Stranger Things: Cidade nas Trevas ♥ Adam Christopher

Retipatia
Resenha de Stranger Things: Cidade nas Trevas de Adam Christopher, publicado pela Intrínseca em 2020.

Já conhecemos o xerife Hopper que ficava confortavelmente atrás da mesa da delegacia de Hawkings, e sua versão ao longo das temporadas de uma das séries de maior sucesso da Netflix. O que não conhecemos é o detetive Hopper, que trabalha na divisão de homicídios de Nova York. E estamos prestes a vê-lo investigar um serial killer na Cidade nas Trevas, novo título oficial de Stranger Things, do autor Adam Christopher.

Stranger Things: Cidade nas Trevas (Stranger Things: darkness on the edge of town)
Adam Christopher
Tradução Stephanie Fernandes
2020 | 384 páginas
Intrínseca
Disponível em: Amazon
“Se estou contando essa história hoje, tim-tim por tim-tim, é porque está maturando na minha mente há anos. Às vezes, a gente precisa de um tempo para olhar para trás e enxergar melhor o que aconteceu.”
Resenha de Stranger Things: Cidade nas Trevas de Adam Christopher, publicado pela Intrínseca em 2020.
Sobre Adam Christopher

Adam Christopher nasceu na Nova Zelândia, mas mora na Inglaterra desde 2006. Já publicou diversos livros, em sua maioria de mistério e ficção científica. Sua obra de estreia, Empire State, foi apontada como livro do ano pela revista SciFiNow e pelo jornal Financial Times. Colaborou ainda com Star Wars: From a Certain Point of View, antologia comemorativa de quarenta anos da saga. E escreveu os livros oficiais da ilustre série Elementary e da premiada franquia de videogames Dishonored. Em parceria com Chuck Wendig, é responsável pelo roteiro da HQ The Shield.

Sinopse

As pistas estão lançadas em Cidade nas Trevas, segundo livro oficial da série, que explora o passado de um dos personagens mais queridos do público: o chefe de polícia Jim Hopper.

Em Hawkins, durante o Natal de 1984, ele mal consegue conter a alegria. É sua primeira comemoração familiar com Eleven, sua chance de aproveitar momentos de tranquilidade com a filha adotiva. Mas a menina tem outros planos. Contra a vontade de Hopper, ela vasculha uma caixa em que está escrito “Nova York”. É aí que começam as perguntas. Por que Hopper foi embora de Hawkins anos atrás? Por que nunca contou sobre Nova York? O que ele está escondendo?

Resenha de Stranger Things: Cidade nas Trevas de Adam Christopher, publicado pela Intrínseca em 2020.

Ele conta a Eleven os detalhes de um dos casos mais avassaladores de sua carreira, o último antes de tudo mudar…

Em 1977, após retornar da Guerra do Vietnã, ele se muda com a esposa e a filha para Nova York e passa a atuar na divisão de homicídios. Mas quando agentes federais assumem um caso de Hopper, ele e sua parceira, Rosario Delgado, decidem agir por conta própria. No momento em que está prestes a desvendar quem está por trás dos assassinatos, um apagão lança a cidade nas trevas. E Hopper fica frente a frente com uma escuridão que mudará sua vida para sempre.

Resenha de Stranger Things: Cidade nas Trevas de Adam Christopher, publicado pela Intrínseca em 2020.
Stranger Things: os livros oficiais da série

O primeiro livro oficial da série Stranger Things trouxe informações bem legais para os fãs com a história de Terry Ives, a mãe de Eleven. Esse foi Raízes do Mal, escrito por Gwenda Bond e que foi lançado também pela Intrínseca, em 2019 (para saber mais é só clicar aqui!).

Resenha de Stranger Things: Cidade nas Trevas de Adam Christopher, publicado pela Intrínseca em 2020.

Agora em Stranger Things: Cidade nas Trevas, de Adam Christopher, vamos nos localizar no tempo entre a primeira e segunda temporadas e passar o Natal com a dupla El e Hopper.

A história de Cidade nas Trevas

Ficar restrita à companhia do pai no feriado de Natal não é o que exatamente o que El tinha em mente. Apesar dos garotos terem lhe dado um presente pra lá de legal, um walkie talkie, para poderem conversar à distância, todos eles estão fora da cidade. E Hopper pode ser um pai bem legal, mas El está entediada.

É assim que ela busca pela cabana algo interessante para fazer, já que o jogo que Jim lhe deu é, digamos, bem abaixo da sua faixa etária. Não demora e ela encontra caixas muito interessantes: repletas de documentos de missões antigas de Hopper. Então, ela logo o convence a contar uma delas: Nova York. 1977.

Somos transportados pelo tempo, de 1984 para 1977. Hopper vive com a esposa Diana e a filha Sara em Nova York e, a novidade: ele é um detetive da divisão de homicídios. O dia começa com ele recebendo com certa estranheza sua nova parceira: Rosario Delgado. E, claro, sendo mulher detetive no fim da década de 70, digamos que sua recepção não foi muito calorosa pelo departamento.

A dupla recebe seu primeiro caso e Hopper logo vê que Delgado não é apenas uma excelente detetive, mas alguém que acredita nos mesmos valores que ele. Alguém que sabe que o mundo pode ser um lugar melhor.

A investigação é de um enigmático caso de serial killer: três vítimas encontradas com cartas com símbolos misteriosos, aparentemente sem significado. E, apesar do esforço de Delgado e Hopper, logo os engravatados surgem: o caso não é mais da polícia de Nova York e eles precisam se afastar. Isso, é claro, se eles não fossem detetives tão preocupados em encontrar o culpado.

A narrativa e elementos de Stranger Things em Cidade nas Trevas

A narrativa segue a linha de 1977, com alguns capítulos nos levando à cabana de Hopper em 1984, enquanto ele conta a história para El. Nessa parte abre parêntesis, porque achei que tiveram algumas interrupções na história com os trechos de 1984, que foram desnecessários. Mas acho compreensível a ideia de manter o lembrete da linha temporal que vemos na série.

A vibe oitentista que Stranger Things reverencia e faz o coração dos fãs, se mantém em Cidade nas Trevas. Temos referências do ano de 1977 (é quase oitenta, né!? rs), e o autor conseguiu criar uma boa relação dos acontecimentos da história não apenas com isso, mas com fatos marcantes da época que fogem à cultura pop. Dois desses pontos é o, já citado na sinopse, apagão de 1977 da cidade de Nova York. Além dele, tem também a referência ao serial killer ativo nesse ano, conhecido como Filho de Sam.

O serial killer das cartas misteriosas, leva o caso para direções não imaginadas pelos detetives e algo ainda mais perigoso se avulta nas sombras. A única certeza é que algo grande está por vir.

Tipicamente em uma história com foco nos policiais, o trabalho dos engravatados é colocado de lado e não serve para muita coisa. Mas a personagem de Delgado é um contraponto bem legal, apesar de ser deixada de lado em alguns momentos, deixando a sensação de que era para não tirar o “brilho” de Hopper.

Além disso, a trama aprofunda no relacionamento de Hopper com Diana e Sara, mostrando porque, afinal, ele era aquele chefe de polícia que não dava a mínima para nada quando o conhecemos na série. Afinal, seu luto já era peso suficiente para carregar para se somar a outros problemas.

A leitura de Cidade nas Trevas

O detalhe que, na verdade, trouxe incômodo durante a leitura, foi a narrativa, que, como leitora, não consegui me conectar. Em alguns diálogos parecia que as pessoas se repetiam sem necessidade, algumas descrições desnecessárias e prolongadas (e olha que eu sou alguém que aprecia bastante livros descritivos, mas claro, tem que ter razão de ser). Sabe quando você lê, e até um suspiro do vento te distrai? Quando toda hora se perde e, por mais que leia, parece que não saiu do lugar? Infelizmente foi essa a sensação.

A história em si, é interessante, mas a narrativa não cativou e acabou deixando as coisas mornas quase o tempo todo. O que, para mim, não combina muito com uma história de investigação policial. Esses pontos contribuíram para que a leitura por aqui fosse bem arrastada, sem entrosamento e com distanciamento dos personagens e tudo que acontecia na história. O que me chateou bastante, já que gosto muito do Hopper e fui ler o livro bem empolgada.

Resenha de Stranger Things: Cidade nas Trevas de Adam Christopher, publicado pela Intrínseca em 2020.

E, apesar das referências e do apelo do caso investigado, a história do passado de Hopper ficou devendo no fator ‘stranger thing. No fim, só mais uma história de um experimento equivocado, sem muita profundidade. Fora as chamadas do autor através de Hopper com coisas como “revelar o que eu estava escondendo“, “as coisas pioraram muito“, que, no fim, não surpreenderam ou revelaram nada fora do comum ou interessante. Nada muito Stranger Things.

Como costumo lembrar, a sensação de leitura de cada um pode variar muito! Vi muitos elogios do livro, que está atualmente com média 3.9 nas avaliações do Skoob e 4,6 na Amazon.

Resenha de Stranger Things: Cidade nas Trevas de Adam Christopher, publicado pela Intrínseca em 2020.
Curiosidade sobre as cartas que aparecem no livro (se não quiser saber sobre elas, pule esse parágrafo)!

As cartas citadas no livro são Cartas Zener, criadas pelo Parapsicólogo Joseph Banks Rhine, nos anos 30, para investigar casos de clarividência. São vinte e cinco cartas com cinco símbolos: círculo, linhas onduladas, quadrado, estrela e cruz. A ideia é levantar uma, sem que o paciente veja o desenho e ir testando para levantar dados de erro e acerto. É interessante que, no começo, faziam os testes com cartas desenhadas em papel muito fino e as pessoas conseguiam ver o símbolo no verso do papel (tirando a credibilidade do teste). Elas foram bem colocadas na trama do livro, mas já não eram aceitas em 1977 como método científico (fato este esclarecido na história também).

Aleatoriedades
  • Stranger Things: Cidade nas Trevas de Adam Christopher foi recebido em parceria com a Intrínseca!
  • Nas fotos, a proposta foi trazer elementos característicos da série, como as luzinhas, os waffles e da época, como o toca fitas e as K7. E claro, as cartas de Zener que aparecem no livro!

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

Retipatia

One thought on “Stranger Things: Cidade nas Trevas ♥ Adam Christopher

  1. Eu como fã assumida da série, ando maluca pra poder conferir os livros o quanto antes. Além da beleza das edições, isso de poder ler eles em não sequência, me animou mais ainda.
    Ah, só para não perder o costume, suas fotos são de aquecer o coração!!!!
    Beijo

    Angela Cunha Gabriel/Rubro Rosa/O Vazio na Flor

Repense, renove, rediscuta...

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