Cinderella ♥ Parte III/VIII

Em 12.09.2016   Arquivado em Cinderella, Contando Histórias, Projetos

Bom dia, tarde e noite pessoal!

Dando continuidade as postagens da história da Cinderella, segue a terceira parte! Para quem não sabe do que estou falando, confira as postagens anteriores aqui e aqui! E, para quem quiser ler a história completa, é só acessar o Wattpad!

Boa leitura e boa semana para todos e todas!

Cinderella – Parte III

Certa tarde, as gêmeas voltaram do seu passeio na cidade em polvorosa. O arauto do rei fizera um anúncio: seria dado um baile, dentro de uma semana, no qual vossa majestade escolheria uma esposa, para se tornar sua rainha.

– Mas que ideia mais tola! – Cinderella deixa escapar, imediatamente.

– Tola é você, vá já para cozinha, Cinderella. – Diz Anastasia, xingando-a.

Ella segue com seus pensamentos para a cozinha e, nesse momento, seu encontro íntimo com o rei lhe desperta a curiosidade de como seria vê-lo ao menos mais uma vez. Ele se lembraria dela? Era bem provável que não, mas não sua imagem e da lembrança de seu toque, faziam-na pensar em como seria interessante revê-lo, nem que fosse para avivar ainda mais essas lembranças e poder sonhar com elas por mais tempo. Como seria sua vida se ela tivesse ousado aceitar sua proposta para lhe fazer uma de suas amantes? Era uma ideia que, curiosamente, ainda reverberava em sua mente. De toda forma, Ella recusara, e sabia que não podia viver com a ideia do que poderia ter sido.

Esgueirando-se até a porta da sala de estar onde as gêmeas estão contando tudo que sabem sobre o baile, para sua mãe, Ella escuta:

– Mas não recebemos convite algum, meninas, se acalmem. – Diz a Lady em tom indiferente.

– Não, mamãe! Todos estão convidados. Qualquer um que possa se vestir adequadamente poderá entrar no baile! – Diz a voz irritante de Drisella.

Ella consegue até mesmo imaginar a mudança na expressão da madrasta. E, se assim o era, qualquer um poderia ir ao baile… uma ideia brilhante surge. Se é para todos, Ella haveria de comparecer, para ter a chance de ao menos ver o rei uma última vez.

– Sendo assim, posso ir também. – Cinderella não faz uma pergunta, é comop uma constatação e acaba saindo de seu esconderijo.

As gêmeas começam a rir histericamente, mas a madrasta, após um riso de escárnio, responde à jovem, que permanece lhe encarando de modo petulante.

– Isso está totalmente fora de questão. O baile é para pessoas nobres e você não se enquadra nessa descrição. Além disso, não teria sequer o que vestir.

– Claro que teria, ainda tenho o vestido azul de estrelas… – Responde Ella ignorando a primeira parte da fala da madrasta, mas logo sendo interrompida por mais risos e a fala da madrasta.

– Oh querida, mas vendemos este vestido há muito tempo. Nem que quisesse haveria vestimenta adequada para você. – O desdém pontua cada palavra.

– Vendeu o meu vestido, com que direito? – As palavras de Ella desabam nova onda de fúria na madrasta, que se levanta em um ímpeto e começa a arrastar a garota para o sótão. Aparentemente, trancá-la em seu quarto não seria castigo suficiente para hoje.

– Ficará o dia todo e sem jantar! – A madrasta vocifera do lado de fora e Ella ouve seus passos apressados descendo novamente as escadas.

Cinderella não tinha mais lágrimas para chorar por seus castigos absurdos e desmensurados.

– Isso é ótimo, porque, assim, elas também não terão o que comer pelo resto do dia. – Por mais que essas palavras a consolassem, a garota não conseguia impedir que a tristeza tomasse conta dela. Quando passou por sua cabeça que lhe seria permitido ir ao baile? Estava sonhando mais do que deveria.

Ella começou a reparar nos itens que estavam no sótão. Vários baús, dois espelhos cobertos de panos, muitas e muitas caixas. Assim que Ella abre um deles uma surpresa: eram os pertences de sua mãe.

Pouco depois que sua mãe falecera, o pai de Ella, mesmo diante de seus protestos, disse que se livraria de tudo que era de Eleonor. Pelo visto, ele mentira para Cinderella. “Com certeza nunca estive tão feliz ao descobrir uma mentira!”, pensa a jovem.

As horas do dia são passadas experimentando roupas e mais roupas de sua mãe, e logo Cinderella já escolhera o modelo que usaria no baile. Ela não precisava do vestido de estrelas, afinal. O vestido de sua mãe era ainda mais bonito, com um tecido claro e florido que combinava com o tom de seus cabelos e bordado com lindas contas de pérola no corpete e na barra. A jovem até mesmo se sentia parecida com a mãe enquanto usava o vestido e a lembrança de seu amor caloroso lhe pareceu fresca na memória.

Cinderela guardou todos os itens com cuidado novamente e apenas aguardou que a Lady aparecesse ao fim do dia para lhe destrancar. Ella partiu para fazer o jantar, como lhe fora ordenado, com a alma mais leve e alegre.

Os dias que se seguiram foram resumidos aos preparativos das gêmeas para o baile, a ideia da Lady era de que, mesmo que não conseguissem a atenção do rei, muitos nobres estariam no baile, prontos para serem laçados e conquistados como maridos. Drisella e Anastasia, por sua vez, não pensavam assim, a meta era, sem dúvidas, conquistar o prêmio máximo da noite.

A grande noite enfim chegara e, após preparar cuidadosamente os cabelos das gêmeas e da madrasta, Cinderella vestiu cada uma delas com esmero. As três, apressadas, se reuniram na sala de estar aguardando que a carruagem locada chegasse para levá-las ao castelo.

Cinderella sabia que não haveria muito tempo para se preparar e se resignou a tomar um banho frio, na tina que estava em seu quarto, já há muito preparada. Escovando rapidamente seus cabelos, ela os prendeu em bonitas tranças no alto de sua cabeça e, com uma presteza de quem já aprendera a fazer isso sozinha, fechou o vestido florido em seu corpo. Já estava prestes a calçar suas botas surradas, uma vez que os sapatos de sua mãe eram todos por demasiado grandes em seus pés, impedindo-lhe de andar sem cair, quando viu uma caixa dourada no fundo do baú. Não a havia notado.

Assim que a abriu, um resplendor transparente e dourado a encarava. Um sapato elegantemente dourado, parecendo pintado com tinta de ouro e recoberto de tantos diamantes que era provável que parecesse feito de vidro, a encarava. Mesmo sabendo que, provavelmente ficaria largo em seus pés, não pode evitar o ímpeto de calçar aquele par maravilhoso. Para sua surpresa, serviram como se tivessem sido feitos sob sua medida.

Ella fica um tempo encarando seus pés, completamente maravilhada pelo efeito que causavam. Mesmo com o vestido abaixado, ela sentia a beleza que exalava agora. O barulho da carruagem se aproximando a faz sair as pressas, descendo a toda velocidade as escadas do sótão e seguindo até a sala de estar.

– A carruagem chegou! – Ella anuncia, em polvorosa. As três mulheres a encaram, estupefatas.

Cinderella crê que o espanto de cada uma delas se dava devido à sua ousadia em desobedecer e resolver ir ao baile. De fato, em parte essa era a razão. Contudo, a maior parte do espanto, era por toda a beleza revelada em Cinderella, que estava resplandecente, vestindo além de belas vestes, uma alegria e empolgação que há muito tempo não lhe era comum.

– Quanta ousadia! – Diz Drisella.

– Disparate! – Completa Anastasia.

A madrasta, com um olhar que não poderia ser descrito como enfurecido, mas sim como irado, se aproxima calmamente de Ella. A jovem diminui diante da imponência e expressão da madrasta. Suas palavras, para surpresa de Cinderella, soam tão baixas quanto frias.

– Quem você pensa que é sua garota tola e burra? Não entende? Você não irá ao baile, nem hoje, nem nunca. Sua reles existência já me é uma afronta! Não quero ser vista ou associada a você! – Em um movimento rápido, a madrasta puxa a tira de pérolas do delicado bordado do vestido. É a oportunidade que suas filhas têm de se aproximar e começar a puxar as fitas e barrado do vestido de Cinderella.

A garota tenta lhes impedir, mas são três contra uma e até seus cabelos são puxados e despenteados. O tecido de seu vestido é rasgado em várias partes e, quando Ella puxa uma mecha do cabelo de Drisella, que grita exageradamente em resposta. Em punição a madrasta dá uma bofetada no rosto de Ella, fazendo-a cair à escada, com seu choro já alto e soluçante. A madrasta estende suas mãos diante de suas filhas, para que parem o assalto, após a queda.

– Lembre-se desse lugar Cinderella, é exatamente o qual você pertence. – Fala a madrasta, ainda com seu tom calculadamente baixo.

As três partem com posturas perfeitas pela porta e logo Cinderella ouve os cascos dos cavalos e o sacolejar da carruagem partindo. Ela sequer consegue se mover, seu choro tomando conta de todo seu corpo, toda a alegria que sentira mais cedo, despedaçada e arrancada junto de suas roupas.

Cinderella não sabe ao certo se se passaram horas ou minutos quando um barulho conhecido de cascos batendo ao chão e rodas de madeira sendo puxadas chega até as escadas, onde ela está.

Não é possível que já tenham retornado! Não posso sequer sofrer sozinha!”, lamenta a jovem, internamente.

Uma batida soa à porta e ela vai abrir. Um empavonado rapaz, de libré, está segurando uma caixa enorme e logo diz:

– Entrega real para a irmã, não de sangue, das senhoritas Victorique. – Ele lê de um pedaço de papel preso à tampa da caixa.

– Mas…

O rapaz deixa a caixa em frente a Cinderella e prontamente retorna para a carruagem, abrindo a porta e se postando em posição de quem aguarda alguma coisa.

Um bilhete estava colado na tampa da caixa com os dizeres que o rapaz dissera. Ao ler as palavras contidas no interior do papel, que possuía em seu lacre o leão do timbre real – que Ella apenas reconhece porque seu pai, em outros tempos, recebera algumas notificações reais, quando era um comerciante importante do reino –, as palavras escritas em uma caligrafia fina e rebuscada, eram:

À doce e bela senhorita sem nome, irmã – não de sangue – das gêmeas Victorique,

 Espero vê-la no baile esta noite.

 Com ansiedade,

Sua Majestade.

As lágrimas ainda escorriam pelo rosto de Ella, mas desta vez eram de alegria. Rapidamente, ela abre a gigante caixa, que possui ao menos metade de sua altura e, de lá, surge o vestido mais belo que Cinderella vira em toda sua vida.

Ele era de um tom azulado indescritível, que parecia compreender todos os azuis existentes em um único tecido. Os bordados intrincados de fios de ouro em seu corpete possuíam diamantes incrustados, como se tivessem brotado de seus encontros. Ainda por cima, o vestido combinava ainda mais com os sapatos de sua mãe.

Ella soltou as tranças atrapalhadas de seu cabelo, mas não haveria tempo para prendê-los novamente. No espelho, o rubor de suas faces e os cabelos soltos e ondulados, dava-lhe um ar mais jovem e selvagem. “Talvez mais parecido com a memória que o rei tem de mim”, ela pensou, orgulhosamente.

A carruagem luxuosa trilhou o caminho com rapidez sem igual, e Ella sentia seu coração palpitar sob o corpete apertado, que realçava ainda mais seu colo farto.

Ao descer em frente ao castelo, a imponente construção lhe causou um arrepio. Não havia o movimento de carruagens chegando, sem dúvidas todos chegaram pontualmente ao evento e tudo parecia estranhamente deserto.

Depois de subir uma escadaria que parecia não ter fim, Cinderella chega a um hall esplendoroso, com as paredes recobertas de finas tapeçarias e lustres e candelabros com milhares de velas acesas, iluminando todo o local.

Delicadamente, um criado a guia pelas portas laterais, que se abrem pesadamente para um amplo salão, ricamente decorado com bandeiras douradas e vermelhas com o leão do símbolo real.

O burburinho do salão e a música param por um instante, pelo barulho que a porta faz ecoar. Todos os olhos se dirigem à Cinderella, que consegue esboçar um sorriso que a ilumina ainda mais.

Ella desce as escadas com vagareza e logo um caminho começa a se abrir no centro do salão. Sem entender a razão, a jovem aguarda as pessoas se reacomodarem e então, vindo em sua direção, o rei, firme em cada passo que dá e ainda com um sorriso deslumbrante.

Cinderella faz uma enorme mesura, como fora ensinada e assim que se ergue, o rei está parado à sua frente, mais próximo do que a polidez demandaria.

– Fico feliz que tenha vindo. – Ele diz, ainda sorrindo.

– A honra é toda minha majestade. – Diz Ella, curvando-se polidamente.

– A senhorita me daria a honra de valsarmos?

As bochechas de Ella se esquentam pelo olhar sedutor do rei e por todos os outros olhares curiosos que a rodeiam. Por um instante ela se preocupa que a madrasta ou as gêmeas pudessem aparecer e humilhá-la, mas é provável que elas não o fizessem na frente do rei.

Assim que a melodia começa, Cinderella desliza pelo salão, como se vivendo um sonho na própria realidade. Todas as aulas de dança que Ella teve desde pequena, serviram, afinal, para abrilhantar seus movimentos fluidos e elegantes. Cada toque do rei a fazia despertar, como se aquela fosse uma parte ainda não descoberta de seu corpo. Os olhos dos jovens dançarinos não desviaram uns dos outros por sequer um momento, até o fim da dança, quando ambos se cumprimentaram novamente.

O salão irrompeu em aplausos e rapidamente outros casais começaram a valsar, completando o espaço antes destinado ao rei e a jovem desconhecida. Foi a oportunidade perfeita para que o rei se aproximasse e levasse Ella até os jardins externos da propriedade.

– Mudou de ideia? – O rei pergunta, tão logo se veem afastados até mesmo dos guardas que rodeiam o castelo.

Cinderella estava fascinada com a variedade de flores do jardim, uma mais bela e perfumada que a anterior, tocando e cheirando todas as quais era possível alcançar. Altas árvores formavam uma espécie de pequena floresta no centro do jardim, a qual Ella se embrenhava cada vez mais, com o rei a seguindo.

– Perdão, majestade? – Em verdade, a jovem não sabia ao certo o que o soberano quis dizer. O rei não se aflige com o que ele julga ser polidez da garota e volta a falar.

– A proposta que lhe fiz, sobre ser minha amante. Mudou de ideia, senhorita?

Ella não sabia ao certo dizer o porquê, mas logo se sentiu ruborizar. Não fora exatamente isso que ela queria quando voltou. E, em parte, não esperava nada mais que ver o rei novamente. A ideia de receber a proposta anteriormente recusada, apesar dos devaneios que tivera, não lhe parecia mais conveniente agora, tampouco.

O rei se aproxima e beija os ombros nus de Ella, fazendo-a arrepiar por inteira sob seu toque. Cada beijo descia por lugares cada vez mais íntimos e Cinderella já se sentia novamente como a jovem perdida daquele dia na floresta, ansiando por alguém que lhe fizesse esquecer seus problemas.

Os dois se perderam um no outro novamente, e Ella logo fica preocupada quando o relógio da torre começou a badalar, indicando que a meia-noite chegara. Precisava chegar em casa antes da madrasta.

– Preciso ir, alteza. – Diz ela, se desvencilhando dos seus intermináveis beijos e aconchegos.

– Você pode ficar, quero que fique! – Apesar das palavras parecerem um pedido estavam repletas de desejo e o tom de ordem as coloriam.

– Sinto muito, majestade, eu… preciso voltar. – Ella diz com clara confusão em sua voz.

O rei estava abotoando suas roupas novamente enquanto Ella começava a voltar correndo em direção ao castelo.

– Case-se comigo então, senhorita! – As palavras dele soam firmes, mas todo o poder e a indicação de que fosse uma ordem, as deixaram.

Cinderella rapidamente se volta e encara o rei. É a primeira vez que ele aparenta ter apenas os vinte anos que possui e seus olhos estão entristecidos. Ella sente seu coração pesar e todo amor que ela tentara reprimir por Matteo lhe aflora como uma adaga a cruzar-lhe o peito. Não seria possível casar-se com outro, provavelmente, nunca mais.

Com as lágrimas já derramando em seu colo, Ella se vira na direção do castelo e corre o mais rápido que consegue. O rei tem de se ater por um instante para terminar de se vestir e, então, parte atrás dela, gritando ordens para que fosse detida.

No tumulto do salão, ninguém notou a jovem passar apressadamente, mas a presença do rei não surtiu o mesmo efeito e, apesar de suas tentativas, ele demorou ainda mais tempo para cruzar o salão.

Cinderella já estava em frente a enorme escadaria na saída do castelo quando retirou seus sapatos, segurando também a barra de seu vestido, para descer com mais rapidez. Chegando na metade delas, um dos sapatos escapa de sua mão, mas ao ver que guardas e o próprio rei já começavam a descer, ela não parou para pegá-lo.

A jovem correu e entrou com ainda mais pressa na carruagem, que partiu rapidamente em direção à casa de Cinderella.

– Que fuga mais idiota! – A jovem diz para si mesma enquanto chora a plenos pulmões sob o sacolejar da carruagem.

O rei poderia ficar furioso e mandar prendê-la, afinal, ele sabia onde ela morava e sabia quem era ela, apesar de não saber seu nome. “Logo a ira de vossa majestade recairá sobre mim e me arrependerei de ter negado sua vontade desde a primeira vez.” – um tremor incomum a toma conta, diante de tal pensamento.

***

No castelo, as pessoas começam a ir embora do baile, sem entender ao certo tudo o que se passou entre o rei e a donzela fujona.

– Vossa majestade deve ponderar melhor essa ideia. Não faz nenhum sentido submeter às pessoas a isso e, além do mais, várias princesas de reinos que formariam uma excelente união compareceram hoje. – Diz um dos conselheiros reais.

– Não me interesso nelas e não preciso me casar para formar aliança alguma. – O rei diz, com convicção.

– Mas, e se outra jovem calçar o sapato, vossa majestade se casará com a primeira ao qual ele servir? – Retruca o conselheiro.

– Claro que não. Faremos uma cópia do sapato, grande o suficiente para parecer um sapato, mas pequena o bastante para não servir em nenhuma dama, da idade correta.

O conselheiro solta um suspiro, se dando por vencido.

– A senhorita a qual me refiro é uma das Victorique, o verdadeiro sapato, este aqui, – Diz o rei, levantando o calçado na palma de sua mão. – deverá ser experimentado apenas naquela residência. E a garota deverá ser trazida com toda pompa até o castelo… para mim.

– Sim, vossa alteza. – O conselheiro não estava nem um pouco convencido ou satisfeito, mas ordena que a mensagem seja redigida e que o arauto faça o anúncio em todos os cantos do reino, no dia seguinte.

– As pessoas gostam de ser entretidas, vamos dar a elas esse divertimento. – Completa o rei, mais para si mesmo do que para qualquer outro que os estivesse ouvindo.

***

A Lady e suas filhas passam todo o caminho conversando sobre a garota que chamara a atenção do rei. As gêmeas eram por demasiado tolas para sequer notar a semelhança com sua irmã mais jovem.

Por outro lado, a Lady não era tola. Era uma mulher astuta e inteligente e a semelhança com Cinderella não lhe passou despercebida, apesar de não ter conseguido ver a moça muito de perto e sua visão, à distância, não ser das melhores. Parecia impossível que aquela fosse à garota que elas deixaram derrotada à escada em sua casa. “Impossível não, improvável.”, corrige-se em baixo tom enquanto as filhas falam ardentemente dos rapazes com os quais dançaram várias e várias vezes.

***

Cinderella ouve o barulho da carruagem e dos risos das gêmeas, que entram cantarolando em casa. Seu vestido fora colocado no lugar em que antes ela guardava o de sua mãe, junto ao pé de sapato que lhe restara.

Quando as três damas chegam à cozinha, Ella já está colocando o chá no bule para servi-las, como gostavam de fazer antes de se recolherem para dormir.

– O baile foi maravilhoso Cinderella, você realmente perdeu o melhor baile de todos os bailes! – Diz uma Drisella sonhadora, que aparentemente bebera mais vinho do que a etiqueta recomendava.

– Sim, estava esplendoroso. Não fosse o fato do rei já ter uma preferida, diria que fora perfeito. – Completa Anastasia.

– Preferida? – Ella pergunta, fingindo interesse.

– Sim, com certeza já se conheciam. Conversaram intimamente antes de valsar e ainda por cima vossa majestade a reconheceu à distância, assim que entrou no salão. – Responde Anastasia.

– Com certeza. Mas acho que conseguimos impressionar suficientes lordes e duques para uma noite. Em breve devemos ter boas noticias. – Diz Drisella, com certeza em sua voz, apesar do tom alterado.

Ella lança um rápido olhar para a madrasta, que se mantivera silenciosa durante toda a conversa.

– Meninas, é hora de nos recolhermos. Com esperança, teremos boas novas ainda nesta semana. – A Lady enfim se manifesta, encerrando as trivialidades da noite.

Logo Cinderella retorna para seu quarto, divida entre o sentimento de culpa, por ter fugido e, em parte, por ter tido a oportunidade que desejara: ver o rei novamente. Já em sua cama, cai em um sono pesado em que sonha com partes do castelo as quais nunca conhecera.

 …Continua…

Gosta de Contos de Fadas? Não esqueça de contar o que está achando da história e acompanhar o restante da saga de nossa querida Ella!

xoxo

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