A Escola do Bem e do Mal ♥ Soman Chainani

Em 11.11.2016   Arquivado em Resenhas

Bom dia, tarde e noite everyone!

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“‘Seu Nêmesis é seu arqui-inimigo’, disse Lady Lesso, com seus olhos roxos faiscando. ‘Sua outra metade. Sua alma ao inverso. Seu calcanhar de Aquiles.'” p. 89

Já faz um tempinho – quase dois meses, na verdade -, que finalizei a leitura de A Escola do Bem e do Mal, do autor Soman Chainani e que foi publicado aqui no Brasil pela Editora Gutenberg e é o primeiro de uma trilogia.

E, como o livro é fantástico, resolvi fazer uma resenha dele. Tenho várias outras resenhas pendentes também, então pretendo ir colocando elas em dia, no espaço de tempo que o blog fica sem as postagens frequentes das minhas histórias da minha invencionice de Recontar um Conto de Fadas por mês (confesso que estou um pouco atrasada com a de novembro, mas tudo indica que semana que vem, finalmente, sai).

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“Os melhores vilões fazem-no duvidar.” p. 92

O livro foi indicação de uma amiga e fez parte da lista que elaborei no desafio ML de Férias, que, como férias eu não tive mesmo, fiz como meta de leitura até o fim deste ano. Ainda não acabei as leituras, até porque já intercalei uns livros que nem estavam na lista e, no momento, estou lendo dois livros da lista: Iluminadas e Persuasão (e mais outros três que não estão na lista…).

Sem mais lenga lenga, vamos ao livro:

Sinopse: “No povoado de Galvadon, a cada quatro anos, na décima primeira noite do décimo primeiro mês, dois adolescentes somem misteriosamente há mais de dois séculos. Na temida ocasião, os pais trancam e protegem seus filhos, apavorados com o possível sequestro, que acontece segundo uma antiga lenda: os jovens desaparecidos são levados para a Escola do Bem e do Mal, onde estudam para se tornar os heróis e os vilões das histórias. A linda e meiga Sophie torce para ser uma das escolhidas e admitida na Escola do Bem. Com seu vestido cor-de-rosa, sapatos de cristal e devoção às boas ações, ela sonha em se tornar uma princesa. Sua melhor amiga, Agatha, porém, não se conforma: como uma cidade inteira pode acreditar em tanta baboseira? Com suas roupas pretas desengonçadas, seu pesado coturno e um mau-humor permanente, ela é o oposto da amiga, que, mesmo assim, é a única que a entende. O destino, no entanto, prega uma peça nas duas, que iniciam uma aventura que dará pistas sobre quem realmente são.”. (Contracapa do livro.)

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“Não era de admirar-se que as princesas fossem tão impotentes nos contos de fadas, ela pensou. Se tudo o que podiam fazer era sorrir, manter a postura ereta e falar com esquilos, então que escolha tinham além de esperar que um garoto viesse salvá-las?” p. 93

Como a sinopse já sinalizou, Sophie é uma garota que atende aos mais altos padrões estéticos, é bonita, cuida do seu corpo, pele, cabelos, unhas, alimentação, tudo como manda o figurino. E, como no povoado em que mora, adolescentes, uma vez a cada quatro anos, são sempre levadas na calada da noite, para a Escola do Bem e do Mal, onde treinarão para serem príncipes e princesas e vilões e vilãs, ela está certa de que é uma princesa e que em breve será levada. Ela, inclusive, se esforça fazendo ‘atos de caridade’, como visitar diariamente Agatha, a menina franzina e estranha que vive na casa do cemitério da cidade.

Agatha, por sua vez, não acredita nas bobagens dos contos de fadas e acha que todos da cidade estão loucos em acreditar. Ela é a imagem oposta à da amiga Sophie: detesta cor-de-rosa, veste-se sempre de preto e calça coturnos, repudia a ideia de príncipes, tem um gato preto e vive com os bolsos cheios de coisas como fósforos, pregos e ratos mortos. Além do mau-humor habitual, não se preocupa com aparência ou com o fato de demonstrar ser boa, todos a acham má, então é o que ela é.

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“‘Um aluno não pode sobreviver em seu contos de fadas se não sobreviver à floresta.'” p. 112

Enfim, chega o dia tão aguardado por Sophie e temido pelo povoado, em que dois adolescentes seriam levados: um para estudar na Escola do Bem e se tornar um príncipe ou princesa e um para estudar na Escola do Mal e se tornar um vilão ou vilã dos contos de fadas.

Uma sombra inominada segue até a casa de Sophie, que é levada de bom grado em direção à floresta sem fim que contorna toda o povoado. Agatha, preocupada com a amiga, tenta salvá-la e, assim, ambas acabam sendo levadas para a Escola do Bem e do Mal.

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“… há cinco regras que separam o Bem do Mal…” p. 113

Chegando lá, apesar do esperado – por ambas – Agatha é jogada na torre do bem e Sophie na torre do mal.

A partir daí, Agatha tenta inúmeras vezes escapar da Escola, tentando fazer com que ela e a amiga retornem para a vila, para seguirem com suas vidas. Sophie, por outro lado, insiste que fora colocada na escola errada e que precisa ser trocada.

Assim, várias confusões, que envolvem, é claro, um príncipe, alguns seres mágicos como fadas e lobos, o incrível Storian e o misterioso diretor da escola, que nunca é visto por aluno algum, desenrolam a história com uma maestria que não se vê há muito quando se trata de reformular contos de fadas.

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“1. O Mal ataca. O Bem defende. 2. O Mal pune. O Bem perdoa. 3. O Mal machuca. O Bem ajuda. 4. O Mal toma. O Bem dá. 5. O Mal odeia. O Bem ama.” p. 113

O que pode parecer uma história simples e cheia de clichês é, na verdade, uma excelente história literária que busca combater, especialmente, o preconceito e os estereótipos que a sociedade impõe, tudo isso numa repaginada sagaz através do pano de fundo dos contos de fadas. Todos os elementos estão lá: princesas, príncipes, vilões, bailes, bem x mal, mas de tal modo que, além de bem escrito, conquista o leitor pela profundida que consegue dar à história e às personagens principais.

Particularmente, a discussão também remete ao ponto de equilíbrio das coisas, das pessoas e do mundo e, por razões pessoalíssimas, isso é algo que me agrada e fascina.

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“Qual é a única coisa que o Mal jamais poderá ter… e que o Bem jamais viverá sem?” p. 126

A narrativa é envolvente e traz mensagens muito legais, com certeza é um livro infanto juvenil com uma escrita rica e com um conteúdo, além de interessante, capaz de passar uma mensagem excelente ao leitor. Além de tudo que já citei, fala de aceitação, beleza interior e exterior, bondade, maldade e amizade.

O livro é um bálsamo para a auto-estima, primoroso e gostoso de se ler. É, sem dúvidas, é do tipo que “leio até mesmo de pé esperando o ônibus” (conheça a Reclassificação de Livros aqui).

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“Da última batalha entre o irmão do Mal e o irmão do Bem, surgiu um vencedor não comprometido com nenhum dos lados. Na Grande Trégua, o triunfante Diretor da Escola jurou erguer-se acima do Bem e do Mal, e proteger o equilíbrio pelo tempo que pudesse manter-se vivo…” p. 153

A Escola do Bem e do Mal já possui suas duas continuações publicadas aqui no Brasil, também pela Editora Gutemberg: Um Mundo Sem Príncipes (2) e Infelizes para Sempre (3). Já tenho o segundo volume e não vejo a hora de conseguir encaixá-lo na minha lista de leituras e, claro, adquirir o terceiro! O final do primeiro livro deixa a gente com aquele gostinho de quero mais, mesmo encerrando um ciclo na história.

Há ainda, sem título em português, o The Never Ever Handbook, algo como O Manual do Sempre e do Nunca. Que, espero eu, seja lançado em breve aqui também!!! E, fazendo-me apaixonar um pouco mais pela trilogia, em breve vem versão cinematográfica do primeiro livro! É amor demais!

Ah, e antes que eu esqueça, algumas páginas do livro possuem ilustrações de Iacopo Bruno (o link no nome dele vai para o portfólio online com as artes do ilustrador), e que combinam muito com o estilo da história e são lindas! Aliás, eu amei a arte de todas as capas e só lamento porque na versão brasileira não tem as duas na capa, como na original. Dá uma conferida em uma das ilustrações:

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“A magia segue o sentimento. Essa é a nossa única regra” p. 183

Já tinha ouvido falar do Soman Chainani? E dos livros?

xoxo

  • Mariana Fialho

    Em 11.11.2016

    Amei a resenha! <3
    Nunca tinha ouvido falar desse livro, mas já entrou na minha lista de desejados! Sério, adoro histórias que trazem contos de fadas de uma forma inovadora. Adorei a ideia das escolas, sem falar do fato de o autor abordar temas reais e atuais (como os padrões da sociedade) em um livro de fantasia. Já quero!

    Beijos! :*

  • sweetluly

    Em 11.11.2016

    Como eu nunca tinha ouvido falar desse livro lindo? Nossa que delícia que deve ser!
    Acho genial quando misturam contos de fada que eu tanto amo com lições bacanas assim de quebra de esteriótipo e “o que é bem ou mal”. Arrasou. Fiquei curiosa!

  • Retipatia

    Em 11.11.2016

    Esse livro não fez – ainda – muito sucesso aqui no BR, então tem uma visibilidade bem baixa. Eu também só fui conhecer porque me indicaram. E acho que é um livro que você iria gostar muito, LL, ele está aí justamente para tirar as coisas do lugar comum! <3

  • Vanessa Stahler

    Em 11.11.2016

    Nossa, me apaixonei pelo livro mesmo sem ler kkk Exatamente o tipo de livro que eu mais gosto! Com certeza vai pra minha lista de leituras. beijos

  • Retipatia

    Em 11.11.2016

    É uma ótima opção de leitura Vanessa! Acho que você irá adorar ainda mais quando ler!!! <3

  • Mônica Dobbert

    Em 11.11.2016

    Primeira vez que ouço falar no livro e simplesmente AMEI, primeiro pq eu gosto de livros com elemento e fantasia, mas o fato de não ser um clichê e nos fazer pensar além … é sensacional, já pra wishlist <3

  • Retipatia

    Em 11.11.2016

    Uma ótima adição para sua wishlist Mônica!!! Tenho certeza que você não irá arrepender! É mais provável que se apaixone durante a leitura! <3 <3

  • Kimberly Camfield

    Em 11.11.2016

    É a primeira vez que ouço falar desse livro, mas ele parece ser incrível! E a história parece ser super envolvente. Adoro histórias que são uma espécie de conto de fadas distorcido.
    Ah adorei uma coisa que você escreveu “todos a acham má, então é o que ela é”. Essa frase tão pequena me fez pensar um monte. Em como alguém se torna aquilo que as pessoas acreditam que ela seja, mesmo que talvez ela não seja aquilo.

    Beijoos

  • Retipatia

    Em 11.11.2016

    Oi Kim! Esse livro é muito amor, acho que nem sei como explicar o quanto ele é atual e real. Super recomendo a leitura! Esse trechinho que te chamou atenção faz parte de um livro inteiro cheio de ideias muito legais que nos fazem refletir a todo tempo! São pequenos detalhes que fazem a diferença na história e trazem muitas reflexões boas para vida da gente! <3
    Obrigada!!!

  • Muryel Oliveira

    Em 11.11.2016

    Gente, eu achei que não ia gostar, mas adorei a resenha, adorei o livro, vou anotar pra colocar na minha lista de desejados do skoob! Acho engraçado quando uma pessoa que “aparentava ser boa” é pega de surpresa e mostra como realmente é, fútil e mesquinha.

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