Um Conto de Ano Novo

Em 31.12.2016   Arquivado em Contos

Chega uma época do ano – sempre o fim do ano – em que todos acreditam. Em quê? Em qualquer coisa. Em absolutamente tudo. Como se, magicamente, o clique do relógio pudesse trazer aquelas milhares de oportunidades que desperdiçamos o ano inteiro. Como se tudo que desprezamos por anos, pudesse ser repaginado e, de repente, se tornasse mais alcançável. Como se segundas chances fossem reais e uma injeção de motivação descarregasse em todos.

– Ah! Sua descrença me faz rir, Lorelai.

– Não, é verdade. Cada vez que alguém fala de lista de metas, objetivos e outras idiotices do gênero, me seguro para apenas revirar os olhos e não vomitar em cima delas. – Repondo, fazendo minha melhor revirada de olhos.

– E qual o problema em possuir metas e objetivos, seja mais clara.

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Outra noite qualquer…

Em 30.11.2016   Arquivado em Contos

outra-noite-qualquer

Ao redor, o pio da coruja é o único som que reverbera pela noite junto ao farfalhar do vento na copa das árvores.

Tudo o mais está parado, pacífico. Nenhuma alma viva à espreita, nenhum ser a volta.

Os passos dos meus pés na corrida são abafados pelo amortecedor do tênis. São praticamente imperceptíveis.

Minha respiração já está acelerada, mas nada fora do normal. Mantenho o ritmo de sempre com o calor do exercício se espalhando por todo meu corpo e a batida compassada do meu coração fazendo coro a melodia de Owl City.

O céu mostra sinais da tempestade que está por vir, mas nada que não faça jus à esta época do ano.

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Um Conto de Halloween

Em 31.10.2016   Arquivado em Contos

halloween

Minhas mãos estão tremendo e meu coração bate acelerado. Nada, em toda minha vida, me prepararia para o que está prestes a acontecer.

Ele me encara com a aparência tenebrosa, sedenta. Dou passos trêmulos para trás, mas parece que meus pés foram feitos de concreto e é difícil para meu corpo conseguir movê-los.

Ele se adianta, e jogo tudo que está ao meu redor em seu caminho. Abajur, telefone, empurro a poltrona, jogo quadros.  Mas ele pisa em cada uma dessas coisas como se não fossem nada, como se nada representassem em seu caminho.

Minha voz se foi, não consigo emitir um som sequer e, mesmo minha boca aberta não faz diferença alguma.

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