Conto ♥ Agridoce

Em 04.04.2017   Arquivado em Contos

Sugestão de música para ouvir durante a leitura: Like I’m Gonna Loose You – Meghan Trainor feat. John Legend

A vida é assim, meio amarga e agridoce.

Toda a bagunça que deixei antes de sair de casa, há três dias, continua me aguardando. Deixo minha mala ao lado do sofá, apenas mais um item para arrumar.

Descalço meus saltos e coloco o celular no carregador. Alongo o pescoço, deixando meu corpo cair sobre o sofá. Preciso me mover. Banho e depois, dormir.

Me levanto e ergo os braços, alongando cada músculo. A claridade da janela me indica que o sol já terminou de se levantar. Talvez com tanto cansaço quanto eu. Meus pés seguem preguiçosos até a cozinha, coloco água para ferver.

O telefone começa a tocar. Somente uma pessoa me ligaria esse horário. Na verdade… basicamente só uma pessoa me liga, além do telemarketing, é claro.

– Oi. – Não contenho a empolgação ao colocar o aparelho no ouvido.

– Adivinha quem acabou de desembarcar?

– Não sei, alguma celebridade? – Falo, já rindo pela surpresa.

– Depende.

– Do que, exatamente?

– Posso ser uma celebridade em alguma realidade paralela. – O sorriso está refletido em sua voz. (mais…)

Conto ♥ Ligação

Em 10.01.2017   Arquivado em Contos, Projetos

Sugestão de música para leitura: Broods – Mother & Father

“O que há de ser, será.”

Essas foram as últimas palavras que saíram da boca dela. Sempre fora assim, algo inócuo e mais clichê do que os ditados populares. Como se uma força misteriosa definisse todo o nosso destino. Ou como se destino, de fato, existisse.

Claro que não existe droga nenhuma dessas. Tudo não passa de um consolo de que, se as coisas estão indo de mal a pior, quer dizer que a culpa não seja – totalmente – sua. Quer dizer que, ainda que você faça tudo da melhor maneira, que dê o seu máximo, não significa que você chegará lá.

Onde é esse ‘lá’, afinal de contas?

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Um Conto de Ano Novo

Em 31.12.2016   Arquivado em Contos

Chega uma época do ano – sempre o fim do ano – em que todos acreditam. Em quê? Em qualquer coisa. Em absolutamente tudo. Como se, magicamente, o clique do relógio pudesse trazer aquelas milhares de oportunidades que desperdiçamos o ano inteiro. Como se tudo que desprezamos por anos, pudesse ser repaginado e, de repente, se tornasse mais alcançável. Como se segundas chances fossem reais e uma injeção de motivação descarregasse em todos.

– Ah! Sua descrença me faz rir, Lorelai.

– Não, é verdade. Cada vez que alguém fala de lista de metas, objetivos e outras idiotices do gênero, me seguro para apenas revirar os olhos e não vomitar em cima delas. – Repondo, fazendo minha melhor revirada de olhos.

– E qual o problema em possuir metas e objetivos, seja mais clara.

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Outra noite qualquer…

Em 30.11.2016   Arquivado em Contos

outra-noite-qualquer

Ao redor, o pio da coruja é o único som que reverbera pela noite junto ao farfalhar do vento na copa das árvores.

Tudo o mais está parado, pacífico. Nenhuma alma viva à espreita, nenhum ser a volta.

Os passos dos meus pés na corrida são abafados pelo amortecedor do tênis. São praticamente imperceptíveis.

Minha respiração já está acelerada, mas nada fora do normal. Mantenho o ritmo de sempre com o calor do exercício se espalhando por todo meu corpo e a batida compassada do meu coração fazendo coro a melodia de Owl City.

O céu mostra sinais da tempestade que está por vir, mas nada que não faça jus à esta época do ano.

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Um Conto de Halloween

Em 31.10.2016   Arquivado em Contos

halloween

Minhas mãos estão tremendo e meu coração bate acelerado. Nada, em toda minha vida, me prepararia para o que está prestes a acontecer.

Ele me encara com a aparência tenebrosa, sedenta. Dou passos trêmulos para trás, mas parece que meus pés foram feitos de concreto e é difícil para meu corpo conseguir movê-los.

Ele se adianta, e jogo tudo que está ao meu redor em seu caminho. Abajur, telefone, empurro a poltrona, jogo quadros.  Mas ele pisa em cada uma dessas coisas como se não fossem nada, como se nada representassem em seu caminho.

Minha voz se foi, não consigo emitir um som sequer e, mesmo minha boca aberta não faz diferença alguma.

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