Cinderella ♥ Parte VI/VIII

Em 23.09.2016   Arquivado em Cinderella, Contando Histórias, Projetos

Bom dia, tarde e noite people!

Hoje é dia de compartilhar com vocês a sexta parte da história da Cinderella! Para quem está chegando agora, as postagens anteriores podem ser vistas nos seguintes links: primeira parte, segunda parte, terceira parte, quarta parte, quinta parte. Ou, se preferir ler toda a história, basta acessar a página do Wattpad, clicando aqui!

Cinderella – Parte VI

Ella não queria discussão, era uma batalha vencida pela madrasta. Se desvencilhando da madrasta, risos ressoam à sua volta e ela segue em direção aos seus aposentos. Mesmo não esperando encontrar ninguém, se ressente por ter dito à Josephine que não precisaria de ajuda naquela noite. A criada também teria sua cota de diversão junto aos outros empregados do castelo, na cozinha.

A cozinha!”, pensa Cinderella. É para lá que a garota se dirige à passos soturnos. Quando chega na entrada é avistada e todos se preocupam que ela fosse repreendê-los. Ella não faria tal coisa mesmo se o pudesse. De fato, os empregados à viam como parte da realeza e a obedeceriam, não importava o que a dama pedisse. Mas Ella não se via assim.

– Me desculpem, não quis interromper. – Ella logo diz, se sentindo corar sob os diversos olhares e rapidamente Josephine vem em seu auxílio.

– Voltem a tocar seus imprestáveis! – Diz Josephine, para três homens que tocavam um alaúde, um tambor e uma flauta fazendo sons alegres.

As pessoas a todo canto começam a rir e logo Josephine está servindo vinho para Ella.

– Precisa de alguma coisa, minha dama?

– Não, não… eu apenas, não queria ficar só. – Ella responde.

– Em meio ao baile que está ocorrendo no salão? – Ella não responde à pergunta e bebe depressa toda a taça de vinho.

– Então, o que vocês fazem para se divertir? – Ella pergunta, com interesse.

– Nós dançamos Ella, nós dançamos. – Diz Josephine, sendo levada por um adolescente para o local onde vários casais rodopiavam alegremente.

A música era bem mais alegre e agradável ali e, provavelmente a ausência de Anastasia e sua mãe regozijando-se, era um ponto e tanto. Logo um rapaz reúne coragem suficiente para tirar Ella para dança, que, sem dúvidas, destoava de todos os ali reunidos, por suas vestes ricas e resplandecentes.

Em pouco tempo Ella já dançara com vários pares e, perdida em meio a tantos risos, deixou sua amargura de lado e logo se divertia com as músicas, com as pessoas, com as brincadeiras e com a bebida.

Em dada dança, durante a troca de pares, Ella se vê nos braços de Matteo.

– Realmente não há lugar em que eu possa estar em paz neste castelo. – Ella diz, entredentes, mas sem largar o par e atrapalhar a dança.

– Seria tão grande tormenta dançar comigo por um instante, Ella?

– Maior do que imagina Matteo. E me chame de Cinderella. Você perdeu o direito de me chamar de Ella há muito.

– Eu perdi o direito? – A voz de Matteo se eleva e os dois estacam no meio do passe, fazendo com que os outros casais tenham que se desviar deles para continuar a girar.

Ella fica chocada com a reação de Matteo. Já esperava que ele fosse descortês, como já havia sido, mas a cada palavra ofensiva dele, uma antiga ferida era reaberta em seu coração. Respirando fundo para segurar suas lágrimas, Ella sai rapidamente da cozinha, ignorando Matteo chamando seu nome e lhe seguindo.

– Ella, por favor, espere!

– Você não pode entrar nesta parte do castelo Matteo! – Ella diz de modo áspero para Matteo, fazendo-o estacar onde está.

Quando Ella volta a caminhar, seus passos são os únicos que ressoam no piso frio de pedra. “Melhor assim”, ela pensa.

Sozinha na imensidão de seu quarto, Ella tenta desviar seus pensamentos de Matteo. Não derramaria mais lágrimas por ele, não valia a pena. Assim, seus pensamentos foram dirigidos ao espelho que escondia a porta secreta que levava aos aposentos do rei.

Ella sabia que não deveria ir até lá, apesar disso, seus sapatos estacam em frente ao espelho. Era a única noite que ela não tinha permissão para ir e vir quando bem entendesse ao quarto do rei, ele mesmo lhe dissera isso.

Ella fica um tempo com sua cabeça escorada no espelho, vendo sua respiração embaçá-lo. Num ímpeto de inquietação, ela puxa o trinco que faz o espelho deslizar e mostrar o corredor pouco iluminado. Para a direita, no fim do corredor, ficava o escritório do rei. A porta mais próxima da sua, sobe para uma longa torre privativa do rei que, de fato, não tem nada. E, para esquerda, o quarto do rei.

Cinderella dá passos leves em direção ao quarto do rei, colocando sua orelha colada à madeira gelada, tentando ouvir algum barulho. A princípio Ella ouve apenas murmúrios, mas logo a voz indistinguível de Anastasia dizendo incessantemente ‘meu rei’ chega a seus ouvidos. As palavras soam íntimas demais e Ella sai correndo.

Assim que entra de volta ao seu quarto Ella grita, uma voz que não ouvia a tanto tempo. Toda raiva que sentira por tanto tempo, toda dor que tivera que reprimir. Ella retira seu vestido com fúria, culpando todo aquele aperto em seu peito ao peso do tecido e das joias.

Sentada no chão, Ella se encara em um dos espelhos decorados de ouro, tão grandes que se via todo o aposento através dele. Seus cabelos estavam bagunçados, a roupa de baixo era de um branco alvíssimo e fazia com que ela parecesse pálida. Não estava nem um pouco corada, como costumava e suas bochechas estavam manchadas pelas lágrimas incessantes.

A garota nota que mantivera os sapatos em seus pés, pegando um deles e o analisando. Era bonito, com um brocado dourado, combinava com seu vestido. “Não é uma lembrança de sua mãe, não vale nada”, pensa Ella, deixando o pé de sapato cair no chão com um baque.

Descalçando o outro pé, Ella sai às pressas do quarto, correndo sorrateiramente pelo caminho que ela sabia que não encontraria guardas ou que seria fácil despistá-los. Correndo, não demora a chegar aos estábulos e lá encontra seu cavalo, Tom, inquieto, retirando-o da baia e montando apressadamente em seu lombo.

– Espere! Ella, é você? – A voz de Matteo surge não muito distante. “Mas que inferno! Ele dorme nos estábulos agora?”, pensa Ella, com revolta.

Ella não se preocupa em olhar para trás e bate com força seus calcanhares, fazendo com que o animal parta com velocidade.

O vento da madrugada logo começa a bater em seu rosto e, apesar do frio que sua roupa de baixo é incapaz de conter, Ella se sente livre. Não chorava mais, não precisava. Ali, entre as árvores, seu coração batia acelerado, mas era muito mais fácil pensar. Ella sabia que ainda amava Matteo, mas não conseguiria perdoá-lo pelo abandono, por enganá-la. E, se era possível amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo, Ella também amava Thomas, ainda mais do que ao rei. E era difícil pensar que ele tinha outra mulher, justamente Anastasia, a quem sempre a desprezou e tratou tão mal.

Cinderella para a cavalgada apenas quando se aproxima dos altos muros do castelo. Ella sempre achou estranho ter uma parte da floresta separada pelos muros do castelo. Não demora muito para que o som de cascos trotando e estacando bem atrás dela lhe deem a certeza de Matteo a seguiu.

– Dizem que quando o castelo fora construído, a rainha se sentia presa dentro dele. Sentia falta da floresta, por ter vivido tanto tempo nela. O rei, então, ordenou que parte da floresta fosse incluída dentro dos limites o castelo, para que sua rainha pudesse viver em paz. – Diz Matteo.

Ella olha na direção de Matteo, ele não a esta encarando, mas sim os altos muros que mais se assemelham a muralhas.

– Ainda assim é uma prisão. – Diz Ella.

– É provável que sim.

Os dois ficam um tempo em silêncio encarando o muro, até que a voz de Matteo quebra o silêncio gélido da noite.

– Me desculpe, Ella.

– Pelo que, exatamente Matteo. Foram tantas coisas que você terá de ser específico. – Ella fala com rispidez, em tom baixo.

Matteo desce do seu cavalo.

– Claro, eu não deveria esperar nada mais de uma menina mimada como você! Você também me deve desculpas, Ella! – A voz de Matteo indica raiva, mas ele já está chorando e encarando Ella do chão.

O sangue de Ella parece ferver e ela desce do cavalo em um salto, se aproximando de Matteo e apontando o dedo em seu peito.

– Foi você quem me abandonou Matteo! Foi você que me jurou amor e enganou! Foi como todos que amei! – Agora, a fúria de Ella está misturada à sua tristeza. Sentia-se traída, Matteo fez o que todos os que ela amava fizeram: a deixou.

– Ah claro, porque colocar nessa sua perspectiva é muito mais fácil Ella! Eu me atrasei! – Ele grita. Os olhos de Ella o encaram assustada. Matteo respira fundo e contém o tom de sua voz. – Ella, eu me atrasei. Não consegui sair do estábulo real a tempo, demorei mais do que pretendia e ainda tive que selar o cavalo do rei sorrateiramente para que ele saísse naquela noite, às escondidas. E imagine minha surpresa quando, chegando à cachoeira, antes mesmo de ver ninguém menos que vossa alteza sobre você, ouvir seus gritos de ‘majestade’. – Matteo não para de chorar enquanto diz essas palavras. – Eu sabia que não poderia competir com o rei, Ella. – Completa ele, por fim.

Ella chora em silêncio e os dois se encaram por um tempo que parece uma eternidade. A calma que seu corpo reflete não reflete seus pensamentos. A culpa recaía sobre Ella como um fardo muito pesado para carregar, tão pesado que suas pernas cedem e ela começa a chorar sentada no chão.

Matteo se senta ao seu lado.

– Ella… eu ainda amo você. – Matteo sabia que já perdoara Ella em seu coração havia muito tempo. Seu amor não deixou que ele se zangasse, mas agora, a ideia de tê-la tão perto, passeando com o rei pelo castelo como se fosse um prêmio que ele conquistou… e pensar que ele sequer a fizera sua rainha… – Você merece muito mais do que eu ou o rei lhe oferece, Ella. Você merece o mundo inteiro aos seus pés.

Os olhos encharcados de Ella encontram os de Matteo, que se aproxima e a beija. Ella não sabe o que pensar, seu coração só quer sentir, e, todo peso que a prendia ao chão se desfaz no beijo que eles trocam. É um pedido de desculpas mútuo e a confissão do amor que ambos ainda carregam. E Ella se entrega mais uma vez ao seu primeiro amor, não temendo mais nada, porque não estava mais sozinha.

***

Os dias passam rápidos e Ella não vê Matteo sequer uma vez desde a noite do casamento, mas seu coração se aquietara. Seu amor reacendido a deixava constantemente animada e, mesmo as tarefas mais monótonas as quais devia fazer e seguir, a deixavam calma.

Apesar do esperado, o rei continuava a ver Ella todas as noites, ora em sua própria cama, ora no quarto dela. Ella sabia que a rainha possuía seus próprios aposentos, na verdade, sua própria ala no castelo. E, vivendo ali na ala do rei, um pequeno mundo novo começava a se formar.

O rei já permitia que Ella participasse até mesmo de algumas reuniões em seu gabinete e lhe era sempre permitida a palavra. Ella podia não entender muito sobre guerra e algumas outras coisas, mas aprendia rápido e era perspicaz em suas observações. E claro, ela sempre tentava mostrar àqueles nobres reunidos que a realidade das pessoas que não viviam no castelo ou na alta corte, era bem distante diferente da deles.

Eram raras as ocasiões que Ella não tinha a companhia do rei e, certa noite, quando ele não aparecera, ela resolve sair para cavalgar. Matteo não estava em seus pensamentos, apesar de parecer provável que se encontrassem. No estabulo, Ella o encontra escovando a égua do rei.

– Trabalhando até esta hora? A pobre égua precisa descansar, Matteo. – Diz Ella, com um sorriso na voz.

Matteo sorri em resposta, se virando em direção à Ella, e parando seu serviço.

– Culpe o rei, é ele quem retornou há pouco com a pobre criatura, exausta.

– Ele chegou, de onde?

– Não acha que ele dê satisfações ao cavalariço, não é mesmo? – Matteo diz com graça, fazendo-a sorrir.

– Não, não acho. Quando foi que ele saiu?

– Antes do sol raiar, junto com uma grande comitiva. – Ella havia pensado que apenas que o rei estava passando tempo com a rainha, então preferira não pensar no assunto.

Passos apressados chegam até os dois e Ella se sobressalta, até ver que é apenas Josephine.

– Imaginei que a encontraria aqui. Preciso que venha comigo, senhorita, o rei deseja vê-la.

– Claro, Josephine.

Matteo e Ella se despedem com um olhar, enquanto Josephine a guia com pressa de volta ao castelo.

– Josephine? – Pergunta Ella, mas fica sem resposta. – Está zangada comigo?

– Eu estou muitas coisas, senhorita Cinderella e pode apostar que zangada é a menos preocupante delas. Mas amanhã teremos tempo para conversar, no momento, preciso leva-la ao rei. Você sabe como vossa majestade não gosta de esperar.

Assim que Ella é deixada no quarto do rei, Josephine fecha as portas, deixando-os à sós.

Thomas estava vestindo ainda parte de sua roupa de viagem e seus cabelos estavam atrapalhados. Sua aparência estava cansada e abatida. Parecia jovem demais para o peso da coroa.

– Onde estava, porque demorou, Ella? – Ele faz as perguntas, mas não dá tempo para que Ella as responda. Ele logo a beija carinhosamente e demoradamente.

Quando se soltam, ele já não lembrava as perguntas que fizera e elas pareciam sem importância.

– O que houve Thomas? – Ella pergunta com ternura, enquanto o abraça.

– Ah Ella… eu sou um péssimo rei, uma vergonha para o legado que meus antepassados deixaram… Acho que me tornei rei cedo demais e… – Lágrimas estão escorrendo dos olhos de Thomas.

– Mas é claro que isso não é verdade. O povo ama você, é um ótimo governante.

– Me amam porque não conhecem nada melhor do que eu ou porque são obrigados.

– Eu amo você, Thomas. Não sou obrigada a nada e amo você! – Ella diz, com carinho.

– Me ama mesmo? – Ele parece ainda ter seus vinte anos, nem um pouco com a imagem que costuma passar de si.

– É claro que sim. – Diz Ella, acalentando-o.

O rei se afasta e pega sua taça, bebendo o vinho que a transborda de uma só vez.

– Eu fiz algo muito ruim hoje. – A frase pega Ella despercebida e ela cai, acidentalmente, sentada na cama.

– Sente-se aqui comigo, me conte. – Ela diz, colocando sua mão sobre a cama.

Thomas solta um longo suspiro. Retira suas botas de montaria e sua camisa e se deita na cama, com a cabeça no colo de Ella.

– Estamos com problemas com o reino vizinho há um tempo, questões de comércio. Nada que uma conversa entre homens não pudesse resolver.

– Sim. – Ella diz, acompanhando cada palavra.

– Mas o rei é orgulhoso demais e, nós precisamos da travessia pelo reino dele. Então, ele resolveu barganhar.

– Barganhar?

– Sim. Seu único filho é um príncipe imprestável, esteve aqui em minha corte, como convidado em várias ocasiões. Você o conheceu, se chama Antenor. Príncipe Antenor. – Repete Thomas, com desdém.

– Acho que me lembro dele. Alto, magro e com cabelos escuros, certo?

– Exatamente. Mas, o rei disse que para mantermos o acordo de comércio eu deveria dar-lhe como noiva de seu filho. – As palavras não parecem fazer muito sentido, a princípio, mas logo o fazem.

– Ele quer que eu me case com o filho dele?

– Não foi ideia dele, fora do garoto, é claro. Ele desenvolveu um fascínio por você pelo tempo que esteve aqui. – A respiração de Ella se acelera.

– Ella, não se preocupe, você não vai a lugar algum! Eu não disse que tomaria conta de você? – Fala Thomas, se aproximando de Ella e beijando-lhe a face.

– Mas, o que foi feito, então? – O peso em seu coração continuava.

– Eu deixei claro ao rei que não abriria mão de você Ella, porque… – Ele parece perder as palavras por um instante. – Porque eu a amo. Só você Ella, amo com todo meu amor. – Ele beija carinhosamente uma das mãos de Ella, beijando seus lábios em seguida.

– Você disse que algo ruim aconteceu, o que houve?

– Bem, o rei aceitou que eu desse outra dama em seu lugar. Eu ofereci a mão de Drisella. Anastasia já deseja um casamento vantajoso para a irmã e, sem dúvidas, esse o é. Príncipe Antenor é o único sucessor do trono.

– Bem, é o que todas queriam, eu acho. – Diz Ella. – Eu não consigo saber porque isso faz de você um mau rei.

– Estou jogando Ella, com a vida das pessoas. Eu jurei que não faria isso de modo algum quando fosse rei. Eu tentei mudar as coisas com aquele baile insano para escolher minha noiva e, então, você fugiu. Tentei dar ao povo o que eles gostam e falhei quando o conselheiro foi enganado tão facilmente por sua madrasta. E agora, eu jogo com você, fingindo que não tenho uma rainha a qual devo atenção, amando você ao invés dela e impedindo que você tenha uma vida de verdade. E faço o mesmo com minha rainha. – Thomas está aos prantos. Outrora, suas explicações teriam enfurecido Ella, mas neste dia, em que seu coração estava leve ainda pela reconciliação com Matteo, o rei só lhe parece uma criança perdida, que não sabe o que fazer com tanto poder que lhe fora conferido.

– Não tem que se culpar por tudo. Algumas coisas são porque tem de ser. Eu amo você Thomas e se precisasse, faria tudo novamente e estaria aqui hoje, no mesmo lugar, da mesma maneira, com você. Não estaria usando aquela coroa ou tampouco o título. Prefiro ter você por inteiro do que apenas uma parte.

Thomas a encara como se sem acreditar. Ele a beija e ambos se amam mais uma vez, esquecendo-se de todos os outros que fazem parte de suas vidas.

***

Poucos dias depois da conversa sobre o casamento de Drisella, com o rei, Cinderella se vê rodeada novamente da madrasta e da noiva, e da rainha Anastasia, enquanto elas se despedem, entre lágrimas. O rei convencera, durante a negociação, de que a mãe de Drisella seria uma ótima aquisição para a corte do reino vizinho e, assim, ambas partiram.

Ella chega a ficar com pena de Anastasia. O rei só estava junto a ela quando a obrigação era necessária e, fora as damas da corte, suas companhias frequentes eram apenas a mãe e a irmã. Com certeza ela se sentia sozinha agora. Apesar disso, Ella também não conseguia se sentir triste pela partida.

Os dias se seguem com normalidade e, quando o rei e a rainha viajam para o casamento de Drisella com o príncipe Antenor, Ella não teve dificuldades em convencer Thomas de que não era uma boa ideia que ela os acompanhasse. E, assim, Ella conseguia vez por outra escapar para encontrar-se com Matteo.

– Estamos nos arriscando muito, Ella. – Diz Matteo, enquanto os dois estão deitados abraçados em meio ao feno do estábulo.

– Não me importo.

– O rei ficará enfurecido se descobrir…

– Ele não é o único dono do meu coração, Matteo. E, desde quando você se preocupa com isso? – Matteo se senta, deixando Ella de lado.

– Não é certo, Ella. Nós devíamos nos casar, ter nossos filhos. Ter uma vida de verdade.

– Nós temos uma vida de verdade, Matteo. E que história é essa de se casar?

– Não sei. Acho que agora, você pode estar feliz assim, mas espere até a rainha ter rebentos suficientes para encher o castelo e a atenção do rei virar para ela e para os filhos. Ele não se lembrará de você com tanta frequência.

– O que está dizendo? Que não serei jovem para sempre, para manter o amor do rei? – Cinderella se levanta e começa a apertar o espartilho de seu vestido.

– Não Ella! Mas deveria ser você usando aquele título de rainha, nós dois sabemos. E sabemos quem tem a culpa também.

– Isso é ridículo, Matteo! Quer dizer que preferia que eu fosse a rainha para você ser meu amante e eu lhe mimar ou apenas se trata do fato de que você não tem coragem de dizer que não me quer desta maneira?

– Ella, não é isso, eu…

– Não Matteo, eu compreendo. Eu não quero coroa alguma, tampouco quero que você continue se sentindo preso a mim por qualquer razão. Encontre uma jovem e a faça feliz, case com ela! – Diz Ella, irritada, já saindo a passos pesados de volta para o castelo.

Matteo não a segue e Ella não sabe se isso significa que ele esteja magoado ou com a razão. De fato, Ella não pensava no futuro, não pensava em como seria sua vida quando a rainha tivesse filhos, ou quando sua juventude começasse a murchar. E também não queria pensar em nada disso.

…Continua…

Curioso (a) para a próxima parte? Então me conta o que está achando da história da Ella e o que espera que aconteça!

xoxo

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