Sejamos Todos Feministas ♥ Chimamanda Ngozi Adichie

Bom dia, tarde e noite folks!

Hoje é dia de colocar ordem na casa, já que os posts saíram da frequência regular por motivos de voltei a trabalhar e tô um pouco louca com a volta a rotina intensa… rs

E, assim, é a vez de falar sobre um livro para lá de necessário. Sejamos Todos Feministas, da Chimamanda Ngozi Adichie, publicado no Brasil pela Editora Companhia das Letras, não é apenas bom ou ótimo ou excelente, mas necessário, e que me fez refletir tanto, que, mesmo tendo lido ele de uma vez só e, ser do tipo que eu queria marcar simplesmente tudo que estava escrito, precisei respirar fundo antes de escrever esse post.

Sinopse: O que significa ser feminista no século XXI? Por que o feminismo é essencial para libertar homens e mulheres? Eis as questões que estão no cerne de Sejamos todos feministas, ensaio da premiada autora de Americanah e Meio sol amarelo. ‘A questão de gênero é importante em qualquer canto do mundo. É importante que comecemos a planejar e sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens mais felizes e mulheres mais felizes, mais autênticos consigo mesmos. E é assim que devemos começar: precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de uma maneira diferente.

Sobre a Autora: Chimamanda Ngozi Adichie nasceu em Enugu, na Nigéria, em 1977. É autora dos romances Meio Sol Amarelo (2008) – vencedor do Orange Prize, adaptado ao cinema em 2013 -, Hibisco Roxo (2011) e Americanah (2014), publicados no Brasil pela Companhia das Letras. Assina ainda uma coleção de contos, The Thing around Your Neck (2009). Sua obra foi traduzida para mais de trinta línguas e apareceu em inúmeros periódicos, como as revistas New Yorker e Granta. Depois de ter recebido uma bolsa da MacArthur Foundation, Chimamanda vive entre a Nigéria e os Estados Unidos. Sua célebre conferência no TED já teve mais de 1 milhão de visualizações. Eleito um dos dez melhores livros do ano pela New York Times Book Review e vencedor do National Book Critics Circle Award, Americanah teve os direitos para cinema comprados por Lupita Nyong’o, vencedora do Oscar de melhor atriz por Doze Anos de Escravidão.

Para quem não conhece, Sejamos Todos Feministas é a versão de uma palestra que Chimamanda realizou em 2012, no TEDxEuston, uma conferência anual com foco no África. Por essa razão, não se trata de um livro extenso. Eu mesma li durante meu horário de almoço dia desses, a leitura é tão fluida e viva que corre super bem, não cansa e traz muita – mas muita mesmo! – reflexão.

Como a própria autora relata, o tema escolhido não poderia ser outro, apesar de muitas pessoas o encararem como algo ruim, ele é mais do que necessário. E, adiantando, ela conta que, apesar da insegurança inicial, quando vieram os aplausos de pé da plateia, ela sabia que valera o risco.

“…estereótipos limitam e formatam nosso pensamento… […] Tenho a impressão de que a palavra ‘feminista’, como a própria ideia de feminismo, também é limitada por estereótipos.”

“Se repetirmos uma coisa várias vezes, ela se torna normal. Se vemos uma coisa com frequência, ela se torna normal.”

Eu mesma aplaudi – internamente, ou iria parecer mais louca do que já sou no refeitório do trabalho… – depois que finalizei a leitura. Além de toda a identificação que o texto carrega, ele traz mais, muito mais. Tudo em um tom de conversa, daquela sua amiga que está te contando alguns fatos da vida dela e dizendo o por quê que isso ou aquilo outro é errado. Porque isso ou aquilo não é bom. Mostrando como, em vários pontos, o machismo e o preconceito estão tão intrínsecos à nossa cultura e sociedade que aparecem disfarçados de outras coisas e, muitas vezes, recobertos sob o véu da normalidade.

A autora começa contando sobre a primeira vez em que foi chamada de feminista, e que, a conotação quando isso foi dito, foi pejorativa, como um xingamento. E, conforme o tempo foi passando, em que ela se descobria feminista, em como as pessoas contrapunham esse fato às suas atitudes cotidianas. E aqui, temos aqueles habituais títulos, se é feminista, não pode gostar de salto alto e andar ‘feminina‘. Se é feminista, significa que é contra os homens. Se é feminista, blá blá blá (acreditem, tem muito blá inserido aqui).

“- mas há um abismo entre entender uma coisa racionalmente e entender a mesma coisa emocionalmente.”

“A questão de gênero, como está estabelecida hoje em dia, é uma grande injustiça. Estou com raiva. Devemos ter raiva. Ao longo da história, muitas mudanças positivas só aconteceram por causa da raiva. Além da raiva, também tenho esperança, porque acredito profundamente na capacidade de os seres humanos evoluírem.”

Com vários exemplos e, uma boa dose de conhecimento e informação, a autora não apenas desconstrói cada um desses paradigmas eleitos pela sociedade como normais e desejáveis, mas mostra como e porque eles são deficitários e servem apenas para manter a mulher em posição de desigualdade em relação aos homens. Chimamanda faz isso de uma maneira tão clara, direta e de fácil compreensão, que eu não sei se alguém é capaz de ler seu texto e não terminá-lo sem estar, ainda que um pouquinho, modificado.

É claro que muita coisa que ela conta, não tem, necessariamente, o sabor de novidade. Já senti na pele muitas coisas, como várias e várias mulheres do mundo inteiro. Mas, o melhor é ouvir isso de alguém tão esclarecida, inspiradora e que tem uma grande carga de conhecimento a repassar. Alguém que te conta os porquês. Que lembra que, ser uma pessoa feminista não significa ser imune ao que a sociedade tenta lhe impor. Não é uma espécie de super poder – quem dera o fosse e que funcionasse como os braceletes da Mulher Maravilha.

“A questão de gênero é importante em qualquer canto do mundo. É importante que comecemos a planejar e sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens mais felizes e mulheres mais felizes, mais autênticos consigo mesmos.”

“Falar é fácil, eu sei, mas as mulheres só precisam aprender a dizer NÃO a tudo isso. A realidade, porém, é mais difícil, mais complexa. Somos seres sociais, afinal de contas, e internalizamos as ideias através da socialização. Até mesmo a linguagem que empregamos dentro do casamento é reveladora: frequentemente é uma linguagem de posse, não de parceria.”

E, quando se fala em pessoa feminista, vale destaque, não estamos falando de mulher feminista apenas, porque qualquer um, homem ou mulher, pode ser feminista. Não é uma condição de gênero, é um posicionamento perante as desigualdades da sociedade.

Como ela destaca, o feminismo é sobre gênero. O assunto parece sempre incomodar, mas sim, precisamos discutir isso por mais incômodo que possa parecer a primeira vista. Ouso dizer que, se é incômodo para você, muito provavelmente é porque não há esclarecimento suficiente sobre o tema. E, nesse caso, pesquise e, o livro da Chimamanda, é um excelente começo.

“O problema da questão de gênero é que ela prescreve como devemos ser em vez de reconhecer como somos. Seríamos bem mais felizes, mais livres para sermos quem realmente somos, se não tivéssemos o peso das expectativas de gênero.”

“Algumas pessoas me perguntam: ‘Por que usar a palavra ‘feminista’? Por que não dizer que você acredita nos direitos humanos, ou algo parecido?’ porque seria desonesto. O feminismo faz, obviamente, parte dos direitos humanos de uma forma geral – mas escolher uma expressão vaga como ‘direitos humanos’ é negar a especificidade e particularidade do problema de gênero. Seria uma maneira de fingir que as mulheres não foram excluídas ao longo dos séculos. Seria negar que a questão de gênero tem como alvo as mulheres. Que o problema não é ser humano, mas especificadamente um ser humano do sexo feminino.”

O que mais ouço são mulheres com atitudes e pensamentos totalmente coerentes com o feminismo se auto-intitularem não feministas. Sempre o orgulho em dizer, ou colocar como parêntesis em tudo que se diz um “eu não sou feminista, tá!“, como se ser feminista fosse um status risível, antiquado, errado. E, por mais que tenham ideias que coadunam com o movimento, precisam apenas serem lembradas de que ser feminista não é um xingamento, tampouco, um rótulo ofensivo. Muito pelo contrário.

Provavelmente, a leitura do livro da Chiamamanda já seria suficiente para vencer, ao menos, essa barreira. E, por favor, não me venham com a ideia de que, se uma pessoa que se auto intitula feminista urina em público e pratica atos repreensíveis, não significa que ela seja o movimento, que ela seja feminista. O feminismo é maior que isso. Bem maior. Uma pessoa não faz parte de algo apenas porque se intitula tal qual. Isso é generalizar. Não generalize. Entenda, reflita e depois decida.

“Uma vez eu estava falando sobre a questão de gênero e um homem me perguntou por que eu me via como uma mulher e não como um ser humano. É o tipo de pergunta que funciona para silenciar a experiência específica de uma pessoa.”

“Tem gente que diz que mulher é subordinada ao homem porque isso faz parte da nossa cultura. Mas a cultura está sempre em transformação.”

Se o seu problema é com títulos, pois bem, diga apenas que você é alguém que busca a igualdade e liberdade entre os gêneros, que acredita em direitos humanos igualitários. E, se você concorda com essa parte, eu te conto que essa é a definição de feminismo. E, se você não acredita que devemos ser iguais, como diriam no bom brasileirês, aí o buraco é mais embaixo.

Já foi citado lá em cima, mas a medida que eu lia esse livro, eu queria grifar ele por inteiro. O ebook, mesmo curtinho, ficou simplesmente cheio de marcações, é impossível não se identificar com tudo que a Chimamanda nos diz. Tive que fazer uma peneira em tudo que grifei, ou, do contrário, essa seria uma postagem apenas com citações do livro e, claro essa não é a ideia.

“Para quê serve a cultura? A cultura funciona, afinal de contas, para preserva e dar continuidade a um povo.”

“A cultura não faz as pessoas. As pessoas fazem a cultura. Se uma humanidade inteira de mulheres não faz parte da nossa cultura, então temos que mudar nossa cultura.”

E, agora, eu quero ler todos os livros da Chimamanda, porque sim, é claro! ‘Sejamos Todos Feministas’, apesar de não se tratar de literatura (que é normalmente o objeto de análise aqui do blog), entrou para o roll de melhores leituras desse ano e, claro, na Reclassificação de Livros, está em ‘Leio até mesmo de pé esperando o ônibus‘, com bônus ‘Amores da Vida’!

O Ebook de Sejamos Todos Feministas foi baixado gratuitamente através da Amazon, na promoção especial que rolou pelo Dia Internacional da Mulher e, coincidentemente hoje, acabei de abrir e vi que ele está free ainda ou também, não sei dizer.

Para quem não conseguiu ou não ficou sabendo na época ou não conseguir baixar pela Amazon, o Ebook está sempre disponível para download gratuito pela Saraiva. Então, sem desculpas, bora ir lá fazer o download e ler esse livro-discurso-relato maravilhoso e empoderador!

“A meu ver, feminista é o homem ou a mulher que diz: ‘Sim, existe um problema de gênero ainda hoje e temos que resolvê-lo, temos que melhorar’. Todos nós, mulheres e homens, temos que melhorar.”

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

Ouvindo: Major Lazer – Powerful (feat. Ellie Goulding & Tarrus Riley)

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