
Uma caixa de chapéu azul-petróleo. Cinco garotos. Cinco cartas guardando os sentimentos do coração de Lara Jean. Um envio e vários destinos alterados por causa desse mistério.
Para todos os garotos que já amei
Autora Jenny Han
“Não são cartas de amor no sentido mais estrito da palavra. Minhas cartas são de quando não quero mais estar apaixonada. São cartas de despedida. Porque, depois que escrevo, aquele amor ardente para de me consumir.”

Sobre a Autora
Jenny Han nasceu na Virgínia, Estados Unidos, e cursou mestrado em escrita criativa pela New School. Sabe fazer um brownie perfeito, é ótima em inventar apelidos e tem paixão por livros de receitas. Sua série de TV preferida é Buffy – a caça-vampiros. Mora no Brooklyn, em Nova York.

Sinopse
Lara Jean guarda suas cartas de amor em uma caixa azul-petróleo que ganhou da mãe. Não são cartas que ela recebeu de alguém, mas que ela mesma escreveu. Uma para cada garoto que amou — cinco ao todo. São cartas sinceras, sem joguinhos nem fingimentos, repletas de coisas que Lara Jean não diria a ninguém, confissões de seus sentimentos mais profundos. Até que um dia essas cartas secretas são misteriosamente enviadas aos destinatários, e de uma hora para outra a vida amorosa de Lara Jean sai do papel e se transforma em algo que ela não pode mais controlar.

Para todos os garotos que já amei
Lara Jean é uma colecionadora de coisas preciosas: momentos, pequenas coisas. Mas, as mais importantes estão escondidas às sete chaves na sua caixa redonda azul petróleo. Não, não são chapéus, e sim as cartas que ela escreveu para todos os garotos que já amou.
“Sempre gostei mais do primeiro dia de aula do que do último. Começos são sempre melhores que términos.”

Seus problemas começam quando a caixa desaparece misteriosamente e os garotos começam a receber as cartas. Além de lidar com a repercussão do recebimento de cada uma das missivas, Lara Jean ainda precisa conciliar as novas responsabilidades em sua casa, agora que sua irmã mais velha, Margot, foi para a faculdade, fazendo com que ela precise assumir o cargo, de certa forma, de matriarca.
“Quando descobrem que meu pai é viúvo e tem três filhas, as pessoas balançam a cabeça, admiradas, como se dissessem: Como ele consegue? Como cuida de tudo sozinho? A resposta: Margot.”

Sendo a do meio do trio de irmãs Song, as tarefas mais importantes acabavam sempre com Margot, mas agora Lara Jean tem que mostrar à irmã caçula, Kitty, que é capaz de cuidar das duas e do pai. Não que ele seja a figura paterna mais ausente já vista antes, mas, desde a morte da esposa, os plantões são extremamente longos e o tempo para as filhas, diminuto.
“Margot acha que não faz sentido ficar imaginando. Nossa vida é essa; especular não vai mudar nada. Ninguém pode nos dar respostas. Eu tento, tento muito, mas é difícil aceitar esse jeito de pensar. Estou sempre imaginando e especulando sobre outros caminhos.”

Lara Jean não quer decepcionar ninguém, mas, precisa urgentemente de um plano que faça com que uma das cartas não fira os sentimentos daqueles que ela mais gosta. E ela tem um plano bem tresloucado para que tudo volte a ser como era antes e é aí que toda a história se desenrola e, especialmente é aí que ele surge. Peter Kavinsky. O Peter Kavinsky, a fonte das risadas, alegrias, aventuras e desventuras de boa parte da trama.
“A forma como tudo acontece é um tipo estranho de serendipidade. Como um desastre de trem em câmera lenta. Para que uma coisa dê errado de um jeito tão colossal e terrível, tudo precisa acontecer na ordem certa e no momento certo, ou, nesse caso, no momento errado.”

Uma das belezas de Para todos os garotos que já amei é a simplicidade das coisas. Os acontecimentos e vivências de Lara Jean nos fazem imaginá-la como nós mesmos em algum momento da vida, ou como uma amiga, irmã, vizinha ou conhecida. Ela é real, e, especialmente, é real para sua idade. Não apenas cheia de inseguranças, medos, certezas vãs e receios. Mas também com seus próprios defeitos e qualidades. E isso, sem dúvidas, traz um carisma para a história que seria impossível não se apaixonar por cada pequeno detalhe que ela faz questão de nos contar, como se escrevesse uma carta ao desconhecido que lê as páginas do livro.
“Margot diria que pertence a si mesma. Kitty diria que não pertence a ninguém. E acho que eu diria que pertenço às minhas irmãs e ao meu pai, mas isso nem sempre será verdade. Pertencer a alguém… Eu não tinha percebido, mas, agora que estou pensando no assunto, parece que é tudo que eu sempre quis. Ser de alguém de verdade, e que essa pessoa fosse minha.”

Além de Lara Jean, todos os personagens tem seus altos e baixos, sem vilões ou mocinhos, sem viagens estratosféricas ou acontecimentos dignos de ficção científica. Cada parte da história segue como a vida cotidiana e estabelece laços com que lê, exatamente por isso.
“Quando uma pessoa fica longe muito tempo, você começa a guardar na memória todas as coisas que quer contar. Tenta manter tudo organizado na cabeça. Mas é como tentar segurar um punhado de areia: os grãos mais finos escapam da mão, e, de repente, você só está segurando ar e brita. É por isso que não se pode tentar guardar tudo assim. Porque, na hora em que finalmente elas se reencontram, acabam colocando em dia só as coisas importantes, porque dá muito trabalho contar os pormenores. Mas são os detalhes que compõem a vida.”

Uma das partes mais bonitas que a história passa e que, para alguns, costuma passar despercebido, é a irmandade. A mãe de Lara Jean costumava denominar a si e às filhas como garotas Song, que era seu sobrenome de solteira. Não interessava que tivesse um novo sobrenome após ter-se casado, o de batismo era uma característica tão marcante que as três filhas continuaram, mesmo após a perda da mãe, com o laço das irmãs Song. Uma das coisas que mais me encantaram na leitura, exatamente pela proximidade com a minha realidade.
“Irmãs deveriam brigar e fazer as pazes porque são irmãs, e irmãs sempre encontram o caminho de volta uma para a outra.”

Mas é claro que há bem mais do que a mensagem de irmandade na história, Lara Jean começa como uma adolescente reclusa em suas próprias incertezas, tais como os sentimentos que costumava tecer em suas cartas e, ao longo do caminho, de cada carta entregue, de cada conversa tida, de cada erro, de cada loucura, de cada segredo, ela desabrocha, como a florescer na breve tempestade que rodeou sua vida. É uma história sobre crescimento e auto-conhecimento, sobre acreditar e confiar em si mesma e permitir-se viver a vida, ainda que os medos existam. Porque, de fato, eles sempre irão existir, cabe a cada um dar os passos que quiser e não deixar que sejam guiados apenas pelos receios.
“A caixa de chapéu azul-petróleo talvez tenha sido o único presente dela que só eu ganhei. Não precisei dividir, era meu e só meu.”

A escrita da Jenny Han se apresentou primeiro com um conto que li há dois anos da antologia de contos natalinos O Presente do Meu Grande Amor (tem resenha no blog, pra conferir, é só clicar aqui). Encontre-me na estrela do Norte foi um dos contos favoritos e, se a autora já me surpreendeu lá, em Para todos os garotos que já amei, ela mostrou que veio para ficar no rol das favoritas. Ela conta tudo com leveza, sem excessos, e com uma simplicidade tão bela, que faz a mágica acontecer nas entrelinhas.
“Acho que agora consigo ver a diferença entre amar alguém de longe e amar de perto. Quando você vive com a pessoa, vê quem ela é de verdade, e ela também vê você.”

E, claro, não menos importante, temos o final, que é simplesmente do estilo que eu mais adoro! Para todos os garotos que já amei foi uma leitura que me conquistou e que recomendo para quem curte o gênero adolescente/jovem e quer aquecer o coração com a Lara Jean.
“E tenho uma certeza, uma certeza repentina, de que tudo está exatamente como deveria, que não preciso ter tanto medo de despedidas, porque elas não precisam ser para sempre.”

Aleatoriedades
- Uma das coisas mais adoradas na capa do livro é, sem dúvidas, o quarto super fofo e aconchegante da Lara Jean. Sem dúvidas o meu não é no mesmo estilo, mas foi divertido fazer essas fotos na vibe da capa e reunir elementos fofinhos pra essa postagem. Já tinha um tempinho que eu não fazia fotos assim e, apesar do trabalho, foi bem legal!
- O livro faz parte de uma trilogia e a autora já se manifestou dizendo que, quando escreveu o primeiro, não esperava a repercussão que o livro teve e não pensava em escrever continuações. Ainda não li os outros dois: P.S. Ainda Amo Você e Agora e Para Sempre, Lara Jean, mas como esse foi uma leitura super fofa, em breve vou encaixar nas leituras pra conhecer o restante da história da Lara Jean.
- Para quem não conhece, a Netflix lançou um filme inspirado no livro e de mesmo nome que o primeiro volume, que vem arrebatando o coração dos leitores e chamando mais gente pra conhecer os livros. Ainda não assisti ao filme, apesar de já ter estreado há um tempinho, mas queria finalizar a leitura do livro e postar a resenha antes para não acabar misturando uma coisa com a outra. Estou até pensando em falar sobre o filme também, depois que assistir… quem sabe…
“Somos irmãs, e não há nada que ela ou eu possamos dizer ou fazer que vá mudar isso.”
Que a Força esteja com vocês!
xoxo

