The Heart of Betrayal: Crônicas de Amor e Ódio ♥ Mary E. Pearson

A primeira leitura do ano de 2017 foi levada madrugada a dentro, terminando junto com o nascer do sol, tamanha a empolgação da leitora aqui, que se viu presa nas vielas de Venda junto com Lia, Rafe e Kaden no segundo volume das Crônicas de Amor e Ódio: The Heart of Betrayal.

Uma tempestade está a caminho, falei. A primeira de muitas, respondeu ele. Uma nova estação está vindo.

O primeiro livro das Crônicas de Amor e Ódio

O livro dá continuidade à história iniciada em The Kiss of Deception, em que conhecemos a princesa Lia, ou Princesa Arabella Celestine Idris Jezelia, Primeira Filha da Casa Real de Morrighan.

No primeiro livro, Lia, que é prometida ao príncipe de Dalbreck para selar um acordo entre os reinos, foge no dia de seu casamento. Porém, ela contava que um assassino enviado pelo Komizar do Reino de Venda e o próprio príncipe abandonado fossem atrás dela.

Parte do brilhantismo do primeiro volume está na forma em que os pontos de vista dos personagens são contados, dando um pequeno nó cabeça do leitor, que deseja descobrir quem é o assassino e quem é o príncipe.

A leitura de The Kiss of Deception sem dúvidas marcou meu 2016, e o livro se tornou um dos meus favoritos de fantasia. Além disso, admirei a escrita e construção de mundo da escritora Mary E. Pearson, que até então, eu ainda não conhecia. Você pode ler o resumo de The Kiss of Deception clicando aqui.

The Heart of Betrayal: o segundo volume das Crônicas de Amor e Ódio

No segundo volume, também lindamente diagramado numa edição capa dura de fazer suspirar, a Dark Side Books mostra novamente que não brinca em serviço.

Toda a edição é ricamente trabalhada, com direito a fitinha para marcar (alguém mais ama?), marca página e um mapa lindamente desenhado nas folhas de guarda, que traz suspiros!

A revisão também é impecável, sem erros e anedotas. O livro também faz parte da coleção Dark Love da Editora, que nos fazem morrer de amor por eles!

Lembrando que, se você não leu este livro ou, especialmente o primeiro, podem conter spoilers, já que, nesta parte não há mais confusão sobre qual personagem é o assassino e qual é o príncipe.

“…O emissário tem uma chance melhor de estar vivo no fim do mês do que você. Então não orquestre jogos que haverá de perder.” p. 51

A história de The Heart of Betrayal

Em The Heart of Betrayal revemos Lia exatamente onde a deixamos no fim de The Kiss of Deception, às bordas da entrada do reino de Venda, como prisioneira, junto à Rafe, o príncipe de Dalbreck.

Eles são separados e seguem caminhos distintos para dentro de reino que, conforme Lia percebe, é um mundo inteiro ao qual só se é possível adentrar por uma gigantesca ponte que exige centenas de homens para ser erguida.

“…Pavia, paviamas, paviamad, paviamande. Amizade, gratidão, cuidado, misericórdia, perdão, amor.” p. 73

A curiosidade é o que está estampado nos rostos dos vendanos, que parecem um povo faminto e bárbaro à Lia, já que vendanos não fazem prisioneiros. A justiça é sempre rápida em Venda, mesmo entre os seus próprios conterrâneos.

O desenrolar da história conta com muitas reviravoltas, com a posição de Lia e Rafe sempre arriscada demais, qualquer movimento em falso podendo ceifar-lhes a vida. Mas, a ideia de ambos e o objetivo é em comum: escaparem juntos de Venda. Um não seria capaz de deixar o outro para trás.

“Que estranho. Muito estranho. Como acreditar que algumas coisas duram para sempre. Uma lágrima. Como se isso pudesse fazer alguma diferença.” p. 74

São mostradas ainda mais nuances de todos os personagens, tanto dos que já conhecemos, como Lia, Rafe e Kaden, tanto quanto de dos que são inseridos na trama: o Komizar, Calantha e Aster. Todos com seus próprios pecados, passados e decisões a serem tomadas.

Apesar da ideia comum de definição entre bem e mal, entre o certo e o errado, todos são questionados acerca de suas decisões, sejam passadas ou futuras. Todos estão sob o tênue limiar da verdade e da mentira, rodeados de segredos, entre jogos de poder mortais, muito bem elaborados pela autora.

“…O dom não pode ser convocado, ele é apenas isso, um dom, um jeito delicado de saber, tão antigo quanto o próprio universo.” p. 98

O desenvolvimento dos personagens em The Heart of Betrayal

A personagem central, Lia, é mais uma vez destaque para as surpresas, reagindo nem sempre como esperamos, mas de um modo sempre genuíno a quem é e ao que ela preza, ainda que tenha que se valer de métodos distorcidos. Parafraseando eu mesma (rsrsrs), Lia é exatamente o tipo de princesa que devemos conhecer, aquela a qual nossas meninas podem retirar força e inspiração.

“O vento, o tempo, ele circula, repete, alguns golpes de ceifera cortando mais a fundo do que outros.” p. 123

“Algo está se agigantando.” p. 143

“Rhatan. Nunca falhar.” p. 173

“…Quando você achar que esta no fim de sua corda, dê a si mais três dias. E então mais três. Às vezes, você vai descobrir que a corda é mais longa do que você pensava.” p. 181

“Às vezes, você vai descobrir que a corda é mais curta do que pensava.” p. 181

“Que os deuses lhe concedam uma coração quieto, olhos pesados e que os anjos guardem sua porta.” p. 219

Conhecemos muito mais sobre o passado de Kaden, um Rathan, um assassino do Komizar, os fardos que carrega e sobre toda a devoção que dá ao seu líder. Suas motivações são expostas, mas também refutadas por nossa querida Lia, que sempre faz a todos saírem de seu lugar comum. Rafe também tem mais de sua cultura e motivações demonstradas.

“…É muito mais eficiente impedir que problemas aconteçam do que ter que limpá-los.” p. 248

E, convenhamos, o Komizar é o tipo de personagem que se poderia escrever um livro inteiro apenas sobre ele. É intrigante e força as barreiras de bondade e maldade a extremos. Em contrapartida, as já citadas Calantha e Aster são mais duas personagens femininas fortes que surgem na trama, exercendo papéis importantes e marcantes, para ambos os lados da história.

“Convença-os. Convença a mim.” p. 248

O livro tem uma dinâmica própria que não me permitiu largar o livro até que tivesse finalizado, resultado em uma leitura que se estendeu – literalmente – até o raiar do sol. Isso porque a além da escrita inteligente e envolvente que Pearson nos traz, dos personagens bem construídos, a trama é desenvolvida com perspicácia, repleta de pequenas reviravoltas e descobertas acerca vários pontos que haviam ficado obscuros no primeiro volume.

“As regras da razão constroem torres que vão além das copas das árvores. As regras da confiança constroem torres que alcançam além das estrelas.” p. 291

Mas não se engane quando eu falo em dinâmica própria. Aquela máxima – que eu criei em minha cabeça – de que ‘segundos’ livros são sempre parados e os menos interessantes de uma trilogia, ou mesmo que servem só para enrolação, não se aplica, de modo algum, a The Heart of Betrayal. Sua trama é bem intrincada e eloquente. Um mundo inteiro foi criado para a história e esse mundo se revela aos poucos e demonstra ser muito maior do que os acontecimentos presentes da história, o que dá uma sensação de veracidade e fidedignidade, como se o leitor fizesse parte desse mundo e vivesse a cada linha lida.

“Eu não faço joguinhos, Kaden. Eu travo guerras. Não me faça travar uma com você.” p. 302

O final da segunda parte fora arquitetado tão bem – ou ainda melhor – que o do primeiro volume, deixando a sensação de que o terceiro exemplar precisava estar à mão para que, ao ler as últimas palavras de The Heart of Betrayal, as primeiras de The Beauty of Darkness pudessem ser percorridas. A história não saiu da minha cabeça desde que terminei o livro e me pego pensando nele em vários momentos do dia… Agora só resta aguardar ansiosamente para o lançamento da Dark Side Books.

“Todos os modos pertencem ao mundo. O que é a magia senão o que ainda não entendemos?” p. 341

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

Ouvindo: embalada ao som de Loreena MacKennit, é claro, porque suas músicas são a cara da saga de Lia! Com destaque para Night Ride Across the Causasus.

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