Bom dia, tarde e noite folks!

A resenha de hoje é do livro Pepita ‘Passei a minha infância e adolescência sendo perseguida, sofrendo bullyng’, uma parceria aqui do blog com o autor do livro, Mar’Junior.

Aproveito para agradecer ao autor pela confiança e oportunidade de ler o livro em primeira mão e poder compartilhar um pouco sobre a obra aqui no Retipatia.

Sobre o Autor

Mar’Junior é autor, diretor e produtor do espetáculo ‘BULLYING’, que está em cartaz há 14 temporadas com mais de 500 mil espectadores. ‘Pepita – Passei a minha infância e adolescência sendo perseguida, sofrendo bullying’ foi escrita em agosto de 2015, sendo uma adaptação do seu espetáculo teatral ‘PEPITA’ e inspirado em uma de suas alunas de teatro. O intuito sempre fora tratar o tema com maior profundidade e, a ideia é que este volume seja o primeiro livro de uma trilogia, buscando atender ao público jovem e trazer uma mensagem para melhoria das relações interpessoais. (Fonte/Conheça mais aqui).

Sinopse da obra:

Pepita é narrada em primeira pessoa, exatamente pelo ponto de vista de nossa protagonista, a, agora adolescente, Pepita, que é uma menina meiga, cativante e muito bondosa. Em capítulos curtos, ela narra as experiências sofridas ao longo de toda sua vida escolar, desde o jardim de infância até o fim do ensino médio, passado na mesma escola e sofrendo bullying das demais alunas.

Toda a reflexão da garota sobre seu passado ocorre no seu último dia de aula, quando tem a oportunidade de se recolher por um tempo, em sua sala preferida do colégio e perceber que tudo aquilo teria um fim. Ela finalmente formara-se, independentemente das tentativas inescrupulosas de Canina e das populares da escola em fazer o contrário. A formatura significa um novo recomeço, livre da violência constante. E, nesse meio tempo, ela tem a chance de avaliar todos os relacionamentos que a cercam, com seu pai e sua mãe, amigos e até mesmo o primeiro amor.

Impressões Sobre a Obra:

Primeiramente, acho que é importante assentar o que é bullying, já que algumas pessoas podem ter dúvidas em relação à palavra, mesmo com sua popularidade. Então, com aquela busca ‘by Google’, vamos à definição:

Bullying é anglicismo (uma palavra da língua inglesa incluída em outra língua, a fim de designar um novo fenômeno*), utilizado para drescrever atos de violência física ou psicológica intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo ou grupo de indivíduos, causando dor e angústia e sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder. (Fonte)

* No caso, não se trata de um novo fenômeno, mas a nomenclatura dada é que é relativamente recente.

Como dito, a história é narrada em primeira pessoa e, de tal modo, a vida te Pepita é contada por ela mesma. É um ponto positivo para a narrativa, deixar os pensamentos da jovem às claras, suas sensações e emoções sempre ditas, nem que sejam por seus pensamentos e reações.

A história divide-se em capítulos não extensos, que mostram algum acontecimento relembrado por Pepita no dia de sua formatura, antes do evento ocorrer. Ela se lembra de várias humilhações, violências físicas e psicológicas pelas quais passou, todas, invariavelmente articuladas por Canina, a ‘manda chuva’ da escola que parece ter real apreço em fazer Pepita sofrer. Junto de suas seguidoras, denominadas por Pepita de ‘as populares’, ela trama de todas as maneiras imagináveis e inimagináveis.

E, você deve se perguntar, e a escola, não tem coordenação, diretoria, ninguém para acabar com isso? Afinal, foram quinze anos de sofrimento para Pepita e, um aspecto que o livro deseja mostrar é a falta de preparo de muitos corpos docentes e demais âmbitos escolares em lidar com este tipo de situação. Na história de Pepita, o cúmulo chegou a tal ponto que ninguém mais acreditava nela, dizendo sempre que ela se faz de vítima e que ela é quem não sabe ser sociável com as demais alunas.

“Voltemos ao passado. Para conseguirmos enfrentar o futuro. Pois o presente é hoje.”

Além da questão da falta de preparo e descrença quase geral dos membros responsáveis pelas alunas no ambiente escolar – com exceção das duas faxineiras que são um apoio e conforto para Pepita durante as agressões -, há as próprias alunas. E, nesse aspecto há um grande ponto chave a ser considerado: Canina é a principal, a ardilosa que trama tudo e parece odiar, com cada célula de seu corpo, Pepita – e, mais principalmente, sem motivo aparente. Não que motivo seja justificativa para a prática do bullying, importante destacar! Mas, tirando ela, que exerce o perfeito papel de arquétipo de vilã da história, é mais interessante avaliar a motivação de suas seguidoras e das demais meninas da escola.

Boa parte delas, pratica o bullying seguindo ‘a onda’ que Canina perpetua, algumas por achar a humilhação engraçada e divertida, outras por desejarem fazer parte do grupo mais seleto da escola, já outras por intimidação, por medo, por acomodação ou por crerem que o status quo não pode ser alterado.

Voltando, acerca das demais garotas que realizam o bullying, elas são o combustível que mantém Canina no poder e na posição de praticar a violência perpétua com Pepita. Sem suas ajudantes, quase todos seus planos seriam impraticáveis e, sem elas, não haveria platéia para se regojizar. Isso é uma ideia importante que a história mostra, ainda que seu foco não seja apenas este. O bullying ganha força porque pode vir disfarçado de brincadeira, molecagem e ‘coisas da idade’. E, especialmente, porque, quando se trata de fazer mal a alguém, sempre haverá aqueles apoiadores, que preferem ver o outro em situação de inferiorização à defender o que é certo ou se verem no lugar do humilhado. É aquela ideia antiga de que ‘a união faz a força’ e, no caso, vale para qualquer um dos lados.

Aliás, é bom ressaltar que, em alguns momentos em que Pepita se lembra de seu passado, a vontade é de entrar na história e tomar alguma providência, já que todos parecem cegos e indiferentes ao sofrimento e à violência ocorrida a todo instante. E, mais infelizmente, é saber que esta é a dura realidade de incontáveis crianças e jovens, nos mais diversos aspectos de suas vidas.

“Nossas ações repercutem para o positivo ou negativo, elas reinventam a nossa capacidade de nos transformar.”

Cada capítulo da obra inicia-se com uma passagem bíblica, uma mensagem condizente com o trecho que será narrado e, tal aspecto tem forte relação com a busca da própria Pepita por forças para se fortalecer e que, ela acaba encontrando, em parte em seus amigos e família e na palavra de Deus (e nas músicas do Regis Danese, é claro! rs).

Pepita é uma história escrita para conscientizar, e, apesar do drama, não é uma obra dramática. É uma leitura que beira a praticidade, mostrando de maneira nua a realidade da jovem violentada. Várias partes de sua história são fortes, narrando violências físicas e psicológicas fortíssimas e tentativas de crimes. Não se trata de mais uma história sobre superação e seguir em frente, é uma narrativa áspera, como o próprio bullying, como a violência o é.

Fatos rápidos e aleatórios que quero destacar:

Pepita – passei a minha infância e adolescência sendo perseguida, sofrendo bullying, está disponível para compra no site da Amazon e, o exemplar físico está com uma campanha no Catarse.

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

Ouvindo: Time In A Bottle – Jim Croce

Respostas de 6

  1. Adorei a resenha e consequentemente o livro, achei muito interessante. Sempre gosto quando abordam tal tema, porque muitos acham que é banal, mas na verdade pode fazer toda a diferença na vida de uma pessoa.
    Ainda não conhecia o autor e vou dar uma procuradinha no livro, arrasou ♥

  2. Karoline Krahl disse:

    Adorei a sua resenha. E o livro me chamou muito a atenção. É difícil encontrar livros que abordem essa temática de uma forma boa. E, eles são de extrema importância pro público jovem. Foi pra lista de “quero ler”

  3. Amei a resenha, e sempre muito bom tocar neste assunto que ainda é polemico. Beijos no coração.

  4. Renata,

    super obrigado pelo carinho e por ter tratado PEPITA como uma menina forte, amorosa, que sofreu mas nunca desistiu, de cabeça em pé sempre… PEPITA ainda estará em mais dois livros contando o que CANINA e as POPULARES aprontarão, até o desfecho final. Irá surpreender a todos.

    Beijinhos com carinho
    Mar’