Conto ♥ Lucidez

Em 14.02.2017   Arquivado em Contos

Sugestão de música para ouvir enquanto lê: Skinny Love – Birdy

O amor é uma distração. Uma muito boa. Uma distração muito boa para tudo que aconteceu, de tudo que você quer esconder. Ainda assim, não passa de uma distração.

As pessoas costumam insistir que há algo belo e irremediavelmente apaixonante no amor. Bem, se estiverem falando em certos tipos de amor, como aquele que temos por cachorros e gatos ou aquele que a gente aprende do berço para com os parentes mais próximos… mas a questão é que nunca estão. Sempre se referem ao amor hollywoodiano, ao amor que Jane Austen descreve, ao amor de Bentinho e Capitu, até, ou mesmo àquele amor de todo dia que esperam encontrar na esquina do trajeto ao trabalho, na cafeteria, no próprio trabalho, na balada. Talvez tenha me esquecido dos amores salvadores, que aparecem logo antes de alguém morrer. Porque, obviamente, morrer sem ter amado – este tipo de amor, fique claro – é absurdo e inimaginável.

Não, talvez eu não esteja sendo sincera e verdadeira. Qualquer tipo de amor é distração. Se ama muito, se vive pouco, apesar do que dizem. A questão toda é, o quanto se é capaz de fazer por amor? (mais…)

Conto ♥ Porta Aberta

Em 17.01.2017   Arquivado em Contos, Projetos

Sugestão de música para leitura: Good Riddance (Time of Your Life) – Green Day

O sol está nascendo no horizonte no topo da colina em bonitos tons alaranjados que se fundem com o cinza enquanto coloco a água quente na caneca e depois adiciono dois sachês de camomila. A fragrância é tranquilizadora e promete que o dia será leve, apesar de tudo.

Como mamãe sempre dizia, “começar com um pensamento positivo, é sempre metade do caminho”. Talvez seja, de fato. A dificuldade, porém, reside no fato de que não fomos ensinados a isso.

Um minuto depois papai entra na cozinha, com certeza já alimentou todos os animais e já está carregando uma cesta pequena com alguns ovos e o leite em uma lata.

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Conto ♥ Ligação

Em 10.01.2017   Arquivado em Contos, Projetos

Sugestão de música para leitura: Broods – Mother & Father

“O que há de ser, será.”

Essas foram as últimas palavras que saíram da boca dela. Sempre fora assim, algo inócuo e mais clichê do que os ditados populares. Como se uma força misteriosa definisse todo o nosso destino. Ou como se destino, de fato, existisse.

Claro que não existe droga nenhuma dessas. Tudo não passa de um consolo de que, se as coisas estão indo de mal a pior, quer dizer que a culpa não seja – totalmente – sua. Quer dizer que, ainda que você faça tudo da melhor maneira, que dê o seu máximo, não significa que você chegará lá.

Onde é esse ‘lá’, afinal de contas?

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