Aurora ♥ Parte V/V

Em 30.10.2016   Arquivado em Aurora, Contando Histórias, Projetos

Bom dia, tarde e noite everyone!

Com muito amor no coração hoje é dia de compartilhar a última parte do conto Aurora. Eu sempre sinto falta dos personagens depois que termino alguma história e, com Aurora e Phillip, não poderia ser diferente. Já trabalho na próxima história há um tempo, mas sempre penso neles também. Bem, sem muitas voltas mais, aquele esquema básico para quem não viu as outras partes da história: parte I, II, III e IV.

1

Aurora – Parte V

O peso de seu coração a impedia de se mover, até que uma voz não muito alta soa ao seu lado.
– Espero que essas lágrimas não são por minha causa…

Briar Rose olha na direção de Phillip. Sua aparência está ainda abatida e cansada e seus olhos semicerrados como se desacostumados a permanecerem abertos. Mas ouvir sua voz é motivo suficiente para que um largo e sincero sorriso brote dos lábios da jovem princesa.

– Sempre dormindo demais, príncipe Phillip. – Briar Rose diz, ainda sem conter seu sorriso.

– Desta vez tenho que dizer que concordo, parece que fui atropelado por um bando de cervos. – Ele responde, franzindo o cenho e tentando se levantar da cama.

– Espere! – Diz Briar Rose. – Está fraco, dormiu tempo demais.

– Mas o que houve? Me lembro de cair, você me trazer para cá. As conversas incessantes de suas tias velhas depois que você partiu…

– Conseguia ouvi-las? – Pergunta Briar Rose.

– Tão bem quanto ouço você agora. Era como uma espécie de prisão em meu próprio corpo, realmente não recomendo a ninguém. – Um tremor passa por seu corpo e seu olhar fica sombrio. Briar Rose sabia como era a sensação, seu treinamento lhe dera todo tipo de experiências, mas não tinha certeza de que todos ficavam alertas desta maneira. – E isso me parece ainda pior quando me lembro que há pouco a assassina de minha irmã esteve aqui e você nada fez para detê-la. – A expressão do príncipe mescla desapontamento e raiva.

– Não temos tempo para isso agora, Phillip. Uma guerra se iniciou e…

– Sempre há alguém em guerra, Briar Rose. E como não há tempo para o assunto que me trouxe aqui? Quero a culpada morta! Se você não vai me ajudar, eu o farei.

– Ela salvou sua vida, Phillip! Eu destruí o antídoto quando quebrei os frascos na cabana de Corvo, você estava lá, viu o que fiz. E foi ela quem me deu o frasco que agora o despertou. – Phillip a encara com um misto de incredulidade e espanto. – É verdade. – Prossegue Briar Rose. – Ela foi só mais uma arma utilizada nessa insana disputa de poder entre nossos reinos. Se deseja os verdadeiros culpados, sei quem são e posso ajudá-lo a puni-los. Mas isso se o reino de Arcose sobreviver.

– E devo acreditar em você Briar Rose, depois de tudo que fez? Como conhece tudo isso, como pode me levar a quem quer que seja?

Briar Rose se ajoelha mais próxima da cabeceira da cama, ficando mais próxima de Phillip.

– Sei de tudo isso porque sou filha do rei Stefan, a herdeira do trono de Diabase, que você provavelmente conhece como Aurora e que, apesar de não muitos saberem, sou também filha da rainha Leah e herdeira do trono de Arcose. Sou uma das assassinas treinadas de minha mãe e por isso fui chamada de Malévola. E sou chamada também de Briar Rose pelas três senhoras que cuidaram de você e sempre cuidaram de mim como se fossem elas mesmas minhas parentes. Por isso Phillip, príncipe de Baltase, prometido em casamento a mim, princesa Aurora de Diabase e Arcose, sei de tudo o que sei.

Phillip continua a encarar Briar Rose como se esperando que ela revelasse o sarcasmo ou ironia de suas últimas palavras, mas a princesa o encara com firmeza e continua a falar.

– Sei que fiz muito para não merecer que confie mais em mim. Meu pai está marchou em direção a Arcose, a esta altura, a guerra já está acontecendo. Arcose não é tão forte como todos costumam pensar, não resistirá a uma empreitada longa. E meu pai sabe disso, Diabase sabe disso. Ele cavalga com dez mil soldados. O único exército que pode ir em auxílio é o seu Phillip, manterei os laços prometidos por nossos pais, para que possa governar os três reinos e colocar um fim a esta guerra insana por poder.

O príncipe parece sopesar as palavras de Briar Rose, que lhe encara com ansiedade. Ele sempre desejara a guerra, mas agora que havia a oportunidade de ingressar em uma, percebera o quão tolo fora. Era inegável a atração que sentia por Briar Rose e saber que ela era a sua prometida em casamento e que ela lhe oferecia isso em troca de seu exército, lhe parecia um negócio arriscado.

– Eu aceito parte de seus termos, princesa.

A expressão de Aurora passa da expectativa à angústia. “O que ele não irá aceitar? Não tenho mais nada a oferecer.”.

– Iremos a Baltase reunir o exército de meu pai, mas precisarei que me ajude a convencer o rei, ou melhor, minha mãe, a rainha, a cavalgar. Devo lembrar-lhe que inicialmente, o acordo seria selado com Diabase e não com Arcose.

Aurora assente com a cabeça, esperando a parte negativa de sua proposta.

– Se vamos enfrentar Diabase em defesa de Arcose, não há que se preocupar em honrar com a palavra de seu pai em relação ao casamento, princesa. O trono de ambos os reinos lhe pertencerá se tudo acabar da melhor maneira que pretendemos. E, se tombarmos, pode dizer ao seu pai que a obriguei a vir comigo.

– Jamais diria isso, Phillip. – Diz Aurora, com seriedade.

– Sei disso, princesa Aurora. – Responde o príncipe, com um charmoso sorriso enviesado. – Agora, o mais importante: estou faminto! – Ele ri e Aurora se esquece por um instante da guerra que acontecia no reino de sua mãe e ri com o príncipe, abraçando-o com fervor.

***

– Não precisa sorrir tanto, príncipe.

– Como sabe se estou sorrindo princesa? – Pergunta Phillip, montado no cavalo atrás dela.

– Eu simplesmente sei, príncipe. – Diz Briar Rose, guiando o cavalo em que ambos estão montados para que ele avance pela floresta em direção ao reino de Baltase.

O animal não havia descansado o suficiente da última jornada e, com levando duas pessoas, não era possível que o trote fosse muito acelerado.

Aurora desejava chegar rapidamente a Baltase, contudo, por mais que Phillip insistisse que estava bem, sua aparência lhe contradizia as palavras, estava claro que ainda estava debilitado pelos longos dias sob o efeito do veneno.

Os filhos da realeza demoram quase três dias para alcançar as fronteiras da Grande Floresta, chegando a estrada que a separa da Floresta do Meio. Assim que saem da mata, ambos são abordados por alguns soldados do rei de Baltase que fazem a ronda na fronteira com a Grande Floresta.

– Perdão alteza, não sabíamos que estava a retornar. – Diz um dos guardas, desculpando-se pela abordagem realizada.

Phillip apenas assente com a cabeça.

– Precisamos de dois cavalos descansados, tenho certeza que podem nos ceder dois dos seus. – Diz o príncipe, ao guarda.

– Sem dúvidas, alteza.

– Tem certeza de que pode montar sozinho, Phillip? – Pergunta Aurora, parada ao lado do cavalo que Phillip acabara de montar. Sua exaustão estava clara, e mesmo assim, ele insistia que deviam seguir separados.

– Iremos mais rápido assim. O tempo está contra nós, no momento.

Montados nos cavalos descansados dos soldados em pouco tempo eles cruzam o reino até o castelo. Quando Phillip desmonta, já quase não consegue se manter de pé. Aurora parte em seu auxílio e desta vez ele não recusa que ela o ampare para dentro do castelo.

– Onde está minha mãe, meu pai? Preciso vê-los. – Diz o príncipe, à um dos criados que os recebem.

– Sim, majestade. Estão nos aposentos do rei. – Diz o lacaio, curvando-se respeitosamente.

Os dois seguem com Phillip indicando o caminho e, o mais rápido que o príncipe consegue caminhar, chegam aos aposentos do rei.

Antes que o príncipe indique as portas devam ser abertas, um senhor de cabelos brancos sai do quarto, cumprimentando o príncipe com a expressão carregada.

– Devo ficar aqui? – Pergunta Aurora.

– Não, venha comigo. – Phillip entra junto com a princesa e vê sua mãe e irmãs aos prantos no quarto.

Sua mãe está de joelhos ao lado da cama do rei e as irmãs abraçadas umas às outras, em choros sentidos.

– Oh, é Phillip! – Diz Clara, vendo o irmão e correndo em seu encontro.

Logo todas as irmãs estão abraçando e beijando o irmão que já estavam por considerar como morto a esta altura.

– Papai se foi, Phillip. – Diz a mais velha, entre lágrimas, segurando o rosto do irmão.

– Mas… – Phillip não consegue dizer muito.

Sua mãe vem caminhando em sua direção e o abraça com fervor.

– Ainda bem que está a salvo meu filho! Temi tanto por sua vida. – Diz a rainha, de modo aflito.

Phillip crê que a mãe envelhecera ao menos dez anos no tempo em que esteve fora e afasta os pensamentos de que sua tentativa de vingança não passara de uma aventura imprudente.

– Quem é você? – Pergunta a rainha, encarando Aurora.

– Princesa Aurora, de Diabase e Arcose, majestade. – Diz a princesa, curvando-se da melhor maneira possível, já que Phillip ainda está apoiado em seu ombro.

A confusão é clara na face da rainha que encara o filho.

– Precisamos conversar, mãe, é urgente.

– Tenho certeza de que pode esperar, meu filho, seu pai acabara de falecer e um funeral apropriado precisa ser realizado.

– Sem dúvidas isso será feito, minha mãe. Mas a guerra não respeita nem mesmo os mortos.

A rainha encara Phillip e consente, partindo os três para o gabinete do rei. A todo instante, Aurora observa a rainha enxugar o canto de seus olhos com um lenço.

Enquanto Phillip bebe avidamente o vinho que lhe fora servido e mastiga a carne fria, o queijo e o pão que foram providenciados, ele resume os últimos acontecimentos para sua mãe.

– Diabase atacou Arcose, temos que juntar nossas tropas e partir em sua defesa.

– Mas, se ele atacou, porque partir em sua defesa? – Questiona a rainha.

– Em defesa de Arcose, minha mãe, não de Diabase.

– E porque isso, Phillip? O que você diz não faz sentido algum. Estamos do lado de Diabase, você fora prometido a princesa e… – Aurora tem a impressão que o estalo na mente da rainha é quase audível.

– Princesa Aurora, de Diabase e Arcose, foi o que disse, não foi? – A pergunta agora era dirigida para Aurora.

– Sim, majestade. Sou filha do rei Stefan de Diabase e da rainha Leah de Arcose e posso dizer com veemência que Diabase deseja controlar a todos os reinos e não será diferente com Baltase.

– Então porque não deixar que ele subjugue Arcose e se una a nós, pelo matrimônio de vocês dois? Não percebo qual a diferença.

– O rei Stefan não é um bom rei, alteza. Tampouco permitirá que Phillip governe enquanto ele for vivo. Arcose espera por sua ajuda e eu espero por sua ajuda, alteza.

A rainha fica um tempo em silêncio.

– Não estou pedindo sua autorização, minha mãe. Meu pai se foi, eu já sou rei.

– Como ousa? Ainda sequer fora coroado! – A rainha cora de raiva.

– Desejava que eu reinasse, queria que eu tomasse minhas próprias decisões, minha mãe. Quero justiça por Elena e vou marchar em defesa de Arcose, partiremos pela manhã com ou sem sua bênção. Prefiro que seja com ela.

Phillip se levanta com dificuldade e Aurora parte em seu auxílio.

– Estou bem. – Ele diz, apesar de não recusar apoiar-se em Aurora.

Saindo do gabinete, o novo rei começa a distribuir ordens que variam desde o arranje para o funeral de seu pai, que deveria ocorrer antes do nascer do sol, e antes do partir das tropas ao alvorecer.

Aurora é levada para um dos quartos de hóspedes do castelo e um banho quente lhe é preparado. Ela pede que as criadas a deixem a sós e se despe. Todas as dores ocultas pela adrenalina das últimas horas são reavivadas. O corte profundo em seu lombo faz seu corpo tremer. A ferida ainda está completamente aberta e há sangue seco junto a poeira da viagem. Entrando na grande tina com água quente, todos os cortes de seu corpo ardem, mas nada próximo à dor de seu ferimento. A princesa trava seus dentes para não gritar enquanto limpa com um pano a ferida.

Ainda assim, a medida que seu corpo relaxa, não lhe parece justo que alguns estejam em batalha enquanto ela está desfrutando de um banho quente. Ficar parada nunca fora seu ponto forte e esperar que a manhã chegue lhe parecia uma tortura excruciante, mesmo sabendo que cavalgar sozinha até Arcose significaria suicídio.

A princesa sai do banho já quando a água está fria e seu corpo começa a reclamar da temperatura. Ela se analisa as roupas limpas que lhe foram deixadas, dispensando o espartilho que seria impossível de vestir com o corte que lateja em sua carne. Aurora deduz serem as roupas de alguma das irmãs de Phillip e fica contente por não se tratar de um vestido cheio de tecidos e enfeites, mas um conjunto de montaria em tons de preto e branco.

Ela se veste rapidamente e coloca sua adaga em seu cinto. Quando está terminando de desembaraçar seus cabelos úmidos, soa uma leve batida na porta.

– Sim? – Pergunta Aurora.

É Phillip quem surge à porta.

– Queria saber se está tudo bem, diante das circunstâncias, é claro. – Ele diz, com um sorriso fraco.

– Eu quem devo perguntar, príncipe. Ou já devo chamá-lo de rei? – Diz Aurora, com o tom habitual de seu sarcasmo retornando às suas palavras notando que Phillip também trocara as roupas sujas da viagem e aparentava ter tomado um bom banho, assim como ela. Contudo, as olheiras fundas em seu rosto ainda eram visíveis. Aurora não sabia ao certo porque se sentia tão preocupada com sua saúde e, ao mesmo tempo, tão tranquilizada em vê-lo disposto e de pé. Não é como se estivessem distantes há tanto tempo assim.

– Já estive melhor, não posso negar. – Ele diz, o sorriso não lhe deixando a face enquanto ele adentra no quarto.

Aurora se senta na cama e encara Phillip.

– E agora, o que faremos, príncipe-rei? – Ela não consegue evitar sorrir para Phillip, que se senta ao seu lado.

– Acredito que não temos nada a fazer senão esperar. As tropas não estarão prontas para partir antes do alvorecer e claro, há o funeral. Já tive que apagar incêndios demais, minha mãe não queria aceitar que encurtássemos o ritual. Não acredito nesses rituais longos e desnecessários. É absurdo que tenhamos que velar alguém por sete dias inteiros, ainda que este alguém seja o rei. E, ademais, não temos tempo para isso, o amanhecer já parece-me distante demais para marcharmos, mas os homens precisam de tempo para se despedirem de suas famílias e merecem uma última noite de descanso. E ainda há os grupos menores que estavam afastados e que precisarão ser reagrupados para juntarem-se… – A princesa continua a encarar o príncipe e ele logo percebe seu olhar incisivo sobre ele. – Já sei, estou falando demais novamente. – Ele diz, com um leve sorriso irônico.

– Precisamente. – Aurora responde, se aproximando do príncipe e parando seu rosto a apenas alguns centímetros do dele.

Os dois mantêm seus olhares presos por um instante, até que Aurora acaba com o pouco espaço que há entre eles, colocando seus lábios ao encontro dos de Phillip.

Os dois se beijam intensamente até que Phillip coloca sua mão na cintura de Aurora, fazendo com que ela arfe de dor e o solte.

– Me desculpe, o que, Rose? – Pergunta Phillip, confuso e observando a camisa de Aurora, que está tingindo-se com pequenas gotas vermelhas.

– Não é nada, logo estarei bem. – Ela responde, afastando a mão de Phillip que segura o tecido manchado da blusa.

– Como não é nada Briar Rose? Você está sangrando… deixe-me ver. Posso chamar um médico ou… – Aurora o interrompe.

– Nada disso será necessário. Já disse que estou bem.

– Sabe, para quem me acha teimoso, você consegue ser infinitamente pior, princesa! – Ele diz de modo sarcástico, como Briar Rose costuma fazer. – Se realmente está bem, deixe-me ver este ferimento.

Aurora pensa por um instante. Talvez ela realmente precisasse de sutura em seu ferimento, apesar de abominar a possibilidade de ver um médico.

– Certo, mas prometa que sem médicos. – Phillip a encara desconfiado.

– Tudo bem, sem médicos.

A princesa levanta parte de sua blusa e o corte profundo em sua carne está saindo filetes de sangue.

– Rose! Isso não pode ficar assim! Você não irá durar um dia na batalha desse jeito.

De fato, Briar Rose assente e volta a se sentar na cama. Phillip, por sua vez, vai até a porta do quarto e dá ordens ao serviçal que está do lado de fora. Ele aguarda um tempo na porta e pega um embrulho que lhe é entregue.- Deite-se de lado. – Ele fala, retornando até Briar Rose.

– Para quê? – Ela pergunta, franzindo o cenho.

Phillip retira uma agulha com uma longa linha atrelada a ela.

– Precisamos costurar você.

Aurora se dá por vencida e se deita, levantando a blusa para deixar o ferimento à mostra. Phillip está esquentando a agulha em uma vela e depois de aproxima da princesa.

– Bem, devo dizer que só fiz isso algumas vezes, em mim mesmo, então não sei se seria o mais recomendado…

– Cale a boca e termine logo com isso, Phillip! – Diz Aurora, de modo autoritário.
Phillip começa a costurar com a maior delicadeza que lhe é possível. A princesa continua séria em sua expressão e continua impassível, sem emitir som algum.

Leva tempo até que toda a ferida seja fechada e, quando Phillip termina, começa a limpá-la com tecido leve. Apesar de Aurora permanecer em silêncio, sua pele treme e o arrepio que surge demonstra a dor que sente.

– Terminei. – Phillip diz, enquanto Aurora se vira na cama para sentar-se, deixando-os bem próximos um do outro. – Você devia descansar, ainda faltam algumas horas para o funeral, isso se você quiser ir, é claro.

– Você deveria descansar também Phillip.

– Não sei se irei conseguir… já dormi tempo demais nos últimos dias.

– Bobagem, está claro que precisa descansar. – Ela rebate, passando um de seus dedos pelas olheiras no rosto do príncipe.

Ele dá um sorriso fraco e amarelo enquanto balança a cabeça em negativa.

– Tenho medo de fechar os olhos e não conseguir abri-los novamente, Rose. – Ele diz, já imaginando a onda de sarcasmo que virá de Briar Rose.

– Não tem que temer tais coisas, Phillip. – Briar Rose diz de modo doce e beijando o príncipe novamente.

Dessa vez não há novos contratempos a impedir que a paixão cresça entre os dois, que se entregam um ao outro e logo adormecem juntos.

Aurora desperta e vê que Phillip ainda dorme ao seu lado, despreocupadamente. Ela se levanta da cama e veste suas roupas novamente.

À janela do quarto, é possível ver a distante movimentação das tropas. Milhares de homens sendo agrupados e armas sendo carregadas, afiadas e polidas, armaduras sendo preparadas, madeira sendo cortada, aljavas enchidas e atiradores de longo alcance preparados.

– Deveria ter me chamado. – Diz Phillip, parando ao lado de Aurora e passando o braço por seus ombros.

– Queria que descansasse mais um pouco. – Responde Aurora.

O entardecer já dava lugar às primeiras estrelas no céu e, em poucas horas a cerimônia do rei deveria começar.

O peso sobre o destino de Arcose ainda pesava sobre a princesa que temia que a partida na manhã seguinte fosse por demasiado tardia. Estando de mãos atadas até lá, ela decide acompanhar Phillip até a cerimônia de cremação do rei.

Aurora nunca participara de um ritual assim e não sabia ao certo o que esperar. Várias pessoas que, pelas roupas ela identifica como sendo da realeza estão presentes no grande descampado próximo aos jardins do castelo. A rainha está trajando um vestido completamente preto, simbolizando o luto, que suas filhas acompanham em seus trajes.

Depois de vários cânticos e rezas, a qual Aurora ouvira apenas vestígios quando de sua estadia no reino de Diabase, a pira alta e opulenta que fora construída é acesa pela rainha.

O fogo se espalha com rapidez e Phillip toma sua mão, apertando-a com firmeza. Aurora então se dá conta de que o príncipe não chorara a perda de seu pai até aquele momento. As lágrimas estão escorrendo com abundância em seu rosto e ele tenta reprimir os soluços que surgem.

Aurora não havia parado para pensar o quanto exigia do príncipe partir rumo a guerra logo após seu retorno para casa, logo após a morte de seu pai. Phillip se permite ser abraçado por Aurora, e eles se afastam da multidão e caminham até uma área menos movimentada dos jardins do castelo.

– Sinto muito, por seu pai. – Diz Briar Rose.

– Ele estava doente há algum tempo e todos já esperávamos por isso. – Ele responde, com a voz um pouco alterada pelo choro.

– Mesmo assim, ele era seu pai. Não faz diferença se esperava ou não por isso.

Phillip apenas assente com a cabeça e ambos se sentam no chão gramado, recostando-se à uma árvore larga e densa.

– Já pensou sobre seu pai, Rose?

– O que tem meu pai?

– Partimos na expectativa de derrotar seu exército e creio que ele não irá se render de bom grado.

– Não, não pensei. É provável que não saiba o que fazer até que o momento que uma decisão seja necessária.

Phillip assente e se recosta em Briar Rose, que também deixa seu corpo tombar para o lado do príncipe, enquanto ambos apreciam o avançar da noite e a proximidade do amanhecer.

***

Os soldados de Diabase estão prestes a derrubar o segundo portão de defesa de Arcose quando o exército de Baltase chega, cercando-lhes por todos os flancos, obrigando o inimigo a reposicionar-se de maneira rápida.

Aurora solta a mão de Phillip para desembainhar sua espada, no que é seguida por ele e pelos cavaleiros montados que seguem na frente da linha de batalha. Phillip lhe lança um beijo no ar, o que a faz revirar os olhos em resposta. Ele ainda é o mesmo rapaz impertinente e tagarela que tanto a irritara quando se conheceram, afinal de contas.

– Nossos conterrâneos de Arcose precisam de nossa ajuda! Não os deixaremos a sós neste momento de desespero! Avante bravos cavaleiros de Baltase, sigam seu mais novo rei! – Grita Aurora com fúria, fazendo com que os homens à sua volta exclamem em exaltação.

Com um grito de guerra ela incita seu cavalo a correr, juntamente ao cavalo de Phillip, partindo ambos em disparada rumo aos soldados de Diabase e em defesa do reino de Arcose.

… Fim …

E então, o que achou do conto Aurora? Não esquece de deixa um feed, é sempre importante! E, claro, se preparem porque, em novembro é a vez de um outro conto bastante famoso entrar em cena! Vejo você no próximo post!

xoxo

  • Fernanda

    Em 30.10.2016

    OMG!!!!! Final surpreendente, emocionante e que ainda deixa um gostinho de quero mais!!!!! Adorei sua adaptação de A Bela Adormecida sem magia, ficou espetacular mesmo, o final me deixou de queixo caído. Arrasou sis!!!!!

  • Retipatia

    Em 30.10.2016

    Obrigada sis!!! <3

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