O que aconteceu com Annie ♥ C. J. Tudor

Resenha do livro O que aconteceu com Annie, de C. J. Tudor, publicado primeiro na edição do Intrínsecos, em 2019.
Rumo ao Sul: Southernmost ♥ Silas House

Rumo ao Sul: Southernmost Silas House Faro Editorial “Asher ergueu os olhos e observou as estrelas novamente. Não era justo que um céu tão iluminado como aquele estivesse brilhando acima deles quando havia tanta gente que perdera tanto. Mas o céu não presta a menor atenção às coisas que acontecem conosco, sejam elas alegres ou tristes.” Sobre o Autor Silas House é um prestigiado escritor norte-americano. Autor de mais de cinco romances, seus livros aparecem na lista dos mais vendidos do The New York Times. Ele também é jornalista e ativista de causas ambientais. House é conhecido pelas histórias rurais e personagens simples e vem sendo destacado como um dos autores mais proeminentes nos Estados Unidos na atualidade. Sinopse E se você descobrisse que viveu muito tempo sob perspectivas equivocadas? E que foi cruel com uma das pessoas que mais amava no mundo? Essa é a jornada… Ao sul dos Estados Unidos, numa pequena cidade do Tennessee, o pastor Asher Sharp tem de encarar o seu próprio passado após uma das mais violentas enchentes que aquelas terras já enfrentaram. Então um casal gay pede abrigo ao pastor após ajuda-lo no socorro a outras pessoas, mas perderam tudo na inundação. Asher se vê diante de um dilema, quer abrigar os dois homens mas encara a recusa de sua esposa. Um fato que vai trazer à tona histórias enterradas de sua própria vida, da rejeição ao seu irmão, que era também seu melhor amigo. Algo que o faz questionar todos os valores daquela comunidade e tomar atitudes de ruptura, que desencadeiam uma série de outros eventos. Decidido a encontrar o irmão de quem ele se afastou e nem sabe o paradeiro, desejando salvar o filho de um ambiente asfixiante, ele parte numa viagem rumo ao sul. Um percurso em que toda a sua história é passada à limpo, em meio a belas paisagens, novas amizades e descobrindo um mundo imenso, muito diferente do seu, algo que pôde ensiná-lo sobre as coisas mais profundas da vida. Rumo ao Sul Às vezes a vida leva o caminho mais longo e tortuoso para passar suas lições. Não que isso signifique que todas as pessoas vão entender, receber a mensagem completa ou, quem sabe, conseguir interpretá-la. É provável que tudo dependa do quanto você irá conseguir abrir seus olhos para aqueles que estão ao seu redor e para si mesmo. Asher está passando exatamente por esse caminho tortuoso. Depois de ver um rio de lama soterrar quase tudo na pequena cidade do Tennessee onde ele é pastor há anos, ele se vê diante de uma encruzilhada: sua vida e suas crenças não são mais as mesmas. E isso inclui sua posição diante do repúdio que um casal homossexual sofre na cidade e de sua esposa. Apesar de ainda não saber ao certo o motivo de toda a mudança que sente, não há duvidas de que seu passado tem parte nisso, em especial, com seu irmão Luke. De uma só vez, tudo ao redor de Asher começa a desmoronar junto da lama que ainda cobre a cidade: o casamento, a família, a comunidade, o emprego, a religião. Fragmentam-se como se ele fosse um estranho, alguém em quem não se pode mais confiar. É neste momento que ele parte, junto de seu filho, rumo ao sul. O trajeto é tão barulhento como silencioso, mas a verdadeira jornada de pai e filho se dá na calmaria da cidade de Key West. À beira-mar, numa pousada acolhedora chamada Canção para uma Gaivota, ele encontra duas almas parecidas à sua, ainda que, à primeira vista, possam parecer completamente distintas. “Justin costumava pensar que as árvores eram Deus. Mas agora, ali, ele acha que o oceano talvez seja Deus. Toda aquela força e fraqueza estendendo-se diante de nós. O oceano pode fazer tanta coisa quando quer, e às vezes pode ficar sem fazer nada além de ir e vir, formando ondas ou mantendo a calmaria. O oceano é um mistério, como Deus. Ambos são tão grandes que nunca podemos ver tudo ao mesmo tempo, mas podemos captar pedaços aqui e ali. Justin acredita que Deus é tão grande quanto o oceano. Até maior.” Entre a rotina do trabalho, os medos e anseios de um adulto parecem, para uma criança de oito anos, pequenos demais. Já para Asher, são a razão de temer cada dia e de querer aproveitar cada segundo de sua existência, da companhia do pequeno Justin. Assim, vivemos os dias em Key West junto a Asher e Justin, em busca de respostas, mesmo que em dados momentos não tenhamos sequer as perguntas. Buscamos entender todos os lados, os pensamentos, crenças e ideologias. É impossível não repudiar várias ações dos personagens, não tomar partido de um lado ou de outro, dizer que um ou outro estão errados, ou que todos estão. E é exatamente no desenvolver da trama que percebemos o quanto é fácil revestir uma ou outra pessoa de herói ou vilão, em como um simples fato pode parecer definir toda a pessoa, quando, na verdade, não define. A questão é que ninguém se resume à um nome, idade ou à sua orientação sexual. E menos ainda, ninguém se define por um erro ou por um acerto. “O oceano é Deus, mas também somos todos nós.” Sem dúvidas Rumo ao Sul foi um livro de surpresas calmas, lido em dois dias porque a história pedia para ser conhecida, ouvida, compreendida. Não por haver um grande mistério ou suspense envolvido, mas porque o ritmo da narrativa, dos acontecimentos, das descobertas, das incertezas, pede que se viva os dias dos personagens mais rápido do que se vive o próprio. Mas não se engane, ainda há sim um quê de surpresa inquietante na trama. Um dos pontos que mais encantou na história foi a discussão sobre religião e crença que existe embutida em todas as partes que dividem a história: Parte 1 Você, Mãe; Parte 2 Caminho Livre, Parte 3 Canção para Uma Gaivota e Parte 4 Os Últimos Dias. Isso porque ela
Na Montanha-Russa: vivendo a maternidade no autismo ♥ Michelle Malab

Na Montanha-Russa: vivendo a maternidade no autismo Michelle Malab Quintal Edições “Crescemos ouvindo que filho a gente cria pro mundo e não deve ser diferente com um filho autista. O autismo é um conjunto de comorbidades que afetam a pessoa em menor ou maior grau. Apenas isso. O autismo não era o meu filho. Lutei contra o autismo que tirava o brilho dos olhos do Pedro e que o fazia olhar para o nada, para longe de mim. Lutei para que sua fala não se calasse em gritos e esperneios. Lutei contra as comorbidades que o autismo trazia e trouxe meu filho de volta à vida, de volta para mim para que um dia ele possa ter condições de seguir sem mim.” Sobre a Autora Michelle Malab é escritora e empresária. Foi diagnosticada com Síndrome de Asperger na fase adulta, após o diagnóstico de seu filho, Pedro. Desde a descoberta, em 2005, passou a estudar profundamente sobre o autismo e todas as formas possíveis de intervenções. Atualmente promove seminários e ministra palestras sobre o autismo baseadas em sua experiências como mãe, com a propriedade de conhecer a síndrome pelo lado de dentro. Atua também na luta pelos direitos a inclusão das pessoas autistas. É colunista na revista digital Tendência Inclusiva. Sinopse Em Na Montanha Russa: vivendo a maternidade no autismo, Michelle Malab fala sobre os desafios com o diagnóstico de seu filho e compartilha com o leitor seu processo de aceitação, de luta pela qualidade de vida de Pedro e o tratamento que desenvolveu em casa com ele. Desde a descoberta, em 2005, passou a estudar profundamente sobre o autismo e todas as formas possíveis de intervenções. Atualmente promove seminários e ministra palestras sobre o autismo baseadas em sua experiência como mãe, com a propriedade de conhecer a Síndrome pelo lado de dentro. Na Montanha-Russa Dividido em três partes: Os Sinais e o Diagnóstico; A Montanha-Russa e Intervenções e Métodos, o livro leva título e subtítulos que remetem exatamente às sensações que a autora Michelle Malab descreve. Sentimentos e momentos que se intercalam desde a busca por um diagnóstico para seu filho Pedro Miguel até, enfim, a confirmação: autismo. “O que descobri sobre o autismo nos anos que se seguiram é que, primeiro, não existem anjos e, sim, seres humanos, e que não, eles não vivem em um mundo só deles, ou mundo paralelo; o mundo é o mesmo para autistas ou não autistas, apenas a percepção da realidade e a reação a ela são absorvidas e externadas de forma diferente.” A autora nos traz um texto breve, sincero e cheio de sentimento. Relata como mãe, o que é notar as diferenças em seu filho e não saber como tratá-las da melhor maneira devido à dificuldade em se ter um diagnóstico, assim como a dificuldade que surge também ao precisar aceita-lo. “A falta de profissionais em autismo faz com que as famílias percorram trilhas desnecessárias, fazendo a caminhada mais longa e, muitas vezes, levando a tratamentos equivocados e ineficazes, ou até mesmo reforçando a negação que pode atingir algum membro da família fazendo com que a criança não venha a ter o suporte necessário para se desenvolver.” Nas duas primeiras partes do livro, são destacados casos, descobertas e experiências do dia-a-dia de Michelle e Pedro, pontos marcantes que são, primeiramente, esclarecedores sobre o que é o Transtorno do Espectro Autista – TEA (autismo) e como é o processo de tratamento/intervenções e a constante necessidade de adaptação, estudo e novos ajustes. “Na minha opinião sentimentos são sentimentos, não é o que eles provocam em nós que os tornam bons ou ruins, mas a forma com que lidamos com eles e os devolvemos aos outros.” A autora ainda lembra de algumas das dificuldades mais marcantes que surgem, em relação à família, ao trabalho, à busca por informações, os custos com tratamentos e consultas, a falta de profissionais preparados, a relação e despreparo da escola (feliz aqui por ser conterrânea dela e ter visto um feedback positivo sobre o acolhimento das Escolas Municipais), o preconceito e o bullying. Várias reflexões importantes, tanto para quem atua nas áreas, tanto para qualquer ser humano que viva em sociedade. “Os sentimentos são nossos reguladores, por meio deles conseguimos adquirir autocontrole. Não adianta não querer sentir, precisamos saber como lidar com nossos sentimentos e assim aprender com eles.” Com isso, o conteúdo do livro, além de abordar os sentimentos da mãe e das suas pesquisas e buscas sobre tratamentos e intervenções, vão além, ajudam a desmitificar o estereótipo do autismo que vemos com frequência vendido nas telas da tevê, frutos das produções Hollywoodianas. “O conselho que dou às famílias, assim que algum membro da família receber o diagnóstico de autismo, é que estudem sobre o autismo, tentem compreender como funciona a mente de uma pessoa com autismo. Deem suporte aos pais, para que eles tenham força para o caminho que não é nem de longe fácil. Seja o grau de autismo que for, vai exigir muito, de ambos os lados, de quem convive e de quem o tem.” Na última parte do livro Intervenções e Métodos, são apresentados textos de especialistas de vários seguimentos, como psiquiatria, psicologia, fonoaudiologia e musicoterapia e que, além de abordados de maneira clara e acessível, agregam aos conhecimentos já apresentados inicialmente pela autora. “Não tenho respostas para minhas perguntas, nem hoje, amanhã talvez, ou talvez nunca. A única certeza é de que fiz o meu melhor, dei o melhor de mim. Nunca desisti do meu filho e sempre acreditei em seu potencial. E mesmo em algumas estradas mais difíceis consegui ver a beleza das flores no caminho.” Sem dúvidas, Na Montanha-Russa: vivendo a maternidade no autismo é um livro que trata o tema de maneira aberta, sincera, e por pontos de vista importantes e acessíveis: palavras que precisam ser semeadas e compartilhadas para ajudar na conscientização e no fim ao preconceito. Após a leitura, é impossível não ter uma visão mais realista sobre as pessoas com TEA e a importância da
3 anos Retipatizando

Bendito foi o momento que eu pensei quero ter um blog. Os motivos eram vários, eu queria algo que me ajudasse a escrever mais, seja o que fosse. E assim, pensando em nomes e mais nomes, surgia o Retipatia. A junção de ‘Re’, de Renata, mais ‘tipatia’ de antipatia, que já era o nome recebido pela minha conta pessoal do Instagram. Retipatia virou blog e, um pouco depois cresceu e a conta que era pessoal do IG, virou uma extensão da produção de conteúdo destinada ao blog. Hoje, funcionam de maneira complementar, praticamente dois lados da mesma moeda. Nesse mês de abril o Retipatia está soprando velinhas! Yey! São três anos de muitos posts, mudanças, muitos livros e amor. Eu vou desconsiderar que isso deveria ter acontecido em março, mas a correria da vida me fez adiar tudo para abril… rsrsrs A produção de conteúdo tem seus desafios e, lá no comecinho, jamais imaginei que seria tão trabalhoso e, ao mesmo tempo, que traria tantas recompensas ter um espaço como esse. Compartilhar ideias, pensamentos, opiniões, e incentivar a leitura acabaram se tornando o foco do Retipatia e, olhando para a caminhada até aqui, sei que o maior aprendizado foi o que eu mesma obtive. Aos parceiros, apoiadores, aos que seguem no blog ou nas redes sociais, aos visitantes frequentes e esporádicos, àqueles que aparecem sempre mas são fantasminhas queridos que não se manifestam, sou grata a todos! Não existiria o lado de cá sem o lado daí, podem ter certeza! Como esse mês de abril é também uma chance de fazer o BEDA (blog everyday april, blog todos os dias em abril, originalmente feito em agosto, blog everyday august) e eu queria colocar, digamos assim, o conteúdo em dia, achei uma boa movimentar o blog e o IG com posts diários. Ah e ainda vai rolar vários sorteios pelo Instagram em parceria com autores e Editoras queridas! Para acompanhar o conteúdo do IG, é só seguir o @retipatia Que venham muitos mais anos, que venham muitas outras leituras e, especialmente, que eu seja capaz de retribuir o carinho que sempre recebi! Que a Força esteja com vocês! xoxo Retipatia
Contos de Fadas em suas versões originais

Todos nós tivemos contato com os contos de fadas pelos desenhos animados, livros ou contações de histórias. O curioso é que todas essas narrativas foram adaptadas sem muito compromisso com os contos originais, perdendo parte da tirania e sutileza naturais da época. Neste livro de colecionador, os melhores contos de fadas foram escolhidos de forma criteriosa, cujas histórias centenárias se enveredam por horizontes escuros e sombrios, onde não há censura ou limites. Seus finais nem sempre envolvem casamentos ou futuros felizes, nos quais a moral prevalece sobre os pecados. Nada mais será escondido ou censurado. A chave para conhecer os contos de fadas mais obscuros está em suas mãos. Você tem coragem de abrir esta porta? Sinopse da edição de Contos de Fadas em suas versões originais publicado pela Editora Wish Quem conta um conto… Era uma vez, em um tempo em que os dias não eram contados e o sol e a lua não se importavam em intercalar-se para surgir no céu, havia um reino feito de papel e palavras. O nome era Reino das Histórias Maravilhosas e, de tão incrível que tudo nele era, chamava até mesmo visitantes das terras mais longínquas. As paredes de seu castelo, onde viviam os mais célebres escritores, era feito do papel da mais alta gramatura, amarelado, que deixava um perfume permanente pelos corredores. A tinta, especialmente desenvolvida para ser legível sob os raios de sol ou de lua, exalava aroma de lavanda e deixava as palavras em tom anis sobre o papel. As casas e lojas do Reino também não ficavam atrás, em ruas pavimentadas com papelão decorado das capas mais distintas, eram salpicadas de páginas das mais diversas formas. Ilustradas, escritas à máquina de escrever, escritas à mão e em braile. Uma infinidade tão grande que não existia construção igual a outra. Praças, parques, todos adornados do mais fino papel, das palavras mais belas, que inspiravam dias cálidos e momentos alegres. As árvores, tinham troncos costurados com intrincadas ranhuras e seus galhos e folhas feitos do origami mais detalhado e belo. Tsurus voam aqui e acolá, cisnes deslizam pelo lago de ondas de dobraduras e coelhos saltitam pela grama de papel picado. O único detalhe que escapava desse mundo de papel e palavras, eram as pessoas que por ali viviam. Não eram moldadas ou dobradas de papel, tampouco adornadas com palavras. Eram de massa mais sólida, pesada, uma mistura de ossos, carne e pele. Nada suave ou singelo como escritas desenhadas formando cachos para as cabeças ou acentos agudos formando cílios. Nada de capa dura para proteger o papel de dentro, apenas pele fina e mole pra segurar varetas chamadas ossos. Os rasgos, assim, aconteciam com mais frequência do que era possível restaurar. Ora, vejo só, às vezes, até mesmo era necessário subir paredes em branco, completamente sem palavras ou símbolos ou desenhos quaisquer. Uma afronta que a Escrivã-mor desejava acabar. Mas de nada adiantava, as pessoas não ficavam presas em jaulas de papel, não acreditavam em folhas que estipulavam multas ou penas e sequer se importavam dos amassos que deixavam pelo reino afora. Certo dia, ao ver dezenas de cisnes despedaçados, a escrivã não suportou a dor de ver tanta vida em papel jogada fora e chorou rios e rios de lágrimas molhadas, aquelas proibidas no Reino das Histórias Maravilhosas. As lágrimas foram tantas que se formou uma cachoeira, nascida no próprio palácio e que desaguou na principal avenida do reino. Assim, as lágrimas verteram por todo canto do Reino, destruindo tudo que tocava: borrou-se a tinta e amoleceu o papel até esfarelar e murchar e empapar. A cidade, as ruas, casas, tudo se desfez, morreu e apagou. A Escrivã-mor desfaleceu de desgosto ao ver a cidade desfeita, o papel junto e amassado e retorcido com corpos de osso-carne-pele, com palavras ainda a escorrer e pintar o rio de lágrimas de anis. Para aqueles que leem com atenção as entrelinhas, podem ver que ainda restam aqui e acolá, uma palavra ou outra que seguiu o rio e se espalhou para outros reinos de terra e poeira e pedra. Chegaram até o tempo em que a lua e o sol se separaram e não costumam mais aparecer juntos no manto azulado. Algumas dessas palavras foram lembradas, contadas através do tempo que começou a ser contado. Honradas, foram colocadas em papéis novamente, mas não mais em paredes de chalés e troncos de árvores. Mas em alguns espécimes que começaram a chamar de livros. Alguns deles, trazem versões antigas de tudo que já foi um dia, começam com era uma vez, mas nem sempre terminam com um e viveram felizes para sempre, porque sabem que lágrimas molhadas podem derreter papel e trazer tristeza. Seja através de um sapatinho enfeitiçado, uma fada madrinha, um troll maligno, uma criança esfomeada. Até mesmo uma madrasta má e um pai também malvado. Uma garota sonhadora, um gato falante e um segrego guardado por doze princesas. De tanto em tanto, as palavras ressoaram como se levadas pelo canto dos tsurus que tentaram fugir da correnteza. Certeza não há de quase nada, mas… quem sabe não foram eles que voaram dali e recontaram as palavras que outrora viram escritas no Reino das Histórias Maravilhosas? Aleatoriedades O exemplar lindo de Contos de Fadas em suas versões originais foi recebido em parceria com a Editora Wish. Pensei qual seria a melhor forma de resenha-lo e, por mais que tentasse, seria impossível falar de todos os contos e fazer jus a beleza e profundidade que é possível extrair de cada um. Foi incrível conhecer todos, dos mais populares aos raros, dos que já conhecia aos que já havia assistido alguma versão, a maior parte, em adaptações da Disney. Alguns contos ganham destaque, tanto pela perplexidade que causam ao leitor contemporâneo, tanto pela sutileza ou rudeza dos acontecimentos. É incrível poder avaliar as origens de cada uma dessas histórias, frutos da oralidade e que queriam passar ensinamentos – atualmente bem contestáveis – às crianças. As reflexões vão desde as relações entre familiares
Os prós e os contras de nunca esquecer ♥ Val Emmich

Os prós e os contras de nunca esquecer Val Emmich Editora Intrínseca “As pessoas acham que eu não devia sentir falta das coisas porque tenho a lembrança delas guardada na caixa no meu cérebro, mas essas lembranças só me fazem sentir mais falta das coisas” Sobre o Autor Val Emmich é escritor, compositor, cantor e ator. Atualmente vive em Jersey City, New Jersey, com sua esposa e os dois filhos. Os prós e os contras de nunca esquecer é seu primeiro livro. Sinopse Joan Lennon é uma menina de 10 anos com um dom surpreendente: ela é capaz de lembrar, com exatidão de detalhes, tudo que aconteceu com ela. Sabe quantas vezes a mãe disse “sempre dá certo” nos últimos seis meses, lembra dos dias e dos motivos para ter chorado, mas compreende também que nem todos têm essa capacidade. A maioria das pessoas, ela sabe, esquece as coisas, mas Joan não quer ser esquecida pelos outros. Então quando depara no jornal com um concurso cultural intitulado “Próximo Grande Compositor”, ela encontra a resposta: uma boa música é impossível de ser esquecida. Ela só precisa achar o colaborador perfeito. E é aí que entra Gavin Winters. Amigo de faculdade dos pais de Joan, Gavin é um ator famoso de Los Angeles que no momento enfrenta a dor terrível de ter perdido subitamente o namorado, Sydney. Depois de ter um vídeo seu em surto vazado na internet, Gavin decide dar um tempo na casa dos velhos amigos. Logo que se conhecem, Gavin e Joan fazem um acordo peculiar: ele vai ajudar Joan com a música e em troca a menina vai contar tudo que se lembra de Sydney. Mas o que no início era reconfortante acaba se tornando uma tortura no momento em que Gavin é obrigado a encarar o fato de que o namorado talvez estivesse escondendo alguma coisa. Emocionante e divertido, Os prós e os contras de nunca esquecer é um livro de estreia surpreendentemente encantador, para ser lido com Beatles tocando ao fundo. Os prós e os contras de nunca esquecer Na minha estréia como resenhista deste blogão, vou falar de um livro da minha editora favorita, Intrínseca, meu amor platônico, minha crush! O livro me chamou a atenção por ter relação com música, meu segundo hobby, antes meu coração só pertence à leitura. Um enredo que exala trilha sonora e nos embala na melodia de um drama que me parecia ter ricos ensinamentos. Joan nunca soube o que era ser normal, já que carregava o dom de uma memória impecável. Ela conseguia lembrar com detalhes de todos os momentos da sua vida, incluindo dias da semana, roupa que vestiu, alimentos que comeu, tudo que qualquer um fez ou disse. Seria algo extraordinário, se não a machucasse a facilidade com os que outros se esqueciam dela ou do que viveram. Um dos exemplos mais fortes e recentes, foi ver a avó falecer de Alzheimer, após esquecer completamente da neta. Jovem e cheia de sonhos, Joan queria fazer algo memorável, que a eternizasse, não apenas para os familiares, como para o mundo. Viu a sua chance através de um concurso de música, onde junto com o pai, um dos músicos que ela mais admirava depois de John Lennon, poderia criar uma canção que emocionasse as pessoas. Paralelo à essa história, conhecemos Gavin, um dos melhores amigos do pai da Joan, que foi casado com Sydney, o melhor amigo da mãe dela. Relacionamento que foi resultado de um encontro arranjado pelos amigos e um sucesso até Sydney falecer. Gavin era um ator famoso, com a vida estruturada, mas perder o companheiro abalou seu emocional e na tentativa de se livrar das lembranças, ele arma uma fogueira no seu quintal, com toda as coisas do marido. A ideia não foi bem sucedida e terminou com os bombeiros acalmando um incêndio. Preocupados com a sanidade do amigo, os pais de Joan o convidam para passar um tempo com eles e é aí que a história começa. Uma das profissões mais difíceis de sustentar é a dos músicos! Ou você dá muita sorte e consegue se encaixar e fazer sucesso ou você vive lutando por um lugar ao sol. O pai de Joan se encaixa nesse segundo grupo. Tinha um estúdio em casa, onde compunha jingles e prestava alguns serviços, mas quem pagava as contas era a sua esposa, que decidiu que não manteria mais o estúdio, por motivos óbvios, não dava dinheiro. Diferente do pai, Joan não compreendia os motivos da mãe e extremamente abalada, tornou a tarefa de criar a canção, ainda mais valiosa, sentimentalmente falando. Gavin tinha um histórico musical, há muito esquecido, deixado nos tempos de faculdade com o pai de Joan. Quando conversou com a menina, ficou admirado com a esperteza e carisma, mas ainda mais pela sua incrível memória. Ele, que foi até ali para parar de pensar em Sidney, encontrou em Joan a chance de ouvir histórias com tamanha exatidão nos detalhes, que parecia estar diante do amado novamente. Uma amizade nasceu e um pacto, se Joan contasse todas as lembranças que tinha de Sidney, ele a ajudaria com a canção. Ouvir as lembranças de Joan foi maravilhoso, até que alguns fatos começaram a não bater e Gavin se viu de frente com o maior dilema da sua vida: Sidney era realmente quem ele imaginava? Na ânsia por encontrar respostas, arrasta a jovem amiga em uma aventura para descobrir os mistérios do passado do amado. Para Joan, tudo estava ótimo. Ganhando atenção de um adulto como nunca teve, ajudando em algo que parecia importante e ainda tendo auxílio na sua música, que a faria ser lembrada eternamente. Mas nenhuma distração foi o suficiente para fazê-la esquecer que em breve não haveria mais o estúdio do pai. Achando que poderia ajudar de alguma maneira, ela começa a aceitar explorar a curiosidade da mídia pela sua memória espetacular, para conseguir dinheiro e ajudar nas despesas do estúdio, mas escondida dos pais e se aproveitando dos momentos de
As Regras do Amor e da Magia ♥ Alice Hoffman

As Regras do Amor e da Magia Alice Hoffman Editora Jangada Grupo Editorial Pensamento “Nada de andar ao luar, usar o tabuleiro Ouija, acender velas, calçar sapatos vermelhos ou vestir roupas pretas; nada de andar descalço, usar amuletos, cultivar flores que desabrocham à noite, ler livros de magia, criar gatos e corvos ou se aventurar muito além da esquina de casa.” Sobre a Autora Alice Hoffman tem mestrado em Escrita Criativa pela Universidade de Stanford e é autora de mais de trinta obras de ficção, muitas delas premiadas e elogiadas pelo The New York Times, Entertainment Weekly, Los Angeles Times, Library Journal e People Magazine. Seus contos de ficção e textos de não ficção foram publicados pelo The New York Times, Boston Globe Magazine, Kenyon Review, Los Angeles Times, Architectural Digest, Harvard Review, Ploughshares e por outras revistas. Alice também trabalhou como roteirista e é autora do roteiro original do filme Independence Day. Seu romance adolescente Aquamarine foi transformado num filme estrelado por Emma Roberts. Seu best-seller Da Magia à Sedução, hoje um clássico cult, foi adaptado para o cinema e deu origem ao filme homônimo, estrelado por Sandra Bullock e Nicole Kidman. Ela mora em Boston. Sinopse Em 1620, depois de ser acusada de bruxaria por amar um inquisidor, Maria Owens lança uma maldição em todas as gerações de mulheres de sua família: qualquer homem que se apaixonasse por elas estaria condenado à morte. Mais de trezentos anos depois, Susanna Owens mora na cidade de Nova York, com os três filhos adolescentes – a temperamental Franny, a doce Jet e o carismático Vincent -, e faz de tudo para protegê-los, escondendo o passado da família e criando algumas regras: é proibido andar ao luar, usar o tabuleiro Ouija, acender velas, criar gatos e corvos ou ler livros de magia. E o mais importante: é proibido se apaixonar! Mas não demora muito para que os irmãos comecem a descobrir seus poderes sobrenaturais e, junto com eles, os segredos e a maldição que assombra sua família. Agora, precisam buscar uma forma de violar as leis da magia sem sucumbir à maldição de Maria Owens. As Regras do Amor e da Magia é uma história que antecede o clássico cult Da Magia à Sedução, resgatando a história da família Owens e personagens já conhecidos. Um livro sobre magia, coragem e o desafio de aceitar a si mesmo para viver o verdadeiro amor. As Regras do Amor e da Magia Por favor, não se esqueça das regras: nada de andar descalço na terra ou brincar com velas, usar amuletos, vestir-se de preto ou calçar sapatos vermelhos. Nada de tentar trapacear o destino e, principalmente, nada de se apaixonar. Afinal, a maldição que corre no sangue de um Owens jamais ficará adormecida e sempre irá encontrar aqueles os quais possuem seu coração. “O que tem de acontecer, acontecerá, quer você aprove que não. Numa manhã de junho, a vida deles mudou para sempre. Era 1960 e havia no ar a sensação de que qualquer coisa poderia acontecer, de repente e sem aviso.” Franny, Jet e Vincet são irmãos Owens, ligados pela magia de seu sangue que a mãe, Susanna, insiste em manter sob águas calmas enquanto crescem numa mansão decadente na Nova York da década de 60. Como espíritos livres que são, o despontar para o que até então não passava de uma esquisitisse de família, vem com a visita à casa da tia Isabelle na recôndita Rua Magnólia, em Massachusetts. O convite é endereçado à Franny, a primogênita, que acaba de completar 17 anos, mas a jornada é feita em trio. “Cuidado com o amor, Maria Owens escrevera na primeira página do diário. Saiba que, para a nossa família, o amor é uma maldição.” A partir daí, a vida dos irmãos é entrelaçada em fios invisíveis de magia, misturada ao aroma cálido de lavanda e despertada através de ritos e passos necessários para executar feitiços e selar destinos. A maldição, parece um pequeno zumbido de um besouro que vem dizer mau agouro com o bater de suas asas e roer da madeira do chão. “A maldição era simples, ruína para qualquer homem que se apaixonasse por uma Owens.” A história, intercalando as três jovens vidas, segue o curso do rio, ora em seus marcantes acontecimentos, ora em doses de Chá de Cautela para acalmar os ímpetos estarrecidos. A semente do amor, necessariamente tolhida aos Owens por sua ancestral, não deixa de florescer em terreno salgado. Brota tão forte que parece ter tomado Chá de Coragem para conseguir desbravar até mesmo o coração indômito da Donzela de Espinhos. “Faça o que quiser, mas não prejudique ninguém. O que você fizer retornará para você triplicado. Apaixone-se sempre que puder.” As regras da magia Vidas se entrelaçam, com outros Owens, com aqueles que o passado está intrincado desde à época da Inquisição e se mistura nas ruas barulhentas e desordeiras de Nova York, com pinceladas do aroma de magnólia de Massachusetts. Ambos locais são tão personagens quanto Jet, Franny e Vincent. Possuem pele que recobre suas ruas, odor próprio que perambula por cada esquina, do Central Park ao Lago Leech. Passeamos por cada canto de suas paisagens e conhecemos cada marco por um acontecimento da vida daqueles aos quais nos apegamos logo nas primeiras vezes que seus nomes surgem nas páginas. “Tudo pode se quebrar, e qualquer coisa quebrada pode ser consertada novamente. Esse é o significado de Abracadabra. Eu crio o que digo.” E seguimos nos encantando pelos personagens: somos apresentados à Isabelle Owens, que é uma força por si só. Conhecemos a bravura indômita de April Owens. E temos Levy e Haylin e William, com seus respectivos corações sob risco. Todos tão bem inseridos e apresentados, que é impossível ler e dizer desconhecer qualquer um que seja, não se apegar e afeiçoar. Não compreender e querer que a mão do destino seja mais forte que a da maldição. “Não estávamos lá quando essas coisas terríveis aconteceram, quando as mulheres eram acusadas de se
Intrínsecos #006

Intrínseco = que faz parte de ou que constitui a essência, a natureza de algo; que é próprio de algo; inerente. A palavra, que dá nome à Editora e da qual deriva o nome do seu clube do livro já indica, é algo pertencente à literatura, aos livros, ao mundo literário. O Intrínsecos é o Clube de Leitura da Editora Intrínseca. Nele, todos os meses os assinantes recebem um livro inédito no Brasil, em edição especial. Aumentando a experiência da leitura, alguns elementos acompanham a edição em capa dura do livro: marcador, cartão-postal, uma revista recheada de textos e ilustrações para ajudar no mergulho da obra e um brinde que remete à história. Os livros não seguem um gênero específico, passando por autores já consagrados e estreantes, a ideia é compartilhar bons livros e permitir que as novidades do mundo literário cheguem em primeira mão – e grande estilo – ao leitor. O Clube começou em outubro de 2018 e já trouxe títulos agora relançados em versões brochura, como O Construtor de Pontes, do autor Markus Zusak, Nove Desconhecidos da Liane Moriarty e Os prós e os contras de nunca esquecer de Val Emmich. Neste mês de março, tive o prazer de receber a Intrínsecos #06 em parceria com a Intrínseca, que veio com a experiência completa para a imersão na leitura de O que aconteceu com Annie, da autora C. J. Tudor, já conhecida no Brasil pelo sucesso de O Homem de Giz, publicado também pela Intrínseca. Sinopse: Uma noite, Annie desapareceu. Desapareceu de sua própria cama. Houve buscas, apelações. Todos pensaram o pior. E então, milagrosamente, depois de quarenta e oito horas, ela voltou. Mas ela não podia ou não iria dizer o que tinha acontecido com ela. “Algo aconteceu com minha irmã. Eu não posso explicar o quê. Eu só sei que quando ela voltou, ela não era a mesma. Ela não era minha Annie. Eu não queria admitir, nem para mim mesmo, que às vezes morria de medo da minha própria irmãzinha.” A edição, em capa grafite, detalhes em prateado, capa dura, com folhas amareladas de ótima leitura, compõe o estilo exclusivo da coleção. É impossível não se apaixonar e imaginar uma prateleira repleta dos exemplares coloridos! Junto do livro da vez, vieram os elementos que compõem a foto: o livro embalado em papel de impressão, marcador com frase bastante instigante sobre a história, uma revista repleta de informações e curiosidades e, claro, um incrível baralho manchado de sangue… O ambiente para a leitura está devidamente instaurado e, claro, ela já começa prendendo logo nas primeiras páginas e incitando um mistério que irá permear cada carta do baralho. Afinal, o que aconteceu com Annie? Por aqui, a experiência de leitura já começou incrível, do recebimento da caixa, às páginas do baralho, dos informações da revista, às páginas amareladas! Em breve, trarei resenha sobre essa leitura que têm me deixado agarrada às páginas! Sem dúvidas a mente não desliga do livro mesmo quando ele está fechado e à boa distância! Para quem quiser mais informações sobre o clube do livro, é só acessar o site oficial e conferir as condições e termos de assinatura do Intrínsecos! Vocês já conhecem o Intrínsecos? Já participaram de um clube do livro especial como esse? Informações retiradas do site Intrínsecos e newsletter da Editora Intrínseca.
O Verão que mudou minha vida ♥ Jenny Han

O Verão que mudou minha vida Jenny Han Editora Intrínseca “Minha vida era contada em verões. Como se eu não vivesse de verdade até junho, até estar naquela praia, naquela casa.”
Coleção Contos de Fadas ♥ Editora Wish

Os contos de fadas estão presentes na humanidade desde tempos imemoráveis. Mesmo com as origens marcadas pela época da literatura escrita, em que autores como os irmãos Grimm, Charles Perrault e Hans Christian Andersen imortalizaram os contos populares em suas obras, com o tempo, estas foram transformadas pela cultura, pela “era Disney” e passaram a ter versões censuradas, com certezas de finais felizes e uma recompensa àqueles que são bons. É pensando nessas raízes dos contos de fadas que a Editora Wish iniciou seus trabalhos lançando a primeira edição de Contos de Fadas em suas versões originais, nascido de um projeto de TCC, a coleção previa os três volumes a seguir:
Corte de Névoa e Fúria ♥ Sarah J. Maas

Depois dos acontecimentos de Sob a Montanha, Corte de Névoa e Fúria irá nos apresentar um mundo totalmente diferente. Uma parte de Prythian que os leitores podem preparar para se apaixonar e, claro, para descobrir que algumas coisas que nos são preciosas em uma parte de nossas vidas, nem sempre se encaixam ao longo do tempo. Ou depois de um grande acontecimento. Esse é o segundo livro da saga ACOTAR, favorito da maioria dos fãs!
Um Conto do Mundo Invertido

Mundo Invertido: Suspense dos Anos 80 Organização Stefano Sant’anna e Bruno Godoi Editora Wish “Se as luzes piscarem, não repreenda. Pode ser apenas um desesperado tentando se comunicar. Se as luzes se apagarem, esqueça este livro e corra.” Sinopse Outros mundos existem e eles estão cheios de monstros… Já imaginou se o mundo seu fosse apenas o reflexo sombrio de outros? O Mundo Invertido é uma dimensão paralela por onde caminha o Senhor dos Mundos, uma entidade que busca apenas uma coisa: causar medo. Ele atravessa as dimensões com seus tentáculos que abraçam tudo o que tocam. É um olho pulsante que está cansado de viver só, e por isso, Ele chegou, abrindo portas entre os multiversos, disseminando o terror.O Senhor dos Mundos está aqui. Mundo Invertido Texto não recomendado para menores de 18 anos. Feche os olhos. Talvez assim a criatura que espreita da sombra projetada pelos galhos do lado de fora da janela não seja capaz de lhe colocar medo. Ou, talvez, se você não a ver, ela também não será capaz de enxergar-lhe. Mas a verdade é que, mesmo seguro atrás de suas pálpebras, a criatura é capaz de qualquer coisa. O olho gigante envolto em tentáculos como se fossem veias aguarda o momento certo. A hora em que seu suspiro indicará o medo, que sua respiração irá falhar e você estará prestes a sucumbir. É inútil tentar gritar quando sua voz já foi abafada dentro de si como última brasa ao apagar da lareira. Você pode não ver, mas percebe os tentáculos subindo por sua cama, deslizando feito serpentes que estão prestes a dar o bote. Se encolhe, recolhe as pernas para junto do corpo, a mera ideia da textura fria e pegajosa da criatura é suficiente para fazer a pele arrepiar. A razão já lhe deixou há muito, quando tentou indagar o que, afinal, poderia um olho fazer além de olhar? Não há boca para devorar ou garras afiadas para perfurar. Ah, mas há os tentáculos! Estes que sobem agora por seus braços e acariciam a pele como se fosse ferro em brasa. Deveriam ser frios… Mas queimam e o odor de pele queimada é tudo que sente, deveria sentir a dor, mas ela já se tornou uma constante que deixa apenas as lágrimas escaparem pelos olhos. Poderia acordar agora, se ver na cama com os raios do luar a brincar com as sombras da árvore que insiste em projetar-se pela janela. Mas não acorda. Não é sonho, é a certeza disso que faz a boca escancarar desejando que a fagulha de voz reacenda e seja capaz de clamar por ajuda. Ou piedade. Ou apenas que acabe logo. Ao menos, seu último desejo fora atendido, um tentáculo invade a boca, sufoca, o ar não tem espaço, e é espaço que o tentáculo busca ao seguir mais e mais fundo, até os espasmos cederem, até não haver mais nada se movendo. Acorda, mas não desperta, o corpo jaz intacto na cama, mas não há ninguém do lado de dentro, foi levado pelos tentáculos ardentes e gosmentos… para o mundo invertido. Mas isso não significa o fim… O barulho do livro sendo aberto bem ao seu lado parece soar como agulhas caindo no chão. Ainda que não haja certeza de onde se está, sua mente vagueia até o objeto que parece ser a única coisa existente além de você… se é que existir pode ser usado para te descrever. As letras parecem recém escritas nas páginas, mas estão secas quando as toca com a ponta dos dedos. A palavra estranho soa em sua mente, mas, ao mesmo tempo, não se aplica. O que é exatamente estranho? As palavras são reconhecidas e, enquanto os olhos correm pelas palavras, a história se desbrava ao seu redor. Um provável fim do mundo à sua volta numa apertada cabana em que os monstros espreitam do lado de fora. A única certeza é a de que está prestes a morrer. Ou está prestes a acontecer, seja lá o que de mais horrendo possa ser feito à sua mente presa ao corpo na cama que não reage e que está, ao mesmo tempo, sentado e bêbado na cabana. Você não recordo o motivo, mas sabe que estão forçando a porta. O grito vem quando garras languidas estraçalham a madeira e é como se a porta fosse sua carne a rasgar e sangrar… até o pânico lhe fechar os olhos. Estão novamente apenas você e o livro. As páginas passam para a próxima história e, algo na aparência avermelhada do livro não lhe inspira que será coisa boa. Vê uma amarelinha no chão, algo que leva você à pensar na infância, mas não consegue materializar lembrança alguma e logo ouve o chiado da tevê, ainda que não se lembrasse de ter visto alguma por aqui. O chiado aumenta e você se dirige até ela como se fosse mosca indo atrás de luz. O ruído toma conta de seus ouvidos e, ao tocar na tela de chuviscos, eles sobem por suas mãos, corroendo cada pedaço de pele, a voz fica engasgada e tudo que sai da boca é interferência que sufoca…. O livro aberto novamente. As folhas secam resvalam sob os pés, o craquelar parece quebrar uma costela sua a cada vez que o som refestela no vazio. Um som distante ressoa nos ouvidos e parece com algo desconhecidamente conhecido… os pés pisam na pedra, fria como gelo que logo é colocada na palma da mão. Inofensiva, você tem certeza que a palavra é ótima para descrevê-la, mas, ao mesmo tempo, não sabe a razão, olha através do buraco no meio, mas não é sua mão que está ali, é a pura escuridão que se adensa e escapa, escorre pela palma da mão e te engole… é difícil saber quando seu corpo inteiro se contorce e expande infinitamente causando uma dor que jamais seria capaz de descrever… E mais páginas do livro seguem adiante. Chamam um nome. Seria o seu? A voz aparece quando