
Bom dia, tarde e noite everyone!
Domingão, vigésimo oitavo dia de BEDA, e dia de tema literário aqui no blog, como já é de se esperar.
Hoje vou fazer uma “resenha” tripla (resenha entre aspas porque é mais um comentário dos livros do que, propriamente uma resenha completa), da – até então – trilogia da Bela Adormecida. Li os três livros em uma velocidade incrível, porque são contagiantes. E, o primeiro pensamento maldoso que me veio foi: quem é mesmo Christian Grey? ahaha Mas, evitando comparações, é super recomendável para quem gosta dos 50 Tons picantes.
Sinopse dos Livros (contracapa): Décadas atrás, a misteriosa A. N. Roquelaure concebeu a Trilogia da Bela Adormecida, um hipnótico, sedutor e polêmico conto de fadas. Agora, a autora desta trilogia erótica revela sua verdadeira identidade e apresenta um mundo sensual, de sonhos proibidos e desejos sombrios e extremos, no qual as ideias tradicionais de domínio e submissão e preferências de gênero são jogadas ao vento – um mundo irresistivelmente atraente, criado pelo espírito aventureiro de Anne Rice.

Livro: Os Desejos da Bela Adormecida
Autora: Anne Rice escrevendo como A. N. Roquelaure
Editora: Rocco
Sinopse: Na versão tradicional do conto A Bela Adormecida, imortalizada por Charles Perrault e pelos irmãos Grimm, o feitiço que cai sobre a linda e jovem princesa só pode ser quebrado pelo beijo de um príncipe. Sob o pseudônimo de A. N. Roquelaure, Anne Rice reimagina a história de Bela e expõe toda a subjetividade deste conto que povoa a imaginação coletiva, explorando sua ligação inegável ao desejo sexual. Aqui, o príncipe desperta Bela não com um beijo, mas com a iniciação sexual. Sua recompensa para acabar com os cem anos de encantamento é a escravidão total e completa de Bela a seu prazer. A heroína é levada para o castelo do príncipe onde terá de se submeter a provações inimagináveis como prova da sua entrega e dedicação. Os desejos da Bela Adormecida é o primeiro volume da polêmica trilogia erótica de Anne Rice, que investiga o mundo de desejos e fetiches que habita as entrelinhas do clássico conto de fadas (primeira orelha).

Livro: A punição da Bela
Autora: Anne Rice escrevendo como A. N. Roquelaure
Editora: Rocco
Sinopse: Após os acontecimentos de Os desejos da Bela Adormecida, a saga erótica de Anne Rice continua em A punição da Bela, segundo volume da trilogia escrita sob o pseudônimo de A. N. Roquelaure. Bela, tendo cedido à paixão secreta e proibida pelo rebelde Tristan, é enviada para longe do castelo. Vendida num leilão, ela em breve será submetida aos castigos aterradores da Vila, enquanto se entrega aos jogos de crueldade, domínio e submissão com o Capitão da Guarda. Uma vez mais, a sedutora fábula de Anne Rice percorre os caminhos do prazer e da dor, ousando explorar os desejos mais primários e ocultos do coração humano. Como resultado, a autora subverte as convenções dos contos de fada e presenteia o leitor com uma experiência intensa e envolvente (primeira orelha).

Livro: A libertação da Bela
Autora: Anne Rice escrevendo como A. N. Roquelaure
Editora: Rocco
Sinopse: Após ser despertada pelo príncipe e com ele experimentar um mundo infinito de sensações e prazer, depois de submetida aos jogos de crueldade, domínio e submissão com o Capitão da Guarda, a saga da Bela Adormecida chega ao fim no terceiro livro da série erótica de Anne Rice: A libertação da Bela. Neste volume, encontramos Bela aprisionada em um harém e escravizada por um sultão. Enquanto o conto de fadas se aproxima de sua conclusão, a princesa se confronta com uma miríade de fantasias sexuais e encontra a redenção na descoberta do verdadeiro amor. Da autora de Entrevista com o vampiro, chega ao fim um verdadeiro estudo do erotismo e do mundo secreto do amor, onde o lado proibido da paixão abre uma porta para as regiões ocultas da psiquê e do coração (primeira orelha).

No primeiro volume, somos levado a conhecer Bela, seu despertar, e o Príncipe, que a leva como sua escrava sexual para servir-lhe em seu reino, chamado Bellavalten. Chegando lá, descobrimos que todos os reinos enviam seus príncipes e princesas como tributos para servirem por um determinado período. Lá, esses príncipes e princesas passam por torturas do tipo sexual e sádica. Além de andarem nus todo o tempo (o tempo todo mesmo e em qualquer lugar). A ideia é a já conhecida, eles estão lá para dar prazer a Corte, seja sentindo prazer, dando prazer ou sendo surrados. Também conhecemos outros personagens, apesar de praticamente toda a narrativa se dar pelo ponto de vista de Bela neste primeiro livro (apenas no início temos a visão do Príncipe).
Nos dois próximos volumes da trilogia, conhecemos cada vez mais novos personagens e há uma interessante mudança de cenário, já que Bela é enviada para a vila do reino, em virtude de sua desobediência. Novos desafios surgem e novos pontos de vista são apresentados, com a narrativa saindo da exclusividade de Bela e passando para alguns outros príncipes que seguem o mesmo destino da nossa princesa despertada. Assim como a reviravolta do enredo com o envio de Bela e outros escravos para um reino oriental, onde as regras do jogo são bem distintas às que os mesmos estão habituados.

Eu não vou descrever a história com detalhes para não perder a graça de quem tem interesse em ler. A história é, basicamente, contada do que vem depois do ‘felizes para sempre’, depois que Bela Adormecida é despertada pelo príncipe. E, destaque-se, não com um beijo de amor verdadeiro, mas com a iniciação sexual da jovem.
Para quem esteja se perguntando, a trilogia é picante. Traz um nível de sexualidade interligada aos limites físicos e mentais da dor do ser humano em um nível que, para quem não faz parte do grupo de pessoas que praticam, parece inimaginável, apesar de forte, não fora da realidade.

Além da própria questão da sexualidade que é tratada no livro, com a própria descoberta de Bela de seus próprios desejos, de seus próprios sentidos e sentimentos, já que – lembre-se – , até ser despertada, ela era virgem. Mas, a jornada pela qual tanto Bela quanto os outros príncipes pelos quais temos o ponto de vista retratado, – como Alexi, Tristan e Laurent -, não se resume às experiências sexuais e aos limiares entre dor e prazer. Vai muito além.
Primeiramente, a atração entre pessoas do mesmo gênero é tratada com naturalidade. O que é além de louvável, impressionante em uma série publicada entre os anos de 1983 e 1985. Porque, como sabemos, o preconceito ainda é imperante mais de trinta anos depois. As preferências das pessoas, nos livros, são definidas não pelo gênero, mas pela atração que sentem. Além disso, não é algo discutível, na história, o fato de fulano preferir escravos homens, por exemplo. Isso é normal, na história, o tanto quanto deveria ser considerado normal na sociedade atual. Afinal, é normal. A preferência e orientação de ninguém é da conta de ninguém e, ainda que fosse, respeito deve sempre vir em primeiro lugar.

Esse aspecto que ressaltei por si só, já é um ponto favorável e um mega incentivo para a leitura da história. Outro aspecto muito bem trabalhado por Rice nos livros é a consciência que cada pessoa, príncipe e princesa, que passaram do status de realeza para escravos (aqui vale um grande parêntesis, já que não cabe equiparação da escravidão retratada no livro à escravidão que tivemos e, infelizmente ainda temos em nossa sociedade.). Apesar de, no início, a história focar bastante em Bela, a partir do segundo livro e, em especial no terceiro, ficamos muito tempo imersos à mente de outros personagens. E cada um deles tem uma visão distinta da situação por que passam: o conflito em aceitar as humilhações pelas quais são submetidos, o desafio de cumprir as ordens, a subserviência cega, a necessidade de satisfazerem os outros, a privação de sua própria satisfação e a dor física constante que lhes é imputada. Cada um deles reage de uma forma a tudo isso, mas nada que se relacione à ‘justificativa’ que o reino de Bellavalten insiste em apresentar ao obrigar os reinos subalternos a lhe enviarem os tributos, de que os mesmos passarão por um processo em que serão libertos de sua vaidade, de seu egoísmo, para então se tornarem melhores governantes.

O que ocorre com cada um vai muito além disso. É claro que toda essa história de se tornar um governante mais humilde é pura conversa, tudo que eles querem é uma boa seleção de príncipes e princesas bonitos e bem cuidados para servirem-lhes à luxúria. Mas, o que acontece com cada um dos escravos pela qual acompanhamos é uma verdadeira análise da psique humana. Por vezes, alguns tendem a crer que merecem ser punidos, por vezes desejando ser punidos, ansiando o prazer que se mistura tanto a dor que é impossível que eles lhe separem mais. A própria Bela esquece várias vezes da pessoa que era, das tarefas que realizava, do mundo em que vivia. O agora passa a ser sua única verdade e a única razão pela qual viver.

Basicamente, os três livros tem suas histórias contadas em três ambientações distintas, primeiro no castelo, depois na vila e, por último, em um reino oriental. E, cada um deles apresenta sua particularidade. E, com isso, novos desafios, novas formas de prazer e dor e novas concepções.
O mais interessante de tudo é que, considero a história, como um todo, mais uma análise do ser humano e de seus desejos e limitações do que apenas uma trilogia erótica. Ainda que o erotismo seja uma das chaves que move a história, ela não é o seu único motor.

No fim da história que, sem spoilers, finda aproximadamente com a libertação de Bela (não tô dando spoiler, né! Afinal o último livro se chama A Libertação da Bela), é interessante como um mundo cheio de possibilidades é aberto. Não é o simples e típico ‘e viveram felizes para sempre’. Você sabe que tem muito mais envolvido e fica curiosa por esse mais, porque a vida das pessoas não se resume à felicidade plena e eterna, é cheia de nuances. E, como os personagens são bem trabalhados, você crê que são pessoas reais, em situações, por mais que diferentes, possíveis. Apesar de, claro, haver a possibilidade de felicidade no caminho pelo qual se termina.

E, por isso, a trilogia é uma excelente leitura para aqueles que esperam ler mais do que o simples erotismo. E, claro, na Reclassificação de Livros, já que li os três em uma semana, eles são tidos como ‘Leio até mesmo de pé esperando o ônibus‘ e, claro, por serem muito bons também!

Ah, e para quem ficou pensando no que eu disse lá no início do post, sobre recomendar para quem gosta da trilogia ’50 Tons de Cinza’, de E.L. James, é bom ressaltar que há um grande porém, porque são obras extremamente distintas. Em 50 Tons temos um romance água com açúcar, bem previsível, enfeitado pelos detalhes eróticos, mais como enfeite do que movedor da história em si. Já na trilogia de Anne Rice, o erotismo pode até ser o condão desencadeador da história, mas ela não se prende ao romantismo tradicional, como os 50 Tons, porque traz elementos muitos distintos para a história e simplesmente, sai do tradicional casal apaixonado para analisar o ser humano em seus desejos mais profundos. O próprio amor é tratado muito mais como algo livre e flexível do que o tradicional viés de ‘amor que move montanhas’ e que ‘faz qualquer um mudar’.

Depois de tudo isso, só posso dizer que, depois de descobrir que a editora Rocco lançou o primeiro livro do que virá a ser mais uma trilogia, dando sequência A Libertação de Bela, intitulado O Reino da Bela, não vejo a hora de ter meu exemplar! ahaha (Pausa pro choro porque prometi que não compraria mais livros esse ano! ahahah) Para quem quiser ler um pouco sobre a primeira parte da continuação, acesse aqui o site da Editora, mas atenção!!! Contém spoiler para quem ainda não leu a primeira trilogia! Espero que esta nova seja tão boa quanto, ou ainda melhor!

E você, gosta dos livros de Anne Rice, já conhece ou quer conhecer sua trilogia? Conta aí!
xoxo
Ouvindo: Loreena McKennit ♥ Santiago (Dancing Gypsy)


