
Bom dia, tarde e noite folks!
A resenha de hoje tem cor rubra, de sangue, carmesim, escarlate… Por fora, pelas arestas, nos detalhes, no corte, nas ilustrações, frases, palavras, pensamentos e no que não foi dito, mas especialmente, tem Vermelho por dentro…
Vermelho por Dentro
Autora: Lunna Guedes
Editora Scenarium Plural

Sinopse
‘Vermelho por dentro’ traz duas personagens femininas ‘mãe e filha’ e seus dilemas de vida. Duas figuras firmes-fortes-e-sonoras, conscientes de que tudo poderia ser diferente em suas vidas, mas uma vez feitas as escolhas, não é possível olhar para trás e pensar um futuro novo — diferente. É preciso conviver com o resultado das escolhas feitas. O passado de uma determina o futuro da outra, resultando em mágoas-distancias-e-ausência. Mas nem mesmo a mágoa que pauta os gestos das personagens impede que elas se amem, se respeitem e torçam uma pela outra, em seus caminhos inexatos’.

A Autora
lunnaguedes… sagitariana. degustadora de cafés. uma flecha em voo rasante. colecionadora de silêncios. não gosta de fazer compras. detesta dias de sol. ama dias de chuva. não aprecia o verão tropical. ama o outono em qualquer lugar. escreve por escrever somente. seu único compromisso é com seus abismos, onde salta para sentir a sensação de queda, sem pouso. adestradora de pretéritos e desafiadora de futuros… a direção na qual a ponta do grafite avança. sabe que seus escritos são obras inacabados… nunca prontos. ponto final é uma coisa incompreensível. gosta de vírgulas e exclamações.

Vermelho por Dentro
Um casarão antigo. Mulheres.
“…o lugar é puro assombro e faz jus à história ali sepultada. No porão onde dizem que o velho Barão trancou sua esposa para morrer para o mundo no começo do século… o que temos ali no tempo-presente são as cores de uma artista que sangra o seu vermeho mais denso.”

“O lugar cheirava a livro velho e café fresco – combinação que seduziu a ensaísta na primeira vez ali. Gostava de passear por entre as prateleiras de forma despretensiosa… sem compromisso com nomes ou títulos a serem identificados-reconhecidos. Apenas vontade de percorrer prateleira, como se fossem ruas.”

“- Não se culpe, cara. Não em nada pior que arrastar a culpa com a gente. Com o tempo a alma enferruja.”

“A vida é assim: são peças de um quebra-cabeças que, ao ser montado, forma exatamente a figura que somos.”

“A sociedade modela tudo e todos à sua maneira, distribui cabrestos e não tolera os que escapam da fôrma e seu maldito molde. Só nos resta identificar os que sobrevivem a essa maldição, que passa de geração em geração, e dar a eles a confiança necessária para não cederem.”

“Se liberte dos preceitos Anne… não se preocupe em se definir. Deixe acontecer. Faça o que quiser fazer. Aponte a câmera e a trate como se fosse uma extensão do seu corpo. Nem tudo que a gente vê e faz é arte. Às vezes é apenas movimento nosso junto ao universo que rege e que reage. Um exercício futuro…”

“Eu vi você com uma câmera em mãos, baby. Observei seus movimentos, seu olhar e vi o resultado. Você tem talento, mas precis adomá-lo… torná-lo seu. Você vai fazer trinta anos em breve e deve lhe custar – mais que para os outros – o tempo desperdiçado.”

“Era o retrato de alguém… em quem esbarrou durante um de seus passeios matinais – ‘ele atravessou o meu caminho e seus olhos me hipnotizaram. Durou um único segundo e o aprisionei em mim. Agora, está livre da gaiola que aprisionei em mim.'”

“Usamos máscaras o tempo todo, e alguns de nós se acostumam tanto ao molde, que a peça se funde à face.”

“…’algumas pessoas usam máscaras como invólucro para as emoções. São seus disfarces céticos. Camuflam tudo de tal maneira que chegam a acreditar que nada sentem, de fato. Mas, a maioria usa apenas para esconder o que nunca serão. Subjugam-se em estado bruto e se oferecem aos moldes já prontos.'”

“Já desejou esquecer sua própria história?”

“Sentiu dificuldade de respirar, no entanto, tinha aprendido que, nos momentos de dor, o certo a se fazer era buscar por ar, mas onde se busca o que não há?”

“A Boca aberta a devorar outra boca… a sugar todo o sumo da fruta, a tragar todo o ar e a provar dos aromas da pele, onde o toque passa a residir, como se fosse casa.”

“O tempo é pouco. A vida, imensa. Por dentro da noite, a voz vai longe, ecoa. Diz como tudo passa depressa. Um ano nem sempre tem trezentos e sessenta e cinco dias. Doze meses e incontáveis semanas. Às vezes, tudo é menos. Um minuto ou dois. Um punhado de dias sem nome. Um momento que se repete… até cessar. Tudo se acaba num estalar de dedos, como se nem tivesse se dado ao trabalho de começar.”

Aleatoriedades
- À Scenarium Plural, o meu muito obrigada pela parceria. Um dos pontos altos desse 2018 que ainda está pegando o fôlego para o mergulho. À Lunna, que já se tornou pessoa querida, obrigada por confiar-me Vermelho, e pelas palavras sempre bem pontuadas.
- Essa foi minha primeira experiência com um livro artesanal e, nossa, fiquei desumbrada. Além da imaginação fluir no que toca à produção de cada livro, fiquei encantada com o estilo, a combinação da capa de palavra + cor, e todo o tom que essa impressão deu à obra. É uma preciosidade para se ter na estante, sem dúvidas.
- As fotos tentaram refletir o tom o da história, bem mais que o vermelho latente que ele transborda e, por isso, o Vermelho aparece apenas na capa e, em detalhes, nas unhas. Porque Vermelho é mesmo, por dentro. E sobraram fotos, então por isso esse post lotado de imagens a cada parágrafo de resenha…
- Reativando as Reclassificações de Livros, Vermelho por dentro ganhou status máximo com ‘Amores da Vida‘.

O livro artesanal Vermelho Por Dentro, da Lunna Guedes pode ser adquirido pelo próprio site da Scenarium Plural, é só clicar aqui e aproveitar para conhecer mais do trabalho incrível que é feito por lá!
“não se apaga a vida. Se acende. Se ilumina.”
Ouvindo: You’re So Vain – Carly Simon

