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A Princesa Prometida ♥ William Goldman

A Princesa Prometida
William Goldman
Intrínseca
2018 / 416 páginas
Olá, meu nome é Inigo Montoya, você matou meu pai. Prepare-se para morrer.”

Sobre o Autor

William Goldman (Highland Park, Illinois, 12 de agosto de 1931-16 de novembro de 2018) foi um escritor e roteirista estadunidense.

Autor do livro ”Marathon Man”, publicado em 1974, e também do roteiro do filme de mesmo nome de 1976, dirigido por John Schlesinger e estrelado por Dustin Hoffman.

Sinopse

Buttercup é uma camponesa que se apaixona perdidamente por Westley, o jovem humilde que trabalha na fazenda do pai dela. Juntos, eles descobrem o amor verdadeiro, mas um trágico acidente envolvendo um navio pirata os separa.

Em poucos anos, Buttercup se torna a mulher mais bonita de todos os reinos e acaba sendo pedida em casamento pelo sádico príncipe Humperdinck. Mas nada, nem um poderoso príncipe amante da caça, é capaz de separar esse amor, e o destemido Westley volta para resgatar sua princesa que foi prometida a outro.

Em uma paródia aos épicos clássicos, William Goldman escreve um divertido romance com direito a tudo que o gênero tem a oferecer: piratas, duelo de esgrima, traições, tramas políticas da realeza e um romance apaixonante. Esta edição de luxo em capa dura traz os textos extras que William Goldman escreveu para as edições comemorativas de 25 e 30 anos da obra original – que misturam ficção e realidade e ajudam a compor o universo emblemático que transformou a obra em um fenômeno.

A Princesa Prometida – O Livro & o Filme

Olá, meu nome é Inigo Montoya, você matou meu pai. Prepare-se para morrer. Digamos que quem nunca ouviu esse bordão na Sessão da Tarde, não sabe o que está perdendo. Ou, como diriam hoje em dia, assiste de novo, porque assistiu errado. O livro A Princesa Prometida pode ter sido lançado no ano de 1973 e seu filme, apenas em 1987, mas o que ficou na memórias foi, sem dúvidas, a frase célebre de Inigo Montaya, que dedicou sua vida a vingar a morte de seu pai.

Ainda assim, é importante lembrar que o filme nasceu de uma outra história, o livro de mesmo nome, intitulado A Princesa Prometida, de William Goldman.

Pelo título, já é possível prever algumas coisas: princesa, realeza, batalhas, amor verdadeiro. Nada que fuja da fórmula dos tradicionais contos de fadas. Mas, o fator especial, aqui é a escrita satírica, cômica e desinibida de Goldman. Como indica a sinopse, uma verdadeira paródia dos clássicos contos.

Não fosse isso, talvez a história de Buttercup, a garota da fazenda que se apaixona pelo garoto que trabalha para seu pai, não fosse tão relevante. É claro que não subjugamos o poder do amor verdadeiro, afinal, Westley, seu grande amor, retorna após a certeza de morte – duas vezes na história -, para salvar a princesa, que, pelo destino, acaba se tornando noiva do horrível príncipe Humperdinck. No meio disso tudo, temos o trio de bandidos composto por Inigo, Vizzini e Fezzik. Não se assuste, nem todos aqui são exatamente o que parecem ser.

“Eu o amo bem mais agora do que amava há vinte minutos, não existe comparação. Eu o amo bem mais agora do que quando abriu a porta da sua choupana. Não há espaço no meu corpo para nada que não seja você. Meus braços o amam, minhas orelhas o adoram, meus joelhos tremem em devoção cega. Minha mente suplica que você peça algo para que eu possa obedecer. Você quer que eu o siga pelo resto dos meus dias? Eu o farei. Quer que eu rasteje? Rastejarei. Ficarei em silêncio ou cantarei para você, ou se estiver com fome, deixe que eu lhe traga comida, ou, se estiver com uma sede saciada somente por vinho árabe, irei à Arábia, mesmo que seja do outro lado do mundo, e lhe trarei uma garrafa para a hora do almoço. Qualquer coisa que eu possa fazer por você, farei; qualquer coisa que eu não saiba fazer, aprenderei.”

Aqui vale um adendo. Buttercup tem seu momento de fazer algo pelo seu amor, mas não é de se negar que ela seja a típica princesa em perigo, aguardando – às vezes literalmente – para ser salva. Mas, considerando o teor da narrativa, seu viés até mesmo crítico das histórias tradicionais, não esperava que ela fosse uma princesa guerreira e prestes a resolver todos os problemas por sua conta. No filme, inclusive, temos vislumbre dessa inibição da personagem, como por exemplo na cena em que ela e Westley passam pelo Pântano de Fogo.

A história conta com algumas pausas e intromissões do autor/narrador que, como alega do princípio, essa é uma versão editada da história de A Princesa Prometida de S. Morgenstern, só que, apenas as partes boas, é claro. Toda essa ideia faz parte do mistério e, para quem já assistiu e se encantou com o filme, o livro é um prato cheio para se aventurar e adentrar ainda mais na leitura. Mas aqui vale um adendo, não existe conto ou mesmo um S. Morgenstern que tenha escrito um calhamaço intitulado A Princesa Prometida , por mais convincente que Goldman possa soar acerca de sua edição.

Como boa receita de conto de fadas, todas as mensagens sobre esperança, crença no amor, primeiro amor, amor verdadeiro, mocinhos, vilões, amizade, vingança e até mesmo as reviravoltas sobre a índole dos personagens está presente. Ainda assim, é impossível não se pegar encantada com a trama, com os personagens, o caminhar (ainda que previsível) dos acontecimentos, e com a história paralela que se desenrola ao mesmo tempo, com Goldman contando sua experiência ao longo dos anos com o livro de Morgenstern e também explicando porque fez uma ou outra alteração no texto original e optou em cortar uma ou outra parte.

Sem dúvidas, uma leitura que prende e encanta. É impossível não se preocupar com a A Máquina, desejar um final feliz para Buttercup e Westley e, tendendo para um lado não tão valoroso, desejar a vingança de Inigio. Não vamos nos esquecer do apreço que ganhamos por Fezzik, na mesma contrapartida de asco pelo Príncipe Humperdinck, ainda que a encarnação do mal seja mais bem vestida sob o personagem do Conde Rugen.

“- A vida é sofrimento – retrucou a mãe. – Se alguém lhe disser o contrário, é porque está tentando vender algo.”

Uma releitura única e divertida. Especialmente para aqueles que gostam de um viés engraçado, cômico e descontraído que Goldman proporciona ao leitor, é uma leitura indispensável. Sem dúvidas, um livro marcante e que já estreou na lista de melhores de 2020. Inesquecível, atemporal e, porque não dizer, um autêntico conto de fadas.

Comecei o post relembrando o filme adaptado de A Princesa Prometida com a fala de Inigo Montoya. É claro que é injusto reduzi-lo à isso ou mera adaptação. O filme caminha por si só, ainda que sua base seja inteiramente do livro. Talvez a sincronia que ocorra entre o livro e versão para o cinema seja exatamente o fato de que o autor, William Goldman, é também o roteirista do longa.

O filme segue os princípios básicos do livro: a história de Buttercup, Westley, Fezzik e Inigo segue em versão resumida e sem traços que lhe mudem a essência e as interrupções do autor é transformada na dinâmica entre avô e neto, que aparece num dia em que o garoto está doente para ler-lhe um antigo exemplar de A Princesa Prometida.

As cenas de luta, são um charme à parte do filme, encenadas quase que em totalidade pelos próprios atores, Cary Elwes como Westley e Mandy Patinkin como Inigo Montoya, dão um show até mesmo em filmes bem mais novos que o clássico de 1987.

“A vida não é justa, Bill. Nós dizemos aos nossos filhos o contrário, mas é uma coisa terrível de se fazer. Além de ser mentira, é uma mentira cruel. A vida não é justa, nunca foi e nunca será.”

Quanto à Fezzik, podem até pensar que foi necessário um jogo de câmeras para mostrar seu tamanho e tudo o mais, mas longe disso, já que o personagem foi interpretado por Andre o Gigante, um lutador que ganhou fama por seus 2m24 de altura e mais de 235kg.

O elenco ainda contou com Robin Wright (Forrest Gump) como Buttercup, participação de Billy Crystal como Max Milagroso e Wallace Shawn como Vizzini.

Uma obra para ninguém colocar defeito e que encanta bem mais do que a geração do anos 80, daí o título de cult, já dado ao filme, que não teve o sucesso merecido em sua estreia.

No ano passado, 2019, foi anunciado que a Disney irá fazer um musical de A Princesa Prometida e, convenhamos, o público fã da obra já está dividido em opiniões favoráveis e contrárias. De minha parte, espero que seja à altura da obra de Goldman, a história e a memória do autor (falecido em 2018), não merece nada menos do que isso.

“…nós somos os escritores de nossos sonhos…”

Aleatoriedades
  • A Princesa Prometida foi recebido em parceria com a Editora Intrínseca. A edição de 2018 foi lançada com todo esmero que a obra merece, além da capa com uma ilustração incrível que remete aos personagens do filme, tem capa dura, mapa nas folhas de guarda e conteúdo extra, escrito pelo autor para as edições de 25 e 30 anos da obra. O livro foi publicado pela primeira vez em 1973.
  • As fotos da vez vão pedir um pouco da imaginação de cada um para considerar o Funko do Aragorn como sendo Inigo Montoya, do Príncipe (Once Upon a Time) como o Westley e Aurora como Buttercup.
  • A edição está disponível na Amazon, em versão física e e-book.

Que a Força esteja com vocês!

xoxo

Retipatia

2 comentários

  1. Lembro de ver o filme e ter adorado. E a frase de Inigo é a primeira coisa que vem a mente quando se fala desse livro e já vi ela sendo citada em outros filmes e séries. A intrínseca acertou em trazer essa edição linda.

    1. Oi Tatiane!
      Ah esse filme é mesmo incrível, é difícil não gostar dele! 🙂 Edição linda, vale muito a pena a leitura!
      Obrigada pela visita!
      xoxo

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