
Uma Mulher na Escuridão
Charlie Donlea
2019 | 304p.
Faro Editorial
“O público começara a entender a situação. Os artigos de jornais começaram a aflorar. As autoridades emitiram alertas, e o medo vinha aumentando mais do que o calor do verão. Com a conscientização do público, ele passou a espreitar com mais cuidado, planejar com mais detalhes e encobrir os rastros com mais perfeição. Encontrara o local perfeito para ocultar os corpos.”

Sobre o Autor
Charlie Donlea vive em Chicago com sua esposa e dois filhos. Um de seus hobbies é pescar em lugares praticamente desertos do Canadá. Essas viagens por estradas paradisíacas inspiraram o cenário para o seu livro de estreia. Ávido leitor, é também apaixonado. Quando decidiu escrever seu primeiro livro, ele se preparou para produzir algo como tudo o que gosta de encontrar nos seus filmes e livros prediletos: uma história capaz de deixar o leitor refletindo sobre ela por muito tempo.

Sinopse
Ao limpar o escritório de seu pai, falecido há uma semana, a investigadora forense Rory encontra pistas e documentos ocultados da justiça que a fazem mergulhar num caso sem solução ocorrido 40 anos atrás.
No verão de 1979, cinco mulheres de Chicago desapareceram. O predador, apelidado de Ladrão, não deixou nenhum corpo ou pista — até que a polícia recebeu um pacote enviado por uma mulher misteriosa chamada Angela Mitchell, cujas habilidades não-ortodoxas de investigação levaram à sua identidade. Mas antes que a polícia pudesse interrogá-la, Angela desapareceu.
Agora, Rory descobre que o Ladrão está prestes ser posto em liberdade condicional pelo assassinato de Angela: o único crime pelo qual foi possível prendê-lo. Sendo um ex-cliente de seu pai, Rory reluta em representar o assassino, que continua afirmando não ser o assassino de Angela. Agora o acusado deseja que Rory faça o que seu pai prometeu: provar que Angela ainda está viva.
Enquanto Rory começa a reconstruir os últimos dias de Angela, outro assassino emerge das sombras, replicando o mesmo modus operandi daqueles assassinatos. A cada descoberta, Rory se enreda mais no enigma de Angela Mitchell, e na mente atormentada do Ladrão.Traçar conexões entre passado e presente é a única maneira de colocar um ponto final naquele pesadelo, mas até Rory pode não estar preparada para a verdade…

Alguns Escolhem a Escuridão…
Após a morte de seu pai, a investigadora forense Rory Moore precisa se livrar dos casos pendentes do seu escritório de advocacia. O que ela não imagina é que um dos casos é daqueles que ela mesma terá que dar andamento. E não seria nada menos que o caso do notório Ladrão.

O assassino em série que no ano de 1979 foi acusado do assassinato de várias mulheres, incluindo Angela Mitchell, responsável pelas provas entregues à polícia que o incriminaram. O detalhe é que Angela desapareceu. O Ladrão sempre alegou que ela ainda estava viva.

“Perto da uma da manhã, Rory encostou o carro na frente da casa do pai. Insalubremente, ela estava ficando obcecada pela mulher de 1979. De alguma forma, Angela Mitchell voltara do passado e se apossara de alguma parte da consciência de Rory. Como um diapasão que tivesse levado uma pancadinha, a vibração relativa ao mistério em torno da mulher era pouco audível, mas impossível de ignorar.”

Trinta anos depois, prestes a ser solto, o Ladrão requer que a agora sua advogada, Rory Moore, continue o trabalho de seu pai: encontre Angela.
Como se não apenas isso bastasse, Rory está envolvida com o caso de assassinato não resolvido de um ano atrás, com pistas que parecem levar aos crimes cometidos pelo Ladrão há tanto tempo.

A investigação segue caminhos obscuros e pistas que remontam à vida de Angela em 1979 através da narrativa que nos dá vislumbres de quem ela foi enquanto intercala-se com o ano de 2019, com Rory seguindo pistas enigmáticas, becos sem saída e fato que parecem não fazer sentido.

“Ela leu a análise de Lane sobre o motivo pelo qual alguém decide tirar a vida de outra pessoa: a racionalização que ocorria, o bloqueio da emoção, o despejo das normas sociais e das obrigações morais em um buraco negro da mente. Esse conceito voltava ao cerne da sua tese: em algum momento da existência de todo assassino, uma escolha é feita. Alguns escolhem a escuridão; outros são escolhidos por ela.”

A história é bem desenvolvida, segue em detalhes mas, se não for um leitor atencioso, eles passarão despercebidos. Mas em Uma Mulher na Escuridão, senti que todos os pontos se encaixam e cada passo dos personagens contribuir com o desenrolar do suspense.

Confesso que, a princípio, a trama não cativou. Claro que Donlea tem uma escrita excelente e que constrói bem os elementos principais, mas o ponto é que, com um primeiro capítulo de tirar o fôlego, a introdução da história e dos personagens não era suficiente para suprir a sede investigativa da leitora aqui. Aos poucos, capítulo a capítulo, o autor me cativou. Com inteligência, desenvolveu o mistério, deu pistas sem deixa-las escancaradas ao leitor e trouxe um caso e tanto para a história, que fala não apenas sobre um assassino em série, mas sobre uma gama de relações interpessoais.

“Você se torna próxima das pessoas cujas mortes reconstitui. Sempre. É assim que descobre coisas que ninguém mais consegue descobrir. E você também resolve os seus próprios enigmas. Todas as respostas para as coisas que a estão perturbando se encontram na sua frente. Tudo aquilo que não faz sentido… É fácil deixar a verdade escapar mesmo quando está debaixo do nosso nariz.”

As reviravoltas da trama, os personagens, o suspense, todos são bem trabalhados. O fio condutor que liga o passado e o presente é bem elaborado, e, indispensavelmente, boa parte da beleza da história está em suas personagens principais: Rory, em 2019 e Angela em 1979. São duas personagens repletas de semelhanças claras ao leitor, e, em ambos os casos, autistas e mostradas em suas realidades em dois extremos.

Ainda assim Rory é o prato cheio. É impossível não se afeiçoar à personagem ou mesmo querer entender sua complexidade, seguir sua linha de raciocínio e aprender a desvendar mistérios tão bem quanto ela. Ela é uma personagem capaz de inspirar qualquer um com estômago suficiente a se tornar um investigador forense.

“Nada pode te assustar, a menos que você deixe que a assuste.”

Uma Mulher na Escuridão é um suspense inteligente, crítico e cheio de detalhes intrínsecos à trama que irão levar a história à um desfecho surpreendente, inquietante e que deixa com uma única certeza: Rory Moore merece mais livros!

Aleatoriedades
- Uma Mulher na Escuridão foi recebido em parceria do Resenhando por Marina com a Faro Editorial, onde foi originalmente postada.
- Um dos pontos interessantes que observei durante a leitura do livro é o título original, Some Choose Darkness (alguns escolhem a escuridão, em tradução no próprio texto do livro). A menção do título é explícita na história e, ainda, faz relação com todo o momento em que os personagens estão inseridos. A versão escolhida para o título brasileiro, Uma Mulher na Escuridão, não é literal, mas acredito que faz uma consideração diferenciada à trama, um enfoque novo e mais subjetivo e que, ainda assim, combina com a história.
- Dica de leitura: Por trás de seus olhos de Sarah Pinborough
- Encontre Uma Mulher na Escuridão na Amazon!
Que a Força esteja com vocês!
xoxo

