
Uma vida deve ser paga com outra vida.. Esse é o lembrete que Corte de Espinhos e Rosas, fantasia da autora Sarah J. Maas irá nos apresentar. Num mundo em que as terras são divididas entre mortais e imortais, quando uma garota humana mata um feérico, precisará lidar com as consequências, mesmo que isso a obrigue a viver nas terras imortais de Prythian, longe de sua família e sob a guarda de uma fera, o Grão Feérico da Corte Primaveril.
Corte de Espinhos e Rosas
Sarah J. Maas
Galera Record | 2016 | 434p.
Disponível em Amazon
“Uma vida por outra. Qualquer ataque não provocado contra feéricos, por humanos, só pode ser pago com uma vida humana em troca.”

Sobre Sarah J. Maas
Sarah J. Maas é autora da série Trono de Vidro, publicada pela Galera, best-seller do New York Times e sucesso internacional. Ela adora contos de fadas, filmes da Disney e música pop ruim; bebe café demais e vê muito lixo na TV. Sarah nasceu em Nova York, mas atualmente mora em Bucks County, Pensilvânia, com seu marido e um cachorro.

Sinopse de Corte de Espinhos e Rosas
Ela roubou uma vida. Agora deve pagar com o coração.
Nesse misto de A Bela e A Fera e Game of Thrones, Sarah J. Maas cria um universo repleto de ação, intrigas e romance. Depois de anos sendo escravizados pelas fadas, os humanos conseguiram se libertar e coexistem com os seres místicos. Cerca de cinco séculos após a guerra que definiu o futuro das espécies, Feyre, filha de um casal de mercadores, é forçada a se tornar uma caçadora para ajudar a família.
Após matar uma fada zoomórfica transformada em lobo, uma criatura bestial surge exigindo uma reparação. Arrastada para uma terra mágica e traiçoeira, a jovem descobre que seu captor não é um animal, mas Tamlin, senhor da Corte Feérica da Primavera. À medida que ela descobre mais sobre este mundo onde a magia impera, seus sentimentos por Tamlin passam da mais pura hostilidade à paixão avassaladora. Enquanto isso, uma sinistra sombra avança sobre o mundo das fadas e Feyre deve provar seu amor para detê-la. Ou Tamlin e seu povo estarão condenados.

Corte de Espinhos e Rosas
A história pode conter gatilhos e contém cenas de abuso, tortura e violência
Feyre tem um dever na floresta: não deixar que ela e sua família pereçam de fome. Com o inverno em sua melhor forma, as opções de caça estão escassas, até o momento derradeiro de decidir entre o lobo estranhamente gigante que surgiu ou o alce. É ela, ou ele, na verdade. Sua família, ou o lobo.
Após abater o animal – que ela reforça para si mesma não se tratar de um feérico mesmo que seu tamanho seja assustadoramente fora do normal – retorna para casa. A surpresa não demora a tardar e vem em forma de uma fera bestial que surge em seu casebre para tomar-lhe a vida.
Uma vida pela outra. Ou é o que ela pensava. Sem escolhas entre a morte ou uma vida de clausura, Feyre deixa de sua família e segue com a besta para o além muro que separa a terra dos humanos e dos feéricos. O que ela não esperava é que os dias junto ao feérico, a criatura que a concedeu misericórdia, não seriam um tormento, mas dias calorosos na Corte Primaveril, ainda que o receio ainda vagasse por debaixo da pele como uma serpente.

“Precisamos de esperança tanto quanto precisamos de pão e carne — interrompeu meu pai, os olhos vívidos por um raro momento. — Precisamos de esperança, ou não sobreviveremos. Então, deixe que ela mantenha a esperança, Feyre. Deixe que imagine uma vida melhor. Um mundo melhor.”

Assim, Feyre se vê envolta no mundo de Tamlin, seu carcereiro e salvador (?), e do seu fiel escudeiro Lucien, tão afiado quanto uma raposa. Todos presos à máscaras de baile que não saem de seus rostos, devido à praga que toma as terras feéricas pouco a pouco.
A aproximação à Tamlin é irresistível e, a medida que Feyre descobre mais sobre si mesma e os feéricos que lhe cercam, uma estranha e perigosa praga anda invisível pelas terras imortais, ameaçando a tudo e a todos. Como se envolta em um mundo muito maior do que ela poderia lidar, Feyre se depara com perigos inomináveis… E com uma batalha que decidirá o destino de todo o mundo, feérico e humano.

“A história de… Prythian. Começava com um caldeirão. Um poderoso caldeirão preto, erguido por esguias mãos femininas, brilhando, em uma noite estrelada e infinita. Aquelas mãos viraram o caldeirão, e, dele, um brilhante líquido dourado se derramou pela borda. Não, não brilhante, mas… efervescente, com pequenos símbolos, talvez alguma antiga língua feérica. O que quer que estivesse escrito ali, o que quer que fosse, o conteúdo do caldeirão foi derramado no vazio abaixo, acumulando-se na terra para formar nosso mundo…”

O primeiro contato que tive com a leitura de Corte de Espinhos e Rosas foi no ano passado, e me encantei com a história, personagens e todo o mundo criado pela autora. Acabei não fazendo resenha ou dando continuidade à leitura dos demais livros da série. Aliás, a série é seguida por Corte de Névoa e Fúria, Corte de Asas e Ruína e conta com um spin off, Corte de Gelo e Estrelas. Aliás, a saga é conhecida mundialmente como ACOTAR, sigla para A Court of Thorns and Roses, título original do primeiro livro.
Desde que li pela primeira vez, conhecendo cada personagem, descobri suas características e mergulhei nas terras feéricas. Com a releitura feita, a imersão foi distinta, já sabendo os passos que seriam dados, a história ganhou novos tons, significados foram explicitados e cada peça do quebra-cabeça ganhou um novo recorte. Ainda assim, é fácil perceber o quanto a história emaranha-se em si mesma para desmanchar alguns conceitos que vão sendo sugeridos. Por fim, as peças da história montam o mapa de Prytian e é incrível observar cada relevo que a compõe.
A narrativa da história é ágil, sem procurar floreios exacerbados e, ao mesmo tempo, consegue dar bonitos contornos aos fatos e acontecimentos. Conforme o leitor segue o ponto de vista da protagonista Feyre, é possível perceber sua transformação, ao mesmo tempo em que nossos olhos mortais, tais como os dela, imergem em um novo mundo, um nova vida, costumes, aventuras, desafios e perigos.

“Minha vida agora pertencia ao Tratado, mas… talvez eu tivesse sido libertada de outra forma.”

Para mostrar tudo isso, a autora constrói bem os personagens principais e secundários. Além disso, mesmo os secundários estão presentes em tramas subsidiárias e conseguem desbravar acontecimentos e dar contribuições à obra. Dessa forma, estão longe de serem meros enfeites, instrumentos ou muletas para o desenvolvimento da trama.
A própria vilã se apresenta de maneira diluída ao longo do livro e, apesar de ser uma típica representação clássica da dicotomia bem x mal, outros elementos são inseridos exatamente para que isso não seja uma balança e que tudo se misture. E, especialmente nessa questão, está a relação de Feyre com Tamlin e com o personagem que surge mais para frente, Rhysand, é ótima fonte de questionamentos sobre relacionamentos amorosos.

“Amo você — sussurrou ele, e beijou minha testa. — Com espinhos e tudo.”

Seguindo essa mesma ideia, é interessante como muitos personagens são trabalhados de maneira a aparentarem algo que não o são, de maneira a enganar a própria Feyre, que é a porta voz de suas vivência enquanto desbravamos as páginas.
Com uma influência clara no conto de fadas dA Bela e a Fera, o livro mostra como um mundo inteiro pode ser desbravado a partir de algo popular, explorando o imaginário, conceitos e paradigmas aos quais estão perpetrados no mundo humano, do lado de cá das páginas.

“Mas eu havia falhado. E, ao fazer aquilo, condenara todos. Eu condenara cada pessoa naquela propriedade, condenara a própria Prythian.”

A história de Feyre vai bem além do amor de uma mulher pelo homem sob a máscara, da fera que reside sob a calma controlada, da besta que dilacera qualquer um com um simples movimento. Mas este é apenas um dos lados da Corte de Espinhos e Rosas. Os outros, seguem pelo viés do amadurecimento, da descoberta do amor e confiança, da amizade, do significado de família, sobre coragem, companheirismo, amor próprio, autoconfiança e, porque não destacar, um toque para lá de girl power com a nossa protagonista. Uma miríade de detalhes que, a cada (re)leitura, se tornam mais palpáveis, já que a interpretação sempre dependerá daquele que lê. E jamais seremos os mesmos leitores de ontem.
Corte de Espinhos e Rosas reúne elementos dos mais adoráveis à sua fantasia: românticos, de suspense, drama e aventura. Medidas certas para tornar a história um clássico contemporâneo. Sem dúvidas, uma leitura que recomendo para leitores amantes de fantasia e para quem ama livros inspirados em contos de fadas, aqueles que conseguem ir além dos contos e se tornam… fantásticos!

Aleatoriedades
- Certamente o livro possui similaridade com o conto de fadas A Bela e a Fera, mas existem outros contos presentes na história, alguns não muito conhecidos no Brasil. Em outras palavras, vem conhecer esses contos e curiosodades sobre o livro nesse post: 8 Curiosidades sobre ACOTAR.
- Acho a edição de Corte de Espinhos e Rosas maravilhosa, até mais do que muitas versões estrangeiras, que tem a Feyre desenhada na capa de fundo vermelho. Além disso, a edição conta com alguns ramos de espinhos entrelaçados como decoração do começo dos capítulos e dá um charme a mais para o livro. De fato, só a qualidade do papel que deixa um pouco a desejar (minha edição é de 2016).
- Para quem gosta de acompanhar o processo de criação e dicas para fotografar livros, no Insta do @retipatia tem destaque com vários conteúdos.
- Por último, mas não menos importante: vem conferir a resenha de Corte de Névoa e Fúria.
Que o Caldeirão te abençoe!
xoxo

