Os 27 Crushes de Molly ♥ Becky Albertalli

Retipatia
Resenha de Os 27 Crushes de Molly de Becky Albertalli, publicado em 2017 pela Intrínseca.

Molly tem 27 Crushes, na verdade, 26, mas está prestes a adicionar mais um nome à essa lista! O detalhe é que, no momento, sua vida anda fora dos trilhos e, ah, eu cheguei a dizer que nenhum dos crushes sequer sabe que já foi um crush da Molly? Bem, então vem cá que eu te conto!

Os 27 Crushes de Molly (The Upside of Unrequited)
Becky Albertalli
Tradução Regiane Winarski
2017 | 320 páginas
Intrínseca
Disponível em Amazon
“Não foi por acaso que tive vinte e seis crushes e nenhum namorado. Não entra na minha cabeça como é possível alguém arrumar um namorado. Ou namorada. Parece a coisa mais improvável do mundo. Você tem que ficar a fim da pessoa certa no momento certo. E a pessoa também tem que gostar de você. Um alinhamento perfeito de sentimentos e circunstâncias. É quase incompreensível que aconteça com tanta frequência.”
Resenha de Os 27 Crushes de Molly de Becky Albertalli, publicado em 2017 pela Intrínseca.
Sobre Becky Albertalli

Becky Albertalli é psicóloga, o que lhe proporcionou o privilégio de trabalhar com muitos adolescentes inteligentes, estranhos e irresistíveis. Por sete anos foi orientadora de um grupo de apoio em Washington para crianças com não conformidade de gênero. Mora em Atlanta com o marido e os dois filhos. Simon vs. a agenda Homo Sapiens é seu primeiro livro.

Resenha de Os 27 Crushes de Molly de Becky Albertalli, publicado em 2017 pela Intrínseca.
Sinopse de Os 27 Crushes de Molly

Molly já viveu muitas paixões, mas só dentro de sua cabeça. E foi assim que, aos dezessete anos, a menina acumulou vinte e seis crushes. Embora sua irmã gêmea, Cassie, viva dizendo que ela precisa ser mais corajosa, Molly não consegue suportar a possibilidade de levar um fora. Então age com muito cuidado. Como ela diz, garotas gordas sempre têm que ser cautelosas.

Tudo muda quando Cassie começa a namorar Mina, e Molly pela primeira vez tem que lidar com uma solidão implacável e sentimentos muito conflitantes. Por sorte, um dos melhores amigos de Mina é um garoto hipster, fofo e lindo. O vigésimo sétimo crush perfeito e talvez até um futuro namorado. Se Molly finalmente se arriscar e se envolver com ele, pode dar seu primeiro beijo e ainda se reaproximar da irmã.

Só tem um problema, que atende pelo nome de Reid Wertheim, o garoto com quem Molly trabalha. Ele é meio esquisito. Ele gosta de Tolkien. Vai a feiras medievais. Usa tênis brancos ridículos. Molly jamais, em hipótese alguma, se apaixonaria por ele. Certo?

Resenha de Os 27 Crushes de Molly de Becky Albertalli, publicado em 2017 pela Intrínseca.
A História dos 27 Crushes de Molly

Molly tem 17 anos, 26 crushes e está prestes e colocar um 27º em sua lista. E é uma lista que ela tem em alta conta, o garoto tem que ser especial, tem que mexer com ela de alguma forma nunca vista antes. Mesmo que nenhum desses 26 crushes sequer saibam que ela gosta deles. Pensando bem, eles sequer precisam falar com ela…

A questão que envolve sua crise existencial, na verdade, não é só por causa desses crushes não correspondidos. Sua irmã gêmea, Casssie, companheira de todas as horas, começou a namorar com Mina, uma garota linda e divertida que Molly encontrou por acaso em um banheiro.

Tudo ao seu redor parece desmoronar, a não ser talvez, a possibilidade de que Will, o hipster ruivo e muito bonito que é amigo de Mina vire o crush número 27. Mas então, tem o Reid. E ele usa tênis brancos demais. E tem aquela fixação por Tolkien e Guerra dos Tronos e tal. É, ele não pode ser o número 27. Will faz bem mais sentido e, ainda por cima, por ser amigo de Mina, vai ajudar com que Molly não se distancie muito de Cassie, que namora Mina. Se é que algo nisso tudo faz algum sentido….

Ah e, é claro, no meio disso tem o casamento de suas mães, que finalmente vai acontecer após a decisão da Suprema Corte. E também tem o novo emprego e os vários centros de mesa e a guirlanda que ela precisa fazer para o casamento e, dá-lhe Pinterest para inspirar tanta coisa, em tão pouco tempo! E tem Abby, sua melhor amiga que está morando na Geórgia agora. Seu irmãozinho Xav. E tem Olivia e tem Reid. E Will. Além de Mina e Cassie, não vamos nos esquecer delas.

Resenha de Os 27 Crushes de Molly de Becky Albertalli, publicado em 2017 pela Intrínseca.
Os 27 Crushes de Molly: gordofobia

A história de Molly é do tipo que poderia acontecer com qualquer um, a melhor amiga do seu vizinho ou com a prima em segundo grau da colega de trabalho da sua irmã. Ou comigo, ou com você, simplesmente porque, entre erros e acertos, destaca logo de cara: todo mundo erra e, de verdade, todo mundo é um pouco babaca de vez em quando na vida.

Molly sofre com ansiedade e vemos como isso perpetua seus pensamentos e atitudes durante toda a trama. Não é insegurança com seu peso, apesar da palavra gorda ganhar conotação ofensiva na boca das pessoas, mas especialmente, há nela uma preocupação com o que os outros irão pensar. E daí vem, claro, a certeza inabalável de que a Molly gorda não é desejável, não é amável. Afinal, estar fora dos padrões de beleza é o mesmo que não ser digna do amor de alguém.

Resenha de Os 27 Crushes de Molly de Becky Albertalli, publicado em 2017 pela Intrínseca.

Um dos pontos interessantes e que ganham destaque na história de Molly, adentrando o famigerado termo gordofobia, é a mostra de que, apesar dos inúmeros textos e movimentos positivos sobre corpo, autoestima e autoaceitação, ainda há sim muito preconceito com as pessoas gordas. E que os padrões ainda imperam seja no mundo da moda, da beleza, da estética, tanto quanto nos círculos sociais de adolescentes e no cotidiano de qualquer pessoa.

Molly passa por isso, não porque quer se encaixar no padrão, esse não é seu desejo, mas movida por sua ansiedade, a opinião, o olhar alheio sempre é o que a impede de seguir em frente e ser exatamente quem é e deseja ser.

Os livros de Becky Albertalli: a discussão sobre padrões

Talvez, dos livros da Becky (a autora já lançou Com Amor, Simon, Leah Fora de Sintonia e E Se Fosse A Gente?, este último com o autor Adam Silvera), Os 27 Crushes de Molly seja o mais diferente.

Claro que temos os típicos dramas e questionamentos adolescentes, mas temos ainda mais uma personagem que precisa amadurecer e que irá fazer isso de forma quase drástica durante a história. Isso porque Molly é, muitas vezes imatura, mais do que esperamos de uma adolescente de 17 anos. E, isso, é claro, é considerando um padrão que não deveria ser levado em conta, já que cada pessoa tem seu próprio desenvolvimento.

E o livro vai falar disso também, em como esperamos que as pessoas ajam de forma x ou y, porque já tem certa idade, em como esperamos que a garota gorda não tenha outros tipos de preconceitos, porque, afinal, ela já sofre com gordofobia. Sendo que, na verdade, nem sempre isso acontece.

Os padrões estão tão arraigados em nossa cultura, na sociedade, no meio em que estamos inseridos, que é difícil, mesmo para quem sofre com algum tipo de preconceito, se desvencilhar deles. Molly, por exemplo, passa por vários momentos em que é ou se sente excluída e criticada por causa do seu peso e, ao mesmo tempo, acha natural e fácil – e chega a lutar contra seus sentimentos – criar conceitos pré-formados em sua cabeça sobre ‘o que é um cara digno de ser um crush da Molly‘.

Resenha de Os 27 Crushes de Molly de Becky Albertalli, publicado em 2017 pela Intrínseca.
Os 27 Crushes Aprendizados de Molly

Sem dúvidas, uma história cheia de aprendizados e que ainda conta com algumas participações especiais de personagens que nos são apresentados em Com Amor, Simon.

Antecipando o que teremos em Leah Fora de Sintonia (que foi lançado depois de Os 27 Crushes de Molly), o livro também tem aquele encaixe perfeito no final, com todos os pontos erráticos da vida se juntando à engrenagem (não necessariamente consertados), e, pelo menos um ponto em especial, eu gostaria que tivesse sido mantido desencontrado. Mas os livros da Becky querem sempre passar a mensagem de que, no fim do dia, as coisas podem sim dar certo, seja do jeito que for, ainda que não completamente perfeitas.

Em Os 27 Crushes de Molly, a Becky Albertalli conseguiu, mais uma vez, abordar temas super importantes, que englobam respeito à diversidade, amizade e amadurecimento de uma forma leve e competente. Deixa claro que o diálogo é importante e que mudanças na vida são inevitáveis, mas que podemos tanto aprender com elas, quanto crescer e levar adiante a melhor parte de cada uma.

Resenha de Os 27 Crushes de Molly de Becky Albertalli, publicado em 2017 pela Intrínseca.
Aleatoriedades
  • Esse post dá sequência às resenhas dos livros da Becky Albertalli, que teve evento em BH e outras cidades no último fim de semana em um encontro de fãs super adorável e com direito a muito bate-papo sobre as obras da autora. Tive o privilégio de mediar o evento aqui de Beagá com o blog Coisas de Mineira e foi uma experiência incrível! Já quero mais, dona Intrínseca!
  • Os cliques seguiram a vibe das fotos das outras resenhas de livros da autora: Com Amor, Simon e Leah Fora de Sintonia.

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

Retipatia
Ouvindo: Oh Wonder – Without You (pra não assumir pra Leah que é Don’t Stop Believing que está na minha cabeça…)

11 thoughts on “Os 27 Crushes de Molly ♥ Becky Albertalli

  1. Ahhh, que resenha!! Minha vontade de ler todos os livros da Becky Albertalli só aumenta, estou querendo lê esse ano ainda. Parecem ser tão fofos!!

  2. Essa citação de fala da Molly às vezes passa pela minha cabeça, também. da coincidência absurda que é o gostar e ser correspondido. Mesmo quando me acontece, me choca, hahaha!
    Uma coisa legal da Becky é que as personagens adolescentes dela parecem me soar REALMENTE como adolescentes. Sei lá, às vezes eu sinto que adultos escrevem adolescentes maduros demais pra idade deles e, como isso, quando a gente vê como ela soa como imaturidade, sendo que isso é completamente normal nessa fase tão louca da vida… Às vezes até é, mesmo, mas não tem regra pra essas coisas, né?

    Suas fotos me deram vontade de comer marshmallow e agora mulher?

    1. Oi Luly!
      ahahah eu também acho, mesmo quando acontece a gente fica sem entender como é que as probabilidades todas deram certo e se encaixaram. E sim, as personagens dela são mesmo adolescentes, gosto da verossimilhança que ela consegue passar. Exato, zero regras, mas qualquer um que foi adolescente consegue notar quando a coisa tá forçada e não desce… ehehe Agora, bora comer uns marshmallows, é claro!
      Obrigada pela visita!
      xoxo

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