A Garota da Capa Escarlate ♥ Parte IV/VI

Em 12.12.2016   Arquivado em A Garota da Capa Escarlate, Contando Histórias, Projetos

Bom dia, tarde e noite everyone!

A quarta parte do conto da Chapeuzinho Vermelho já chega a todo vapor! Para quem ainda não viu as partes anteriores: parte I, II e III já postadas. Você pode consultar também na aba no topo do blog ‘Recontando Contos de Fadas‘ ou acessar pelo Wattpad.

Scarlet – A Garota da Capa Escarlate – Parte IV

Um grito desesperador reverbera pela vila. Scarlet senta na cama de uma só vez, seu coração bate agitado pelo despertar apressado e um suor frio desce por sua nuca, mesmo com o tempo frio que faz ainda pela manhã.

Latidos fortes podem ser ouvidos e ela se levanta apressada, enfiando suas botas em seus pés descalços e indo em direção à porta.

– Scarlet! Não pode sair, deixe que estou indo! – Diz Camélia, que caminha com dificuldade em direção à porta da casa.

Ignorando a mãe, ela veste sua capa escarlate e apanha sua faca e o arco e flecha.

Ainda que o dia estivesse frio como estava e o sol ainda se espreguiçando nas colinas à distância, Scarlet sabia bem o mal que ele poderia lhe fazer. Ela cobre até mesmo seu rosto da claridade e anda apressada no sentido dos latidos que estão se tornando menos frequentes e mais distantes.

Scarlet caminha com uma flecha segura junto ao arco, apesar dele estar apontando para baixo. Não demora para que ela chegue a uma casa facilmente identificável das demais por sua porta arrombada. A madeira fora estraçalhada, como se fosse feita de meros gravetos. Há um choro contínuo vindo de dentro da casa e Scarlet avança com cautela. Ela sabe a quem pertence essa casa, assim como a todas as outras da vila.

– Olá! – Ela diz, enquanto passa pela soleira da porta e retira o capuz.

Dentro da casa está abafado e escuro, por causa da falta de hábito dos seus olhos com a claridade lá de fora. Mesmo antes de seus olhos se habituarem, o cheiro adentra suas narinas, impregnando tudo. Cheiro de sangue, sangue fresco.

Aos poucos seus olhos se habituam a luz da casa e ela percebe o rastro de sangue que fora deixado no caminho até a porta, onde ela está parada.

Sua respiração está apressada e ela tenta controla-la o melhor possível para que ela pare de atrapalhar seus ouvidos, que já contam com a batida de seu coração como se ele fosse saltar de seu peito.

O rastro de sangue segue até um pequeno quarto. A primeira cama que está visível está desarrumada e vazia, mas ao olhar para o outro lado, ela vê uma mulher deitada, com parte do corpo para cima da cama e parte no chão, como se tivesse caído ao se levantar. Seu sangue colore a cama, suas roupas, seus cabelos encharcados. Seu pescoço está estraçalhado, como se tivesse sido golpeado inúmeras vezes, “não, não golpeado, mordido”, ela logo corrige seus pensamentos.

A face da mulher está virada para baixo e, só então seus ouvidos voltam a escutar. Um rapaz jovem está agachado próximo ao corpo, chorando com todo seu corpo e segurando um menino junto dele.

– Tamai… – Scarlet se ouve dizer, deixando o arco no chão e levantando uma de suas mãos, na direção dele.

Tamai levanta a cabeça e a encara. Nos poucos segundos que leva para reconhece-la, sua expressão muda, tornando-se irada. Ele se levanta de uma só vez, fazendo com que o irmão chore ainda mais forte, tentando alcançar o corpo da mãe.

– Isso é sua culpa!

– Tamai, me escute! Quem fez isso? – Scarlet pergunta com a voz trêmula e os olhos já marejados.

Nesse momento, dois homens adentram o pequeno quarto, um deles não suportando a visão do corpo e se retirando em corrida para fora da casa. Um deles é o representante da guarda da rainha que fica na vila e o outro, seu aprendiz.

– Minha nossa! Essas criaturas precisam ser detidas. – Ele diz, mais extasiado pelo momento do que realmente preocupado com a morte de uma mulher.

– Isso é sua culpa, sua meretriz! Você trouxe a desgraça para vila com aquele assassino! – Tamai começa a falar. O guarda vai até ele e tudo que Tamai faz é jogar o irmão para cima do guarda e partir em direção à Scarlet, que começa a dar passos hesitantes para trás.

Tamai está irado e começa a correr atrás de Scarlet, que sai em disparada da casa.

O sol cega Scarlet por um instante, e é o tempo de sua hesitação que permite que Tamai se jogue sobre ela, fazendo com que os dois desabem no chão de terra batida. Scarlet sente o queixo latejar e cospe a terra que entrou em sua boca.

Tamai não lhe dá tempo de se virar e a puxa, fazendo-a arrastar ainda mais na terra.

– Você é uma imunda… – Scarlet tenta se afastar, mas Tamai agarra seus cabelos, puxando-a para onde ele está ajoelhado. – …veste-se de vermelho para disfarçar o sangue que está em suas mãos! – As palavras dele são sussurradas perto de seu ouvido.

Scarlet tateia sua cintura em busca de sua faca de caça, mas não há nada lá. Seus olhos, semicerrados pelo sol que lhe banha o rosto, vê algo brilhante à distância, sua faca.

– Solte-me Tamai. Não fui eu quem matou sua mãe, foram animais. Podemos…

– Cala a boca! – Ele fala ferozmente, a jogando no chão.

Tamai se levanta e se aproxima de Scarlet, que está se levantando. Ele se prepara para chutá-la, mas ela é mais ágil e lhe puxa a perna de apoio, fazendo com que ele desabe no chão.

Enfurecido, ele se arrasta até ela, agarrando seu pescoço com ambas as mãos.

– Basta! – As palavras parecem soar no ar como se fossem feitas de metal e Tamai se afasta de Scarlet, com a lâmina da espada do guarda em seu pescoço. – Sei que está transtornado rapaz, mas culpar o povo da vila por ataques de lobos não irá resolver em nada seus problemas.

O guarda estende a mão para ajudar Scarlet a se levantar.

– Está bem senhorita?

Ela apenas assente com a cabeça. A claridade fere seus olhos, que começam logo a ver rostos curiosos das casas próximas. Alguns curiosos que podiam sair ao sol logo estão se aproximando, assim como o aprendiz que passara mal estava retornando, com uma aparência esverdeada no rosto.

Scarlet sentia o calor do sol queimando seu rosto, seu colo. Seu queixo ardia e latejava, e seu corpo parecia ter sido surrado. Ela vê que há sangue no decote de seu vestido e passa os dedos em seu queixo. Eles saem vermelhos do líquido grosso e escuro, em meio a um bocado de terra.

Ela começa a caminhar na direção de volta para casa, abaixando-se uma vez apenas para apanhar sua faca de caça. Ela sequer se preocupa em tapar-se do sol novamente e segue seu caminho.

Na metade dele, sua mãe vem andando com a bengala, suando como se tivesse feito uma corrida de dias e com a aparência cansada e preocupada.

– Scarlet! Oh, não! O que houve filha? – Ela dá passos mais apressados em direção à filha, ignorando a dor que isso causa em sua perna.

– Estou bem mamãe, é só um pouco de terra. – Ela responde, mais para si do que para a própria mãe.

– Minha filha, você não pode com o sol, o que houve com seu rosto? – Camélia coloca o capuz na cabeça da filha e ambas voltam caminhando lentamente para casa.

Quando finalmente chegam, a mãe logo começa a colocar água para ferver para limpar os ferimentos da filha.

– Acho que eu deveria tomar um banho… – Scarlet fala, encarando as próprias mãos, que agora estão sujas de terra e de seu sangue, que ainda pinga do seu queixo.

– Não vou deixar que vá até o rio sozinha. – Camélia fala em tom de quem põe fim a discussão e começa a limpar o rosto da filha, cuidadosamente.

Scarlet permanece parada, encarando a ponta de suas botas, enquanto sua mãe cuida de suas feridas.

Quando Camélia termina, se senta de frente à filha.

– Quem fez isso com você Scarlet? – Há um misto de carinho e raiva em sua voz. Lágrimas correm silenciosas pelo rosto de Scarlet.

– Não importa mamãe, todos aqui me odeiam! Acham que todos os problemas da vila são minha culpa! Porque não sou boa como eles, porque não me casei, porque não tive filhos e porque me deitei com um homem sem ser casada! – As palavras de Scarlet demonstram mais tristeza do que raiva e fazem jorrar o choro que ela andara suprimindo a cada olhar de descaso e repúdio que recebera em tanto tempo.

Camélia permite que a filha chore todas suas lágrimas em seu ombro e, mesmo se perguntando como deixara que a vida da filha se desandasse a tal ponto, ela lhe afaga os cabelos e canta a cantiga que aprendera com sua mãe, até que a filha adormecesse em seus braços.

***

– Não pretende sair para caçar esta noite, não é mesmo?

– Não vejo porque deveria ir. – Scarlet responde a mãe com indiferença, mexendo o café de sua caneca com o dedo.

Ela ainda não digerira tudo que acontecera, a morte da mãe de Tamai, sua acusação e o ataque sem sentido.

– Talvez você devesse voltar a tecer… – Scarlet não suportava a ideia de tecer. Seus dedos nunca aprenderam o serviço com destreza suficiente para que o trabalho se tornasse, ao menos, automático e razoavelmente bom, o que lhe trazia grande aborrecimento com as reclamações de sua mãe.  – … Com esta perna, ainda não consigo fiar e talvez…

Ela mal notara que a mãe continuara a falar. Seus pensamentos não conseguiam desviar dos ferimentos de suas mãos e do que os gerou. Quase que automaticamente, ela se levanta e começa a vestir sua capa escarlate.

– Onde vai Scarlet? É melhor ficar em casa esta noite. – O tom de sua mãe é preocupado.

– Volto antes do amanhecer, mamãe.

– Scarlet! – Camélia chama com autoridade, mas a filha já está batendo a porta da casa ao sair.

Seguindo em direção a feira, ela dá passos certeiros até perceber que a feira não fora montada. Há movimentação de pessoas por todos os lados, mas, na maior parte, são soldados do reino, que estão cercando a vila em vários pontos, fazendo a guarda.

Scarlet passa facilmente por dois guardas que estão preocupados em conversar sobre a falta da feira e segue o caminho que seus pés já há muito aprenderam, até chegar à trilha que leva a cabana de sua avó.

Ela caminha com passos rápidos, munida apenas da sua faca de caça, já que seu arco ficara na casa de Tamai e ela não tinha a menor intenção de retornar naquele lugar.

Seus passos são rápidos e os minutos parecem escoarem ainda mais. A lua se movimenta no céu diante de seus passos ininterruptos. E, quando está próxima o bastante da casa de sua avó, vira seu caminho na mata, por entre os arbustos até chegar à clareira da pequena cabana de Luko.

Os lobos estão espalhados por todos os lados, tranquilos sob o luar e não se incomodam com sua chegada. Luko está mais afastado, para além da cabana, cortando tocos de lenha com um machado. Ele percebe a movimentação e corre até se aproximar de Scarlet, quando a vê, sua expressão muda imediatamente diante dos esfolados em seu rosto e os pontos em seu queixo.

– Scarlet, o que houve? – Ela pergunta, com preocupação em sua voz.

Scarlet não faz nada a não ser abraça-lo. Ele a segura em seus braços até que ela deseje se soltar.

– Venha, deixe que eu lhe prepare um chá. – Ele diz, diante da expressão triste e abalada que ela exibe.

Os dois seguem para dentro da cabana e ele serve água quente em duas canecas, com as folhas que ela agora já conhece.

Scarlet bebe alguns goles do chá, deixando que seu sabor e cheiro a reconforte. Luko segura sua mão e beija com delicadeza seus nós feridos.

– Houve outro ataque na cidade. Uma das tecelãs foi morta.

– Ataque?

– Sim, lobos novamente, foi o que disseram.

– Mas lobos saem à noite para caçar e…

– Não eram seus lobos Luko, esses ataques são diferentes. Os animais atacam para matar. Não fazem nada senão matar. Invadiram uma das nossas casas essa manhã.

Luko assente como se compreendesse.

– Você viu algum dos lobos, lutou com eles? – Scarlet balança a cabeça em negativa.

– Não, isso foi… outra coisa.

– Como assim, outra coisa? Alguém fez isso a você? Me diz quem foi o infeliz que…

– Não importa. Eu estou bem, por favor, só quero ficar aqui com você. – Por mais que ela tentasse evitar, seu tom sai choroso.

– Me desculpe, eu não quis angustiá-la ainda mais. – Ele se levanta e ajoelha ao lado de Scarlet, abraçando-a com ternura.

– Me beije, Luko. É só isso que quero, eu e você e mais ninguém. – Ela segura as mãos de Luko e beija cada uma delas, para então beijar-lhe os lábios.

Ele a beija devagar, seus lábios passando por todas as feridas de seu rosto e de seu colo até retornar para seus lábios. Com ela em seus braços, ele se ergue do chão e se dirige para a cama, onde os desejos de Scarlet são todos atendidos.

– São lindas. – Ele diz, passando os dedos pelo rosto dela.

– O que, as feridas? Tenho sérias dúvidas… – Ela fala, sorrindo. Ele sorri antes de responder.

– Também, nada disso é capaz de deixa-la menos bela. Mas me referia às sardas. – Ele passa os dedos por onde elas se aglomeram com maior intensidade, nas bochechas, no nariz, queixo, ombros e colo.

– Acho que é por isso que as pessoas tem tanta pressa em se casar, afinal de contas. – Ela fala rindo, o que faz Luko rir também. – Desse jeito não vou conseguir dormir e vou querer recomeçar tudo outra vez… – Ela fala, seguindo os dedos dele com o olhar, enquanto sua pele se eriça sob o toque sutil.

– É mesmo? Talvez não seja uma má ideia… – Ele sorri e a beija novamente.

***

Scarlet acorda sentindo frio. Luko está dormindo ao seu lado, completamente nu, sem coberta alguma. Sua garganta também está seca, como se estivesse há dias sem beber água. Ela resolve tratar deste último, primeiro.

Se enrolando na coberta de lã, ela pega água da jarra de barro. Toma duas canecas cheias e veste seu vestido que está jogado à um canto. Mesmo assim, seu corpo não para de tremer e seu queixo começa a bater. Ela se deita, colocando seu corpo próximo ao de Luko, para que seu calor a aqueça. Em meio ao sono, ele apenas se aproxima, sem acordar.

***

Luko acorda algumas horas depois, ainda sem saber nortear-se se é dia ou noite. Ainda não se habituara à nova rotina noturna para acompanhar os horários de Scarlet.

Ela está deitada ao seu lado, já vestida e enrolada na manta de lã. Então ele nota que ela está tremendo, seu rosto está vermelho, seu colo e mãos, como se tivessem sido queimados. Tocando sua testa, percebe que ela está quente, seus lábios estão rachados e cortados como se tivesse passado dias no sol escaldante de um deserto.

– Scarlet? – Ele diz com suavidade.

Ela não para de tremer e, mesmo quando ele tenta acordá-la, é sem sucesso, suas pálpebras continuam irrequietas. Ele molha um pano na água fresca e coloca em sua testa, o suor escorre e ela não dá nenhuma indicação de melhora ou de que sequer irá acordar.

Luko não sabe o que fazer, então, depois de vestir suas roupas com rapidez, ele sai da cabana, seguindo em direção à trilha. Depois de uma corrida não muito demorada, ele chega a cabana que já avistara anteriormente, à distância.

Batendo várias vezes na porta, ele se dá conta de que não sabia o nome da velha.

Rubi abre uma fresta da cortina da janela e encara o lado de fora, vendo o forasteiro à sua porta. Ele percebe seu movimento na janela e acena, como se não soubesse ao certo o que fazer.

“Que diabos ele veio fazer aqui?”, ela pensa, logo direcionando seus pensamentos até sua neta.

– O que faz aqui? – Rubi não consegue disfarçar o descontentamento em sua voz.

Luko a encara por um instante antes de responder, ponderando se aceitava as palavras como uma provocação ou não.

– É Scarlet, ela não está bem e… não sei ao certo… – Ele repara a expressão da velha passar de carrancuda a preocupada em um instante, logo interrompendo sua fala.

– E onde ela está? – Rubi já pergunta abrindo mais a porta e pegando sua capa dependurada ao lado da porta e vestindo-a.

– Na minha cabana, não muito longe daqui.

Rubi apenas assente e pega sua bengala, seu pé já melhorara o suficiente para que não sinta muita dor ao andar, mas uma ajuda com certeza seria necessária para caminhar pela floresta.

Os dois partem no passo mais rápido que Rubi consegue, o que já era rápido o bastante para que Luko não reclamasse.

– Me fale, como exatamente ela está?

– Com febre, seu rosto e seus mãos vermelhos, como se tivesse estado muito perto do fogo. Não consegui acordá-la, tampouco.

– Ela foi exposta ao sol?

– Não que eu saiba, ela chegou aqui já era noite.

Eles terminam o caminho rodeados apenas dos barulhos noturnos da floresta e de seus próprios passos.

Rubi estaca por um instante quando vê a quantidade de lobos rodeando a cabana, alguns ouriçados e correndo e outros parados à porta da cabana, como se fazendo guarda.

– Não se preocupe, eles não farão nada com você. – Luko a tranquiliza.

Rubi assente com firmeza e o segue. Nenhum dos animais ousa se aproximar, apesar de claramente se agitarem com a chegada da estranha e do alfa.

Ela adentra na cabana e, como se conhecesse o lugar, se dirige para trás da fina parede de madeira, que separa a cama do resto do espaço.

– Minha neta, o que fizeram com você? – Rubi fala com a voz doce e preocupada, se sentando ao lado de Scarlet.

Acariciando a testa da neta, que geme sob o toque, ela percebe que seu colo, seu pescoço e mãos estão vermelhos. Seu rosto está com vários hematomas, como quando ela era ainda pequena e costumava brigar com as outras crianças da vila.

– O que podemos fazer?

– Bem, aparentemente, ela ficou tempo demais no sol. Sua pele está queimada e ela está com uma febre muito alta para seu próprio bem. Me ajude a tirar o vestido dela.

Luko hesita sob a ordem e Rubi, percebendo-a, o encara com firmeza:

– Não ache que não sei que já fez isso outras vezes, esqueça os pudores por minha conta. Tire o vestido dela, pode deixar apenas a roupa debaixo.

Luko então obedece a velha, retirando com cuidado o vestido de Scarlet, que está trêmula e resmungando palavras sem sentido.

– Agora, a carregue, vamos leva-la até o rio, para tentar abaixar essa febre.

Dessa vez, Luko não hesita em pegar Scarlet em seus braços, e caminha com ela para fora da cabana. Rubi o segue a passos pesados, já que a longa caminhada exigira bem mais do que seu tornozelo debilitado poderia suportar.

O riacho não passa a grande distância da cabana de Luko e, sem muito esforço, eles chegam ao destino. Luko entra no riacho com suas botas pesadas, que logo começam a encharcar-se. Andando até a parte mais profunda, a água passa de seus quadris e rapidamente começa a molhar Scarlet. Ela treme e geme no contato com a água, encolhendo-se em seu colo.

– Shhh… vai ficar tudo bem. – Ele diz tão baixo que nem mesmo Rubi, que ficara na borda do rio, é capaz de ouvir.

A água gélida do riacho rapidamente já banhou Scarlet por completo. Apenas com o passar do tempo, ela começa a se habituar a temperatura da água e assim, Luko sai do rio, voltando para a margem. Rubi se aproxima da neta.

– Volte com ela para a cabana e a mantenha aquecida, vou preparar algo para fortalecê-la, quando acordar.

Luko assente e volta com Scarlet ainda fria em seus braços. “Pelo menos o tremor passou.”, ele pensa.

Na cabana, depois de aumentar o fogo da lareira, ele tira as roupas molhadas de Scarlet e as suas, e se deita na cama junto dela, cobrindo-os com a grossa manta de lã.

Ele não consegue adormecer de imediato, continua velando o sono da jovem, que agora, está mais calma e parece estar em um sono tranquilo. Só depois de passado um longo tempo após o amanhecer é que o cansaço o vence e ele acaba por adormecer ao lado de Scarlet.

… Continua…

O que será que vai acontecer? Adoro ouvir teorias, não esqueça de me contar a sua!

xoxo

  • Fernanda

    Em 12.12.2016

    Uow!!!! Minhas suspeitas só aumentam com relação ao Luko kit lenhador sexy gatão. Pra mim ele é quem está atacando os moradores da vila, ele é muito suspeito e misterioso, e muito sexy pro povo da vila ahahahahah!!!!

%d blogueiros gostam disto: