Conto ♥ Carnis Levale – Parte II

Este conto é continuação de Carnis Levale, publicado no último Carnaval, aqui no blog. É possível a compreensão deste sem a leitura do primeiro, ainda assim, ela é recomendada de forma prévia. Se quiser ler a primeira parte primeiro, clique aqui!  Talvez eu não estivesse com essa sensação de quem a maresia fez mal se meus planos de não nos falarmos a sós tivesse sido bem-sucedido. Quero dizer, quase foi. Até a noite de ontem, quando Alexandre me encontrou sozinha a bebericar o vinho do jantar. – Seria apenas impressão minha, ou você tem evitado ficar a sós comigo? Quando ouvi suas palavras, fiz questão de tomar todo o conteúdo da taça, talvez esses míseros segundos fossem capazes de me dar tempo para pensar, em exatamente o que, eu não faço ideia. – Não posso dizer que é mentira. Seu sorriso aparece, mas não se estende até seu olhar. Desvio o meu até a porta da cozinha, na esperança de que alguém entre e interrompa qualquer direcionamento infeliz que essa conversa possa tomar. Decididamente, o álcool me deixa estúpida. – Dance comigo amanhã.

Minha Amiga Secreta

Bom dia, tarde e noite folks! No fim do ano passado o grupo lindo com o qual faço o 6 on 6 (Bia do Anota Aí / Vivi do Fotografando Inspirações /  Kah do Fofuras da Kah e Joyci do Diário Azul) resolveu fazer um amigo secreto, o que me deixou super animada, já que amo fazer troquinhas de presentes e o Natal é das minhas épocas favoritas da vida. Cheguei a fazer o unboxing do presente pelo Instagram (quem não me segue lá ainda, olha aí a chance, é só clicar aqui) e foi tudo tão amor que eu fiquei toda toda boba! Claro que isso só aconteceu depois de alguns entraves dos Correios, mas agora vou compartilhar com vocês os presentes lindos que recebi da minha amiga secreta! Quem é ela? Bem, vejam as fofuras e desvendem por si mesmos… ehehe As fotos a seguir estão na ordem que fiz o unboxing…

Um Conto de Natal

Bom dia, tarde e noite folks! Pelo título do post pode ser que você tenha entrado aqui para ler mais um conto, como os tradicionais que aparecem aqui no blog. Mas a proposta aqui hoje é um pouco diferente, já que este é um post-convite. Um dos contos que foram compartilhados aqui no blog, escrito em especial para o Natal do ano passado, sempre me foi muito querido. Apesar de ter sido escrito e dividido em duas partes, ainda era pequeno demais para os personagens, para a própria história. Então, nesse ano, resolvi que essa história seria contada de maneira apropriada, com todos os detalhes que merece. E é por isso que Um Conto de Natal será postado em 25 pequenos capítulos lá no Wattpad. Um por dia, do dia 1º de dezembro, finalizando no dia de Natal, 25. Confere só a sinopse:

Conto ♥ Sem Título

Leia ouvindo: Aurora – Running With the Wolves Quando parece mais simples, e ainda assim, incômodo. Como chuva molhando as roupas do varal, como pés molhados dentro do sapato, como o trânsito parado, como interferência na rádio, ou como a ausência de sinal de internet. Como chiclete grudado na roupa. Como a culpa que não é sua. Como pernilongo durante a noite. Como arranhar as unhas no quadro negro. Como pessoas andando devagar na sua frente. Como o telefone chamando sem parar. Como ouvir as músicas na espera pelo atendimento do telemarketing. Como receber uma guardachuvada na rua. Como corte de papel. Como esse parágrafo: extenso. Parado. Repetitivo. Ter que ter nos ombros o peso de tudo. Ter que ser mais de um, em um. Ter que ter mais de um, em um. Dar conta do recado, e de mais um pouco. É quando me fecho no meu mundo, quando dou ouvidos apenas às melodias que surgem pelos auto-falantes, que entram pelo ouvido e ressoam pelas veias do corpo. Como se a janela fosse mais que uma construção, mais que concreto, vidro e metal. Vai além do que os olhos podem ver. É o que a mente capta, o que o espírito sente, o que cada coração palpita e anseia.

Conto ♥ Você Olha ou Você Vê?

Aqueles olhos que refletem a cor do mundo inteiro, que sempre veem o que enxergam. Ou que veem tudo que os outros são apenas capazes de enxergar. – Quando foi exatamente que isso começou? – Quando caímos no sono, ou quando exatamente anoitece? Quando nos apaixonamos ou quando, de fato, sentimos o passar do tempo? Ou quando foi exatamente que tudo começou a dar errado na humanidade? – Não me responda com outra pergunta, Gisele. – Sempre respondem às minhas perguntas com outras perguntas… – Quem?

Conto ♥ Jack

Os passos ecoam forte no chão de terra. Os galhos secos e as folhas se esfacelam com o pisar, ranhuras são feitas nas solas dos pés, que não cessam, assim como o resfolegar que segue tão próximo que parece vir em baforadas na nuca. O coração se aperta a cada bombear de sangue, que corre rápido pelas veias que queimam pela adrenalina. O vestido de tecido fino gruda no corpo pelo transpirar. Raios de sol penetram pelas copas das árvores, que começam a ficar mais escassas. Uma brisa fresca toca meu rosto junto ao primeiro fio de esperança. Depois de tanto tempo. Como num último fôlego, minhas pernas conseguem imprimir mais velocidade, é a sede por liberdade. Tudo seria perfeito se não fossem as unhas que se assemelham a garras que seguram meu ombro, fazendo-me virar, torcer, tropeçar. Vou ao chão. Desabo mais em mente que em corpo.

Conto ♥ Stubborn Love

Leia ouvindo Stubborn Love, dos The Lumineers É como um relógio, todas as peças precisam estar funcionando para que ele consiga marcar as horas. Se um pequeno elo se rompe, se o dente de uma engrenagem se desgasta mais que os demais, o ciclo natural do andar das horas é comprometido. Se atrasa. As horas correm em tempo distinto ao que deveriam. O que é o tempo, afinal de contas? Mera convenção social. Arcaica, retrógrada. Feita para delimitar os afazeres, prender as etapas da vida. Contar o que não deveria ser contado. – Está fugindo do tema, Helena. – Estou? – Ela assente. – Sim, tem visto seu marido? – A expressão ‘tem visto’ é um pouco vaga. O que exatamente quer dizer com isso?

Conto ♥ Devolva-me

Leia ouvindo Devolva-me da Adriana Calcanhoto São as amarras invisíveis as que mais prendem. Sufocam. São como âncoras soltas em alto-mar, que fazem naufragar em meio ao turbilhão de ondas fortes e agitadas que não cessam. E são ondas extenuantes, repetitivas. Sempre fazem voltar ao fundo, ao silêncio maciço que as águas tomam por debaixo da maré. Retornam os mesmos sentimentos. Revoltosos. A pergunta que não quer calar é sempre a mesma: as remadas são fortes o suficiente para combater a tempestade ou não? Perder todas as amarras, todos os nós cegos que fazem ver o que os outros desejam ver e não aquilo que deveria ver. O que é a realidade afinal de contas? Aquilo que se vê ou aquilo que se crê? Não há menção ou lista, guia ou manual. Nada que faça com que seja mais fácil descascar todas as camadas intangíveis que foram vestidas ao longo dos anos.

Conto ♥ Halfway

Leia ouvindo: Drink-Me – Anna Nalick Que me perdoem aqueles que detestam o estrangeirismo, mas não há palavra que melhor descreva o sentimento ou a sensação. Numa trilha que só se pode seguir para dois planos, um que habitualmente chamamos de mundo real e o outro, para o qual não há melhor denominação do que país das maravilhas, encontro-me, exatamente, halfway. Se preferir, entenda como ‘a meio caminho’, mas não é exatamente o que quero dizer, se é que você me entende. Ou talvez não entenda, exatamente porque você encontra-se, deliberadamente, em algum lugar e, não, halfway. Meus All Stars azuis param bem ao lado das roseiras e as observo com minúcia. É possível perceber as imperfeições na tinta vermelha. Pequenos pontos, descascados, ranhuras que mostram sua verdadeira cor. Não desejava nenhuma delas, ou nada delas, por isso sigo em frente. O sol do outono aquece minha pele e meus cachos volumosos fazem aquela sombra desconexa no chão de ladrilhos. Já perdi a conta dos meus passos quando ecos soam em meus ouvidos. Não são abafados e densos como o som que meus tênis produzem. São do tipo que nenhum sapato que eu conheço faria.

Conto ♥ Pessoas Café & Pessoas Chá

Existem, basicamente, dois tipos de pessoas no mundo. Não se trata daquele tipo clássico e retrógrado de divisão entre ‘pessoas de bem e pessoas do mal‘, ou tampouco de qualquer tipo de distinção que se valha de gênero, sexo, idade, etnia ou qualquer outro aspecto físico ou intelectual. A classificação se resume em dois tipos bem simples de serem elencados, mas, talvez, não tão fáceis de serem compreendidos: existem as pessoas do tipo ‘café’ e aquelas do tipo ‘chá‘. Novamente, não que haja, necessariamente, uma superioridade em qualquer destas classificações. Longe disso. A questão é mais próxima às diferenças do que similaridades, mais de qualidades do que de defeitos. Por exemplo, uma pessoa do tipo café, tem o condão de ser alguém capaz de incríveis transformações, tais como, uma reviravolta de humor após uma boa xícara de café pela manhã. Uma pessoa do tipo chá, por outro lado, tem o condão de ser extremamente pontual, especialmente no que diz respeito ao horário para se tomar chá.

Conto ♥ Vazio

Leia ouvindo: The Scientist – Coldplay Somos exatamente como eles. Todas as diferenças possíveis, unidas. Não que se reflitam exatamente como nos dois animais que brincam e se deliciam com o sol morno do fim da tarde de outono. Não. Muito provavelmente eles não se sentem tão diferentes assim, o exterior não conta para eles. É como se fossem iguais. E não posso dizer que não o são. Os dois apenas param de brincar quando sua humana recolhe o cobertor em que estava sentada e segue para fora da grama, chamando-os. Várias pessoas estão começando a deixar o parque. O vento está ficando mais forte com a noite se aproximando e meu terno não é suficiente para espantar o frio. Cruzo meu braços e recosto no banco, não consigo pensar em voltar para casa ou para qualquer outro lugar. Não tenho mais lar, o local que comecei a sentir como tal, é exatamente aquele para o qual não posso mais retornar. A memória dela está em absolutamente tudo. Até mesmo nos lugares em que nunca esteve, em que nunca a vi, toquei ou senti seu cheiro. Talvez seja eu. Estou impregnado dela ou por ela. Não sei bem definir. O sentimento de perda, ainda que tenha sido eu quem partiu, parece um veneno que foi injetado em minhas veias. E ele é cruel. Corre lentamente, queimando e secando minhas veias, infiltrando-se no meu coração e fazendo-o secar e morrer. Lentamente. Dolorosamente.

Conto ♥ A Cup of Tea

Leia ouvindo Free As A Bird – The Beatles Uma caneca de chá, não. Xícara ou copo. Também não. Gosto na caneca. Então talvez fosse melhor ‘a mug of tea’. Você também pensa com frequência em uma língua que não a sua materna? Aquela que adotou em seus pensamentos como se também fosse fluida em sua mente e que, em alguns momentos, reflete muito mais do que se pode expressar? Escrevo ideias inteiras, pensamentos fragmentados ou não, misturando o melhor de cada língua e, por isso, vez por outra, elas se unem como se fossem uma coisa só. Ou, melhor assumindo, com frequência. Escrevo a cada suspiro. A cada despertar. A vida é escrita a cada passo e cada passo reflete quem eu sou. É na melodia que ressoa em meus ouvidos em ritmo lento enquanto o mundo gira sem parar ao meu redor. E se paro, ele corre e eu estagno. Se corro, ele viaja na velocidade da luz. O caminho é sempre o mesmo, ainda que, de um modo ou de outro, ele seja diferente todos os dias. Nunca estaremos no exato lugar em que já estivemos. E tudo ao redor é barulho e ruídos. Cheio de burburinhos e lamentos e bipes e sinos e palavras e mais suspiros. Muitas palavras. Palavras em demasia. – Um, por favor. – O copo está quente e queima a ponta de meus dedos, fazendo com que meus passos até a mesa mais afastada do estabelecimento sejam mais rápidos.