Cinderella ♥ Parte I/VIII

Em 05.09.2016   Arquivado em Cinderella, Contando Histórias, Projetos

Bom dia, tarde e noite pessoal!

Uma das metas que coloquei durante o BEDA, era de iniciar as postagens de algumas das minhas histórias. A princípio, seria uma história específica, contudo, a tal história está levando muito mais tempo do que o inicialmente pensado… Mas, ainda que não tenha ocorrido no tempo planejado, a ideia é tornar o Retipatia um lugar para compartilhar algumas histórias que escrevo, além dos meus pensamentos loucos. Daí que, passeando pelo Creative Writing Prompts, um site super legal que compartilha ideias para estimular a escrita criativa, é que escolhi o número ‘4’ para começar. Confira só a proposta:

Fairy tales have happy endings. All of us know what happened in that mushy fairy tale, Cinderella. Yeah, it’s romantic, the prince actually finding Cinderella. They lived happily ever after. But happy ends can sometimes be, well… boring. No zing. So predctable. So… happy. What if the shoe fit one of the sisters? What happens then? Play with your imagination here. Be funny if you like. Or serius if you feel like it. Or be an Alfred Hitchcock. Whatever you are into, write your ending to the Cinderella story – but this time, make it so that the shoe fit one of the icky sisters. What does Prince Charming do? How does Cinderella cope with it? And what about the Fairy Godmother? Start your story here.

Para quem arranha no inglês, segue uma tradução super livre, de minha autoria:

Contos de Fadas possuem finais felizes. Todos sabemos o que acontece no sem graça conto de fadas da Cinderela. Sim, é romântico, de fato o príncipe encontrando a Cinderela. Eles viveram felizes para sempre. Mas finais felizes podem ser, bem… entediantes. Tudo igual. Tão previsível. Tão… feliz. E se o sapatinho servisse em uma das irmãs? O que aconteceria então? Brinque com sua imaginação aqui. Seja engraçado se quiser. Ou sério se se sentir assim. Ou um Alfred Hitchcock. Seja qual for a sua, escreva o seu final para a história da Cinderela – mas dessa vez, faça com que o sapatinho sirva em alguma das irmãs más. O que o Príncipe Encantado fará? Como a Cinderela irá lidar com isso? E sobre a Fada Madrinha? Comece sua história aqui.

A ideia me encantou. Cinderella é ‘apenas’ a minha princesa favorita. Talvez meu amor por sapatos venha daí, não sei dizer… rsrsrs De toda forma, apesar de a ideia ser recontar a partir de quando o sapatinho serve em outra pessoa, eu sou desobediente, e então, vou recontar T O D A a história da Cinderela e ir postando por partes, porque obviamente ficou muita grande (quase 70 páginas no Word). Por causa disso, dividi a história em 8 posts, que ocorrerão duas vezes na semana, para ficar mais fácil para quem quiser acompanhar e, assim, terminará ao final do mês de setembro.

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Esta é a primeira parte, então, pegue um chá, sente-se confortavelmente e, boa leitura!

Cinderella – Parte I

– Saia já detrás dessa porta, menina! – A governanta nunca dera a Cinderella muita folga. Qualquer deslize era fora motivo de repreensão.

 – Mas mamãe está… – Diz a garota com tom de choro.

 – Sem desculpas! Você irá se sentar comportadamente na cadeira e aguardar seu pai e o doutor saírem do quarto.

Cinderella se senta na cadeira, tentando forçar os ouvidos a compreender os baixos sussurros intercalados entre um acesso e outro de tosse forte de sua mãe.

 – Postura. – Diz a governanta.

 Cinderella de pronto senta-se adequadamente na cadeira, tão logo a porta se abre e o médico aperta a mão de pai.

 A garota observa o senhor de cabelos brancos saindo porta afora e encara o pai, em seguida.

 – Venha cá, Ella. Venha ver sua mãe.  – O pai de Cinderella raramente a chamava pelo apelido carinhoso que a mãe lhe dera, mas nesse momento até seu coração duro estava amainado.

 Antes de se levantar a menina olha em direção a governanta que, com um aceno de cabeça, assente para que ela siga o pai.

A mãe de Cinderella, Eleonor, não era velha, era mais jovem que seu marido, Ludwig. Como é costume, casaram-se quando Eleonor não tinha completado quinze anos. Mas agora, estava tão adoentada que aparentava ter muito mais que seu vinte e três anos.

Adentrando no quarto, Cinderela corre e sobe para a cama de seus pais, abraçando sua mãe, já com os olhos pingando como uma torneira velha.

– Mamãe, você vai ficar boa, não vai?

– Ela não deveria, Ludwg… – A voz de Eleonor sai fraca, mas é suficiente para que o pai compreenda.

– Só um pouco querida, não vai fazer mal.

– Amo você minha pequenina Ella, não importa o quão difícil seja… – Um acesso de tosse toma conta de Eleonor novamente, mas, mesmo depois de se acalmar, nenhuma palavra sai de sua boca. A aparente calmaria se dá quando sua alma já deixara o corpo fragilizado.

– Mamãe? Mamãe! – O choro de Cinderella era tão alto e sofrido que poderia facilmente ser ouvido até mesmo pela criadagem que estava do lado de fora da mansão.

A menina só se acalmou quando o médico, retornando às pressas pelos criados, deu-lhe um calmante.

Claro que Cinderella sofria por sua mãe, era a melhor pessoa que ela conhecia e a que mais amava. Seu pai era um bom homem, mas sempre arrefeceu em zelar pela filha, não fosse no que lhe competia.

***

Sete anos se passaram desde a morte da mãe de Cinderella, que não é mais uma criança.

– Ela parece mais uma égua selvagem! Não sei como chegamos a este ponto, mas seus serviços não serão necessários. Em algumas horas, minha nova esposa chegará e colocará tudo em ordem, inclusive Cinderella.

A governanta, uma mulher um tanto quanto orgulhosa, contêm as lágrimas pela inesperada decisão do homem. Sai de cabeça erguida, mas sequer tem a oportunidade de se despedir de Ella. Por mais que negasse, desde a morte de sua mãe, ela afrouxara as rédeas da garota e a deixara mais livre do que uma dama deveria realmente ser.

Cinderella vem cavalgando no lombo de seu cavalo branco, numa pressa desenfreada. O cavalariço logo corre ao seu encontro e a dirige com pressa ao estábulo.

Assim que os dois se veem sozinhos no estábulo, ela nota a tristeza em seu olhar.

– O que houve, porque esta cara Matteo? – Cinderela pergunta, logo notando a expressão carregada, que não combina com os traços bonitos e marcantes de seu rosto.

– Seu pai a mandou embora, a governanta.

– Ele retornou da cidade? Mas, como ele ousa? – Retruca Cinderella.

– Ele não está contente hoje, qualquer um que pise lá na casa está ameaçado de ser despedido.

Cinderella se vira furiosa em direção a casa, mas o cavalariço segura sua mão.

– Tenha cuidado, Ella.

– Ele não pode me mandar embora, não é mesmo? – Diz Ella, em tom zombeteiro.

Cinderella então lhe abre um sorriso sincero e agradecido. Se aproxima e beija ternamente os lábios do seu primeiro amor. Em poucos segundos a garota se perde em seus lábios, desejando mais e mais. O cavalariço a prende entre as madeiras da parede e logo suas mãos deslizam por sobre as camadas do vestido da garota. Ella se arrepia sob seu toque e se deleita com ele.

– Pare. – Diz Cinderela, ofegante, quando a mão de Matteo chega alto demais. – Não posso.

– Me desculpe. – Diz Matteo, soltando os tecidos azulados.

Ella lhe dá um beijo casto desta vez e segue em direção a casa. Seu pai está logo do lado de fora, aguardando-lhe.

– Onde estava? – Ele pergunta em seu tom rude.

– Cavalgando, papai.

– Com todo este sol? Olhe como está corada! Esses cabelos despenteados e as roupas sujas e amassadas. Não é nem um pouco aceitável que se porte desta maneira, nenhum pretendente irá aceita-la assim.

Ah, a história de casamento outra vez.”, pensa Cinderela, revirando os olhos.

– Papai, não quero ter que me casar com um desconhecido, eu… – Ele ergue sua mão, fazendo-a calar-se de imediato.

– Que tivesse nascido homem então. – As palavras são como farpas no coração de Cinderella e ela luta para conter as lágrimas que surgem. – Olhe, filha… – Seu pai continua em tom mais ameno. – … isso é o melhor que posso conseguir para você. Em poucas horas você terá uma nova mãe e irmãs para ajudar-lhe a se portar devidamente.

– Mas e a governanta? O senhor não se casou, como terei…

– Nos casamos noite passada, está tudo acordado. Eu vim à frente para contar-lhe as boas novas assim como para preparar a casa para recebê-las.

– Boas novas? Eu não quero outra mãe! Minha mãe morreu! E nenhuma outra mulher tomará seu lugar! – Cinderella já está aos berros, mas seu a pai a faz se calar, ao segurar-lhe pelos punhos.

– Você já vai completar dezesseis anos. Está passando da hora de amadurecer. Em breve terá seu próprio marido, filhos e casa para cuidar. Chega de tolices! Agora vá se limpar e se arrumar adequadamente para receber a Lady e suas filhas.

Cinderella parte aos prantos para seu quarto, onde duas criadas já estão preparando a tina com água quente para seu banho. Ella deixa que elas a dispam e entra na água quente. Seu corpo é lavado, seu cabelo perfumado e desembaraçado, enquanto as lágrimas ainda mancham sua pele de pêssego.

Quando pronta, Cinderela desce para esperar pela novas mãe e irmãs, como seu pai disse. Sua expressão estava fria, indiferente a qualquer coisa, mas seu coração estava retorcido em lamentação.

– Muito melhor. Você não faz ideia de como é parecida com sua mãe, Ella. É ainda mais bonita. – Mesmo as palavras soando mais gentis, Ella ainda não perdoara seu pai. Ella apenas assente com a cabeça, temendo que qualquer palavra proferida pudesse fazê-la desmanchar em lágrimas.

Logo o som de cascos e rodas surge e Cinderela e seu pai partem para a frente da casa, como pessoas hospitaleiras.

Cinderella logo nota que não está chegando apenas uma carruagem, mas duas delas. Ambas apilhadas de bagagens. Da primeira delas descem duas jovens de aparência frívola. Vestidas e adornadas com roupas da moda, absurdamente idênticas, não fossem pelas cores distintas: alaranjado e cor-de-rosa.

As damas fazem uma mesura digna de ser apresentada à realeza e Cinderella pensa que, talvez, elas não sejam tão frívolas assim. Quando elas se erguem, em perfeita sincronia, como também realizaram o cumprimento, é possível notar que seus rostos também são idênticos, pálidos, arredondados e emoldurados por cachos acobreados, simetricamente alinhados.

– Cinderella, estas são suas novas irmãs, as gêmeas Anastasia e Drisella.

Cinderella se dispõe a fazer uma pequena mesura, mas certamente com muito mais graça do que às das irmãs idênticas. Já que isso não é algo que pode ensinar.

A outra carruagem é prontamente trazida à porta da casa e é a vez de uma mulher, alta e esguia surgir. “A Lady, afinal de contas.”, Cinderella pensa. Prontamente, seu pai se aproxima e ele mesmo ajuda a Lady a desembarcar. Seus movimentos são mais graciosos que os de suas filhas e ela também se contém a uma pequena mesura com sua cabeça, em direção ao marido.

Seu olhar encontra o de Cinderella. Profundos olhos claros em uma pele pálida, mas não com aparência desbotada, como das filhas. Ela é altiva, como se todo o resto do mundo lhe exigisse uma olhada para baixo, para que seja notado.

– Querido, você me disse que sua filha era bela, mas isso é muito irreal. Ela é extremamente bonita, muito mais do que apenas bela. – Sua voz é sedutora e Cinderela imediatamente imagina porque seu pai a escolheu, mas não diz nada, apenas assente em agradecimento.

Rapidamente as bagagens estão sendo levadas para dentro enquanto as três damas conhecem os cômodos da casa.

As garotas logo notam que o quarto de Cinderella é muito grande apenas para ela, e um rápido rearranjo é feito, as duas ficaram no quarto de Ella, e esta foi reacomodada com seus pertences no quarto menor.

Não que fosse tão menor assim, ou que não coubesse ambas as filhas com seus baús abarrotados de roupas. Mas a vista, com certeza, era a melhor da casa. E isso elas não deixariam para Ella.

No jantar, várias são as novas ordens dadas à cozinha. O pato não deveria ser assado menos que uma hora inteira e os legumes precisavam ser cortados com maior exatidão.

“A Lady logo colocará tudo em ordem.”, diz Ludwig, à filha.

O jantar é um repleto som de talheres e tagarelas sobre o dia seguinte, em que as damas iriam à cidade para comprar fitas e novos chapéus.

Cinderella pensou que tudo aquilo era enfadonho. Ela sempre preferira passar o dia na floresta, colhendo frutos para banquetear-se sozinha, brincando vez por outra com alguns animais e nadando na cachoeira. É claro que várias vezes essa solidão era apaziguada pela companhia de Matteo, mas nem sempre ele conseguia escapar das obrigações e encontra-la. Contudo, Cinderella não se ressentia por isso, gostava de ficar sozinha na floresta.

A cada dia que passava, Cinderela precisava inventar uma nova desculpa para não sair com as novas irmãs: uma dor de cabeça, um enjoo, uma febre, uma dor nas pernas, uma indisposição qualquer. Mas, sua madrasta já percebera suas artimanhas e sabia que a Cinderella sempre saia sorrateiramente depois que ela e suas filhas a deixavam em casa. Ela já conquistara a confiança – ou o temor – da maior parte dos empregados.

– Amanhã iremos ao baile do Lorde Augustus, e você deverá nos acompanhar, Cinderella. Comprei um lindo novo vestido para você, que lhe cairá muito bem.

Cinderella não consegue evitar a expressão ranzinza e começa a pensar em qual desculpa será suficientemente convincente.

– Com sorte, o próprio rei comparecerá, em sinal da amizade antiga entre os dois. Vocês três terão uma ótima chance para mostrar seu brio. – Diz a madrasta, sorrindo para as duas filhas.

– Com certeza querida. Inclusive, bons pretendentes para as três estarão lá. – Reforça o marido.

Ella quase se engasga com a comida. Já era demais ser obrigada a comparecer a este tipo de evento, já o dever de agradar pretendentes lhe era demasiado absurdo.

No dia seguinte, todas as tentativas de Cinderella de se fazer de doente, foram abafadas pela madrasta e pelas gêmeas.

As três passaram por um dia de tratamento de pele, quase sem comer para servirem com perfeição nos vestidos de corpetes apertados.

– Terá tempo suficiente para comer depois que retornar do baile, não se preocupe. – Diz a madrasta ao lhe entregar apenas uma maçã como almoço.

Cinderella parte furiosa para dizer seus lamentos à única pessoa a qual confiava.

– Eu não as suporto! E meu pai com essa ideia estapafúrdia de casar-me! – Suas bochechas estavam coradas de raiva e o cavalariço achava que isso lhe conferia ainda mais beleza. E ele a acalmou, do modo como sabia, com beijos longos e amorosos.

– Vamos embora daqui. – Diz Ella.

– O que? – Ele pergunta, franzindo o cenho.

– É, embora. Podemos morar em um casebre, eu cuido da casa e de nossos filhos, você trabalha nos estábulos reais. Pagam melhor que aqui.

Matteo sabia bem disso, já havia recebido a proposta de trabalhar lá. Mas deixar Ella era algo que ele realmente não estava disposto a fazer por algumas moedas a mais. E ainda imaginá-la em um lugar simples e pobre, cuidando da casa é algo que estava totalmente fora de sua capacidade. Ele ri.

– O que foi? Não me ama mais? – Ella diz, ofendida.

– É claro que amo, nunca deixarei de amar, mas não acho que essa vida que descreve seja para você.

– Não sou boa o bastante para você, não é mesmo Matteo? – Seus olhos já estão molhados quando ela fala, mas Ella não dá tempo para que o cavalariço responda, ela sai em disparada para a floresta, correndo e atolando suas botas na lama que se formou da chuva da noite anterior.

A garota continua a correr, desejando não mais retornar para ninguém. Em uma corrida de menos de uma hora, ela chega a cachoeira. Despe rapidamente suas botas e roupas e se joga na água gélida.

Ela fica na água tempo bastante para seus dedos enrugarem e ela sentir a água gelada já confortável em sua pele. Não demora muito a ouvir cascos de cavalo se aproximando. Suas roupas estão distantes e ela nada até a borda da cachoeira para evitar ser vista.

Mas quem surge montado no cavalo de Cinderella é o próprio Matteo, que não tem dificuldades em encontra-la na beirada da água.

– Ella, me perdoe. – Cinderella já havia perdoado em seu coração, mas não deixou que aparentasse isso tão facilmente. Encheu as mãos com a água fria e jogou no rosto de Matteo.

O rapaz sorriu e se deita na beirada da pedra para beijar os lábios doces de sua amada. Apesar disso, o beijo é rápido e ele se levanta e vai buscar as roupas de Ella.

– Aqui estão suas roupas. A Lady já está furiosa com seu sumiço, é melhor não demorar muito para voltarmos.

– Foi ela quem mandou você vir me buscar?

– Sim e não. Eu estava saindo a pé atrás de você, mas ela me viu indo em direção da floresta e mandou que eu deixasse de lado o que iria fazer e montasse em seu cavalo para lhe buscar.

Cinderella apenas assente com a cabeça. O cavalariço estende a mão e fecha seus olhos.

– Prometo não abrir, me dê sua mão que lhe subo até aqui.

– E quem disse que preciso de sua ajuda? – Diz Cinderella, já subindo sozinha, como sempre fazia.

Matteo se vira de costas enquanto ela se veste, contendo a vontade extrema de se virar e beijá-la.

– Pronto! – Diz a garota beijando a nuca do garoto.

– Ella… – Diz Matteo, repreendendo-a e rindo por sua ousadia.

Os dois voltam caminhando lentamente de mãos dadas, aproveitando o pouco tempo sozinhos. Ao se aproximarem da propriedade, Ella monta no cavalo e Matteo segue puxando as rédeas.

– Até que enfim retornou! E está completamente molhada! – Não é a madrasta quem está aguardando Cinderella, mas um pai furioso. – Onde estava, Cinderella?

– Fui nadar. Se não posso sequer comer, pelo menos um banho eu tenho direito.

– Vá logo para seu quarto. O banho de verdade a espera, junto das roupas. Já está atrasada e sua mãe e irmãs não têm de esperar por sua insolência.

– Madrasta. – Ella resmunga em direção ao quarto.

Quando pronta, Ella se encara no espelho. “Pareço ridícula!”, logo pensa. O vestido era extremamente cinturado, algo ao qual ela não estava nem um pouco habituada, era impossível sequer respirar profundamente com ele. A única coisa de que ela gostara fora a cor: um azul igual ao do céu estrelado da noite, salpicado de estrelas douradas bordadas na barra, o que faz com que seus cabelos, também dourados e que estão com algumas ondas meticulosamente preparadas, se destaquem.

Cinderella fica pronta ainda antes das demais mulheres da casa, apenas seu pai está na sala, aguardando.

– Está belíssima, Ella. – Seu pai diz, enquanto lhe dá um reconfortante beijo na testa.

– Obrigada papai.

Em instantes a Lady chega à sala, deslumbrante em um vestido vermelho, que lhe realça ainda mais a alvura. Suas filhas estão em vestidos totalmente diferentes dos de Cinderella, em amarelo e verde alegres e bufantes.

Provavelmente ela achou que assim elas destacariam mais do que a mim. Melhor assim.”. Ella logo pensa.

Os cinco partem na carruagem, em direção ao baile. Cinderella é a única que não está excitada com a proximidade das luzes da mansão e do caminho cheio de carruagens e vestidos coloridos.

Ao desembarcarem, a quantidade de candelabros e excepcional claridade que produzem deixa Cinderella impressionada enquanto ela caminha ao fim da fila que é precedida por seu pai e a madrasta, e, em seguida, pelas as gêmeas.

Assim que eles chegam ao salão, são todos devidamente apresentados:

– Senhor Victorique e Lady Victorique. – Seu pai e a madrasta logo descem os poucos degraus e somem em meio às vestes coloridas do salão.

Em seguida, as gêmeas são apresentadas como senhoritas Victorique, e Cinderella, também.

As gêmeas logo começam a flertar com rapazes, em busca de pares para valsar, o pai de Cinderella está junto a alguns homens, conversando e a Lady está junto de outras mulheres. Ella está entretida próxima ao local de onde saem os criados que estão servindo aperitivos e bebidas, saciando a fome que a importunou durante todo o dia.

Passadas algumas horas, uma trombeta soa e a atenção de todo o salão se volta em direção ao som. A comitiva real estava a postos e um cavalheiro distinto, bem mais jovem do que Ella esperava, surge no alto das escadas.

– Sua alteza real, o rei Thomas III.

Em pouco tempo o rei é convidado a se sentar em um local de destaque e várias pessoas o cercam com gentilezas. Enfim a música retorna e as pessoas voltam a valsar no salão.

– Me concederia a honra desta dança, senhorita?

– Ah! – Cinderella fora pega desprevenida, com um punhado de comida na boca e tudo que foi capaz de fazer, sem parecer ainda mais rude, foi assentir e dar um sorriso que não mostrasse seus dentes.

O rapaz lhe estende o braço e ela o segura, tentando mastigar rapidamente a comida e engoli-la de uma só vez.

Valsando, Cinderella deixa seus pensamentos fluírem. Como ela gostaria que Matteo estivesse ali com ela, como gostaria que ele pudesse ser seu noivo e não um estranho qualquer. Várias pessoas na pista de dança estão aos cochichos e trocam olhares furtivos na direção de Ella.

Ora, posso não ser a melhor dançarina daqui, mas tenho certeza de que também não sou a pior delas.”, Ella logo indaga.

– Estão todos a admirar sua beleza, inclusive, sua majestade. – Diz o seu par de dança.

Continua…

Não deixe de compartilhar o que você achou da primeira parte da história da Cinderella e acompanhar a continuação!
xoxo

creative writing prompts

  • Sandra Regina Mayworm

    Em 05.09.2016

    Li a primeira parte e já estou encantada…imagino o que Ella não aprontará!

  • Luciana de Andrade

    Em 05.09.2016

    Que interessante! Achei a proposta maravilhosa e é claro que o texto está encantador. Parabéns! bjs
    http://www.pilateandosonhos.com

  • babiibueno

    Em 05.09.2016

    Oi Renata.
    Gostei da proposta desse texto .Vou dar uma olhada nesse site também .
    Eu sou da turma que arranha no inglês, mas eu consigo me virar bem .
    Confesso que fiquei com vontade de escrever uma versão também.
    Gostei do seu texto e tenho algumas suspeitas do destino de alguns personagens.
    Vou vim acompanhar aos poucos o restante da sua estória.

    Beijos ♡

    Meu mundinho quase perfeito

  • Retipatia

    Em 05.09.2016

    Oi Babi! O site é bem bacana mesmo, eu recomendo muito. E, mesmo na hora que o inglês apertar, sempre dá pra dar aquela ‘googlada’ básica que salva a vida! rsrs
    Fico feliz que tenha gostado do texto, volta sim pra conferir o restante depois! 🙂
    xoxo

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