Conto ♥ Entremeio

Sugestão de música para durante a leitura: Hozier feat. Karen Cowley / In a Week Algo que se encontra no meio do caminho, como a pedra do poema de Drummond. Algo que fora deixado exatamente entre dois limites, apto a fazer-lhe parar bem na metade, seja lá do que for. – Tem certeza de que pegou tudo? – Eu insisto. – Claro que sim, Ian. – Detesto quando ele diz meu nome dessa forma, enfadonha, assim como minha mãe o usaria quando eu era uma criança impertinente. – Só estou perguntando, você fez sua mala em cinco minutos, Alan. – Tento imitar o tom indiferente, mas provavelmente sai algo muito mais próximo à malcriação. Ele sorri daquele jeito aberto e espaçoso e sua mão alcança meus cabelos, jogando-os para todos os lados. É claro que eu não posso bagunçar o seu topete perfeito, mas o ato é o suficiente para me acalmar e me fazer suspirar fundo. Não é por ter bagunçado meu cabelo, é óbvio, mas porque seu toque tem esse efeito quase mágico sobre mim. Acalma, quando precisa. Apago o abajur do meu lado da cama e ignoro o fato de que ele acaba de se acomodar com um livro nas mãos. – Vamos acordar em cinco horas, Alan. – Eu sei, só vou terminar um capítulo. – Claro, como se eu acreditasse em tudo que um leitor fala. – Falo, rindo e viro pro outro lado, para evitar a claridade.
Sejamos Todos Feministas ♥ Chimamanda Ngozi Adichie

Bom dia, tarde e noite folks! Hoje é dia de colocar ordem na casa, já que os posts saíram da frequência regular por motivos de voltei a trabalhar e tô um pouco louca com a volta a rotina intensa… rs E, assim, é a vez de falar sobre um livro para lá de necessário. Sejamos Todos Feministas, da Chimamanda Ngozi Adichie, publicado no Brasil pela Editora Companhia das Letras, não é apenas bom ou ótimo ou excelente, mas necessário, e que me fez refletir tanto, que, mesmo tendo lido ele de uma vez só e, ser do tipo que eu queria marcar simplesmente tudo que estava escrito, precisei respirar fundo antes de escrever esse post. Sinopse: O que significa ser feminista no século XXI? Por que o feminismo é essencial para libertar homens e mulheres? Eis as questões que estão no cerne de Sejamos todos feministas, ensaio da premiada autora de Americanah e Meio sol amarelo. ‘A questão de gênero é importante em qualquer canto do mundo. É importante que comecemos a planejar e sonhar um mundo diferente. Um mundo mais justo. Um mundo de homens mais felizes e mulheres mais felizes, mais autênticos consigo mesmos. E é assim que devemos começar: precisamos criar nossas filhas de uma maneira diferente. Também precisamos criar nossos filhos de uma maneira diferente.
Conto ♥ Agridoce

Sugestão de música para ouvir durante a leitura: Like I’m Gonna Loose You – Meghan Trainor feat. John Legend A vida é assim, meio amarga e agridoce. Toda a bagunça que deixei antes de sair de casa, há três dias, continua me aguardando. Deixo minha mala ao lado do sofá, apenas mais um item para arrumar. Descalço meus saltos e coloco o celular no carregador. Alongo o pescoço, deixando meu corpo cair sobre o sofá. Preciso me mover. Banho e depois, dormir. Me levanto e ergo os braços, alongando cada músculo. A claridade da janela me indica que o sol já terminou de se levantar. Talvez com tanto cansaço quanto eu. Meus pés seguem preguiçosos até a cozinha, coloco água para ferver. O telefone começa a tocar. Somente uma pessoa me ligaria esse horário. Na verdade… basicamente só uma pessoa me liga, além do telemarketing, é claro. – Oi. – Não contenho a empolgação ao colocar o aparelho no ouvido. – Adivinha quem acabou de desembarcar? – Não sei, alguma celebridade? – Falo, já rindo pela surpresa. – Depende. – Do que, exatamente? – Posso ser uma celebridade em alguma realidade paralela. – O sorriso está refletido em sua voz.
Conto ♥ Último Beijo

Sugestão de música para leitura: Pearl Jam – Last Kiss – Luizaaa!!! – Ouço meu nome sendo gritado e olho na direção em que suponho estar sendo chamada. Mila me encara furiosa do outro lado do corredor. Retiro o fone da cabeça, antes de me dar ao trabalho de falar com ela. Irmãs de onze anos são insuportáveis. – O que é Mila? – Estou há horas te chamando, Lu! É importante. Respiro fundo. Claro que é importante, sempre é quando se tem onze anos. Me levanto e minha cabeça lateja, parece que há abelhas a ferroando e minha visão fica turva. Fecho os olhos por um instante e tudo volta a ter foco. – O que é, Mila? – Pergunto, já mal-humorada. – Ah, deixa para lá. – Ela dá de ombros e entra no próprio quarto, batendo a porta. Ótimo. Menos uma coisa para me preocupar. Meu celular vibra no meu bolso novamente. ‘Estou saindo daqui!!!‘ A empolgação de Pedro podia me contagiar, mas com tudo que parece estar por vir, eu simplesmente não sei o que fazer, o que dizer.
Conto ♥ Blue Bayou

Sugestão de música: Blue Bayou – Linda Ronstadt Encarando meu reflexo no espelho, tento arrumar meus cabelos. Estão loucamente amassados em todas as direções possíveis. Meus olhos indicam o quanto não dormi, estão avermelhados e há olheiras logo abaixo deles. Talvez seja melhor mesmo que ele não esteja em casa quando eu chegar, assim não precisará me ver nesse caos. Lavo minhas mãos no lavado e encaro a água correr por alguns instantes. É engraçado como algumas coisas diminutas parecem importantes, sem o menor aviso prévio. Ele já me viu em situações bem piores do que algumas olheiras e cabelo bagunçado, afinal de contas. Volto para minha poltrona, ainda tenho mais uma hora de voo ao lado de um roncador profissional. Como ele conseguiu dormir por mais de dez horas seguidas? E, claro, roncar durante todas elas. Deixo o livro que estava lendo de lado, meus olhos muito cansados para isso, então, coloco os fones para ouvir música. O tempo acaba passando mais rápido do que eu imaginei e, quando percebo, já estou ao lado da esteira, pegando minha bagagem. Vamos eu a mala nos arrastando em direção à saída e vejo meu irmão falando ao celular. Ele está sério, provavelmente são negócios. Mas ele anda sério assim há muito tempo. Seu olhar encontra o meu e ele esboça o que ele deve imaginar ser um sorriso. É só a sombra de um, na verdade.
Para Ser Escritor – Um Conselho de Mario Quintana ♥ Charles Kiefer

Bom dia, tarde e noite folks! Disfarçando as evidências e negando as aparências, a resenha de hoje é de um capítulo do livro Para Ser Escritor, do autor Charles Kiefer, publicado pela Editora LeYa. Um livro muito amor que fala sobre uma das minhas paixões: a escrita! Sinopse: Ninguém nasce escritor, torna-se escritor, afirma o autor neste livro de textos rápidos, mas consistentes. Escritor consagrado, publicado também na França e em Portugal , Charles Kiefer possui mais de 30 títulos, alguns com dezenas de reimpressões. Recebeu prêmios importantes, como o Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras, e o Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro. Além de tudo isso, é, também, professor. E, nos últimos 25 anos, tem ensinado a arte da escrita a milhares de pessoas. Nesta obra, as variadas facetas do processo criativo, os mecanismos de funcionamento do sistema literário, os problemas éticos e sociais da vida autoral são discutidos com rigor e ternura, repetindo na escrita a forma de atuação do escritor-professor em sala de aula. Se você deseja conhecer melhor o universo da escrita, ou se tem, também, pretensões literárias, não pode deixar de ler esta obra.
Conto ♥ Sincronia

Sugestão de música para acompanhar a leitura: Lucky – Aurora A vida é sempre certa no que ocorre, pode não parecer a princípio ou mesmo nunca entendermos como e por quê tais coisas ocorreram. Mas tudo ocorre quando precisa ocorrer. Se nos pareceu que demorou muito ou pouco, aí a conversa é outra. O entendimento de cada um é pessoal, subjetivo. A questão é que, no fim das contas, as coisas fluem como devem. Ligo o chuveiro com certa dificuldade, a torneira está dura demais para minhas mãos e parece que todo meu corpo precisa trabalhar para girá-la. Com a mesma rapidez que a água enche minhas mãos juntas em concha, ela se esvai por elas, num ciclo infinito que não parece ter início ou fim. O conhecimento de que é impossível contê-la por completo não me impede de tentar fazê-lo. Abro os dedos e deixo que desça pelo ralo. Fecho as mãos mais uma vez e, agora, jogo a água acumulada em meu rosto, sua temperatura quente fazendo meu corpo inteiro se aquecer. Assim que termino o banho, sigo para meu quarto, o armário range a porta ao abrir, e escolho aquele vestido de flores que Malu tanto gosta. Ela sempre elogia quando estou vestindo e há um bom tempo que eu sequer me preocupava com o que iria vestir, não importava muito. Talvez hoje ainda não importe.
Marcas na Inocência ♥ Lu Muniz

Bom dia, tarde e noite folks! Coincidentemente, o primeiro livro da duologia Doce Inocência: Outro Olhar Sobre o Seu, também foi resenhado em um domingo (e você pode conferir a resenha aqui). E, hoje, é a vez de fechar essa história, com a resenha do recém lançado em versão Ebook na Amazon.br, Marcas na Inocência, mais uma de minhas leituras ocorridas de uma só vez, começando a noite e seguindo até o raiar do dia, com a sensação deliciosa de uma aguardada leitura sendo realizada. Sobre a Autora Lu Muniz é carioca e desde pequena já demonstrava interesse pela leitura e pelas artes. Aos 11 anos já escreveu sua primeira poesia e, pouco tempo depois, aos 13, Doce Inocência começou a nascer, quando, depois da leitura de um romance, ela, acertadamente, pensou: “Ei, também posso escrever algo assim!”. Desde então, Lu não parou. Escreveu poesias, peças de teatro, crônicas, contos, histórias infantis e outros romances. Ela também é apaixonada por literatura e, assim, cursou Letras, se graduando com seu romance autoral intitulado “Quando você chegou…”. Seu último romance lançado é Marcas na Inocência, fechamento da duologia Doce Inocência e escrito mais de duas décadas depois da primeira versão de Outro Olhar Sobre o Seu.
Conto ♥ Can’t Blame a Girl For Trying

Sugestão de Música para Acompanhar a Leitura do Conto: Can’t Blame a Girl For Trying – Sabrina Carpenter Não, a felicidade não está escondida nas pequenas coisas, como costumam dizer. É algo um tanto quanto mais sublime que isso. Não está no virar de uma esquina e esbarrar no amor da sua vida. Não está em assistir a um filme com a trilha sonora perfeita. Não está, definitivamente, em encontrar o emprego dos sonhos ou ter a carreira que deseja. Tampouco pense que está em ter milhões na conta, em não se preocupar com dinheiro, em ter tudo o que sempre sonhou, o que precisa e o que não precisa também. Não está, ainda, em privar-se. Não está em desistir de tudo que é excessivo, em trocar os sonhos altos por alguns mais alcançáveis. Não está sequer, no fato de se sonhar. – O que ele disse? – Que não tinha porque continuarmos. – E o que você disse? – Mandei ele se ferrar. – Jordan ri, em resposta à minha fala.
Bullying – Eu Sofri. Eu Pratiquei. Eu Hoje Conscientizo. ♥ Mar’Junior

Bom dia, tarde e noite folks! A resenha de hoje é do livro Bullying – Eu sofri. Eu pratiquei. Eu hoje conscientizo, do autor Mar’Junior, parceiro aqui do blog. E já teve resenha de outro livro dele aqui no blog, que também versa sobre a temática do bullying, na forma de um romance. O livro é o ‘Pepita – Passei a minha infância e adolescência sendo perseguida, sofrendo bullying’, o primeiro volume de uma trilogia e você pode conferir mais sobre o livro clicando aqui. Sobre o Autor Mar’Junior nasceu no Rio de Janeiro em 1961. De uma família de cinco irmãos por parte de mãe e mais quatro por parte de pai, teve uma infância muito complicada, mas conseguiu sobreviver a tudo isso. Aos 20 anos, teve a sua maior perda: sua mãe faleceu em função de um aneurisma cerebral. Mar’Junior é ator, diretor, produtor, apresentador, autor teatral, roteirista, escritor e empresário. Em 2002, criou, com seus filhos, a Cia Atores de Mar’ que hoje também funciona como escola de teatro. Escutou pela primeira vez a palavra bullying em 2003 e descobriu que foi vítima e agressor. A partir daí, começou a estudar e a entender este fenômeno. Com isso, criou o projeto BULLYING, um espetáculo teatral que relata o dia a dia dos alunos em sala de aula, mostrando o problema e oferecendo possíveis soluções. Há ainda um debate e a premiação da melhor redação. Desde 2004, Mar’Junior tem viajado pelo país levando esperança de solução para o mal do século: conscientização e prevenção é a única forma de combater o BULLYING. (orelha do livro)
Conto ♥ A Vida Passa Muito Rápido

Estou novamente na beirada, quase caindo. Olho para meus pés e estou calçando aquelas botas coloridas que eu tanto adoro. Papai me empurra e vou cada vez mais alto no balanço. Minha voz infantil continua a pedir “Mais alto, papai! Mais alto”. E ele me empurra e ri, vou mais alto, tão alto quanto é possível, até ver toda a cidade aos meus pés, os prédios parecendo peças acinzentadas de Lego. Tão alto e tão distante que, quando me solto do balanço, voo livre por muito tempo até começar a cair. Não estou mais usando minhas botas coloridas ou confortavelmente ouvindo o sorriso de papai. Estou sozinha, caindo, me aproximando do concreto, cada vez mais perto do chão. Do impacto. Meu corpo irá se partir em milhares de pedaços. – Lu? Luiza, acorde! Abro meus olhos e vejo Camila com o olhar preocupado em minha direção. Suas mãos seguram meus ombros com força e meu corpo todo treme. Estou gelada e um suor frio escorre por minha pele.
Por Trás Daqueles Olhos – Para Sempre ♥ C. M. Carpi

Bom dia, tarde e noite folks! No mesmo Batcanal das quintas (e quase nunca no mesmo Bathorário), hoje tem mais uma resenha da escritora parceira aqui do blog, C. M. Carpi, autora da dualogia Por Trás Daqueles Olhos. Já rolou resenha do primeiro livro da dualogia aqui no blog, que você pode conferir clicando aqui e, é a vez da continuação, Por Trás Daqueles Olhos – Para Sempre, ganhar seu espaço no blog, porque, no coração, ele já tem. Caso você não tenha lido o primeiro volume da dualogia, esta resenha conterá spoilers sobre ele! Sobre a Autora C. M. Carpi vive em uma pequena cidade do interior de São Paulo e é apaixonada por livros desde que descobriu que sabia ler, especialmente romances. Quando não está escondida atrás de um laptop escrevendo, poderá ser encontrada assistindo a inúmeras séries de TV ou completamente perdida em sua pilha de livros acompanhada de uma enorme caneca de café. (Fonte: Ebook Por Trás Daqueles Olhos – Para Sempre)