Um Conto de Natal

Em 30.11.2017   Arquivado em Contos, Projetos

Bom dia, tarde e noite folks!

Pelo título do post pode ser que você tenha entrado aqui para ler mais um conto, como os tradicionais que aparecem aqui no blog. Mas, como já deve estar claro, a proposta aqui hoje é um pouco diferente, já que este é um post-convite.

Um dos contos que foram compartilhados aqui no blog, escrito em especial para o Natal do ano passado, sempre me foi muito querido. Apesar de ter sido escrito e dividido em duas partes, ainda era pequeno demais para os personagens, para a própria história. Então, nesse ano, resolvi que essa história seria contada de maneira apropriada, com todos os detalhes que merece.

E é por isso que Um Conto de Natal será postado em 25 pequenos capítulos lá no Wattpad. Um por dia, do dia 1º de dezembro, finalizando no dia de Natal, 25. Confere só a sinopse: (mais…)

Conto ♥ Sem Título

Em 21.11.2017   Arquivado em Contos

Leia ouvindo: Aurora – Running With the Wolves

Quando parece mais simples, e ainda assim, incômodo.

Como chuva molhando as roupas do varal, como pés molhados dentro do sapato, como o trânsito parado, como interferência na rádio, ou como a ausência de sinal de internet. Como chiclete grudado na roupa. Como a culpa que não é sua. Como pernilongo durante a noite. Como arranhar as unhas no quadro negro. Como pessoas andando devagar na sua frente. Como o telefone chamando sem parar. Como ouvir as músicas na espera pelo atendimento do telemarketing. Como receber uma guardachuvada na rua. Como corte de papel. Como esse parágrafo: extenso. Parado. Repetitivo.

Ter que ter nos ombros o peso de tudo. Ter que ser mais de um, em um. Ter que ter mais de um, em um. Dar conta do recado, e de mais um pouco.

É quando me fecho no meu mundo, quando dou ouvidos apenas às melodias que surgem pelos auto-falantes, que entram pelo ouvido e ressoam pelas veias do corpo.

Como se a janela fosse mais que uma construção, mais que concreto, vidro e metal. Vai além do que os olhos podem ver. É o que a mente capta, o que o espírito sente, o que cada coração palpita e anseia. (mais…)

Conto ♥ Halfway

Em 17.06.2017   Arquivado em Contos

Leia ouvindo: Drink-Me – Anna Nalick

Que me perdoem aqueles que detestam o estrangeirismo, mas não há palavra que melhor descreva o sentimento ou a sensação.

Numa trilha que só se pode seguir para dois planos, um que habitualmente chamamos de mundo real e o outro, para o qual não há melhor denominação do que país das maravilhas, encontro-me, exatamente, halfway.

Se preferir, entenda como ‘a meio caminho’, mas não é exatamente o que quero dizer, se é que você me entende. Ou talvez não entenda, exatamente porque você encontra-se, deliberadamente, em algum lugar e, não, halfway.

Meus All Stars azuis param bem ao lado das roseiras e as observo com minúcia. É possível perceber as imperfeições na tinta vermelha. Pequenos pontos, descascados, ranhuras que mostram sua verdadeira cor. Não desejava nenhuma delas, ou nada delas, por isso sigo em frente.

O sol do outono aquece minha pele e meus cachos volumosos fazem aquela sombra desconexa no chão de ladrilhos. Já perdi a conta dos meus passos quando ecos soam em meus ouvidos. Não são abafados e densos como o som que meus tênis produzem. São do tipo que nenhum sapato que eu conheço faria. (mais…)

Conto ♥ Pessoas Café & Pessoas Chá

Em 10.06.2017   Arquivado em Contos

Existem, basicamente, dois tipos de pessoas no mundo. Não se trata daquele tipo clássico e retrógrado de divisão entre ‘pessoas de bem e pessoas do mal‘, ou tampouco de qualquer tipo de distinção que se valha de gênero, sexo, idade, etnia ou qualquer outro aspecto físico ou intelectual.

A classificação se resume em dois tipos bem simples de serem elencados, mas, talvez, não tão fáceis de serem compreendidos: existem as pessoas do tipo ‘café’ e aquelas do tipo ‘chá‘. Novamente, não que haja, necessariamente, uma superioridade em qualquer destas classificações. Longe disso.

A questão é mais próxima às diferenças do que similaridades, mais de qualidades do que de defeitos. Por exemplo, uma pessoa do tipo café, tem o condão de ser alguém capaz de incríveis transformações, tais como, uma reviravolta de humor após uma boa xícara de café pela manhã. Uma pessoa do tipo chá, por outro lado, tem o condão de ser extremamente pontual, especialmente no que diz respeito ao horário para se tomar chá. (mais…)

Conto ♥ Vazio

Em 31.05.2017   Arquivado em Contos

Leia ouvindo: The Scientist – Coldplay

Somos exatamente como eles. Todas as diferenças possíveis, unidas. Não que se reflitam exatamente como nos dois animais que brincam e se deliciam com o sol morno do fim da tarde de outono. Não. Muito provavelmente eles não se sentem tão diferentes assim, o exterior não conta para eles. É como se fossem iguais. E não posso dizer que não o são. Os dois apenas param de brincar quando sua humana recolhe o cobertor em que estava sentada e segue para fora da grama, chamando-os.

Várias pessoas estão começando a deixar o parque. O vento está ficando mais forte com a noite se aproximando e meu terno não é suficiente para espantar o frio. Cruzo meu braços e recosto no banco, não consigo pensar em voltar para casa ou para qualquer outro lugar. Não tenho mais lar, o local que comecei a sentir como tal, é exatamente aquele para o qual não posso mais retornar. A memória dela está em absolutamente tudo. Até mesmo nos lugares em que nunca esteve, em que nunca a vi, toquei ou senti seu cheiro. Talvez seja eu. Estou impregnado dela ou por ela. Não sei bem definir.

O sentimento de perda, ainda que tenha sido eu quem partiu, parece um veneno que foi injetado em minhas veias. E ele é cruel. Corre lentamente, queimando e secando minhas veias, infiltrando-se no meu coração e fazendo-o secar e morrer. Lentamente. Dolorosamente. (mais…)

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