Conto ♥ Sem Título

Em 21.11.2017   Arquivado em Contos

Leia ouvindo: Aurora – Running With the Wolves

Quando parece mais simples, e ainda assim, incômodo.

Como chuva molhando as roupas do varal, como pés molhados dentro do sapato, como o trânsito parado, como interferência na rádio, ou como a ausência de sinal de internet. Como chiclete grudado na roupa. Como a culpa que não é sua. Como pernilongo durante a noite. Como arranhar as unhas no quadro negro. Como pessoas andando devagar na sua frente. Como o telefone chamando sem parar. Como ouvir as músicas na espera pelo atendimento do telemarketing. Como receber uma guardachuvada na rua. Como corte de papel. Como esse parágrafo: extenso. Parado. Repetitivo.

Ter que ter nos ombros o peso de tudo. Ter que ser mais de um, em um. Ter que ter mais de um, em um. Dar conta do recado, e de mais um pouco.

É quando me fecho no meu mundo, quando dou ouvidos apenas às melodias que surgem pelos auto-falantes, que entram pelo ouvido e ressoam pelas veias do corpo.

Como se a janela fosse mais que uma construção, mais que concreto, vidro e metal. Vai além do que os olhos podem ver. É o que a mente capta, o que o espírito sente, o que cada coração palpita e anseia. (mais…)

Conto ♥ Você Olha ou Você Vê?

Em 08.11.2017   Arquivado em Contos

Aqueles olhos que refletem a cor do mundo inteiro, que sempre veem o que enxergam. Ou que veem tudo que os outros são apenas capazes de enxergar.

– Quando foi exatamente que isso começou?

– Quando caímos no sono, ou quando exatamente anoitece? Quando nos apaixonamos ou quando, de fato, sentimos o passar do tempo? Ou quando foi exatamente que tudo começou a dar errado na humanidade?

– Não me responda com outra pergunta, Gisele.

– Sempre respondem às minhas perguntas com outras perguntas…

– Quem? (mais…)

O que te inspira? ♥ 6 on 6 ♥ Projeto Fotográfico

Em 06.08.2017   Arquivado em Projetos

Bom dia, tarde e noite folks!

O nosso 4 on 4 do mês passado digievoluiu e agora somos o tradicional e conhecido 6 no 6! O mesmo Bat-tema, ‘o que te inspira?’, me levou a tirar 6 fotos representando mais algumas das minhas inspirações… Simbora ver quais são:

Apesar da foto ter várias velinhas e o cheiro delas ser muito inspirador para mim, o processo de fazer velas também é muito inspirador. Pode parecer que é só juntar ingredientes e voilá, sua vela está pronta, mas, para mim, é um pouco mais que isso. Começa com o tema, passa pela cor da vela, pelos aromas que vão compor seu buquê, a confecção da etiqueta personalizada, e então, de fato, fazer a vela com todas suas misturas e cuidados necessários. É o tipo de coisa que podem ter mil tutoriais na internet, mas que alguns detalhes, no fim das contas, você só descobre fazendo e testando. Sim, dá trabalho. Mas é também uma terapia e, desde que abri a Unicorn Candles, minha lojinha de velas, fico cada dia mais satisfeita com os aromas que tenho criado e a recepção das pessoas para com elas. (mais…)

Conto ♥ Stubborn Love

Em 28.07.2017   Arquivado em Contos

Leia ouvindo Stubborn Love, dos The Lumineers

É como um relógio, todas as peças precisam estar funcionando para que ele consiga marcar as horas. Se um pequeno elo se rompe, se o dente de uma engrenagem se desgasta mais que os demais, o ciclo natural do andar das horas é comprometido. Se atrasa. As horas correm em tempo distinto ao que deveriam.

O que é o tempo, afinal de contas? Mera convenção social. Arcaica, retrógrada. Feita para delimitar os afazeres, prender as etapas da vida. Contar o que não deveria ser contado.

– Está fugindo do tema, Helena.

– Estou? – Ela assente.

– Sim, tem visto seu marido?

– A expressão ‘tem visto’ é um pouco vaga. O que exatamente quer dizer com isso? (mais…)

Conto ♥ Devolva-me

Em 19.07.2017   Arquivado em Contos

Leia ouvindo Devolva-me da Adriana Calcanhoto

São as amarras invisíveis as que mais prendem. Sufocam. São como âncoras soltas em alto-mar, que fazem naufragar em meio ao turbilhão de ondas fortes e agitadas que não cessam.

E são ondas extenuantes, repetitivas. Sempre fazem voltar ao fundo, ao silêncio maciço que as águas tomam por debaixo da maré.

Retornam os mesmos sentimentos. Revoltosos. A pergunta que não quer calar é sempre a mesma: as remadas são fortes o suficiente para combater a tempestade ou não?

Perder todas as amarras, todos os nós cegos que fazem ver o que os outros desejam ver e não aquilo que deveria ver. O que é a realidade afinal de contas? Aquilo que se vê ou aquilo que se crê?

Não há menção ou lista, guia ou manual. Nada que faça com que seja mais fácil descascar todas as camadas intangíveis que foram vestidas ao longo dos anos. (mais…)

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