
Bom dia, tarde e noite folks!
A resenha de hoje é de mais uma leitura realizada no ano passado e que acabou não ganhando espaço por aqui, por motivos de, não, não há motivos… rs Por isso, antes tarde do que nunca, confiram Senhora, A Bruxa:
Título: Senhora, A Bruxa
Autores: José de Alencar e Angélica Lopes
Editora: Lua de Papel / LeYa
Sinopse: Aurélia Camargo é poderosa. Rica, linda e solteira, ela consegue enfeitiçar todos os homens à sua volta. Uma mulher assim tinha que esconder algum segredo. Em 1875, José de Alencar criou “Senhora”, essa destruidora de corações que comprou o único homem que se atreveu abandoná-la. Nesta nova versão do romance clássico, feita por Angélica Lopes, o folhetim de época vira uma trama sobrenatural, com elementos de magia. A vingança de Aurélia contra o ex-namorado agora é elaborada com a ajuda das misteriosas irmãs Blair – feiticeiras que há mais trezentos anos semeiam a discórdia entre os pobres casais apaixonados. (Contracapa)

Para quem não conhece a célebre obra de José de Alencar, ‘Senhora’, é um romance em que Aurélia, uma jovem de origem humilde, após receber uma fortuna em herança, decide vingar-se do ex-namorado, Fernando, que a deixara para noivar-se com uma moça abastada. Agora, rica, Aurélia desperta a cobiça de todos os jovens solteiros – e também compromissados – da alta sociedade paulistana. Em um jogo de mestre, ela convence Fernando a se tornar seu noivo, sem mesmo saber que se trata de sua antiga namorada. Ela o compra com um dote irrecusável.

A obra é clássica da literatura brasileira e item indispensável para os amantes do gênero. Me lembro que li Senhora para a escola e, na época, já adorei a leitura. E é do tipo que marca a memória do leitor, porque me lembro da história com vários detalhes, ainda hoje.

Nesta versão, Senhora, A Bruxa, Angélica Lopes reescreve o romance de Aurélia e Fernando, adicionando a bruxaria como elemento enriquecedor das ambições e sentimentos dos personagens. As motivações de cada lado são levadas aos extremos com situações e encantamentos realizados com um único intuito: dar mais poder às irmãs Blair, que desejam manter sua juventude eterna. É uma junção interessante: criar, por debaixo das motivações já conhecidas dos personagens, fatos fantásticos que o levam a agir de uma ou de outra maneira.

A leitura do livro foi super rápida, leve e descontraída, com alguns momentos chegando a ser engraçados, com o toque que Angélica deu ao livro. Um pouco da própria seriedade da história se perdeu, com isso. Não acho que seja um ponto necessariamente negativo ou positivo, apenas distinto da obra original.

A obra também tem um quê de despretensiosa, pois não engloba aspectos extraordinários aos já discutidos na obra originária. E, assim para quem pretende ler uma grande reviravolta no livro de Alencar, saiba que há mais em relação ao imaginário, com os novos personagens e elementos mágicos incluídos do que, de fato, uma reviravolta na trama, por assim dizer.

Se a ideia de reescrever clássicos da literatura brasileira lhe parece blasfêmia, heresia, bem, repense. É mais provável que se tenha um novo estilo de escrita com Senhora, a Bruxa, assim como em outros livros do gênero (estou, inclusive lendo Dom Casmurro e os Discos Voadores, também da Lua de Papel) e, pela própria proposta do livro, é de se esperar uma reginada que dê outro sentido às tramas da história, ainda que, no fim das contas, a essência do romance original ainda esteja presente.

Então, se buscas por uma leitura leve, aquela que distrai a mente de uma ressaca literária e gosta de se enveredar por campos não muito habituais, Senhora, A Bruxa, é uma ótima pedida. Até mesmo para aqueles que não tem o condão de gostarem dos clássicos e anseiam por um pingo sequer de fantasia em todas as leituras, o livro pode ser recomendado.

O livro, propriamente dito, é lindo. Tem folhas levemente amareladas, que ajudam muito na leitura (um pouco menos amarelas que nas fotos, que foram tratadas), um bom espaçamento e uma arte de capa muito bem elaborada (acho a imagem da capa ao mesmo tempo óbvia e brilhante). Adoro também os tons amarronzados e terrosos escolhidos para compor a obra. Além disso, as primeiras páginas são recheadas de ilustrações inspiradoras de Osmane Garcia Filho, fiquei até desejando que o livro tivesse, ao menos, uma ilustração por capítulo!

Assim, Senhora, A Bruxa, ficou com ‘Leio somente quando sentada/entediada no ônibus‘, por ser uma boa distração (confira as Reclassificações de Livros).
Que a Força esteja com você!
xoxo
Ouvindo: Rachel Platten – Stand By You

