
Bom dia, tarde e noite folks!
Disfarçando as evidências e negando as aparências, a resenha de hoje é de um capítulo do livro Para Ser Escritor, do autor Charles Kiefer, publicado pela Editora LeYa. Um livro muito amor que fala sobre uma das minhas paixões: a escrita!
Sinopse: Ninguém nasce escritor, torna-se escritor, afirma o autor neste livro de textos rápidos, mas consistentes. Escritor consagrado, publicado também na França e em Portugal , Charles Kiefer possui mais de 30 títulos, alguns com dezenas de reimpressões. Recebeu prêmios importantes, como o Afonso Arinos, da Academia Brasileira de Letras, e o Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro. Além de tudo isso, é, também, professor. E, nos últimos 25 anos, tem ensinado a arte da escrita a milhares de pessoas. Nesta obra, as variadas facetas do processo criativo, os mecanismos de funcionamento do sistema literário, os problemas éticos e sociais da vida autoral são discutidos com rigor e ternura, repetindo na escrita a forma de atuação do escritor-professor em sala de aula. Se você deseja conhecer melhor o universo da escrita, ou se tem, também, pretensões literárias, não pode deixar de ler esta obra.

Para quem não sabe, eu tenho uma pequena história com esse livro, que fala muito sobre escrever e mercado literário. Comecei a ler, devorando os capítulos e, só depois percebi que ele pedia outro ritmo. Então, eu lia um capítulo, ficava alguns dias remoendo o que li, para depois seguir em frente. Como resolvi isso já havia lido uns bons capítulos, comecei a resenhar aqui na ordem em que passei a analisá-los e não na ordem do livro… O que não faz muita diferença, já que nem sempre um capítulo tem relação direta com o outro.
As postagens que já rolaram aqui foram: Rigor e Compaixão, A Arte Não Evolui, Acerca de Lançamentos e Ainda Sobre Lançamentos em Bares e Assemelhados… (dois capítulos numa só postagem) e, Adjetivar ou Não é Uma Questão?
A linha de produção de escrita, tanto para o blog quanto para outros projetos, nunca esteve tão grande e, em meio a parcerias e tudo o mais, acabei deixando de lado o livro. Mas, não mais. Se a produção está intensa, acho que é a melhor hora para falar mais sobre Para Ser Escritor.

O capítulo da vez se chama ‘Um Conselho de Mario Quintana’, em que o autor relata que, na publicação de seu primeiro livro de poesias, ele – pretensiosamente – entregou uma edição para Mario Quintana, que depois, acabou por comparecer na sua primeira sessão de autógrafos. Na ocasião, Quintana o chamou para caminhar na praça e lhe o conselho: “- Meu filho […], escreva 200 poemas… […] e publique 20.”. Depois disso, a constatação do autor chega em dois pontos: ou Quitana gostara de apenas 10% dos seus 70 poemas publicados ou que 10% mereciam ser publicados.
É provável que esse seja um daqueles casos em que não se aplica a máxima “se conselho fosse bom, ninguém dava, vendia“. Escrever exige prática, releitura, pensar e repensar. Dedicação, esforço e treino. Muito treino. É a ideia repetida de escrever, escrever mais e escrever um pouco mais. E, se cansar, recomece e reescreva novamente. E escreva mais.

E, não estou dizendo isso por pura experiência própria – ai de mim! – mas, tudo que se trabalha, dedica e esforça, se melhora. Com a escrita, a ideia é a mesma. A ideia de que basta inspiração e que os melhores textos simplesmente brotam nas páginas ou na tela de um computador é falha. Miseravelmente falha. Claro que alguns irão falar de dom da escrita e tudo o mais. Mas, independente de discutir sobre dom ou talento, a questão é que, ainda que alguém tenha facilidade com as palavras e com o escrever, sem treino e prática, provavelmente ela restará estagnada, ou, quando não, atrofiada.
O melhor deste capítulo do livro é lembrar que nem tudo que fazemos, seja lá quem nós somos, é bom. Pode soar um tanto quanto desestimulante, mas não é. É um ótimo exercício de humildade e de auto conhecimento. A partir do momento que você tem ciência de que nada é perfeito, que tudo pode ser aprimorado e que, invariavelmente, produzir algo ruim não significa que você seja ruim, é um grande passo para conseguir desenvolver melhor sua escrita.
Por hoje é só pessoal! E, se acharem legal a temática, me contem, que trago mais capítulos desse livreto incrível para vocês!
p.s.: esse é um dos raríssimos livros que eu faço marcações a lápis sem dor no coração. No geral, é marcadorzinho em tudo que é folha, mas esse pede algo mais íntimo e rabiscável junto aos post-its que colo com anotações nele… rs
Que a Força esteja com vocês!
xoxo
Ouvindo: This Ain’t A Scene, It’s An Arms Race – Fall Out Boy

