmã Delia (e uma visão bem legal sobre vampiros, inclusive); e o humano Finney que mostra que podemos ser tão legais quanto qualquer ser do Outro Mundo. Ah e eu já mencionei que o Bicho Papão é real, mas anda desaparecido!?

“Há um preço a se pagar por qualquer magia”

Fechando com chave de ouro, a autora entrelaça a história à alguns mitos e lendas populares, relacionados, especialmente, ao Samhaim, ou Dia das Bruxas, como conhecemos hoje em dia. Bruxas em vassouras, um lanterna sem cabeça, vampiros e a Transivâlnia… várias chamas unidas em apenas uma história, uma que irá recontar não apenas a lenda do cavaleiro sem cabeça, mas a dos mortais e não mortais, das criaturas humanas e inumanas. Revelando o misticismo que sempre cerca o nosso passado e, quem sabe, espreita até os dias de hoje, em noites de Halloween, quando o véu entre o Outro Mundo e o nosso, fica tênue.

Resenha de A Chama de Ember de Colleen Houck, publicado pela Editora Arqueiro!
Aleatoriedades
  • A Chama de Ember foi recebido em parceria com a Editora Arqueiro!
  • * Steampunk é um gênero (ou subgênero) muito relacionado à ficção científica, em que há um paradigma tecnológico. Apesar de estarmos em tempos antigos, o que temos são avanços tecnológicos à frente de sua época. Muitas vezes, relacionados à tecnologia à vapor, para o seu funcionamento. Um exemplo do estilo é o filme As Loucas Aventuras de James West, estrelado por Will Smith e lançado em 1999.
  • Dica de leitura para quem curte fantasia com mocinhas destemidas e poderosas: Enraizados da Naomi Novikk!

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

Retipatia

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