Conto ♥ Carnis Levale – Parte II

Em 13.02.2018   Arquivado em Contos

Este conto é continuação de Carnis Levale, publicado no último Carnaval, aqui no blog. É possível a compreensão deste sem a leitura do primeiro, ainda assim, ela é recomendada de forma prévia. Se quiser ler a primeira parte primeiro, clique aqui

Talvez eu não estivesse com essa sensação de quem a maresia fez mal se meus planos de não nos falarmos a sós tivesse sido bem-sucedido.

Quero dizer, quase foi. Até a noite de ontem, quando Alexandre me encontrou sozinha a bebericar o vinho do jantar.

– Seria apenas impressão minha, ou você tem evitado ficar a sós comigo?

Quando ouvi suas palavras, fiz questão de tomar todo o conteúdo da taça, talvez esses míseros segundos fossem capazes de me dar tempo para pensar, em exatamente o que, eu não faço ideia.

– Não posso dizer que é mentira.

Seu sorriso aparece, mas não se estende até seu olhar. Desvio o meu até a porta da cozinha, na esperança de que alguém entre e interrompa qualquer direcionamento infeliz que essa conversa possa tomar. Decididamente, o álcool me deixa estúpida.

– Dance comigo amanhã. (mais…)

Um Conto de Natal

Em 30.11.2017   Arquivado em Contos, Projetos

Bom dia, tarde e noite folks!

Pelo título do post pode ser que você tenha entrado aqui para ler mais um conto, como os tradicionais que aparecem aqui no blog. Mas, como já deve estar claro, a proposta aqui hoje é um pouco diferente, já que este é um post-convite.

Um dos contos que foram compartilhados aqui no blog, escrito em especial para o Natal do ano passado, sempre me foi muito querido. Apesar de ter sido escrito e dividido em duas partes, ainda era pequeno demais para os personagens, para a própria história. Então, nesse ano, resolvi que essa história seria contada de maneira apropriada, com todos os detalhes que merece.

E é por isso que Um Conto de Natal será postado em 25 pequenos capítulos lá no Wattpad. Um por dia, do dia 1º de dezembro, finalizando no dia de Natal, 25. Confere só a sinopse: (mais…)

Conto ♥ Sem Título

Em 21.11.2017   Arquivado em Contos

Leia ouvindo: Aurora – Running With the Wolves

Quando parece mais simples, e ainda assim, incômodo.

Como chuva molhando as roupas do varal, como pés molhados dentro do sapato, como o trânsito parado, como interferência na rádio, ou como a ausência de sinal de internet. Como chiclete grudado na roupa. Como a culpa que não é sua. Como pernilongo durante a noite. Como arranhar as unhas no quadro negro. Como pessoas andando devagar na sua frente. Como o telefone chamando sem parar. Como ouvir as músicas na espera pelo atendimento do telemarketing. Como receber uma guardachuvada na rua. Como corte de papel. Como esse parágrafo: extenso. Parado. Repetitivo.

Ter que ter nos ombros o peso de tudo. Ter que ser mais de um, em um. Ter que ter mais de um, em um. Dar conta do recado, e de mais um pouco.

É quando me fecho no meu mundo, quando dou ouvidos apenas às melodias que surgem pelos auto-falantes, que entram pelo ouvido e ressoam pelas veias do corpo.

Como se a janela fosse mais que uma construção, mais que concreto, vidro e metal. Vai além do que os olhos podem ver. É o que a mente capta, o que o espírito sente, o que cada coração palpita e anseia. (mais…)

Conto ♥ Você Olha ou Você Vê?

Em 08.11.2017   Arquivado em Contos

Aqueles olhos que refletem a cor do mundo inteiro, que sempre veem o que enxergam. Ou que veem tudo que os outros são apenas capazes de enxergar.

– Quando foi exatamente que isso começou?

– Quando caímos no sono, ou quando exatamente anoitece? Quando nos apaixonamos ou quando, de fato, sentimos o passar do tempo? Ou quando foi exatamente que tudo começou a dar errado na humanidade?

– Não me responda com outra pergunta, Gisele.

– Sempre respondem às minhas perguntas com outras perguntas…

– Quem? (mais…)

Conto ♥ Stubborn Love

Em 28.07.2017   Arquivado em Contos

Leia ouvindo Stubborn Love, dos The Lumineers

É como um relógio, todas as peças precisam estar funcionando para que ele consiga marcar as horas. Se um pequeno elo se rompe, se o dente de uma engrenagem se desgasta mais que os demais, o ciclo natural do andar das horas é comprometido. Se atrasa. As horas correm em tempo distinto ao que deveriam.

O que é o tempo, afinal de contas? Mera convenção social. Arcaica, retrógrada. Feita para delimitar os afazeres, prender as etapas da vida. Contar o que não deveria ser contado.

– Está fugindo do tema, Helena.

– Estou? – Ela assente.

– Sim, tem visto seu marido?

– A expressão ‘tem visto’ é um pouco vaga. O que exatamente quer dizer com isso? (mais…)

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