Feminismo x Machismo: os “ismos” nossos de cada dia

Feminismo x Machismo: os ismos nossos de cada dia!

Feminismo x Machismo: será que esses ‘ismos’ são todos iguais? Afinal, se um não é bom, por que o outro é?

O primeiro post (com conteúdo, por assim dizer), do blog era para ser sobre um livro muito especial. O texto tá esquematizado, mas acabou que um assunto que vem me pentelhando há algum tempo, precisava ser compartilhado. Daí, não teve jeito, bora rabiscar as ideias.

Começando do começo, vamos lá:

“[…] o sufixo –ismo era utilizado na língua grega como –mós e a língua latina recebeu esse sufixo do grego, mas não adotou as regras que regiam o uso dele no grego. Percebe-se, então, que o sufixo –ismo, com sua origem na língua grega, resistiu às traduções dos textos gregos para o latim, mesmo quando este entrou em contato com outras línguas e foi transformado em línguas românicas. Assim, os sufixos –ismo e –(i)dade se afirmam como elementos produtivos no português, especialmente, pela carga semântica conferida àquele, e à neutralidade e generalidade conferida a este último. […] –ismo, […] é termo “partidário”, com aspectos ideológicos bem marcados, com a formação de palavras que podem indicar doutrina, sistema, teoria e patologia, e o aspecto categorial de formar substantivo de substantivo e de adjetivo. […]”
(Fonte: Araujo, 2012).

Resumidamente, o sufixo “ismo”, não se restringe a tradicional e errônea (quando vista de modo exclusivo), associação a doenças. O que, invariavelmente, reveste de significado pejorativo muitas palavras que, em sua origem, não incluem tal sentido.

“[…]palavras com essa terminação indicam que uma ideologia é seguida, que existe algo consolidado como regra ou, pelo menos, que se acredita ser uma regra. Assim temos o positivismo, catolicismo, presidencialismo, helenismo, jornalismo, etc.
(Fonte: Garcia, 2010).

Ou seja, diversas são as palavras que compõem de tal sufixo, com os mais diversos significados, não tendo, o “ismo”, necessariamente que indicar uma doença ou condição e, ainda que isso possa vir a ocorrer, fato ainda que, como já dito, não necessariamente indicará algo ofensivo. Bem, interiorize essa informação, mais tarde voltamos nela.

Agora, quais palavras com “ismo” estou me referindo hoje? Claro que a referência aqui é ao embate feminismo x machismo! A colocação do sufixo ‘ismo’, pode causar confusão a princípio, por originalmente remeter à ideia de uma ideologia. Mas se entrarmos nesse mérito, machismo, feminismo, jornalismo e nazismo, terminam todos com esse tal de “ismo”. Significa que são todos problemáticos, criminosos e indesejados? Vamos lembrar que o significado de uma palavra não se compõe apenas do seu sufixo. Aliás, em termos de significado, feminismo e machismo não poderiam ser mais opostas. Melhor, não apenas opostas, mas ideologicamente falando, contrárias.

Feminismo x Machismo: definições e significados

Aqui vai uma imagem que surgiu na minha timeline do Facebook (se alguém souber a autoria, por favor me conte para eu creditar):

Feminismo x Machismo: os ismos nossos de cada dia!

O que está escrito é errado em tantos níveis que é difícil elencar todos eles de uma só vez. Semanticamente, vamos nos ater a errônea aferição do sufixo “ismo” como similaridade, como colocação dos termos como igualitários.

Mr. Google, o que significa machismo?

Em definição rápida, daquelas buscadas no Mr. Google mesmo, do tipo que qualquer pessoa hoje em dia tem acesso, machismo é a qualidade, ação ou modos de macho, macheza; exagerado senso de orgulho masculino, virilidade agressiva. Talvez se a ideia fosse expressar a necessidade de se lutar pelos direitos do homem, no sentido de gênero, seria ideal que se usasse masculinismo, quem sabe… Mas, por razões óbvias, as quais já falarei, o machismo não busca nenhum tipo de igualdade ou direitos. Ele nada mais é do que a afirmação de que o homem é superior a mulher, tanto intelectualmente, quanto fisicamente. O que se assemelha ao femismo, que prega tudo isso, só que colocando a mulher no lugar do homem.

A aparente simplicidade da afirmação já camuflada e enraizada da inferiorização da mulher resulta nos mais escabrosos crimes, assim como na mais absurda e inegável desigualdade entre homens e mulheres. Desigualdade essa que vai desde as obrigações incumbidas as mulheres no âmbito doméstico e familiar, em especial; passando pelas cobranças excessivas, desmoralizantes e repressivas de padrões estéticos; a desvalorização da mão de obra feminina no mercado de trabalho e tantas mas tantas outras questões que demoraria dias para discorrer todas elas.

Mr. Google, o que significa feminismo?

Agora, passemos a uma rápida e educativa elucidação do que vem a ser feminismo, recorrendo, novamente, à simplista definição do Mr. Google: feminismo é doutrina que preconiza o aprimoramento e a ampliação do papel e dos direitos das mulheres na sociedade; movimento que milita neste sentido. Engraçado que eu não li nada que corresponda a: qualidade, ação ou modos de mulher, mulherzice; exagerado senso de orgulho feminino, libido feminina (quem sabe???). Não sei se está claro o suficiente, mas isso já demonstra a enorme diferença entre uma coisa e a outra.

O que o feminismo busca?

Para quem ainda tem dúvidas do que o movimento feminista busca, luta e milita, é a igualdade de gêneros. E, quando se fala em igualdade, não existe Feminismo x Machismo como farinhas do mesmo saco.

O debate feminista é sobre o reconhecimento das mulheres no mercado de trabalho, na vida doméstica e amorosa, na família, na sociedade, como indivíduas tão capazes e iguais tais como os homens são vistos. E ninguém quer retirar direitos dos homens para isso (salvo quando esses afetam os dos demais), queremos ter os mesmos direitos.

Queremos que a paternidade inclua tantas responsabilidades quanto a maternidade. Conseguir um emprego por nosso currículo, esforço e não por nossa aparência. Igualdade de oportunidades, igualdade de reconhecimento, igualdade de salários. Queremos igualdade. E é nesse querer que já conquistamos tantas coisas e temos ainda um mundo inteiro a ser conquistado.

O feminismo não é excludente!

Não, não estamos excluindo os homens desse mundo a ser conquistado. Queremos que o nosso lugar seja o mesmo deles, que o mundo seja tão deles quanto nosso, que, como mulher, eu seja livre para ser como eu quiser, para agir como eu quiser, porquê eu quiser e quando eu quiser.

E por favor, não me venham com comparações toscas e sem sentido de que os pobres meninos cresceram também com estereótipos masculinos a serem seguidos, tais como ser musculoso e sarado como o Super Man. Aqui, eis a novidade para quem não sabe: o feminismo quer homens que não precisem atender a padrões de masculinidade também. Homens que entendam, respeitem e pratiquem a igualdade. E que se desvinculem da ideia de que ser mulher, mulherzinha, afemininado, é algo inferior, ruim em comparação a ser homem.

Detalhes à parte, o que quero deixar claro aqui hoje é a necessidade infindável de conscientizar. O debate do Feminismo não é desejar superioridade, não é criar uma nova era de guerra dos sexos. É defender que toda mulher é tão ser humano quanto qualquer homem, é tão digna de direitos quanto àqueles.

Afinal, se o machismo não é bom, por quê o feminismo é?

E voltando a pergunta inicial do embate Feminismo x Machismo: “Se o machismo não é bom, por quê o feminismo seria?“. É bem simples, buscar a igualdade e respeito mútuo é totalmente diferente de se auto-vangloriar, através de superestimados valores distorcidos de “virilidade masculina”, que apenas visam afirmam o lugar-comum em que mulheres vivem oprimidas e, em alguns casos, muito infelizmente, como opressoras ao lado da sociedade machista e do homem opressor.

Falo de mulheres opressoras (de si mesmas e das demais mulheres) quando valorizam o status quo de inferioridade ao qual somos continuamente submetidas, ao entenderem que esse é o normal e ideal. Não por culpa inata delas, mas pelo eficiente trabalho que o machismo vem fazendo ao longo de séculos de submissão e subjugação feminina. Cada vez mais descobrimos mulheres com discursos anti-feministas e machistas, que cultuam o desprezo pela igualdade dos gêneros. Eu, só tenho a dizer para elas: vamos abrir nossos olhos, nossas mentes e nossos corações.

Precisamos lutar contra a competitividade inflamada pelo machismo: Mulheres unidas são mais fortes!

Talvez seja realmente válido desejar um mundo com menos “ismos” quando isso significar, no caso do machismo, a sua inexistência e do feminismo, que já não precisamos dele, porque, de fato, a igualdade já foi conquistada. Mas sabemos que estamos bem longe disso.

Para fechar, aqui vai uma dica de leitura para quem quer conhecer mais sobre o feminismo, que recomendo muito: Sejamos todos feministas da Chimamanda Ngozi Adichie!

Ouvindo: Cherry Wine – Hozier

P.s.: Não cheguei nem perto de esgotar o que podemos debater acerca da discussão “feminismo x machismo”, então, quem quiser, fique à vontade também!

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