Resenhas Literárias

Cem ♥ Heike Faller & Valerio Vidali

CEM: o que aprendemos na vida
Heike Faller & Valerio Vidali
Editora Intrínseca
2019 / 208 páginas
“- E todo ano, quando for guardar os potes vazios de geleia de amora no porão, você pensa: Será que ainda vou precisar deles?
Pausa.
– Então você faz mais uma leva de geleia de amora.”
Sobre a Heike Faller

Encontra-se (provavelmente) mais ou menos no meio de sua vida. Ela é jornalista e redatora na Zeit Magazin e dedica este livro a suas sobrinhas Paula e Lotta, que lhe deram essa ideia quando eram bebês, e alguns anos depois muito gentilmente a ajudaram a implementá-la.

Sobre Valerio Vidali

É um ilustrador italiano que vive em Berlim. Ele é mais jovem que Heike, porém mais velho que as sobrinhas dela. Seu trabalho foi premiado diversas vezes, com dois de seus livros Jemmy Button (2013) e The Forest (2018) selecionados como melhores livros ilustrados pelo The New York Times.

Sinopse

Uma jornada colorida e poética pelos prazeres e desafios da vida, ano a ano, em todas as idades.

Cem é sobre tudo o que a vida nos traz: a primeira cambalhota, o primeiro amor, a primeira vez que tomamos um café, a descoberta eterna de que o mundo é sempre mais imenso do que imaginamos. Suas frases curtas e ilustrações coloridas percorrem ano a ano as transformações que nos tornam quem somos, mostrando que mesmo que muitos aniversários já tenham passado, é possível ainda não ser adulto, e que, amadurecendo, percebemos que o tempo é não apenas precioso, mas também condescendente: até o fim, ele nos dá espaço para viver.

Sensível combinação de arte, reflexão e poesia, Cem deve ser saboreado página por página, seja aos poucos ou de uma vez só – é daqueles livros que ficam para sempre conosco e que, a cada compasso do tempo, ganham uma dimensão completamente nova.

CEM: o que aprendemos na vida

Um punhado de primeiras vezes, e algumas segundas vezes também. Uma compota e um vidro vazio. Um passo em falso e a sensação de segurança. Abrir as asas e trilhar seu próprio caminho; precisar dar as mãos, seja muito jovem ou muito velho.

Quem sabe, pular amarelinha ou assistir à um filme em preto em branco. Descobrir o primeiro amor, e o amor primeiro. Crescer, palavra pequena e grande, complexa. Cabe uma revolta inteira dentro dela, cabe um jogo de futebol ou seu jardim. Cabe também aquele passo de dança ou o despertador para te lembrar que já é hora de levantar. Cabe tanta coisa que parece que o mundo fica pequeno de vez quando, mas é só lembrar do universo que ele volta a ser pequeno.

Quem sabe, parece um dente de leão que você acaba de soprar: milhões de pedacinhos do todo espalhados, seguindo um rumo, dispersos, como, às vezes, somos eu e você ou você e aquele outro que já passou por aqui. Vem e vão, talvez, não vêm em vão.

Abrasileirando, pode soar como ‘um barzinho, um violão‘ ou você sozinho num sábado à noite. Ou até como aquele apelido que sua mãe insiste em usar na frente de seus amigos, era coelhinho? Você vai sentir falta disso, sabe.

Um gole de café, uma noite mal dormida. Quem sabe fazer mais uma compota de amora ou aprender qual a tecnologia da moda? Sei lá, talvez seja o momento, a hora, aquele que você dá o primeiro passo. A primeira risada. Descobre o mundo além e que as coisas que vão, voltam. Depois aprende que, nem sempre é assim.

Esse é Cem. É o que aprendemos com a vida, com cada passo, cada idade, cada descoberta. É a união de palavras e desenhos em uníssono. Soam e reverberam pelas páginas dizendo aquilo que, do lado de dentro, nem sempre nos damos conta, nem sempre queremos admitir.

A leitura foi uma surpresa, não havia exatamente expectativas. Mas ler trouxe uma visão sobre a mensagem que autora e ilustrador trouxeram. Mostrou que simples palavras podem conter universos inteiros. Uma representação da vida, da minha, da sua, da deles, de qualquer um. Dificilmente uma leitura que, decidida iniciar, será possível não deixar-lhe adentrar um pouco que seja. Os anos, as dúvidas, as incertezas bem mais que as certezas ditam o caminho, aquele que fazemos ano a ano, talvez, até a contagem de cem, ou quase isso, quem sabe.

A sugestão e intuito da autora é de que o livro seja lido em conjunto, debatido, discutido, apreciado, analisado. Uma conversa, entre você e aqueles que lhe rodeiam, tenham eles um ou cem anos de idade. Aqui, acrescento, sendo mesmo atrevida, vale debater com aquela pessoa de dentro, que está com você a todo instante também. Vale ouvir e criar hipóteses, discussões, possibilidades. Novas versões e ideias.

Um único detalhe é que a mensagem da autora, que veio só nas últimas páginas de Cem, funcionam como verdadeira introdução ao livro e, apesar de não gostar de introduções ou prefácios que esmiúçam a obra que ainda não li, não é o que acontece aqui. O texto faria mais sentido como uma apresentação e daria um sabor melhor à algumas partes do livro, se o iniciasse.

Cem é um convite para apreciar a vida, tanto quanto para vivê-la, no trajeto que pode incluir bem mais beleza do que a estamos habituados a reconhecer. É uma jornada atemporal com tudo o que aprendemos e somos, de zero, até cem.

Aleatoriedades
  • Cem: o que aprendemos na vida foi recebido em parceria com o Resenhando por Marina, pela Intrínseca. O livro foi um dos brindes da Caixa 012 do Intrínsecos (mês de setembro de 2019).
  • Eu vou desconsiderar que ficou um buraco aparecendo na cesta de frutas nessa foto, já que não sei o que arrumei que a câmera andou e a partir da segunda foto, o ângulo é outro.
    P.s.: nenhum alimento foi desperdiçado durante (ou após) a realização das fotos.
  • O livro está disponível para compra pela Amazon em versão física e e-book!

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

Retipatia

Repense, renove, rediscuta...