Os dois morrem no final ♥ Adam Silvera

Retipatia
Resenha de Os dois morrem no final, de Adam Silvera, publicado pela Intrínseca em 2021.

Os dois morrem no final já anuncia a tragédia logo no título para ninguém vir reclamar de depois. Mas a melhor coisa mesmo é que, como todo bom romance, a jornada é tão importante quanto o final. Independentemente se os dois morrem no final, ou não.

Os dois morrem no final (They both die at the end)
Adam Silvera
Tradução Vitor Martins
Intrínseca | 2021 | 416p.
Disponível em Amazon
“Não se trata mais do início dos anos 2000, quando as pessoas morriam sem nenhum tipo de aviso. A Central da Morte está aqui para preparar os Terminantes e seus entes queridos, não para que um Terminante dê as costas para as pessoas que o amam.”
Resenha de Os dois morrem no final, de Adam Silvera, publicado pela Intrínseca em 2021.

Sobre Adam Silvera

Adam Silvera é escritor e trabalhou por anos no mercado editorial. Best-seller do New York Times, é autor de E se fosse a gente? Here’s to Us, que escreveu em parceria com Becky Albertalli, e também de História é tudo que me deixou, Lembra aquela vez, Infinity Reaper e Infinity Son, todos sucesso de público e crítica. Nasceu e foi criado no Bronx, em Nova York, e atualmente mora em Los Angeles, onde escreve em tempo integral.

Resenha de Os dois morrem no final, de Adam Silvera, publicado pela Intrínseca em 2021.

Sinopse de Os dois morrem no final

No dia 5 de setembro, pouco depois da meia-noite, Mateo Torrez e Rufus Emeterio recebem uma ligação da Central da Morte. A notícia é devastadora: eles vão morrer naquele mesmo dia.

Os dois não se conhecem, mas, por motivos diferentes, estão à procura de um amigo com quem compartilhar os últimos momentos, uma conexão verdadeira que ajude a diminuir um pouco a angústia e a solidão que sentem. Por sorte, existe um aplicativo para isso, e é graças a ele que Rufus e Mateo vão se encontrar para uma última grande aventura: viver uma vida inteira em um único dia.

Uma história sensível e emocionante, Os dois morrem no final nos lembra o que significa estar vivo. Com seu olhar único, Adam Silvera mostra que cada segundo importa, e mesmo que não haja vida sem morte, nem amor sem perda, tudo pode mudar em 24 horas.

Os dois morrem no final: a história de Rufus e Mateo

“Olá, aqui quem fala é a Central da Morte.
Sinto muito em lhe informar que em algum momento ao longo das próximas 24 horas você terá um encontro prematuro com a morte.
Em nome de toda a equipe da Central da Morte, sentimos muito a sua perda.
Aproveite este dia ao máximo, está bem?”

Já imaginou um mundo em que você recebe uma ligação de telemarketing avisando que seu dia chegou? É isso, seu dia de morrer. Não vão te passar detalhes, pode ser desde um ataque cardíaco até um piano despencando na sua cabeça. A questão é que, a partir da ligação da Central da Morte, seu destino está selado, você pode ter ainda dois minutos de vida, duas horas ou quem sabe até mesmo 20. Mas uma coisa é certa, você não verá o dia seguinte nascer.

É nesse mundo que Rufus e Mateo existem, um mundo bem parecido com o nosso, com tecnologia na ponta dos smartphones, app’s para tudo e mais um pouco. Só que, no mundo deles, todo mundo fica sabendo quando é o dia em que vai morrer. Como cada um vai aproveitar suas horas finais, bem, aí é outra história.

“Eu não tinha lá grandes esperanças. Não sei as estatísticas nem nada do tipo, mas não é muito comum que a Central da Morte ligue para as pessoas erradas. E nós, da família Emeterio, não tínhamos muita sorte no quesito permanecer vivo. E encontrar o criador muito antes do tempo era nossa especialidade.”
Resenha de Os dois morrem no final, de Adam Silvera, publicado pela Intrínseca em 2021.
“Meu pai sempre botou na minha cabeça que eu deveria fingir ser o protagonista de uma história na qual nada de ruim acontece, em especial a morte, porque o herói precisa estar vivo para salvar todo mundo.”

Como o título já entrega para a gente, os dois morrem no final e só podemos estar falando desses dois, Rufus e Mateo, que acabam de receber as ligações que vão mudar suas vidas para sempre. Enquanto Mateo está em casa lendo postagens de Terminantes (pessoas que estão prestes a morrer, que receberam a ligação) no site Contagem Regressiva, Rufus está num momento um tanto quanto questionável de sua vida. Mas o ponto é que ambos receberam a ligação da Central da Morte e ambos agora precisam lidar com sua morte próxima e certeira.

Quando o app Último Amigo é responsável por cruzar as vidas de Rufus e Mateo, suas jornadas serão aventureiras, dramáticas e, especialmente, com tempo contado. Mas será que eles conseguirão se despedir e viver toda uma vida em menos de 24h?

“Todo mundo vive especulando sobre como a Central da Morte recebe essas informações que mudam a vida das pessoas. Tagoe já me contou um monte de teorias malucas que ele leu na internet, tipo uma sobre a Central da Morte consultar um monte de médiuns de verdade e outra, mais ridícula, segundo a qual o governo acorrentou um alienígena em uma banheira e o força a dar informações sobre os Dias Finais.”
Resenha de Os dois morrem no final, de Adam Silvera, publicado pela Intrínseca em 2021.

Os dois morrem no final: impressões sobre o livro

Quando surgiu a oportunidade de leitura desse livro, preciso dizer que fiquei dividida. O título é do tipo que já seria mais do que suficiente para me fazer correr para comprar o livro, mas eu já havia tido um contato anterior com a escrita de Adam Silvera em E se fosse a gente?, escrito em parceria com a Becky Albertalli e, não foi do tipo que me faria procurar outras leituras do autor. Apesar de não ter sido ruim, afinal o livro é bom, a prosa dele não me agradou tanto em E se fosse a gente? Mas o lado curioso de leitora e a vontade de dar uma segunda chance para o autor falaram mais alto.

E eu só posso dizer AINDA BEM! Eu não apenas devorei o livro em apenas um dia, como também não consegui parar de pensar em sua história desde que terminei. A ideia da Central da Morte, as histórias de Rufus e Mateo, os personagens que se entrelaçam em suas histórias, absolutamente tudo nesse livro é apaixonante. Viciante.

O foco central da trama é, sem dúvidas, a vida. É, pode até parecer que é a morte, já que os dois morrem no final, mas eu posso garantir que é a vida. Ou, melhor do que isso, é viver. Não apenas através do momento em que os garotos recebem as ligações e suas vidas são reviradas de cabeça para baixo, como também com as histórias de suas vidas. Cada um vivendo seus próprios dramas e tormentas, tendo seus próprios problemas para lidar e histórias que queriam tanto poder ouvir, contar e viver e que, de repente, não existe mais a possibilidade de acontecer.

“A causa não importa tanto quanto o que eu vou fazer antes que isso aconteça, mas a incerteza me dá calafrios; só se morre uma vez, afinal.”
“Quando alguém compartilha a própria jornada, assim, para todo mundo ver, você presta atenção – mesmo sabendo que eles vão morer no final.”
“Não sei como fazer isso. Ninguém nunca ensina para você como preparar os outros para a sua morte, ainda mais quando se tem dezessete anos e é saudável. Todos nós já passamos por muitos momentos sérios, e quero fazê-los rir.”
Resenha de Os dois morrem no final, de Adam Silvera, publicado pela Intrínseca em 2021.

O debate aqui, em os dois morrem no final, não é apenas sobre a efemeridade da vida. Todo ser humano tem consciência de sua mortalidade, mas não vivemos todos os nossos dias como se fossem as últimas 24h que possuímos. Às vezes vivemos a esperar pelo fim de semana, esperar por aquelas férias, esperar ter aquela promoção no trabalho, esperar encontrar o amor. Mas será que deveria ser assim, quando, de fato, todos os nossos dias podem ser o último?

Uma das coisas mais legais que o livro trabalha é a multiplicidade de reações. Cada pessoa, desde os protagonistas Rufus e Mateo, até os personagens que lhe são próximos, como a melhor amiga de Mateo, Lidia, e os Plutões de Rufus, têm várias e várias reações à morte. Afinal, por mais que estejamos em um mundo em que existem ligações da Central da Morte, a cultura ocidental em relação a forma com que a morte é vista, é a mesma. Um misto de mistério e terror e, sempre, sempre, o luto e a fragilidade de quem fica.

Além disso, o processo do luto é trabalhado de maneira incrível, especialmente através do personagem Mateo. Já imaginou como seria ficar de luto pela sua própria morte? Primeiro estágio, negação e isolamento. Segundo, raiva. Terceiro, barganha. Quarto, depressão. Quinto, aceitação. Como um mapa que nos indica suas evoluções, é possível ver em Mateo precisamente o que seria entrar de luto por nós mesmos e, a forma como a história conduz essa questão é, no mínimo, brilhante.

“Certa vez, meu pai me contou que que dizer adues é ‘o impossível mais possível’, porque você nunca quer dizê-lo, mas seria estupidez não o dizer quando se tem a oportunidade.”
“É muito bizarro, mas sobreviver me ensinou que é melhor estar vivo querendo estar morto do que estar morrendo e querer viver para sempre.”
“Fui ensinado a ser sincero, mas a verdade pode ser complicada. Não importa se a verdade não vai causar uma confusão, às vezes as palavras não saem até que você esteja sozinho. Às vezes a verdade é um segredo que você guarda de si mesmo porque viver uma mentira é mais fácil.”
Resenha de Os dois morrem no final, de Adam Silvera, publicado pela Intrínseca em 2021.

Aliás, Mateo é um ótimo personagem em vários outros sentidos, já que todas as suas inseguranças são colocadas à prova e elevadas ao último grau a partir daquela ligação. E, com Rufus, a situação pode não ser exatamente da mesma maneira, mas a seu próprio modo de sentir, viver e sofrer, ele passa pelos estágios, talvez até em ordem um tanto quanto alterada, e vê seu mundo refletir possibilidades que ele nunca imaginou. Ao mesmo tempo que isso aquece o seu coração (e o nosso), também expõe a efemeridade do agora, de sua vida. A proximidade com a morte.

Antes de mais nada, é ótimo destacar que Os dois morrem no final também é uma história sobre aceitação, inclusão, família, respeito e diferenças. Além de abordar transtornos mentais, também estão destacadas questões sobre sexualidade e identificação. São várias vozes queer presentes que se destacam e fazem dessa história mais do que um romance inclusivo, mas também real e acolhedor.

Agora, não se desespere quando você receber sua ligação da Central da Morte. Tenho certeza que você tem vivido todas as suas 24h como se fossem as últimas. É o que Rufus e Mateo recomendam. É o que a Central da Morte recomenda. Tenha uma boa vida. Viva-a.

“Posso não conseguir curar o câncer ou acabar com a fome no mundo, mas pequenos atos de gentileza são capazes de se espalharem.”
“Nós nunca agimos. Apenas reagimso quando percebemos que o tempo está acabando.”
“Minha Última Mensagem seria para que todos encontrem as pessoas importantes. E que vivam cada dia como se fosse a vida inteira.”
Resenha de Os dois morrem no final, de Adam Silvera, publicado pela Intrínseca em 2021.

Aleatoriedades

O exemplar de prova antecipada de Os dois morrem no final foi recebido em parceria com a Editora Intrínseca. Os livro ainda conta com conteúdos extras sobre o processo de criação da história Os dois morrem no final, com um texto do autor, mapa dos personagens e alguns rascunhos do seu livro de anotações que era reservado apenas para esta história.

As dicas de leitura da vez, para aquecer o coração, são: Com Amor, Simon, da Becky Albertalli e, apesar de ainda não ter resenha aqui, não posso deixar de indicar Quando te vejo da Holly Miller.

A Central da Morte deseja que você aproveite este dia ao máximo!

xoxo

Retipatia

One thought on “Os dois morrem no final ♥ Adam Silvera

  1. Eu sabia que encontraria tudo que precisava hoje nesse resenha, nestas fotos. Desde que adoeci, eu procuro terminar meus dias dia a dia. Não faço planos. As vezes, sonho e sim, acabo pensando em algo. Mas a minha vida? Um dia de cada vez.
    Por isso, esse super lançamento é muito desejado por mim, pelo respeito que tenho à Dona Morte e também à Dona vida(co irmãs) no meu jeito de ver a vida!!!
    Espero ter essa lindeza em mãos o quanto antes!!!
    Beijo e obrigada por sempre me fazer feliz, no dia que te leio, que vejo tantas cores e fechando os olhos, sinto tantos aromas!!!!
    Angela Cunha/O Vazio na flor

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